Criando Um Monstrinho
2 Caminhando para a Confusão... Again.
Notas iniciais
Que tenha muitos aninhos de vida e muitos ups no GC -q =w=
Acho que ficou um pouco grande, mas enfim... Hehe, me empolguei.
Boa leitura :3
Lembram do ocorrido?
É... Pois é.
Uma semana já havia se passado e desde então, ele não apareceu na escola e quem ficou com má fama fui eu.
O pessoal me encarava como se eu fosse um ser anormal... E olha que ser nerd já é ser anormal, imagina um nerd que dá Fatality um delinqüente.
Obviamente, já estava na escola e na sala de aula, só aguardando o professor entrar na sala, embora fosse um pouco cedo.
Tirei os óculos, assoprando nas lentes para limpá-las. Se eu fosse outra garota estaria me preocupando em arrumar o cabelo ou algo assim; eu já cortava o meu na altura dos ombros justamente para não precisar fazer isso.
– E-Etto...
Uma voz estranhamente masculina e fofa ao meu lado me chamara a atenção.
Coloquei os óculos de volta –Porque sem eles sou cega, literalmente-, encarando tal figura e pude notar que recuou no momento em que seu olhar se encontrou com o meu.
Aliás, eu era a estranha aqui. Meu cabelo é azul; meus olhos heterocromáticos¹; meus óculos são enormes e minha altura abaixo do padrão -1,53cm, para ser exata-.
– Algo errado?
Respondam; Sou tão assustadora assim?! O garoto até suava.
A aparência dele... Altura mediana, cabelos azuis e longos, presos em um rabo de cavalo baixo; franja caindo sobre os olhos também azulados. Seu uniforme estava irritantemente arrumado, sem uma mancha sequer.
Eu o acharia bonito e até pensaria em ter algum interesse nele, caso eu me importasse com isso e ele não parecesse tão... Uke² com aquele semblante.
– O-Obrigado p-por ontem... Se você não t-tivesse interferido, e-eu apanharia ainda mais... Obrigado! – O rapazinho se curvou.
Tá. Acho que ele conseguia ser mais estranho que eu assim.
– Sem problemas. – Respondi sem interesse.
Como eu disse antes, amizades só me atrapalhariam no momento.
– D-Desculpe, nem me apresentei... S-Sou Ronan E-Erudon, 2º ano!
– Mari Ming Onette, 1º ano.
– Prazer em conh…
– Ei Ronan!
O azulado mal teve tempo de completar a frase e alguns garotos que apareceram ninjamente na porta dos fundos da sala o chamaram. Eram 3, que ao me verem engoliram a seco.
Mas porque diabos tive que abrir a boca naquela hora?! Se duvidarem, estaria sendo mais temida que o próprio valentão!
– C-Com licença, já volto... – Disse Ronan indo até os garotos da porta.
Voltei a minha típica posição de observadores de janelas alheias, sabem? Esse mês ainda não havia pegado nenhum livro na biblioteca, pois estava esperando os professores entregarem os roteiros de estudos para as provas bimestrais.
Após poucos minutos e muitos cochichos, o rapazinho voltou, sentando na cadeira da frente. Pela cara que ele fazia, pelo jeito iria me pedir favores. Okay, força na peruca rapazinho uke, manda.
– N-Nem sei c-como contar isso etto... – Ele coçou a cabeça, confuso.
– Desembucha.
– B-Bom!... Como a m-maioria sabe... Faz uma semana q-que Lupus não aparece na escola... E logo c-começam as provas referentes ao final do primeiro b-bimestre...
Nãaaaao me diga! Sério mesmo? Óbvio né.
– Continue.
– “Pesquisamos” um p-pouco, e os professores acham que... – Ele engoliu a seco. – A c-causa da ausência dele... Seja... V-Você...
Ótimo. Arqueei a sobrancelha enquanto o encarava, deixando o garoto suando frio. Além de nerd que tirou a moral de um valentão, livrei um cara de apanhar mais e agora me culpam pela ausência do maluco que não tem mais moral?! Eu até discordaria se o intelecto deles não fosse tão inferior.
– B-Bem... E ele se recusa a vir n-na escola e t-temos que pelo m-menos entregar os roteiros de estudo para ele...
– Tá, mas e eu com isso?
O azulado quase caiu da cadeira praticamente, e os garotos da porta pareceram ter um infarto.
– E-Erm...! É-É q-que...! – O azulado gaguejava, procurando respostas, aparentemente nervoso.
– A-Ah q-qual é novata! Você parece ser a única na escola q-que não tem medo daquele cara! – Um dos garotos da porta se proclamou.
Deixe-me ver se entendi. Levei a culpa por uma coisa da cabeça daquele valentão, e agora tenho que ir a casa dele levar o roteiro de estudo? Isso é brincadeira né?
– Eu, na casa daquele delinqüente? Não conte comigo.
Os garotos pareceram enfartar novamente. Fora de cogitação.
– Ah c-cara... P-Por favor! Se os roteiros de estudo não forem entregues estamos ferrados! Por favor, baixinha!!! – O trio correu até minha mesa, ajoelhando-se em volta, fazendo caras e bocas.
Odiava gente sentimental, já que eu não era assim. Qualquer pessoa que apelava pro choro me irritava. E isso estranhamente... Fazia-me mudar de idéia... Droga! Eles imploravam sem parar e aquilo já estava fazendo minha cabeça doer.
– Tá, chega! Eu faço! Agora parem com isso!
Os quatro rapazes comemoraram.
– Tome! Dentro dessa pasta de papel está os roteiros de estudo e a folha com o endereço dele. Muito obrigado baixinha! – Ronan disse sorridente.
O que eu estava fazendo?! Eu estava ciente que estava caminhando em direção a mais confusões e ainda sim estava aceitando?! Maldita mente humana irracional a minha!
Tomei aquela pasta, guardando em minha pequena malinha no meio dos cadernos. Agora “só” faltava esperar as aulas acabar. Porém... Parando para pensar... Aquele momento, eu jurei que levaria um soco. Porque ele não me bateu na hora?
Talvez seja por que havia muitas pessoas olhando... Erm... Se eu for à casa dele... E ele estiver lá... Há 80% de chance de eu apanhar... Talvez só...
Engoli a seco.
Será que levar um soco dói? Aaaaaah!!! Pare de pensar nisso idiota! Olha, o professor entrou na sala... Concentração...
Minhas mãos estavam um pouco trêmulas e suando. Raramente ficava assim, o que estava acontecendo comigo?! Além de caminhar em direção à confusão, agora estava ficando sentimental? Sem essa, trate de se controlar!
Ok, vamos pular para a parte que eu vou à casa do valentão.
Sai da escola praticamente me escondendo dos olhares indevidos, já que agora não era mais considerada invisível na escola. E fora que se me vissem indo para a casa de Lupus... Acho que poderiam pensar coisas erradas... Nunca que eu vou estar interessada nele! Sem mais.
Na folha, só havia o endereço do apartamento e nada mais. Nenhuma coordenada, nada. Estava perdida em meio de tantas ruas. Já tinha perdido as contas de quantas vezes passei na Rua Kennedy... Espera... Dei uma olhada novamente no papel, e essa era a rua do apartamento! Isso, vamos lá, tá indo bem garota... Agora é só encontrar o prédio...
Por sorte, não demorei a encontrar o prédio. O nº do apartamento estava marcado no papel, e para meu azar... Era no último andar... E o prédio tem...
– Com licença... Pode me informar quantos andares este prédio possui? – Perguntei ao porteiro.
– 15 andares senhorita.
– C-Certo... Vou pegar o elevad...
– O elevador está quebrado, desculpe pelo transtorno senhorita. A escada é por ali. – O porteiro apontou para o lado esquerdo do balcão.
São “só” 15 andares... Que mal teria em subir as escadas? Hehe... Vamos pensar positivo... Vamos, otimismo!
Ri um pouco para o porteiro, seguindo para as escadas... Vendo pelo lado bom, a escada nem é tão grande assim...
1º Andar... Ok, esse foi tranqüilo.
2º Andar... Coração um pouquinho acelerado, mas é por que não sou muito acostumada a esforços físicos.
3º Andar... Eta escadaria braba, hehe...
4º, 5º, 6º, 7º, 8º Andar...
– Isso... Não acaba mais?! – Exclamei, pegando um lenço no bolso da saia e passando na testa suada.
9º Andar... Minhas pernas doem...
10º, 11º, 12º, 13º, 14º Andar...
– Q-Que m-merda é essa... Parece que... Esses degraus... Não acabam mais...!
Vou admitir que já estava precisando das mãos para subir. Minhas pernas estavam cansadas, fora a câimbra.
15º Andar. Finalmente.
Subi os últimos andares com as mãos... Pois é.
– Preciso descansar... – Sentei no ultimo degrau, descansando e limpando o suor do rosto com o lenço. – Eles me pagam... Sério...
Virei para o corredor, dando uma olhada antes de andar pelo território. Ainda bem que o apartamento do cara era um dos primeiros do corredor... Já não agüentava mais andar. Precisava dar só mais alguns passos e apertar a campainha... Ok, isso é fácil.
Feito isso, alguns segundos depois um homem bem alto, de cabelos castanhos e semblante sério me atendeu. Lembrava muito o valentão, mas não devemos julgar as pessoas pela aparência, certo?
– Olá senhor, aqui é a casa de Lupus Wild? – Perguntei um pouco simpática.
Se o valentão inventasse de me bater, pelo menos se eu fosse simpática e esse homem fosse com a minha cara, teria uma chance de 5% de ser protegida...
– É sim. O que deseja com ele? – O homem espreitou os olhos, meio desconfiado.
Estendi a pasta que continha os roteiros de estudo, fazendo-o arquear a sobrancelha.
– Lupus! Venha aqui! Tem... Visita pra você! – Gritou, meio confuso. – Vamos, entre.
Entrei no apartamento por fim. Era organizado até, apesar de ser um pouco pequeno. Sentei-me no sofá, olhando fixamente para o homem que me atendeu. Quem será que era ele? Seria o pai do rapaz?
– Diga.
Ao ouvir essa voz já pude calcular quantos segundos ele tinha para me reconhecer, me encarar e vir me receber com um soco. Engoli a seco, virando meu olhar ao loiro.
– Sua amiga veio te trazer coisas da escola.
– Amig...? – Lupus arqueou a sobrancelha, olhando imediatamente para mim. Estava ferrada, com certeza!
O encarei também, mas um pouco desconfiada. Quantos segundos tinham mesmo para ele vir me bater? Certo, eu estava com medo mesmo. Porém... Meus cálculos deram errados, pela primeira vez! Ao invés de ele vir me dar um soco, seu semblante demonstrou surpresa, e a única coisa que pude ouvir, foram seus passos apressados e um bater de porta. Isso foi estranho.
– Lupus! Pare de graça! – Gritou o homem novamente. – Venha pegar o que ela trouxe!
– “Nem fodendo!” – O valentão gritou do quarto.
O homem me encarou sem graça, até entendia o constrangimento. Até por que o filho dele é um traste... Pigarreei, o encarando.
– A-Ah... Desculpe por ele... Ele é meio... Bobão às vezes... Pode deixar a pasta comigo, entrego a ele depois... Obrigado por se preocupar. – Disse ele sem graça.
– Na verdade eu fui forçada a vir, mas não vem ao caso. Tome. – Minha sinceridade às vezes me surpreende, lá lá lá...
Minutos depois minha missão já estava cumprida; tinha entregado os roteiros para o valentão sem apanhar, ninguém me tratou mal e etc... Agora só... Faltava descer as escadas... Não podia ter uma rampa não?!
Mais uma vez amaldiçoei minha boca por aquele dia. Eu juro que nunca vou me perdoar por isso, sem mais.
Notas finais
Bjos~♥
[Heterocromáticos = Olhos de cores diferentes;
Uke: É tipo... Uma pessoa que tomaria o lugar de uma mulher num casal... -q]
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