Criminal
5 Afraid
Notas iniciais
Quando eu acordo eu estou com medo, alguém pode ter tomado meu lugar
Fazer aquele dinheiro, fingir esse coelho, dói minha barriga
Em cima do muro, o tempo todo
Pinte jovem querida, rosto tão ensolarado, não tão engraçado
Todos os meus amigos sempre mentem pra mim
Eu sei que eles estão pensando
Você é tão mal, eu não gosto de você, foda-se de qualquer maneira
Você me faz querer gritar com todos os meus pulmões
Isso machuca mas eu não vou brigar com você
Você é uma merda de qualquer maneira
Você me faz querer morrer, bem quando eu
Quando eu acordo eu estou com medo, alguém pode ter tomado meu lugar
Klaus espalhava beijos por toda a extensão do meu pescoço, minha cabeça jogada para trás dando total liberdade e espaço a ele para fazer o que quisesse ali, se afogar em mim. Minhas mãos estavam em seus ombros, os apertando constantemente com força o suficiente para doer e onde as mãos dele estavam? O que você acha? As mãos enormes que estavam na minha bunda me seguravam em seu colo, enquanto eu estava com as pernas envolvidas em sua cintura dando total liberdade para que ele me beijasse. As sensações que eu tinha por todo o meu corpo era mais do que prazer, era ótimo.
Minha educação em casa foi sempre muito rígida graças aos meus pais, nunca tive um namorado e mal beijei na vida graças a eles. Aquilo era o mais longe que eu tinha ido com um garoto e era ótimo, eu estava adorando. Adorando esse prazer delicioso, as sensações por todo o meu corpo e o calor que me queimava por dentro. Eu estive ansiosa por aquilo por mais que eu negasse, desde o dia em que ele me deitou em uma cama pela primeira vez e me deixou lá, eu desejava por mais e agora eu tinha, era melhor do que o esperado. Envolvida em seus braços como uma criatura indefesa eu me perdia em seus beijos deliciosos em meus pescoço, estava arrepiada da cabeça aos pés e parecia me derreter a cada toque de seus lábios. Naquele momento até me esqueci do que eu realmente estava ali para fazer e era convencê-lo de deixar Elena ficar, se bem que essa hora era uma das minhas últimas preocupações. Pois é, esse era o efeito Klaus. Ele faz você se esquecer de tudo. Tenho quase certeza que isso não só acontece comigo mas com todas as mulheres com quem ele já esteve. Provavelmente com muitas por ter tanta experiência.
Mesmo respirando como alguém em uma crise de asma e revirando os olhos de prazer, formei a frase na minha cabeça primeiro antes de falar ela para que saísse perfeita. Caso contrário eu tinha certeza que ia falar tudo embolado ou pior... ia gemer algo como o nome dele.
― Klaus... ― Saiu como um gemido. Respirei fundo tentando me recompor e eu sabia que ele se divertia com aquilo, não parava de beijar o meu pescoço por nada. ― Eu sei que isso pode estar tão bom para você quanto para mim mas temos um assunto inacabado.
― Caroline... ― Ele parou de beijar o meu pescoço apenas o no intervalo de tempo que usou para falar. ― Não estrague o clima, amor. O único assunto inacabado aqui é o que vou fazer com você. ― Disse como uma criança desapontada. O seu sotaque ficava lindo quando ele falava a palavra: amor.
― Não estou quebrando clima nenhum, não tem nenhum clima aqui! ― Eu era a pior mentirosa do mundo.
― Adoro o modo como você é bem humorada. ― Ele riu com os lábios no meu pescoço. ― Você tem certeza que não tem nenhum clima aqui? Porque claramente não é o que seu corpo diz, querida. Você está mole da cabeça aos pés e aposto que está completamente molhada.
Klaus levantou o rosto se afastando do meu pescoço e finalmente olhando em meus olhos, seus olhos tinham aquele tom de azul vivo novamente. Soltei um sorriso aliviado sem perceber, nem tinha me dado conta de que eu estava preocupada até sentir o alivio de saber que ele estava bem de novo. Nem tinha me dado conta das palavras pervertidas que tinham saído de seus lindos lábios carnudos, quando me toquei ele me impediu de falar quando continuou.
― Não vamos discutir sobre isso novamente, vamos? Porque eu já dei a minha palavra e a minha palavra é a final, amor. Não é porque poupei sua vida que agora vou fazer todas as suas vontades. ― Disse ele me dando um banho de água fria.
Revirei os olhos e fiz questão de me mexer em seu colo fazendo ele me soltar. De pé no chão novamente e alguns centímetros mais baixa que ele, tive de levantar minha cabeça para olhá-lo nos olhos. Fiz uma longa pausa antes de continuar, apenas o olhando nos olhos esperando que ele fosse ceder, ah Deus, como sou tola. É mais fácil esperar por uma chuva de dinheiro.
― Porque você tem que ser tão complicado? ― Respirei fundo, frustrada com a situação e querendo lhe bater.
― Eu sou complicado? As coisas estavam bem claras até agora. A única complicada aqui é você. ― Ele encolheu os ombros como se fosse inocente.
― Temos coisas mais importantes para lidar do que ficar só dando uns amassos. ― Falei. ― E além do mais Klaus, por favor, Elena é só uma menina.
― Não é problema meu! ― Disse ele impaciente, esperando que eu acabasse a minha pirraça logo para voltarmos ao que estávamos fazendo.
― Klaus! ― Choraminguei. Bom se não funcionou assim vamos usar uma tática que funcione. Me aproximei dele novamente e coloquei as duas mãos em seus ombros de maneira abusada e sensual. Dei um sorriso malicioso. ― Por favor? Por favorzinho?
Ele riu, se divertindo com a situação. Me olhando com aquela cara de moleque sapeca e cheio de desejo. Então envolveu uma mão na minha cintura e me deu um puxão, colando meu corpo no dele novamente, uma verdadeira pegada. Com sua mão livre a levou até a minha nuca e entrelaçou seus dedos nos meus fios cabelos, se aproximando mais de mim me dando um selinho demorado sem tirar seus olhos dos meus. Ainda com a sua boca bem próxima da minha ele falou.
― Desse jeito você não vai me convencer a libertar Elena, vai me convencer a outra coisa... Talvez com mais alguns beijos você possa me convencer sobre Elena. ― Disse ele dando de ombros e sorrindo daquele jeito sexy.
― Dá para parar de ver malícia em tudo? ― Falei firme, cruzando os braços. ― Você está todo assanhadinho aí.
― Eu? ― Klaus riu. ― Foi você quem veio até aqui me agarrar.
― Eu vim te agarrar na intenção de você deixar Elena ir mas já que não vai, acho que já pode me soltar. ― Falei olhando para o seu braço envolvido em minha cintura.
― Ou seja, você veio aqui com segundas intenções. Agora sim que não vou fazer suas vontades.
― Não faça, não me importo! ― Respondi firme. ― Agora me solte.
― Vai dizer que não gosta de ficar nos meus braços? ― Ele sussurrou já sabendo a resposta para aquela pergunta. Olhando meus lábios, como se estivesse se preparando para me beijar.
― Não, não gosto... ― Como eu poderia ser tão horrível em mentir? Se tinha algo que eu deveria aprender com Klaus era o dom da mentira e não mostrar o que sinto mas eu era uma péssima aluna, tão ruim quanto na mentira. Ele teve que rir do modo com que falei.
― Você é a pior mentirosa que eu já conheci, Caroline. ― Ele sorriu de maneira charmosa, sem mostrar os dentes e lindas covinhas se formaram em suas bochechas. ― Fique aqui esta noite, tem bastante espaço para nós dois.
― Eu não acho que essa seja uma boa ideia. ― Respondi engolindo em seco, tentando me controlar e sair dali. Mas eu não queria, não queria sair de seus braços.
― Não seja tão dura comigo, amor. ― Com sua mão livre Klaus colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. ― Eu sei que você quer ficar, pare de lutar contra isso. De fingir que não quer... Está na hora de começar a ser boazinha comigo, estamos deixando a cidade amanhã. Você é minha agora, não se esqueça disso.
Não foi preciso ele dizer mais nenhuma palavra, me ganhou apenas com a certeza que ele tinha nos olhos, dizendo que eu era dele. E eu era mesmo, agora eu era completamente dele. Esperando o meu sinal positivo para que pudesse me beijar novamente. Envolvi meus braços em torno do seu pescoço e acariciei sua nuca com a ponta das unhas, enquanto ele me puxava pela cintura, com tanta força como se quisesse nos tornar um só. Fechei meus olhos e o beijei, beijei com tanta sede e desejo queimando. Não iria mais me segurar, nem me controlar ou tentar mentir, Klaus estava certo sobre eu ser dele agora. Se as coisas seriam assim dali em diante, pelo menos eu iria aproveitar.
Me empurrando pela cintura até a sua cama, me fazendo cair deitada sobre ela. Me apoiei nos cotovelos ficando na altura dele. A cama era enorme, eu nem sabia que existia uma cama tão grande e confortável assim. Ele veio para cima de mim como o leão vai para cima da caça... devagar, habilidoso, cuidando e calculando cada movimento da vítima.
Por cima de mim ele me segurava pela cintura, mudando nossa posição e me colocando por cima. Sentada sobre suas coxas e debruçada sobre ele enquanto nos beijamos em desespero. Suas mãos subiam e desciam por minhas coxas sobre a calça jeans que Rebekah me deu, as mãos dele subiam até o meu suéter e começaram a subir ele. O modo como ele sorria de um jeito malicioso e safado deixavam bem claras a suas intenções comigo, especialmente quando ele terminou de tirar o meu suéter.
Fiquei completamente envergonhada por vários motivos ali. Primeiro, eu nunca tinha ido tão longe com um cara, segundo a minha posição não era nada favorável já que eu estava com o seios praticamente no rosto dele e terceiro... eu estava parecendo uma folha de papel de tão branca, eu podia ver as minhas veias. Me arrependi de tão ter pegado um bronzeado com Elena uns dias atrás. Me sentei completamente sobre ele e cruzei os braços sobre os seios, tentando esconder.
― Qual o problema? ― Klaus perguntou curioso com a minha reação.
― É que... bem... você sabe. ― Falei desviando meu olhar do dele, apesar de ainda estar sentada sobre ele.
― Eu não sei não. ― É claro que ele sabia, ele só queria me fazer falar.
― Olha, eu nunca fiz antes, ok? ― Soltei como uma bomba sem olhar para ele. ― E não sei o que fazer ou como fazer. E também estou com vergonha.
― Você não precisa ter vergonha nenhuma. Você é linda e sexy, se não fosse não estaria na minha cama. Vamos lá, não seja tímida amor... ― Ele disse sorrindo e puxando meus braços devagar, fazendo eu me soltar novamente. Ele me ganhava tão fácil. ― Não estou vendo nada demais aí, você só tirou a blusa, ainda está com todo o resto.
― Mas eu nunca tirei a blusa para nenhum outro garoto. ― Falei tentando justificar. Por um momento até me senti como ele disse, linda e sexy, afinal, ele era Niklaus Mikaelson. Obviamente não seria qualquer uma que se deitaria em sua cama... mas também existiam várias outras lindas e sexys por aí, talvez eu fosse só mais uma delas.
― Uma primeira vez para tudo... ― Klaus falou paciente, com um sorriso cúmplice no rosto.
― É, eu sei. Mas não ainda. Não quero ainda, não estou pronta. ― Confessei, me sentindo idiota.
― Caroline, em algum momento eu te forcei a fazer alguma coisa que você não queria? Sobre isso... ― Ele perguntou bem devagar.
― Não. ― Respondi finalmente olhando para ele, suas sobrancelhas estavam arqueadas, me estudando.
― E não vou. Isso é algo muito particular sobre as garotas e tem que ser na vontade delas. Não tem que se preocupar com isso, sempre que eu estiver indo longe demais você simplesmente fala e então vou parar. ― Ele sorriu e se sentou, ficando na minha altura. Então me deu um beijinho sobre os lábios.
Daí por diante ele não me permitiu dizer ou fazer mais nada, me juntou em seus braços, esmagando seus lábios vermelho vivo nos meus e me pressionando de volta para o colchão, ficando sobre mim de novo. Minhas mãos agarraram sua camisa e puxei a mesma trazendo-o para mais perto de mim até que seu corpo vestido foi totalmente pressionado contra o meu. Me contorci inteira de prazer quando ele pressionou sua virilha contra a minha com força, sentindo cada centímetro elevado do grande volume das suas calças. Enquanto minhas mãos deslizavam entre seus fios de cabelos loiro vivo. Nós definitivamente continuaríamos com isso se não tivessem nos interrompido.
O som das botas dela contra o carpete de madeira do quarto de Klaus foram mais altos do que nosso suspiros e gemidos. Eu pulei do colo de Klaus para o seu lado na cama e me cobri com a minha blusa, enquanto Klaus se sentou bruscamente na cama.
― Mas o que diabos? ― Ele disse firme. ― Isso aqui virou um mercado de peixe?
― Ah, eu acredito sim que virou. Porque tem uma piranha na sua cama! ― Hayley gritou com ele, me fuzilando com os olhos enquanto eu vestia minha blusa.
― Oh, desculpe por isso... ― Stefan apareceu bem atrás de Hayley. A voz ainda mole devido a embriaguez, ele olhava a cena tão surpreso quanto Hayley. ― Acho que nós devemos sair. ― Ele foi tocar no ombro de Hayley para puxá-la dali mas ela se esquivou como um gato foge da água.
― Não toque em mim! Eu só saio daqui se ela sair também! Você não perder a oportunidade, não é mesmo? ― Ela falava para Niklaus. ― Eu viro as costas e você já colocou outra em sua cama.
― Não tem problema, eu saio com todo prazer. Afinal, aqui é seu não é? Já marcou território? Isso significa que você é tão cachorra como eu! ― Forcei um sorriso para ela quando terminei de vestir a blusa e me levantei da cama. Caminhei até o lado dela e quando estava do lado dela fiz questão de parar e falar. ― Se você fosse tão importante assim, era você quem estaria na cama com ele e não eu.
Sorri de novo e então voltei a caminhar, bastou eu dar as costas para ela que ouvi a movimentação atrás de mim. Assim que eu me virei ela ia puxar o meu cabelo mas Stefan entrou na frente e a única coisa que ela agarrou foi a camiseta dele. Ele tinha um sorriso irônico e embriagado no rosto.
― Nunca ataque ninguém pelas costas. ― Ele falou para Hayley. ― Não tem coisa mais covarde do que isso.
Ela apenas revirou os olhos para Stefan como se estivesse cansada de todo aquele papo. Eu sai primeiro dali e Hayley veio logo atrás de mim, eu podia ouvir os seus passos e a sua respiração pesada. Eu sabia que ela traiçoeira como uma naja e estava preparada para qualquer gracinha dela.
Stefan continuou no quarto um pouco mais.
― Você adora duas garotas brigando com unhas e dentes por você, hein? ― Stefan sorriu para o melhor amigo.
― Se elas brigam com unhas e dentes, quer dizer que eu faço direito. ― Klaus gargalhou. ― Assim que Rebekah chegar mande ela subir.
Stefan riu também e assim saiu do quarto logo atrás de nós duas. Ele sabia que não poderia piscar os olhos por muito tempo de nós duas. Assim que cheguei na sala Damon também entrou na mesma, na mão ele carregava dois passaportes.
― Onde está Elena? ― Foi a primeira coisa que ele me perguntou.
― Está dormindo.
― Rebekah e Matt já chegaram? ― Stefan perguntou descendo as escadas, se apoiando no corrimão.
― Acho que... ― Mas Damon não continuou falando, porque Rebekah e Matt entraram na sala.
― Sim. ― Rebekah entrou na sala, caminhando apressadamente e olhando para o rosto de todos ali. Ela ainda não sabia de nada e eu nem podia imaginar como ela iria reagir quando descobrisse que seu irmão estava morto. ― Onde está Niklaus? E Elijah?
― Rebekah, é melhor você subir. Seu irmão quer falar com você. ― Disse Stefan do último degrau da escada, os braços cruzados sobre o peito naquela pose de guarda-costas.
A garota loira apenas olhou para todos os rosto ali com inocência, todos nós já sabíamos o que tinha acontecido e não podíamos contar nada, isso era um assunto de família em que só Klaus poderia contar a ela. Apenas lamentar em nossas mentes pela perda que ela ia sofrer. Apesar de tudo que havia acontecido, apesar do modo e na família em que Rebekah cresceu ela tinha um bom coração, era só uma garota que não teve tempo para ser normal, sempre em meio a uma guerra.
Ela subiu a escada de dois em dois degraus até chegar ao topo e ir para o quarto do irmão. O silêncio na sala era horrível, ninguém se olhava nos olhos por nada. Acho que todos estavam tão curiosos quanto eu para saber o que ia acontecer lá em cima agora mas isso era assunto de família e não devíamos nos meter. Temi pelo modo com que Klaus iria dar aquela notícia para Rebekah, ele era todo grosso e prático, não poderia jogar uma bomba como essa direto nela.
― Vocês não acham... ― Fiz uma pausa, levantando meu rosto para olhar todos na sala. ― que alguém deveria ir lá?
― Além de tudo é intrometida! ― Hayley me fuzilou com os olhos. ― Não devemos nos meter nisso, eles são família.
― Por isso mesmo. ― Levantei meu queixo, não deixando Hayley me atingir. ― Klaus age como um animal as vezes, já imaginaram como ele pode soltar isso para Rebekah?
― Nik sabe lidar melhor com Rebekah do que todos nós juntos, Caroline. ― Matt foi quem falou dessa vez.
Olhei para Stefan primeiro e depois para Damon, esperando a confirmação deles sobre o que Matt havia dito. Os irmãos eram o mais próximo de aliados que eu tinha ali dentro, especialmente Stefan.
― Eu vou pedir para preparem o jantar. Caroline, me acompanha? ― Stefan disse atravessando a sala com passos longos. Aquilo não foi uma pergunta, foi uma ordem. Ele não queria me deixar ali com Hayley.
Assenti positivamente e o acompanhei, andando rápido para tentar acompanhar seus enormes passos. Nós nos afastamos da sala e caminhávamos pelos enormes corredores daquela casa indo para a cozinha.
― Você acha que... bem, Rebekah vai ficar bem? ― Perguntei, a curiosidade e preocupação foram mais fortes do que eu e Stefan era o único que respondia minhas perguntas, mesmo que pela metade na maior parte do tempo.
― Claro que sim! ― Stefan respondeu com tanta certeza que me deixou impressionada. ― Rebekah é provavelmente a mais forte de todos nós, no sentido emocional. Ela é equilibrada, Klaus a criou assim.
― Eu não sinto que seja tão simples assim. Independente de qualquer criação ela é só uma garota. O que você faria se seu irmão morresse, hum? Porque você não parece muito mais velho do que eu ou ela. ― Continuei permanecendo no assunto, defendendo a ideia de preocupação com Rebekah. Eles insistiam em tratá-la como se ela fosse um deles.
― Caroline, você não é uma de nós. Não vai entender, nunca vai entender até viver isso. ― Stefan respirou fundo e me olhou. ― Quando as pessoas vivem assim, elas estão acostumadas a perder coisas. Você cava a sua cova e a de quem está com você.
Fiquei em silêncio por um momento, não ia mais discutir mas ainda assim achava que isso ia acabar com Rebekah, ia quebrá-la, machucá-la. Pobrezinha, mal podia imaginar como ela deveria estar se sentindo agora. Acho que me apeguei um pouco a ela devido ao fato de ela ter sido a primeira pessoa a ser legal comigo aqui. Eu e Stefan fomos até a cozinha e ele informou um dos empregados para preparem o jantar, logo em seguida estávamos fazendo o caminho de volta.
― Você já perdeu alguém? ― Voltei ao assunto. Stefan era uma das poucas pessoas que eu podia conversar ali, então não ia perder a oportunidade.
― Mas você parece que engoliu um rádio, hein? ― Ele brincou comigo, rindo e bem humorado. Mas sem responder a minha pergunta.
― Você está mudando de assunto. Não respondeu a minha pergunta, é porque perdeu. Você não pareceu muito abalado com a morte de Elijah, o que quer dizer que está acostumado a ver pessoas morrerem. ― Eu o li como se fosse um livro aberto na palma das minhas mãos.
― Quer parar com isso? ― Ele disse respirando fundo, rangendo os dentes de nervoso.
― Então fale comigo! Meu Deus! ― Olhei para ele como se eu fosse a dona da razão. ― É uma resposta tão simples. Odeio isso, pelo menos tornem minha estadia tolerável.
― Só está chateada e quer que as pessoas falem com você porque estava acostumada a viver assim, ser o centro das atenções. Ser o centro do mundo, mas deixe-me dizer uma coisa, Caroline, esqueça isso, ok? Esqueça toda a sua merda de vidinha medíocre de antes! Porque agora você é igual todo mundo e ninguém se importa! ― Ele fez questão de elevar seu tom de voz com as últimas palavras. ― Está vendo seu pai aqui? Não está não é? Ninguém se importa! ― Engoli em seco, em silêncio. Escutando ele gritar comigo. ― Não é tão divertido quando é com você, né...
Stefan estava completamente descontrolado e aquilo realmente me deixava muito assustada. Aquele lado louco, sem controle eu nunca tinha visto. Com toda certeza naquele momento a única coisa que ele me causava era medo. A fúria que ele tinha guardada não era algo que costumava demorar a aparecer, em questões de segundos ele conseguia perder a cabeça e, foi isso o que aconteceu, me assustando completamente. Stefan deu um soco em na parede com seu punho passando a um centímetro do meu rosto, eu pude sentir o vento no mesmo quando ele passou. O som da parede de gesso quebrado e afundou a mão dele dentro da parede. Quando ele percebeu o que tinha acabado de acontecer, ele puxou a mão e a escondeu nas costas. Com o rosto abaixado ele começou a falar.
― Me desculpe. Me desculpe. Me desculpe. ― Ele sussurrava com os olhos fechados, tentando controlar sua respiração.
― Tudo bem. ― Respondi sincera, olhando para o seu rosto. ― Qual o problema de vocês? Você e Klaus são assim... numa hora estão numa boa e depois vocês surtam do nada.
Ele deu uma risada baixa e sádica, não me deixando mais assustada e sim irritada. Eu precisava saber, aquilo estava preso dentro de mim. Ele e Klaus eram mal educados com todo mundo, mas comigo as coisas passavam dos limites. Aquilo tudo estava me cansando e aquela era a hora para dar um basta. Uma hora são bons outras são mal, não entendo.
Stefan estava com os punhos cerrados, intuitivamente recuei alguns passos para trás mas parei quando senti minhas costas baterem na parede.
― Me desculpe. Eu só... perdi o controle. ― Ele levantou o rosto. Seus traços bonitos agora estavam duros e assustadores.
― Tem problemas com raiva? ― Sussurrei, com as mãos nas minhas costas. ― Quer dizer, se não quiser falar tudo bem. Não quero que você fique daquele jeito de novo.
― Sim, eu tenho. ― Ele respondeu me surpreendendo. ― Então já trate isso como um aviso para tomar cuidado. É só que quando isso acontece eu fico cego e perco o controle.
― Tudo bem, eu não me importo. ― Forcei um sorriso amarelo para ele.
― É melhor você ir. ― Ele se afastou, se virando de costas para mim.
― É, eu vou olhar Elena. Vejo você no jantar. ― Mas ele não respondeu, apenas me deu as costas e saiu dali.
Fui para o lado oposto de Stefan, procurando pelos corredores o quarto em que deixei Elena. Depois de quase dez minutos olhando quarto por quarto finalmente encontrei, ela ainda estava dormindo na cama. Serena, tranquila e parecia até bem. Eu realmente não queria acordá-la porque ela parecia tão em paz ali como se estivesse tendo um sonho bom. Me senti mal por ter que acordá-la e fazer ela voltar para essa maldita realidade.
Tudo que eu tinha agora eram esperanças de que as coisas ficassem boas dali em diante.
― Elena... acorde, você precisa comer. ― Sussurrei.
Ela se remexeu na cama como se não quisesse acordar.
― Sério? ― Elena reclamou. ― Eu só quero minha casa...
― Eu sinto muito. Tentei falar com Klaus mas... ― Encolhi os ombros, um pouco envergonhada com meu fracasso.
― Sério? Foi tentar negociar com o diabo? ― Elena soltou uma risada divertida, como se eu tivesse contado uma piada. Então ela abriu os olhos.
Não pude deixar de sorri quando eu a vi sorrir pela primeira vez. Era bom tê-la de voltar, eu sei que as coisas seriam difíceis dali para frente mas pelo menos estávamos juntas.
― Ele é muito complicado mas no fundo ele é uma boa pessoa. Você só precisa olhar de perto... ― Saiu como um sussurro porque eu tinha medo da reação de Elena sobre os meus sentimentos por Klaus.
― Você tem passado muito tempo com ele, não tem? ― Ela me colocou contra a parede com uma faísca no olhar, eu conhecia aquela cara dela. Só perguntava isso quando tinha a ver com um cara.
― Ah, você sabe que sim. Mas... ― Antes que eu fosse mudar de assunto ela me impediu.
― Meu Deus do céu, você está louquinha por ele. Sempre soube que você tinha uma quedinha por caras maus mas isso do sequestrador, você se superou garota! ― Ela disse com um sorriso no rosto. ― Me conte tudo, em detalhes!
― Elena, meu Deus! ― Soltei um riso nervoso. ― Não acredito que é sobre isso que estamos realmente falando.
― Estou esperando, em conte! ― Ela insistiu, fazendo um bico.
― Tudo bem... Nós... bem, você sabe ― Me encolhi de vergonha. ― Demos uns amassos. Nada demais.
― Nada demais? ― Ela deu um sorriso de coringa. ― Conte todos os de-ta-lhes! Vamos, onde foi? No carro? Quando você estava amarrada?
― Foi na cama dele. ― Não pude deixar de soltar uma risada exaltada junto com Elena, eu tinha certeza de que minhas bochechas estavam coradas.
― Oh, meu Deus! E oque mais? Conta...
― Ele tirou minha blusa. ― Falei com os olhos arregalados, como se nem eu acredita-se naquilo.
― Sua safada! ― Elena ficou de boca aberta. Eu nem sei porque de tudo isso já que Elena não era mais virgem e já tinha namorado com muitos garotos mas acho que ela ficou surpresa por ser comigo.
Fomos interrompidas por um dos seguranças de Klaus que entrou no quarto avisando que o jantar já estava servido. Nós duas fomos para a sala de jantar, quando chegamos lá Stefan, Damon e Matt já estavam lá. Elena se sentou do lado de Damon e eu entre Stefan e Matt. Logo em seguida Klaus chegou com Rebekah e Hayley.
A primeira coisa que notei foi o rosto de Rebekah, era muito claro que ela havia chorado e parecia abalada com a morte do irmão, mas ainda assim não tinha perdido a sua classe. Ela se sentou na mesa ao lado do irmão e Hayley foi se sentar ao lado de Elena.
― Está tudo pronto para amanhã? ― Foi Rebekah quem se dirigiu a Damon.
― Sim. ― Ele deu um pequeno sorriso para ela, levantando apenas um canto da boca, deixando claro que ele era eficiente.
― Ótimo! Vai ser bom voltar para a casa depois de tanto tempo. Papai já está nos esperando. ― Quando ela disse isso fiz uma cara de duvida e olhei para Klaus, esperando que de alguma forma ele responde a pergunta, mas foi Rebekah quem respondeu. ― Nosso padrinho, Caroline. Nosso pai por criação, você vai conhecê-lo em breve.
Engoli em seco com o modo que ela disse conhecê-lo em breve.
― Não precisa temer, não é você quem vai pagar pela morte do meu irmão. Mas alguém vai Caroline, não importa quem mas alguém vai. ― Ela disse firme, sem aquele ar inocente e gentil que ela costumava ter comigo.
― Rebekah, não na mesa, meu amor. ― Disse Klaus, com uma super paciência com a irmã mais nova.
Então era isso, alguém ia pagar pelo o que aconteceu com Elijah e eu tinha um forte pressentimento de que seriam meus pais. E quem quer que fosse papai também não me parecia boa gente, especialmente por ser quem criou eles, ele não ficaria nada feliz de saber que Elijah está morto.
Fale com o autor