Notas iniciais
Obrigado a todas as meninas que comentaram, leram, favoritaram, acompanharam enfim... todas que deram uma passadinha aqui! Fiquei muito feliz que vocês gostaram da fic, eu sei que é AU meio diferente dos que são vistos por aqui mas eu garanto que vai valer a pena! Enfim, esse é o segundo capítulo. Quem puder e quiser favoritar a fic para ajudar na divulgação dela, eu agradeço e fico muito feliz! Boa leitura!

E esse mundo antigo é um novo mundo

E um mundo destemido

Pra mim

Estrelas quando você brilha você sabe como me sinto

O aroma do pinho você sabe como me sinto

Oh a liberdade é minha

E você sabe como me sinto

É um novo amanhecer

É um novo dia

É uma nova vida

Para mim

E eu estou me sentindo bem

Todo homem carrega uma bagagem. Símbolos da sua lealdade e genealogia.

― Olá Caroline. ― O presente sotaque em sua voz rouca e sexy chamou minha atenção para a realidade.

Sua voz era fria como gelo e me deu calafrios na espinha. Assim como seu corpo e sua postura, ele parecia alguém sem sentimentos e sem ações. Frio e imóvel como uma estátua de gelo.

― Você consegue entender o que eu estou falando? ― Ele disse com um ar de preocupação comigo, mas preocupado com o caso de eu ainda estar drogada e não conseguir responder suas perguntas como se ele só estivesse perdendo tempo. Fiz que sim com a cabeça ainda um pouco tonta. ― Bom. ― Pela primeira vez ele esboçou um pequeno sorriso, quase invisível. Acho que se ele não estivesse tão perto de mim eu nunca ia ter notado.

― Vai me matar? ― Só me dei conta da minha pergunta depois que já tinha falado. Eu me peguei surpresa pelo tom da minha voz que estava rouca por falta de uso e chorosa, demonstrando toda a minha preocupação.

― No seu aniversário? ― Ele me olhou com aquela maldita cara de preocupação de novo mas dessa vez com a minha sanidade. Mas parecia estar feliz por saber que eu o temia. ― Pensa assim tão mal de mim?

― Alguém capaz de drogar, raptar e depois amarrar uma garota inocente. Sim. ― Levantei um pouco meu rosto, finalmente olhando na imensidão dos seus olhos azuis.

― Me desculpe, eu não queria que as coisas fossem dessa maneira. ― Toda a calma e concentração que ele tinha em sua voz me assustavam de certa maneira. Ele era muito controlado e calculista, não se alterava em momento algum se ele perdesse o controle eu nunca ia saber quando. ― Meus problemas não são com você, se você está aqui agora só tem que culpar os seus pais. São as consequências das ações deles que nos colocaram nessa situação.

Meu coração acelerou e eu podia sentir ele bater na minha garganta, o medo tomou conta. Então não era tráfico, não era sequestro por diversão, nenhuma das ideias que eu tinha pensado antes... era um crime contra os meus pais.

― Não tem que se preocupar, não vou machucar você. Só vou se for necessário mas, para isso preciso que você colabore comigo, tudo bem? Até agora você está indo muito bem. Respondendo minhas perguntas como uma boa garota. Não está gritando, esperneando desesperada como se pudesse sair daqui, como sua amiga Elena, você sabe que isso só será energia gasta em vão. Foram seus pais que lhe ensinaram isso?

Elena, meu Deus! Por um momento tinha até me esquecido dela. Olhei a minha volta e vi que eu estava sozinha. Onde estava Elena? Por um momento tive um sentimento ruim como se acreditasse que ela... não! Não! Eles não poderiam matar ela!

― Ela não está morta. Só não está aqui. ― Ele disse como se pudesse ler a minha mente, me assustando mais ainda.

― Quem é você? O que você quer? Deixe Elena ir, ela não tem nada a ver com isso. ― Falei tentando manter a calma e controle como ele, mas eu estava tão desesperada que era inegável o descontrole na minha voz baixa e falha por choro segurado.

― Ah, eu quase me esqueci. Deixe-me apresentar... Meu nome é Klaus. Talvez você me conheça pelo meu apelido ― Ele engoliu antes de falar. ― o Híbrido.

Como se uma onda de choque e desespero maior do que eu imaginava me atingiu naquele momento. O Híbrido, eu já tinha ouvido histórias sobre ele... histórias que eu ouvia por de trás das portas da minha casa ou apenas por ouvir sem querer dentro da minha casa, na rua. Histórias sobre um impiedoso e cruel gangster que mandava nesta cidade. Eles o chamavam de Híbrido... Cruel como o demônio, ele matava, ele punia, destruía, caçava, sem misericórdia. Quem quer que fosse que entrava em seu caminho da maneira errada estava morto. Talvez eu fosse apenas mais uma de suas vítimas.

― Você já ouviu histórias sobre mim, Caroline? Acredito que sim, pelo modo como reagiu ao que eu falei. ― Fiz que sim com a cabeça e ele continuou. ― Já disse que não vou machucá-la se não for necessário. Seus pais pegaram algo meu, algo de grande importância para mim e minha família. O nome Elijah lhe vem alguma coisa na cabeça?

Elijah. Elijah. Elijah. Vamos lá, pense Caroline... você já ouviu dele e de seus pais que quanto mais a vítima coopera mais chances de sobreviver ela tem. Procurando por toda a minha mente pelo nome Elijah eu não conseguia encontrar nada, talvez porque eu estava apavorada e certa de que ia morrer ali e agora... eu fazia todos os meus esforços.

― Eu não sei... ― Falei engolindo o choro e sem esperanças. Lágrimas escorreram pelos meus olhos contra a minha vontade, eu queria limpa-las.

― Pense um pouco mais, querida. ― Klaus se aproximou tanto de mim que eu podia sentir a energia poderosa que saia de seu corpo e vinha contra o meu, me atravessando como um fantasma. Ele levantou uma mão na altura do meu rosto, por um momento eu jurava que ele ia me dar um tapa, mas com toda a delicadeza e cuidado ele passou o polegar sobre meu rosto enxugando minhas lágrimas. Seu toque era carinhoso e gentil para a minha pele, por um momento todo o meu medo se foi mas era ele que eu deveria temer mais do que tudo. Aquelas mãos que tiraram tantas vidas ainda traziam um tipo de paz falsa para outra. ― Então? Alguma coisa para me dizer?

― Eu não sei. Eu juro que não sei, se eu soubesse eu falaria... ― Não pude mais aguentar e me deixei levar pelo pânico caindo no choro desesperado e sem controle.

― Tudo bem. Nós temos tempo. ― Ele se afastou de mim um pouco impaciente. Talvez com raiva por eu não ter falado nada de positivo ou que ele pudesse usar. ― Coloquem o capuz nela. ― Ele gritou na direção dos enormes portões do galpão.

De lá de fora dois altos e fortes rapazes vieram até mim. Bastou eles se aproximarem um pouco e eu os reconheci de ontem a noite. Um era Matt, o barman e o outro era o rapaz de cabelos loiros e olhos verdes que me drogou.
Matt chegou perto de mim e colocou um capuz preto sobre a minha cabeça não me deixando ver mais nada. Eu comecei a chorar descontroladamente enquanto o outro me desamarrava da cadeira.

― Por favor! Por favor, me deixem ir. Eu prometo que não vou dizer nada a ninguém. Eu não sei de nada, eu juro! Por favor! Por favor! Eu faço qualquer coisa. ― Implorei sem poder olhar para os seus rostos mas eles nem se deram o trabalho de me responder. Me sentia um cadáver implorando pela vida.

Quando eu já estava solta não tive tempo nem de me mexer e tentar fugir para algum lugar, um dos rapazes me pegou pela cintura e me jogou em seus ombros.
Me levaram até um carro e eu lembro de estar sentada entre dois deles, provavelmente Matt e o outro. O carro passou por um caminho violento, o que me levou a pensar que provavelmente estávamos na área industrial da cidade, lá tinha um monte desses galpões vazios e abandonados, só o que me preocupava agora era para onde eu estava sendo levada. O silêncio era constante dentro do carro e eu sabia que eles não iriam falar nada na minha frente. Depois que saímos da estrada esburacada andamos por uma estrada confortável por uns dez ou quinze minutos apenas e voltamos para uma estrada esburacada. Mais vinte minutos de silêncio e então o carro parou. As portas do carro se abriram e eu fui praticamente arrastada para fora do carro, senti o cascalho no chão. Estávamos em alguma área rural da cidade.
Meu capuz foi puxado bruscamente da minha cabeça e a luz do sol queimou minhas retinas, desacostumada com toda a claridade. Olhei tudo a minha volta com curiosidade. Havia uma floresta, uma cabana e um lago a nossa frente. O lugar perfeito para se jogar um cadáver. Olhei a minha volta e vi Klaus parado alguns metros a minha frente, depois vi Matt e o outro rapaz, ele me segurava pelos dois braços me impedindo de fugir.

― O que estamos fazendo aqui? ― Perguntei mas já imagina, eles iriam me matar.

― Nosso primeiro contato, querida. ― Klaus se virou para mim e caminhou na minha direção. Ele segurava um celular na mão direita e dava um pequeno sorriso empolgado. ― É o seguinte, vou ligar para os seus pais agora e vamos negociar, tudo bem? Mas eu preciso que você se comporte muito bem, porque se não vai pagar por isso. Entendeu? ― Ele disse firme, cada palavra muito bem pronunciada e colocada de maneira ameaçadora. Eu sabia que tinha que seguir o que ele disse, ou ia me arrepender.

Ele pressionou a tela do celular e então como estava no vivo a voz eu pude ouvir. Chamou apenas uma vez e então foi atendido, do outro lado eu ouvi a voz do meu pai, por um momento eu fiquei tão feliz, que apesar de estar chorando eu sorri.

― Alô. ― A voz de meu pai falou do outro lado da linha. Ele estava tenso e nervoso, eu tinha certeza. Sabia que nesse momento ele estava pirando e minha mãe chorando. Minha casa provavelmente estava cheia de polícias e aqueles equipamentos do FBI, eles estavam me procurando por toda a cidade, eu sabia.

― Olá, Bill. Como você está? ― Klaus disse empolgado, até feliz com a ligação. ― Eu acho que está na hora de conversar. Você tem algo que eu quero e eu tenho algo seu.

― Seu desgraçado, doente! Onde está minha filha? Eu vou matar você, me ouviu? Se você a machucou, juro por Deus que vou te matar da pior maneira possível!

― Relaxe, Bill. Sua garotinha está bem, vou até te deixar falar com ela. ― Klaus apontou o celular na minha direção e o garoto tirou a mão da minha boca, finalmente me deixando falar.

― Pai! Pai! ― Eu gritava em desespero e choro. ― Pai, eu estou bem! Pai, por favor! Mamãe!

― Está tudo bem, querida! Tudo bem! Papai e mamãe vai buscar você, tudo bem! ― Meu pai falava do outro lado tentando me passar calma enquanto eu chorava em desespero, mas minha boca foi tampada novamente. Eu continua a gritar em vão, porque tudo que saia eram ruídos incompreensíveis.

― Como você viu, sua garotinha está bem. Inteira, sem nenhum arranhão. Espero o mesmo do meu irmão, Bill. Eu espero que você não se importe mais ela vai passar o aniversário comigo, amanhã vou te matar um endereço, eu e você vamos nos encontrar cara a cara, vou levar sua garota e você vai levar o meu irmão. Sem polícia, só nós dois. ― E foi só isso. A conversa acabou e eu chorei de novo.

Klaus pegou o celular e o desmontou por inteiro, tirou a bateria e jogou para um lado. Depois o chip jogou dentro do lago e o aparelho ele jogou no chão e pisou em cima até ele virar só um monte de lixo. Depois que estava tudo acabado ele olhou para mim e deu um sorriso perigoso.

― Seu monstro! ― Gritei chorando. ― Eu não sei de nada, ok? Eu não posso te ajudar! Meu pai vai achar você e vai te matar. ― Perdi o controle completamente.

Acho que quando a vítima fala com a família isso meio que a faz perder o controle, porque ela não vê até que ponto ruim as coisas estão até falar com eles. Eu estava em pânico, eu não aguentava mais. Lutei nos braços do garoto tentando me soltar mais era em vão, ele era bem mais forte do que eu.

― Não seja uma garota malvada a essa altura do campeonato, Caroline. ― Klaus disse firme para mim. ― Vamos. ― Ele começou a caminhar na direção do carro e eu me recusava a andar, mas de nada adiantou já que o garoto me jogou em seus ombros novamente.

Quando entramos no carro eu não parei de me mexer e tentar abrir uma das portas e eu sabia que isso estava irritando Klaus. Ele se virou no banco do motorista e olhou para o banco de trás.

― Coloquem ela para dormir. ― Ele deu a ordem que obedecida de imediato.

Então foi só isso, um dos rapazes que eu não tive a chance de ver nem qual colocou um lenço sobre minha boca e meu nariz, por um momento eu não respirei mais eu sabia que se ficasse sem ar iria desmaiar ou pior, morrer. Então era melhor dormir por enquanto, afinal, tinha certeza de que eles iam me levar de volta para o galpão e me deixar lá. Respirei fundo e senti o cheiro forte queimar minhas narinas e minha garganta. Parecia lança perfume, mas com toda certeza não era.
Acordei dando um pulo na cama, como quando você está pegando no sono e tem a sensação de que está caindo e acorda assustado, sabe essa sensação? Foi como eu acordei. Esfreguei os olhos e olhei para frente, me sentia tão confortável e até descansada que achei por um momento que tudo não passou de um sonho ruim, mas vi que estava em um quarto que não conhecia. O quarto era bonito e muito bem decorado, uma decoração de outra época que eu não tinha certeza, nunca fui boa em história. Mas era o tipo de coisa que só se vê em casa de gente rica. Olhei a cama que eu estava deitada, era enorme e confortável, se eu não estivesse tão desesperada para fugir eu ia continuar ali. Me levantei da cama e vi que meus sapatos não estavam ali, fui até a porta e puxei a maçaneta... trancada. Que surpresa!
Bati na porta com a mão fazendo um barulho, alguém lá fora precisava me ouvir. Eu estava suja, com sede e com fome.

― Olá? Tem alguém ai? Eu estou com sede e com fome! ― Gritei batendo na porta, mas não tive resposta.

Voltei para a cama e me sentei na mesma, cansada e sem forças para ficar gritando com as paredes. Olhei a minha volta procurando por uma janela, mas não havia nenhuma ali. Ouvi o som da fechadura da porta sendo destrancada pelo lado de fora e a porta finalmente se abriu. Era Klaus, ele entrou no quarto e fechou a porta atrás de si.

― Finalmente você acordou. ― Ele falou, dando um passo na minha direção e se aproximando da cama, fiz questão de me arrastar para longe dele na cama. ― Porque está fugindo de mim como se eu tivesse um doença contagiosa? ― Perguntou ele com a curiosidade evidente na voz. ― Não precisa ter medo de mim, já te falei isso, não falei?

― Não tenho medo, tenho ódio. ― Engoli em seco. ― Tenho medo de mim, que se você chegar perto demais eu posso arrancar sua cabeça com as mãos. ― Falei o fazendo dar uma gargalhada gostosa pela primeira vez. Quase que eu sorri junto com ele, sobre o absurdo que eu havia falado mas eu estava com tanta raiva que seria capaz mesmo.

― Eu adoraria ver você tentar, meu bem. ― Ele passou a língua pelos lábios, os deixando úmidos. Eu odiava quando Klaus fazia isso, tentando mudar os meus sentimentos de ódio para algo como... desejo, eu não sei. O vermelho vivo dos seus lábios cintilavam sobre meus olhos, eram lábios de labirintos que atraiam os meus instinto mais sacanas. Vi um sorriso mal se formar nos seus lábios, ele percebeu o que eu estava encarando. ― Você encara com tanto desejo Caroline, como se estivesse com fome de carne. Quer provar?

Seu corpo esguio parado diante de mim, os ombros relaxados e como a camiseta se desenhava em seu tórax, os botões de cima da camisa abertos revelando o seu peitoral musculoso e branco como neve. Ele foi capaz de conseguir o que queria, mudou meus sentimentos de medo para desejo. Mesmo sendo o monstro, o gangster, o meu sequestrador ele se tornava irresistível para mim.
Ele encheu os pulmões de ar e estufou o peito, não tinha mais aquela expressão de controle. Agora sim ele parecia que ia perder o controle, achei que nunca ia ver isso mas eu estava ali, na presença viva.

― Você me desperta um sentimento de curiosidade e desejo como o bem desperta no mal. Como um anjo desperta em um demônio, só me deixe... ― Enquanto ele falava, a distância entre nós acabou, Klaus estava parado bem na frente da cama.

Como um movimento contra a sua vontade, Klaus agarrou meus pés com as duas mãos e me puxou pela cama até a beirada da mesma, ficando bem próxima dele. Era como se ele não pudesse mais se controlar, como se tivesse um animal dentro dele que queria fazer isso a muito tempo e estava ali agora, realizando os seus desejos.
Eu deveria estar tremendo de medo, tentando correr, fugir, espernear porque ambos sabíamos o que estava para acontecer a seguir. O desejo nos olhos de Klaus não negava o que ele queria fazer comigo e não eram coisas boas. Mas eu não conseguia, tudo que eu queria era me entregar naquele momento, ele era tão magnético. Suas mãos foram até os meus ombros e me empurraram, fazendo eu me deitar na cama. Meus cabelos loiros se espalharam pela mesma, eu estava ali deitada e vulnerável enquanto ele me devorava com o olhar e eu a pobre vítima que não podia e não queria reagir.
Klaus me atacou como um tigre ataca o seu alvo, saltando sobre mim. Suas mãos prenderam as minhas sobre a minha cabeça, seu corpo se deitou sobre o meu se encaixando em vários lugares estratégicos. A respiração ofegante dele contra meu rosto e eu tentando com todas as forças manter a minha calma. Seu nariz estava a alguns centímetros do meu, eu não podia tirar meus olhos do azul dos dele. Meu corpo sabia melhor do que eu, o modo como afastei minhas pernas e deixei ele se aconchegar deitado entre elas. Eu não sabia se lutava para ele parar ou se deixava ele me dominar de uma vez por todas. A beleza do Híbrido me deixa zonza e tonta, um simples alvo que não sabia reagir e se deixava dominar. Ele tocou minha bochecha com o nariz e foi descendo pelo meu rosto até minha orelha, sua barba esfregando na minha pele me dava arrepios deliciosos, eu apenas fechei os olhos e aproveitei cada toque ele tinha para me dar. Meus seios pressionados contra seu tórax musculoso.

― Como pode ser tão irresistível para mim, Caroline? Sendo inocente como uma criança e eu experiente como um veterano de guerra. ― Ele sussurrou rouco no meu ouvido e não se segurou mais.

Afundou o rosto em meu pescoço e o beijou, seus lábios contra a minha pele era como fogo contra gelo. Nós apenas queimávamos e derretíamos juntos. Soltei um gemido abafado e frustrado enquanto ele beijava o meu pescoço. Ele pressionou mais seu corpo contra o meu, me fazendo sentir cada centímetro do corpo dele que estava sobre o meu e algo mais. Seu cheiro delicioso, um cheiro único. Era perfume masculino e whisky forte, eu respirava com mais força apenas para sentir mais seu cheiro e guardá-lo para mim. Klaus empurrou seu quadril contra o meu com força, meu vestido preto e colado no corpo subiu sozinho até o fim das minhas coxas deixando caminho aberto para ele, o volume no seu jeans era inegável, ele estava se sentindo tão bem quanto eu. Cada pedaço da minha intimidade estava molhado e chamando o seu nome, enquanto ele se esfregava com força em mim. Me contorci de prazer e gemi alto seu nome.

― Oh, Klaus! ― Ele levantou o rosto quando chamei seu nome, eu ainda permanecia de olhos fechados e mordia meus lábios de prazer, enquanto ele assistia as minhas expressões de prazer sem parar de movimentar seu quadril contra o meu. Senti a ponta do seu nariz contra o meu, lábios bem próximos... sua respiração contra a minha e as duas se formando numa só.

Eu tinha me entregado, tinha perdido, não o odiava mais eu apenas o queria mas isso durou menos do que eu desejava. Klaus se afastou de mim bruscamente, soltando minhas mãos e se levantando da cama ele ficou parado na minha frente, abri meus olhos e o olhei sem entender o que aconteceu. Sua cara estava pálida e assustada como se ele tivesse visto um fantasma, sua respiração acelerada.

― Vou mandar alguém trazer roupas para você tomar banho. ― Foi a única coisa que ele disse sem olhar para mim, com os olhos baixos.

Me deixando ali, humilhada, cheia de desejo e caída por ele saiu do quarto batendo a porta. Em seguida ouvi o som da fechadura sendo trancada. Não movi nenhum músculo, fiquei na mesma posição desde quando ele estava sobre mim. Me sentindo envergonhada e humilhada com a atitude dele e mais ainda com a minha por me entregar a ele como uma garota apaixonada. Me levantei da cama e puxei meu vestido para baixo, tentando me recompor.
Eu estava tentando o meu melhor para não romper em lágrimas novamente, meus olhos já estavam ardendo de tanto chorar. Minha vida não era para ser assim, essa não é a minha vida. Eu deveria estar longe dessa loucura. No entanto, aqui estou eu, derrotada e envergonhada, presa como se estivesse esperando para morrer. Presa e trancada na caverna do diabo, mas não vou me permitir cair. Nem agora, nem nunca. E, especialmente, não por ele! Ughhh! Como eu pude ser tão burra? Deixar ele fazer isso comigo e o que me assusta mais é eu ter gostado. Assustada não a melhor palavra era apavorada. Mas isso, isso era demais para simplesmente lidar, eu não conseguia. Verdade seja dita, levei uma vida muito segura e protegida, a garotinha do papai. Agora do dia para a noite eu me tornei o cordeiro sacrificial dos jogos de poder e dominação de Klaus, a sua moeda de troca e brinquedinho sexual.
A porta do quarto se abriu ganhando minha atenção novamente, olhei na direção da porta esperando por Klaus novamente mas fiquei surpresa quando vi a garota ali. Ela era loira, tão loira que os cabelos quase chegavam a ser brancos. Seu rosto era angelical e bonito como de um anjo, ela também tinha olhos azuis. Sua pele era branca como a minha e ela tinha sardinhas bonitas sobre o nariz. Eu tinha certeza de que ela tinha a minha idade. Olhei para as suas mãos e vi que ela carregava algumas roupas, ela deu um sorriso gentil para mim ao entrar no quarto como se quisesse dizer olá.

― Oi! Eu sou Rebekah. ― Ela disse dando um sorriso simpático como se isso fosse mudar a minha situação ou a minha cara de enterro. Rebekah tinha na fala a mesma presença do sotaque que Klaus. ― Sou irmã de Nik.

― Nik? ― Perguntei um pouco confusa.

― Klaus. ― Ela disse sem jeito. ― Niklaus é o nome dele. Ele é meu irmão mais velho. Pediu para que eu lhe trouxesse algumas roupas para você tomar banho, são minhas mais pode ficar para você. Acho que usamos o mesmo tamanho. ― Ela disse gentil, pela primeira vez no dia parecia que alguém estava sendo realmente legal comigo. Rebekah colocou as roupas sobre a cama. Uma calça jeans skinny preto e um suéter, mas um par de roupas íntimas em um saquinho, ainda etiquetadas. Ela abaixou os olhos e olhou para os meus pés descalços. ― Acho que você vai precisar de sapatos também.

― É. ― Encolhi meus ombros envergonhada.

― O banheiro desse quarto não tem água quente e pela sua cara imagino que um banho gelado só ia piorar as coisas. ― Ela deu uma risadinha. ― Mas você pode tomar banho no meu quarto. Você está bem? Porque eu estou falando um monte aqui e você está ai toda monossílaba, eu sei que isso deixa um pouco as pessoas sem jeito mas eu sou de falar bastante, chega a ser irritante as vezes. Se você não quiser conversar tudo bem, posso sair... ― Ela ia se mexer mais eu falei rápido não a permitindo.

― Não! Por favor! ― Fiz uma pausa. ― É só que... você é a primeira pessoa que é legal comigo em horas e não está me drogando, ou colocando um capuz na minha cabeça. Eu só acho que me esqueci como falar com as pessoas.

― Ah, entendi. É, os rapazes conseguem ser bem maus quando eles querem. ― Rebekah encolheu os ombros. ― Sinto muito pelo o que meu irmão tem feito com você.

― Como... como você consegue se manter tão calma com tudo o que tem acontecido? Seu irmão me sequestrou e agora manda você aqui para me entregar roupas, você não se sente mal? ― Perguntei, preocupada com toda a tranquilidade dela. Talvez fosse mal de família.

― Não. E você deveria não se sentir também. Nik não vai matar você, se fosse ele já teria feito isso a muito tempo e não teria trazido você para nossa casa. ― Rebekah deu de ombros. ― Ele nunca fez isso. Você e sua amiga estão em segurança.

― Elena? Você viu Elena? Ela está bem? ― Meus olhos faiscaram por um momento. Elena, pobre Elena. Eu não sei o que surpreendeu mais, eu estar na casa de Klaus ou Elena ainda estar viva.

― Ah, ela está ótima! Ela já até se enturmou com o pessoal. ― Disse Rebekah naturalmente. ― Ela é super legal e fica perguntando de você o tempo todo.

― Pode me ajudar a vê-la?

― Você vai ver ela, na hora do jantar. Mas você precisa tomar banho primeiro, Nik iria pirar se visse você desse jeito na nossa sala de jantar. ― Rebekah encolheu os ombros.

― Tudo bem! ― Acenei positivamente.

Rebekah ia me levar para fora dali, finalmente. E eu ia encontrar Elena e nós íamos dar um jeito de sair dali.

Notas finais
Gostou? Comenta aí o que achou! Ou o que quer que aconteça, ou o que acha que devo mudar. Também se não tiverem entendido algo ou quiserem saber de alguma coisa, podem perguntar meninas. Obrigado pra quem leu até aqui, beijos! ♥