Criminal

11 1O ~ Ugly secrets


Notas iniciais
Desculpem a demora e__e
Esse capítulo é daqueles que ou você ama ou você odeia e abandona a história, pelo menos é o que eu acho. Minha imaginação é muito fértil pro drama, kkkkkk
É longo, mas na verdade não tem muuuitas emoções, dependendo de como vê tudo.
Espero de verdade que vocês gostem ♥

Saí levando o Justin pela trilha na direção do rio o máximo que pude. O que eu queria era que ele no mínimo molhasse o rosto, o que não foi possível porque ele do nada parou de andar.

– Para com isso Jus, anda!

– Não vou mais Lind, me larga.

Ele se soltou de mim e se sentou no chão com a cabeça entre as pernas. Fiquei parada observando aquilo, ele parecia muito normal agora. Não estava mais alterado, só parecia com raiva; se eu não tivesse visto o que ele fez, diria que estava perfeitamente bem. Exceto pelos olhos vermelhos e meio dilatados, respiração acelerada e o cabelo desgrenhado. Me abaixei junto a ele e passei a mão nos cabelos dele, tentando ajeitá-los, mas ele não reagiu. Suspirei e me sentei em uma pedra que estava por perto, iria esperar até ele levantar e aceitar o que eu mandasse.

Passaram vários minutos e nada. Aquela altura eu tava aceitando até que ele me chamasse de vagabunda se isso significasse que ele iria voltar a agir como um humano, mas nada.

– Justin?!

Nenhuma palavra. Chamei mas umas duas vezes e nada. Tentei uma terceira.

– Jus...

– Cala a boca. – ele me cortou no meio da palavra. Perdi a paciência, eu não era obrigada a ficar aturando um zumbi drogado e idiota.

– Foda-se então, merda.

Me virei pra voltar pro Ryan e pro Chaz, mas depois de alguns passos ouvi algo que me fez parar. Soluços. Voltei na hora. Jus estava... chorando?

– O que aconteceu hein?

Ele ficou em silêncio, na mesma posição de antes, mas sem fazer questão de esconder que estava chorando. Não aguentei e comecei a chorar também, foi automático. Ele parecia tão triste, tão desolado, tão... desprotegido.

– O que aconteceu Jus? Diz, você sabe que pode confiar em mim.

– Eles acabaram com tudo, com tudo.

– Eles quem?

– Aquele desgraçado do Christian e a vadia da irmã dele, a Caitilin. – ele parou por uns momentos e voltou a falar, bem baixinho. — Hoje foi o dia mais feliz da minha vida, cara. Eu... vi meu pai pela primeira vez na vida. Só que foram eles que acharam ele.

Fiquei chocada. O pai dele tinha o abandonado quando ele era um bebê e de repente apareceu...?

– Pode ser mentira Jus, como assim de repente ele aparece? Isso não faz sentido...

– É verdade. Tudo bate, a história toda. Não tem como negar. Eu até falei com a Pattie e ela confirmou, é verdade.

– Oh... Mas então?

– Eles torturaram o cara, véi. Eles... maltrataram ele e depois...

– Depois...

– Foi na minha frente. Na minha frente, Lind! – ele desabou de novo em lágrimas no meu colo. Eu respirei fundo, tentando achar alguma coisa pra dizer, mas não tinha. Simplesmente. O pai dele morreu na frente dele. Aninhei ele ainda mais no meu colo e o abracei. Era a primeira vez que eu via ele assim, sem máscara nenhuma e vulnerável. Isso era bom, mas era pelo motivo errado. Perder alguém que se ama é a pior coisa do mundo, ainda mais quando é alguém que faz parte do que você é, do que você foi. Mesmo no caso dele que não tinha convivido com o pai, ainda era doloroso e eu entendia muito bem isso. Nos abraçamos e ficamos assim por um tempo, sem dizer nada. Me deu vontade de ir até lá e matar todos por fazerem Justin sofrer. Ninguém tinha esse direito, não importa o que de tão errado ele tenha feito... Ou será que importa? Eu queria perguntar o que era, mas nem podia. Na normalidade dele, talvez ele me ignorasse, mas assim talvez ele falasse de vez porque esse cara odiava tanto ele.

– Hmmm, e porque ele fez isso Jus...?

Ele ficou em silêncio de repente e voltou a chorar de novo.

– Fala Jus... Desse jeito você tá me assustando.

– Ok, eu vou dizer o que aconteceu naquela noite...

Flashback on ~ Justin

– E aí Chaz, vai ser pra hoje ou não? – falei ironicamente pro idiota do Chaz, que há uns 15 minutos tentava carregar a arma. Puta que pariu, isso que dá deixar as coisas na mão de gente amadora – não que eu fosse experiente, essa era minha primeira vez, rs. Porém se eu não estivesse ocupado demais tentando me manter calmo, ia fazer eu mesmo.

– Aeeee, consegui!!! Caralho véi, eu sou foda demais! – Chaz comemorou ao meu lado. Revirei os olhos e continuei vigiando a casa, batendo o pé na velocidade da luz.

– Tá nervosinho é Justin? – perguntou Christian do banco de trás e deu uma risada. Haha – ninguém mais pode ficar um pouquinho tenso? – Fica calmo cara, eu já fiz isso antes e posso garantir que é moleza viu? Eu conheço essa casa muito bem. Sigam o mestre.

Vi pelo retrovisor Ryan fazer um gesto obsceno pra Christian enquanto ele não estava olhando e segurei a risada. Aguentar pirralho é foda mesmo, ainda mais quando ele é mais experiente que você em roubar, por exemplo. E ele nem precisava disso, o cara tinha família – eu só conhecia a irmã dele, mas tinha — dinheiro e tudo mais. Que ridículo. Mal sabia ele que eu tinha uma vantagem sobre ele: Caitlin. Ela sabia que eu não era santo, mas não sabia que o irmão era farinha do mesmo saco; ela faria tudo que eu quisesse e eu sabia bem disso. Não que eu gostasse dela – enjoada pra caralho – mas é sempre bom ter alguém com quem transar regularmente sem procurar muito. Aliás, essa casa que nós íamos invadir hoje a noite era de uns primos do pai do Christian, quase eu não concordei com isso mas ele garantiu que não teria ninguém aí, que os primos eram distantes e que a gente precisava de algo fácil pra começar. Espero que sim, porque família é família, eu acho. Depois eu sou o cruel.

– Ali, olha lá. Eles tão saindo, que lindo. Já sabe o que tem que fazer né Justin? Fica aí atento, qualquer coisa tenta avisar. Se alguém chegar e tu perceber que é pra entrar na casa, não tem pena, pode meter porrada. Melhor pra pessoa. Quando a gente voltar, só dirige. Rápido.

Tossi baixinho pra disfarçar o nervosismo. Eu devia ir embora e tentar uma vida normal de um garoto de 16 anos, mas já era tarde demais pra mim, eu já tava nessa vida desde que nasci praticamente. Eles saíram e eu manobrei o carro, deixando na frente da casa e fiquei lá, batendo o pé e me assustando a cada mísero movimento na rua. Só que eu que eu não esperava aconteceu, chegou alguém. Afundei no banco, não me veriam assim. A pessoa desceu do carro que ficou parado no meio da rua — um cara alto e loiro (?), não dava pra ver direito — e ficou na frente do meu, olhando assustado. Sacou o celular do bolso e começou a discar algum número, aposto que a polícia. Eu podia ver a boca dele se mexendo, tava falando com alguém. Já era... ou não. Liguei o carro e no desespero, atropelei ele.

Engoli em seco.

Ai meu Deus. Era só pra derrubar o cara, só que eu fui com força demais e acabei passando por cima dele. Comecei a tremer, ele devia estar morrendo agora. Sai do carro na pressa e foi só pra confirmar, ele tava ali vomitando sangue. Ele abriu a boca pra falar, mas já era. Morreu. Pus a mão na cabeça e meus olhos começaram a lacrimejar, eu não sabia o que fazer. Corri de volta pra dentro do carro que nem um louco, eu tinha que chamar alguém rápido pra tirar ele...

– Vai Justin! – os caras gritavam baixinho, enquanto entravam no carro. Eles entraram e ficaram me encarando.

– Não tá dirigindo porque hein? Vai moleza! – Christian gritou e eu dirigi sem falar nada, deixando o corpo pra trás. Eu não podia falar pra ele, porque o cara provavelmente era parente dele. E eu tinha matado.

– O que foi Biebs? – Ryan perguntou. Olhei pro lado e o Chaz também me olhava preocupado enquanto o Christian examinava um anel. Quando eu abri a boca pra falar, meu celular tocou. Caitilin me ligando. Decidi atender, ignorando o fato de estar dirigindo.

– Amor?!

– Oi Caitilin, o que foi?

– Amoooor, eu tenho uma notícia ótima pra te dar. Adivinha?

– Não tô muito bom hoje, fala logo Cait.

– Ok... *soluço*

– Tá chorando Cait? O que foi?

– Tô sim, mas é de alegria amor. Tô grávida.

Deixei o celular cair, completamente em choque.

– PARA AÍ BIEBS!

Olhei pra frente e tentei recuperar a direção do carro, mas acabei atingindo outra pessoa, tentei desviar mas não deu... Senti uma pancada forte na minha cabeça e tudo ficou escuro.

Flashback off ~

Abri a minha boca em choque. Eu não podia acreditar no que tinha escutado. Quem era o cara que ele tinha matado? E a outra pessoa que ele atropelou? E a Caitilin... era namorada dele? Grávida? Eles e o Christian eram parceiros? O rosto dele estava repleto de lágrimas, a culpa parecia corroer ele por inteiro.

– Olha... você não foi muito culpado tá? Você tava nervoso e...

– EU FUI CULPADO SIM! – Justin explodiu. – Não importa Lind, será que você não percebe? Eu matei o pai do Christian e da Caitilin em uma tentativa desesperada de me safar, eu nunca devia ter atropelado ele.

– Então aquele cara que você...?

– Era, era pai deles. Eu juro que eu não sabia, eu juro que eu não queria matar ninguém Lind, eu juro – ele me abraçou. — Como eu ia adivinhar que ele ia estar lá, como? Nem o Christian sabia disso... Foda-se, eu sou o culpado. – ele me soltou. – Eu matei meu próprio filho.

– O QUE?

– A pessoa que eu atropelei era a Caitilin. Tá entendendo agora porque eles me odeiam? Eles tem todos os motivos do mundo pra me odiar: eu matei o pai deles, atropelei a Caitilin e fiz ela perder o filho. O meu filho, Lind. Eu matei meu próprio filho! Isso vai ficar pra sempre em mim, entende? Claro que não, você nunca vai entender. Você nunca matou ninguém, nunca se meteu em muitas confusões e nunca matou o pai de alguém, nunca matou um filho seu até porque nunca ficou grávida. Aposto. O que eles fizeram hoje foi se vingar de mim e com razão. E se meu pai morreu hoje, 6 anos depois de tudo isso, a culpa é minha. Se eles querem me ver longe daqui em duas semanas, a culpa é minha. Não adianta o quanto o Chaz e o Ryan digam que foi sem querer, legítima defesa, nervosismo e o escambau, a culpa ainda é minha. Só minha.

As lágrimas escorriam pelo meu rosto e ele também chorava. Eu queria saber e soube. Entendi tudo.

Notas finais
Me contem o que acharam, de verdade.
KKKKKKKKKK Eu achei esse capítulo hilário, sério. Se eu não soubesse que sou uma louca do bem, mandaria me internarem agora.
Até s2