Criminal
3 Close To You
Notas iniciais
Olhos solitários me vigiando,
Eu posso ver o que você quer me ver
Eu quero estar perto de você
Tudo o que precisamos agora é o escuro,
Sombras dançando seguir em frente às paredes brancas.
Eu quero estar perto de você
Dê-me fogo, me dê fogo
Ele vai queimar todo o seu medo para longe
Eu ainda tenho meus olhos em você, baby
Eu quero estar perto de você
A porta do quarto em que eu estava se abriu, Rebekah saiu primeiro e eu a acompanhei. Estávamos em um longo e corredor bem iluminado, ele era cumprido e no fim havia uma escada, o que me levou a acreditar que eu estava em um tipo de porão. Nesse corredor haviam outras portas ao longo dele, deduzi que eram quartos como o meu também.
― Rebekah, você disse que seu irmão não costuma trazer pessoas para cá... quer dizer, que eu e Elena somos as primeiras? ― Perguntei curiosa, eu não sabia se devia mas, eu não aguentava mais, tinha tantas perguntas e tinha de faze-las. A partir do momento em que ela disse que estávamos na sua casa eu não pude deixar de pensar sobre isso.
― Não, Nik não trás trabalho para a casa. Como ele mesmo diz, ele não caga onde come. ― Rebekah não pode deixar de dar uma risadinha com a expressão. ― De qualquer forma, você é a primeira em tudo, basicamente. Nik não trabalha com sequestros.
― Ah não é? ― Nós duas caminhávamos pelo enorme corredor em direção a escada. ― Porque para mim ele parecia muito experiente nisso.
― Espere só para ver ele fazendo assaltos. ― Ela brincou. O bom humor de Rebekah me deixava confortável, eu até meio que me esquecia da situação em que estávamos. Ela era sempre tão tranquila de bem com a vida, como se nada pudesse acabar com seu dia. ― Nik só pegou você porque seus pais pegaram nosso irmão Elijah, não necessariamente seus pais, eles não estão mantendo nosso irmão no porão da casa de vocês, é claro. Mas o FBI está e foram seus pais que fecharam nosso irmão, isso o tirou do sério.
Elijah, novamente a pronuncia desse nome. Procurei em minha mente de novo, com mais calma e paciência, sem pressão. Parecia até mais fácil e eu podia pensar com mais clareza do que o normal agora, foi então que me lembrei... Elijah! Oh meu Deus! Eu já tinha ouvido esse nome diversas vezes na minha casa mas nunca tomei como importante, talvez seja por isso que não me lembrei.
― Elijah! Eu me lembro... agora sim! Eu posso falar algumas coisas para o seu irmão agora. ― Falei empolgada para Rebekah, enquanto subíamos os degraus íngremes da escada feita de cimento.
― Tenho certeza que Nik vai ficar feliz de ouvir você mas antes você precisa tomar um banho e se arrumar para o jantar. Não disse que quer ver sua amiga Elena? Uma coisa de cada vez. ― Rebekah disse toda paciente.
A escada levava até uma enorme porta de madeira, a porta lembrava muito a decoração do quarto em que eu estava antes. Quando Rebekah abriu a porta que dava em um outro corredor de um casa, a decoração da casa era a mesma. O lugar era grande, bonito e muito bem feito, exalava riqueza. Eu não conseguia imaginar nenhum lugar que eu tenha estado na cidade que seja assim.
― Onde exatamente em New Orleans fica esta casa, Rebekah? ― Perguntei olhando tudo a minha volta, encantada. Como uma criança em uma loja de brinquedos.
― Onde você acha, bobinha? Na rua Bourbon, onde mais é o reino de Nik? ― Ela me olhou com um sorriso simpático.
A rua Bourbon era a Las Vegas de New Orleans. Aqui a festa era dia e noite, todos os dias, todos os meses e todos os anos, era um carnaval sem fim. O lugar perfeito para um traficante se esconder, onde mais ele teria tanto lucro? Em um lugar onde a festa nunca acaba e esse lugar era a rua Bourbon.
Rebekah me levou até o seu quarto, que não era menos luxuoso do que todo o resto da casa. Ela me guiou até o seu banheiro e disse para eu ficar a vontade, me apontando as toalhas num armário que havia ali. Então ela saiu me deixando sozinha. Olhei todo o banheiro procurando por alguma janela ou coisa assim, mas só haviam pequenas janelas no alto e eu tinha certeza que não conseguiria passar por elas, então fiz o que eu estava ali para fazer de verdade, tomar banho. Tirei meu vestido preto por cima da cabeça, me sentindo aliviada por não estar mais tão apertada por ele, depois tirei meu conjunto de lingerie também preto que estava usando por baixo. Fui até o box do banheiro e abri a torneira do chuveiro, um jato de água quente começou a cair de imediato. Entrei embaixo do chuveiro, me sentindo aliviada com a água quente contra a minha pele, era como massagem a essa altura do campeonato. Me demorei bons vinte minutos no banho, relaxando se é que era possível, tirando toda aquela crosta de sujeira, tristeza e pânico do meu corpo. Quando sai dali me senti como se fosse uma nova garota, pronta para outro round.
Enxuguei parte do meu cabelo com a toalha e o resto sequei com um secador de cabelo que havia no banheiro. Meu cabelo loiro em sua forma natural formou os meus cachos ondulados que eu odiava e fazia questão de mantê-los escondido com chapinha mas agora era inevitável, os ajeitei da melhor forma que pude e sai do banheiro já vestida. Rebekah estava me esperando sentada na cama, em cima da mesma havia uma caixa de sapatos e uma meia.
― Oh, você acabou... ― Ela sorriu me olhando. ― Eu encontrei um coturno que ainda não tinha usado, você pode ficar com ele também. ― Apontou para a caixa de sapatos.
― Obrigado. ― Agradeci tão baixo que até fico em duvida se ela realmente ouviu.
Me sentei na cama ao lado dela enquanto tirava os coturno novos de dentro da caixa e os vestia, depois das meias é claro. Quando finalmente estava pronta me levantei da cama ao mesmo tempo que Rebekah. Nós fomos interrompidas quando a porta do seu quarto abriu bruscamente e por um momento achei que era Klaus, mas depois eu o vi parado ali. O rapaz loiro que me drogou estava ali, ele ficou surpreso quando me viu no quarto de Rebekah e olhou de mim para ela várias vezes seguidas. Seus belos cabelos loiro acinzentado estavam escondidos embaixo de um boné de baseboll que ele usava para trás, as sobrancelhas grossas flexionadas com a cena que assistia.
― O jantar está na mesa. ― Foram suas frias palavras para nós antes de nos deixar sozinhas de novo, o som da porta se fechando me fez olhar para Rebekah, ela suspirava.
― Tudo bem? ― Perguntei, estranhando a forma com que ela estava agindo.
― Sim, está tudo ótimo. É só que... ele tira o meu fôlego. ― Ela deu uma risada nervosa, como se não fosse para falar isso. ― Tira o seu também?
― Com toda certeza ele tira, especialmente quando está me drogando. ― Forcei um sorriso e Rebekah gargalhou. ― Ele é seu namorado? ― Perguntei por um impulso de curiosidade.
― Ah, não! Não! De jeito nenhum... bem que eu queria. Mas bem, você sabe... Stefan não me vê com outros olhos que não sejam os de Nik. Me vê como a pirralha irmã mais nova de Nik, acho que sempre vai ser assim. Não é por falta de tentativas mas acho que ele prefere me ignorar, isso me tira do sério.
― Stefan... ― Repeti o nome dele, vendo como ele soava na minha voz. ― Bem, talvez... seu irmão tenha pedido para ele ficar longe de você. ― Conversamos como se estivéssemos na rua tomando um café.
― Você acha? Eu tenho certeza! Para Stefan é Deus no céu e Nik na terra. Eles são muito amigos, jamais traíram a confiança um do outro. ― Eu gostava de Rebekah, gostava de como ela sempre falava mais do que deveria! ― Bom vamos, afinal, meu irmão odeia esperar.
Saímos do quarto de Rebekah e voltamos a andar pelos corredores amplos da casa, eu olhava tudo com curiosidade, decorando pequenos detalhes tentando fazer um mapa em minha cabeça para sair dali. Mas algo que eu notei eram muitos jovens rapazes ali, forte e agiam como se fossem seguranças.
Chegamos a duas grandes portas que ia do chão até quase o teto, Rebekah empurrou as duas em sincronia perfeita e deu um passo, adentrando a sala. A segui sem demora, assim que entrei vi muitos rostos ali e o que me foquei mais foi o de Elena. O local era uma enorme sala de jantar, havia uma mesa no centro do local decorado com móveis antigos. A mesa era um enorme retângulo e haviam algumas pessoas sentadas ali como se fosse o quadro da Santa Ceia, Elena era um delas na pintura.
O outro garoto que me drogou também estava, seus olhos azuis se destacavam embaixo de um chapéu panama que ele usava abaixado para encobrir o rosto, sentado de um dos lados de Elena e a sua outra cadeira era vaga. Matt o barman também, parado ao lado da mesa com um copo de dose de whisky na mão. Também sentada na mesa havia uma garota não muito mais velha do que eu e Rebekah, suas sobrancelhas marrom escuro como seu cabelo eram uma linha de mentira. Bastava olhar para os seus olhos e saber a jogadora que ela era. Sexy era o que se lia em seus lábios, ela me olhou dos pés a cabeça, um olhar de superioridade que me deixou encabulada. Não tenho palavras para descrevê-la mas a que se aproxime mais talvez seja Capitu, ela lembrava Capitu com seus olhos de ressaca, de cigana oblíqua e dissimulada.
Olhei para Klaus então. Ele já não vestia mais as mesmas roupas, agora vestia uma camiseta cinza de manga comprida e botões no tórax, a calça jeans escura. Preso entre seus maravilhosos lábios havia um charuto. A elegância com que ele sorriu quando me viu e tirou o charuto dos lábios e o segurou entre os dedos despertou algo em mim.
― Já não era em tempo! Agora que nossas convidadas chegaram, podemos começar. ― Disse ele novamente com seu tom controlado, eu diria até animado.
― Você insiste em brincar na hora do jantar, Klaus? ― A garota que me intimidou disse assim que ele terminou. ― Você realmente foi longe demais dessa vez. ― Ela pegou a taça de vinho tinto que estava diante dela sobre a mesa e deu um gole.
― Eu perguntei alguma coisa para você? ― Klaus se virou para ela. ― Eu pensei que não. ― Ele sorriu de um jeito irônico e covinhas se formaram em seu rosto.
― Não seja rude, Hayley! Ela é tão convidada aqui como você. ― Rebekah me defendeu.
― Desde quando vítimas de sequestro se tornaram convidados? ― Ela revirou os olhos de ressaca.
― Vocês podem parar de estragar a minha noite? Por favor, vamos nos sentar e ter um jantar como um família normal. Não quero que a senhorita Forbes tenha algum tipo de reclamação sobre como ela foi tratada enquanto estava sobre o meu poder. ― Ele falou como se eu fosse uma de suas propriedades, me senti mais humilhada ainda, especialmente com todos aqueles olhares direcionados a mim. ― Hoje é a sua ultima noite, certo Caroline? Sente-se, por favor.
Ainda intimidada eu caminhei lentamente até a mesa e me sentei na cadeira ao lado de Elena, foi inevitável não sorrirmos uma para a outra. Elena segurou minhas mãos e vi que seus olhos estavam tão cheios de lágrimas como os meus. Ela soltou minhas mãos e me puxou para o seu peito, me abraçando carinhosamente como se tentasse passar um pouco de calma para mim.
― Nik, Caroline se lembrou de algo sobre Elijah. ― Disse Rebekah ao se sentar na mesa.
Meu estômago se revirou dolorosamente quando ouvi a voz de Rebekah, me afastei de Elena e enxuguei minhas lágrimas com a manga do suéter.
― Sério? Bom, isso é ótimo! ― Respondeu ele sarcasticamente olhando fixamente para mim. ― Vamos lá amor, me conte o que você sabe. ― Ele falou em tom calmo, todos na mesa prestavam atenção apenas em mim.
― Tudo que eu tenho para contar é inútil, não vai ter ajudar em nada. ― Falei com a voz rouca de choro e a cabeça baixa, olhando para as minhas pernas, evitando o máximo que podia me perder na imensidão que era o azul dos olhos de Klaus. Me segurei com mais força em Elena como se minha vida dependesse disso.
― Conte. O que. Sabe. ― Klaus disse entre pausas, cada palavra perfeitamente colocada em um tom de ameaçada. Engoli em seco e levantei meu rosto.
Suas feições não estavam suaves e muito menos relaxadas, era como se ele fizesse um esforço enorme para não estar gritando comigo e me batendo. Mas seus olhos azuis, eles não me assustavam da mesma forma, me assustavam por sua intensidade. Me preparei para continuar, tentando dar pelo menos um pouco de firmeza em minha voz.
― Ouvi meus pais falando sobre seu irmão várias vezes, eles diziam que ele era perigoso e precisava ser parado mas também mencionavam que ele era apenas a sua marionete, que enquanto você dava ordens ele as obedecia. ― Resumi tudo da melhor maneira que pude, colocando tudo que eu sabia ali.
― Isso é tudo que você tem para me contar? ― Klaus insistiu, me testando para saber se eu ainda tinha mais escondido e só estava guardando como uma chance de viver por mais um dia mas era apenas isso. Eu não tinha mais nada, vou me lembrar agora de prestar mais atenção nas conversas dos meus pais, isso pode me ajudar um dia. ― Isso não serviu para nada! ― Disse ele irônico.
― Eu disse a você que não sabia muito. Se quer tanto saber sobre seu irmão deveria perguntar aos meus pais e não a mim, eu não tenho nada a ver com os seus problemas! ― De algum lugar do meu peito eu tirei essa bravura e coragem, cuspi todas as palavras com ódio contra ele. Todos ali ficaram tensos.
― Sinto lhe decepcionar meu amor, mas eu garanto que tudo aqui se tornou seu problema. ― Ele disse debochado, me mostrando o quão tola eu era. Enquanto isso todos apenas assistiam a cena em silêncio.
― Acha que vai conseguir seu irmão de volta dessa forma? Você sequestrou a filha de agentes federais, só pode ter enlouquecido! ― Gritei com ele, raivosa. Me afastei de Elena e o fitei com os olhos.
― Você acha que eu estou louco? ― Klaus riu de novo e se levantou da mesa com um pulo, derrubando sua cadeira para trás. ― Quer saber, talvez eu esteja um pouco louco e um pouco puto! Ninguém se mete nos meus negócios e sai numa boa. Sabe o que eu deveria ter feito? Deveria ter estourado a sua cabeça com um tiro bem entre os olhos mas eu ainda tive a consideração de não matá-la. Eu nem ao menos toquei em você, eu te machuquei, meu amor? ― Sua voz estava firme como uma parede de concreto. A sua mão livre deslizou para as suas costas e vi que ele tirava algo do cós da calça, foi só quando ele voltou com a mão para a frente eu vi que era uma arma.
O brilho da arma praticamente me cegava, por um momento achei que fosse desmaiar. A arma apontava diretamente para mim, bem no centro do meu rosto. Elena soltou um choro frustrado e eu apenas o encarava de volta, eu sabia que ele não ia fazer isso. Se ele fizesse ele nunca mais veria o irmão dele e estaria me fazendo um favor. Foi quando o garoto dos olhos azuis se levantou da mesa e olhou para Klaus.
― Abaixa a arma, Klaus. Não é para tanto.
― Não é para tanto, Damon? Tem certeza? Você sabe o que eles fizeram hoje? Fecharam cinco dos meus galpões a procura dessa garota. Só está ferrando mais as coisas.
― Se você não estivesse com ela, nada disso teria acontecido! ― Justificou Damon.
― Bom, agora a merda já está jogada no ventilador. Então, vamos ferrar com tudo de vez. Vou manter ela comigo até que toda essa merda se ajuste. Agora some daqui, antes que eu coloco todas as balas desse pente em você. ― Enquanto ele falava, manuseava a arma na mão a apontando para mim. ― Leve ela para o quarto e certifique-se de ela ficará lá, Stefan.
― Tudo vai ficar bem. ― Sussurrei para Elena antes me levantar da mesa. Stefan já estava parado ao meu lado e segurou em meu braço com força, me puxando para longe dali.
Quando já estávamos fora da sala de jantar e longe o suficiente para que ninguém pudesse ouvir ou ver, a mão dele se afrouxou em meu braço e ele se manifestou pela primeira vez.
― Se quer um conselho, mantenha a boca fechada o máximo que puder. ― Disse ele em tom baixo e despreocupado.
― Não me lembro de ter pedido conselho nenhum, especialmente para você! ― Respondi afiada como uma faca.
Ele não pode evitar um sorrisinho debochado, se divertindo com a minha situação. Seu maxilar estava contraído e aquilo era sexy, pelo menos eu acho, a cara fechada de que dizia claramente: Não quero papo! O boné para trás lhe dava um ar garoto malvado. Não vou mentir, ele é muito bonito, lindo mas, ainda assim não tanto quanto Klaus.
― Klaus me disse que você ficava encarando as pessoas desse jeito, é muito rude, sabia? ― Ele falou sem virar o rosto e muito menos os olhos para me olhar.
― Ele também te contou o que fez comigo? Já que vocês dividem segredos de melhores amigos. Também fazem festas dos pijamas como nós garotas? O que vocês fazem, assistem pornô e jogam vídeo game? ― Fui o mais sarcástica que consegui, o fazendo rir.
― Você é engraçada, gosto disso. ― Ele me olhou pela primeira vez. Encontrei o verde dos seus olhos que eram da cor da grama viva no verão. ― Rebekah já contou tudo para você?
― Bem, ela meio que me deixou por cima das coisas. Afinal, eu estava mais perdida do que cego em tiroteio. Acho que talvez se eu não estivesse drogada o tempo todo eu pudesse descobrir algumas coisas sozinhas. ― Dei de ombros.
― Ah, me desculpe por isso mas é só o meu trabalho. ― Ele deu de ombros.
― O seu trabalho é me drogar? ― Perguntei espantada e ele riu, me fazendo rir também.
Foi quando eu levei um momento para compreender, ele é diferente. Não sei, não consigo explicar. Ele era o oposto de Klaus, enquanto Klaus era violento, escuro, sombrio e a beira da loucura. Stefan era claro, vivo, jovem e como se não tivesse nada e por isso não se preocupava com nada, apenas levava a vida como uma grande piada de mal gosto em que ele era o personagem.
― Você é diferente de Klaus, porque faz tudo o que ele manda? Você parece ser um cara legal... ― O questionei como se ele fosse um livro com todas as respostas.
Stefan perdeu o sorriso do rosto e ficou sério novamente, ele ficou realmente desconfortável com a minha pergunta. Como se eu estivesse invadindo um lugar que era pessoal dele.
― Nós somos amigos de longa data, é apenas isso. ― Ele me explicou o menos que pode, dando um final naquela conversa.
― Ser amigo não significa fazer tudo o que o outro manda, ele te controla. Rebekah me contou e depois bastou uma palavrinha dele para você sair me arrastando pelo braço. ― Insisti no assunto como uma criança birrenta.
― Você não sabe nada sobre isso. Não fale sobre coisas que você não entende.
― Lealdade cega, isso que eu não entendo? ― Mordi meu lábio inferior, nervosa.
― Viu, é por isso que você ficou sem jantar. Por meter o nariz no que não é dá sua conta, não é atoa que é filha de quem é! ― Stefan disse impaciente para mim. Ele abriu a porta do meu quarto no porão e me empurrou para dentro apenas o suficiente para bater a porta na minha cara e trancá-la.
Chutei a porta com força mas tudo que ela fez foi tremer e meu pé doeu. Bati na porta com a palma das mãos com toda a força que tinha nos braços e gritei tão alto que minha garganta ardeu.
― Eu odeio vocês! Odeio com todas as minhas forças! Desejo que todos vocês morram!
Bati na porta como se fosse um deles. Como se fosse Klaus ou Stefan, Matt ou qualquer outro que estivesse envolvido nisso. Fiquei ali até não ter mais forças e cair de joelhos ao lado da porta, eu já ia chorar de novo e era tudo o que eu fazia. Nos últimos dias tudo o que eu fiz e o que eu tenho feito é chorar, estou cansada de chorar. Não vou mais me permitir chorar porque agora vou sair daqui, não importa o que eu tenha que fazer.
Amanhã Klaus vai se encontrar com meu pai, me lembrei do telefonema mais cedo e não pude deixar de sorrir. Tenho certeza de que meu pai vai dar um jeito nas coisas e de alguma maneira vai me pegar de volta, ele disse isso na ligação. Me levantei do chão e fui até a cama, me joguei na mesma e deitei. Nas últimas horas eu estivesse drogada, ou tão cansada e em algum tipo de discussão que tinha até me esquecido que hoje era meu aniversário de dezoito anos e o que deveria ser uma data feliz era um pesadelo. Tudo que eu desejei pelos meus dezoito anos foi ter um pouco mais de liberdade sobre meu pai e minha mãe e agora eu daria qualquer coisa para eles não me deixarem sair de perto deles nunca mais. Me virei na cama algumas vezes até encontrar alguma posição que eu não sentisse como se estivesse em uma cama de pregos, mesmo ali sendo tão confortável... finalmente peguei no sono.
Não tenho certeza se estou sonhando ou se estou acordada. Mas acredito que estou sonhando, ninguém pode ser tão bonito assim na forma humana. Não pode ter olhos tão azuis, cabelo loiro como de um anjo e nem esse sorriso... o sorriso que esconde uma bondade que parte meu coração. Queria que ele me tocasse, que me beijasse e me tomasse para ser completamente sua, ele me assistia. Parado, imóvel, como um crítico observa uma obre de arte.
Na verdade, estava acordada. Não estava sonhando com um anjo lindo e de bom coração, era apenas a máscara que Klaus usava para me observar.
― Para de me olhar desse jeito, é assustador. ― Sussurrei com a voz rouca de dormir.
― Trouxe algo para você comer, imagino que esteja com fome. ― Ele disse atencioso e cuidadoso. Meu Deus, eu odeio como ele é na frente das pessoas e depois é diferente quando estamos sozinhos, talvez eu odeie mais isso nele do que o fato dele ter me sequestrado.
― Imaginou errado, não estou! ― Me virei de lado na cama para não olhar pro seu lindo rosto.
― Você precisa comer, Caroline... ― Ele ia dizer mais algumas palavras mas eu o impedi.
― Porque? Só para eu dizer ao meu pai que você não foi mal comigo? Como se isso mudasse o fato de que você me sequestrou, me drogou, depois praticamente fez sexo comigo e a cada hora me trata de uma forma! Estou cansada, me deixe dormir, saia daqui. Já não acha que fez o suficiente comigo hoje? ― Disse todas as palavras sem olhar para ele.
― Não estou aqui apenas para isso... ― Klaus fez uma pausa. ― Olhe para mim. ― Pediu educadamente, eu diria até doce.
Me virei na cama e o vi parado ali. Ele estava rendido como alguém muito cansado de lutar, olhei para as suas duas mãos ocupadas. Numa ele carregava um pequeno retângulo preto, que na verdade era uma daquelas caixinhas em que se guardam joias e na outra havia um pequeno cupcake com uma velinha em cima. Apoiei os cotovelos no colchão e me sentei na cama, dando espaço para ele se sentar também.
― Acredito que esse não tenha sido o melhor dos seus aniversários. ― Disse ele em tom doce, não era aquela maneira controlada e calculista que ele usou todas as outras vezes comigo.
Lá estava eu novamente, afundando em seus encantos e charme. Na forma com que ele podia ser tão mal mas quando queria também era muito bom.
― Nem de longe. ― Levantei meu olhos e olhei para ele.
― Mas amanhã tudo isso estará acabado, Caroline. Eu prometo. ― Ele olhou para a caixinha que segurava em sua mão e a indicou para mim, como se estivesse esperando eu pegar. ― Não acho que isso vá mudar tudo o que aconteceu hoje mas é um presente meu, em meio a todo esse inferno espero que se lembre de alguma coisa boa, amor.
A linha que seus lábios formavam quando ele dizia amor com aquele sotaque maravilhoso. Como eu posso não resistir a ele? Mesmo com toda a sua maldade ele era a minha kriptonita, eu nunca tinha sentido isso antes. Beijei apenas dois garotos em meus dezoito anos e foram... bem, beijos sem graça. Nas duas vezes foram por um tipo de pressão de Elena e eu nunca havia sentido nada parecido, e ontem, o que nós fizemos ontem me levou as loucuras.
Segurei na minha mão a caixinha e a abri, havia uma pulseira dentro da mesma. Era linda, de ouro branco e brilhantes que faziam os olhos de qualquer mulher brilhar. Klaus tinha um ótimo bom gosto e um gosto muito caro, o que só provou minha teoria de que ele era muito rico, um mafioso que se deu muito bem na vida.
― Posso? ― Questionou ele, pedindo permissão de liberdade para colocar a pulseira em mim. Acenei positivamente sem pensar. Estiquei meu braço para ele.
Klaus tirou a pulseira da caixinha e a envolveu em torno do meu braço, encaixando no feixe rapidamente e com facilidade. Quando ele a soltou a pulseira ficou perfeita sobre o meu pulso. Klaus deu um pequeno sorriso e tocou a pulseira com o dedo indicador.
― Porque está me dando um presente? Ainda mais tão caro, nem me conhece. Acredito que esse não seja o tipo de tratamento que sequestrador e vítima tem normalmente.
― Eu tenho assistido você a algum tempo, Caroline. ― Ele falava como se estivesse contando um segredo e realmente estava. ― Tomei o assunto sobre seus pais como pessoal e eu mesmo decidi fazer o serviço, só não sabia o que ia acontecer quando fizesse isso. Desde que me tornei quem eu sou me desvencilhei da vida comum de pessoas normais, me esqueci de muitas coisas e você me lembrou da maior parte delas, sem nem mesmo participar de sua vida. Eu estava lá o tempo todo e você não me viu em momento algum, sei mais de você do que imagina. Você é linda. Você é forte. É iluminada. Gosto de você. Sei que tudo que você queria era um pouco de liberdade e tirei isso de você quando você a teve mas, quando tudo isso acabar podemos ver de outra maneira. Há um mundo todo esperando por você. Cidades maravilhosas, arte e música... E você pode ter tudo isso. Eu a levo, aonde quiser.
Eu estava tão perdida em suas palavras e ações, não era mais a maldade, ele era bom e gentil. Isso me encantou e fez meu coração bater tão rápido por ele, eu desejei que as coisas não fossem dessa maneira, que não tivessem acontecido desse modo. Poderia ter conhecido ele de outro jeito, poderia me apaixonar por ele de todos os jeitos. Eu não me sentia mais triste, eu havia esquecido tudo naquele momento e esquecido todas as coisas de ruim que vinham acontecendo. Mordi meus lábios para não aceitar o que ele falou de cara. Pensei em todos os dias antes de tudo isso acontecer, pensei nele se esgueirando pelos lugares e me assistindo de longe como se eu fosse a sua novela preferida. Não queria que ele fosse mais espectador, queria que ele fosse um personagem... o meu par romântico.
Klaus enfiou a mão no bolso da frente da calça jeans e tirou um isqueiro de ferro, ele acendeu o mesmo e o usou para acender a vela em cima do cupcake.
― Faça um pedido, Caroline. ― Ele disse se mexendo na cama e chegando mais perto de mim, segurando o pequeno e delicado bolinho para eu soprar a vela. ― O que quer que você deseje, vou realizar.
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