Criminal
5 O4 ~ Death
Notas iniciais
Pena que não estava.
Poderia ser fácil se apaixonar pelo jeito mais fofo e meigo dele, porém ele era um bipolar, eu não sabia a próxima reação dele. Soltei a minha mão da dele. Hm, eu tinha esquecido que estava desamarrada...
– Tô com muita sede Justin, sério.
– Mas o Ryan e...
– Deve ter alguma coisa no carro lá fora, porque não procura enquanto eu vou me trocar?
– Ok. – ele se levantou meio desconfiado e começou a se vestir novamente. Coloquei só a minha calcinha e o sutiã, peguei a camisa dele do chão e vesti como se fosse um vestido e me sentei no mesmo lugar onde estava antes.
– Já volto – Justin saiu pela porta e foi tudo como eu planejei. Eu só podia sair pela porta da frente, era a minha única chance. Saí andando lentamente e olhei por uma fresta na porta. Ele estava em uma posição meio maluca, metade pra dentro do carro, metade pra fora. Abri devagarzinho a porta e saí na ponta dos pés rezando para que ele não virasse agora. Virei pro outro lado da casa, aqui não tinha como ele me ver. Comecei a correr o mais silenciosamente e rápido que pude. Entrei na mata, já era meio tarde, deviam ser umas sete da noite, estava tudo escuro. Me desesperei, mas mesmo assim continuei correndo. Tive medo de estar correndo em círculos e voltar pra lá, eu não conseguia enxergar quase nada.
– Lindsay! Volta aqui sua filha da puta! – Ouvi os gritos do Justin, ele já tinha percebido a minha ausência. Corri ainda mais rápido e escutei passos não muito longe, ele era mais rápido do que eu pensava. Acabei tropeçando em uma raiz exposta de uma árvore, ah não ele ia me alcançar agora. Lutei contra os galhos ao meu redor e consegui me levantar. Continuei a correr e pude sentir ele cada vez mais próximo.
Só parei a minha corrida porque a mata acabou. Não, eu não estava em uma estrada e sim do outro lado de um rio. As águas eram escuras e estavam agitadas. Gelei. Ele estava perto se eu não pulasse eu não ia sobreviver. Mas eu não sabia nadar. De qualquer jeito eu ia morrer mesmo né? Escolhi aquele que ia doer menos e me joguei na água.
A correnteza me pegou. Ao contrário do que eu queria o rio não era raso e sim muito profundo. Tentei lutar contra a maldita correnteza, até consegui um pouco, mas tudo em vão é claro. Eu estava muito fraca, morrendo de cansaço e fome, não ia resistir muito tempo. Afundei um pouco, mas logo voltei à superfície. Olhei para os lados, não tinha ninguém. Talvez ele tivesse visto que eu estava prestes a me afogar e decidiu me deixar morrer. Melhor assim. Continuei tentando nadar, mas alguma coisa agarrou meu pé e me puxou pra baixo.
Comecei a gritar, devia ser um jacaré que ia me retalhar toda, esse é o fim. Me debati ainda mais, mas o que estava me puxando me venceu. A água cobriu todo o meu corpo, eu só esperava que não doesse muito morrer. Senti um braço forte me envolver pela barriga e fui sendo puxada para longe dali, talvez fosse a morte vindo me buscar. Mas não era. Senti terra abaixo de mim e olhei pra cima. Não era a morte, mas era pior. Justin.
Fiquei em pé imediatamente e ele me encarou com fúria.
– Você gosta de apanhar né? Você gosta de ficar de cara com a morte né? Nunca vi garota tão estúpida quanto você.
Mesmo fraca me virei para correr novamente. Mas eu não podia. Tinha uma arma apontada pra minha cabeça.
– Se você quer morrer, você vai morrer. Mas não afogada, sou eu quem vai te matar. Tá ouvindo? Sou eu!
Assenti e comecei a chorar silenciosamente. Justin me prensou contra o corpo dele e continuou o discurso:
– Depois de tudo que eu tentei fazer pra gente se dar bem, você me vem com isso? Deveria ter confiado em mim que nada ia te acontecer. Essa sua falta de fé chega a me ofender, garota. Vou aproveitar agora que não tem Chaz, não tem Ryan, não tem ninguém pra te salvar. Ninguém. Últimas palavras?
– Eu te odeio.
Justin deu uma risada e apertou o gatilho.
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