Criando Laços
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Bem, o cap esta grande, mas tem duas coisas ~Três, ou quatro, depende do ponto de vista~ Que vocês estão esperando :D
Mel-chan non pode estar conosco hoje, mas ela deseja uma boa leitura, meus amores o3o
Camus entra em casa e joga a maleta de qualquer jeito em cima da mesa de centro, se jogando no sofá. Estava cansado, e ainda deve o maldito encontro com o sogro. Só queria descansar um pouco, curtir seu marido e ver como estava Hyoga em seu primeiro dia de “castigo”.
Milo, que até então o olhava de longe, sorri e vai silenciosamente até ele. Quando chegou perto, parou atrás de onde ele estava no sofá e cobriu-lhe os olhos. Aproximou-se do ouvido dele e lhe mordeu levemente o lóbulo da orelha.
- Cansado?
O ruivo sorri e coloca as mãos em cima das do amado
- Um pouco. Mas nunca pra você, ange.
O escorpiano ri baixinho e dá a volta no sofá, se sentando no colo dele.
- Acabei de deixar o Hyoga na casa do Misty como o diretor havia mandado. Os pais dele não estavam em casa, só o irmão.
Camus abraça o marido e dá um selinho nos lábios rosados.
- E como ele está?
- Nervoso, irritado, reclamando muito... Fora isso, está mais calmo que ontem. — O puxa para si, o beijando demoradamente — E você, como está?
- Agora estou bem, mon ange, com você eu sempre fico bem — Esfrega seu rosto no do amado, manhoso.
Milo sorri lindamente
- Que horas vai ter que voltar ao trabalho?
- Eu não volto mais hoje, tirei à tarde de folga, mas vou ficar trabalhando em casa.
- Então por que não vai tomar um banho? Deve estar cansado. Farei algo para você comer.
- Me acompanha? Adoro tomar banho com você. – Camus acaricia as coxas do loiro.
- Uhum... Vamos. Também preciso de um banho. — Mostra à roupa toda suja de tinta — Passei quase toda a manhã pintando. Uma amiga minha marcou uma exposição para mim na galeria dela.
- Amiga? — O ruivo franziu o cenho, que amiga seria essa? E por que o loiro nunca falou dela? O que essa mulher queria com seu marido?
- É. Ela se chama Mayra. Fizemos faculdade juntos.
- hun, então ela deve gostar muito de você, não é? E você dela...
- Adoro a Mayra. Ela se mudou para Nova York assim que acabamos a faculdade, e se casou lá. Só voltou porque a mãe dela morreu, deixando para ela aquela galeria. Ela reformou e quer que eu faça uma exposição de reinauguração.
- Então ela é... Casada? — Sentiu uma pontada de alivio.
- Sim. Ela é casada com uma mulher chamada Emma, se não me engano.
- Que ótimo. Mas eu quero conhecê-la. Preciso saber com meu marido anda se relacionando.
- Irá conhecê-la. A exposição será mês que vem, irei apresentá-la a você.
- vocês andam se encontrando muito ultimamente? Por que nunca me falou sobre ela? — A essa altura já tinha parado de acariciar as coxas roliças, na verdade estava se mordendo de ciúmes, a moça sendo ou não casada. Gostando, ou não de homens.
- Ah, a gente ainda não se viu, só conversamos pelo telefone. E eu não te falei dela porque não achei que fosse importante — Dá de ombros — Mas a gente vai tomar banho ou não?
- Eu vou sozinho, depois você vai. — Segura a cintura do loiro, o ajudando a sair de seu colo.
- Por quê? Pensei que iríamos tomar banho juntos. — Faz biquinho.
Camus não resiste aquele biquinho fofo e puxa o loiro de novo pro seu colo, o beijando. Estava sendo infantil. Sabia que não tinha motivos pra ficar chateado com seu Milo, mas era ciumento, o que poderia fazer?
- Eu amo você... muito.
Milo sorri amorosamente para ele assim que o beijo aparta.
- Também te amo, meu rubi... Te amo muito.
O ruivo sorri, dando mais um selinho no loiro.
- Mas a próxima vez que você fizer 'contato' com alguma antiga amiga de faculdade me avisa tá...
- Uhum... Prometo que te aviso. — Dá mais um rápido beijo nos lábios viciantes do amado e se levanta — Agora vai tomar seu banho, vai.
-Vem comigo...
- Vai na frente que eu já vou. Tenho que tirar um bolo do forno.
- Certo, mas não demora — Se levanta e vai para o quarto, preparar um delicioso banho de banheira.
O escorpião sorri e vai até a cozinha, tirando o bolo do forno. Fizera o favorito do marido. Queria fazer uma noite especial para ele, estavam passando por muito stress.
Deixou o bolo esfriando e foi para a sala, já pronto para correr para o banheiro e curtir o corpo delicioso daquele francês quando viu os papeis que ele havia deixado espalhado pelo mesa de centro.
Suspirou e foi até lá. Camus deveria ser mais responsável com as coisas de seu trabalho.
Pegou a pasta e levou para o quarto, quando já estava pronto para guarda-la na escrivaninha, um pequeno envelope caiu.
O grego se abaixou para pegá-lo. Quando se levantou, pronto para guarda-lo, viu que atrás estava escrito "Alexei Hyoga".
Estranhou aquilo. O que o nome de seu filho estava fazendo ali?
Tomado pela curiosidade, o loiro acabou abrindo o envelope lacrado e, ao ver apenas uma das imagens que estavam ali, sentiu as pernas fraquejarem.
- O que é isso? — Murmurou
Como Milo estava demorando, Camus acabou tomando banho sozinho, e ao sair do banheiro deparou-se com o marido mexendo em suas coisas, mais precisamente no envelope que o crápula do sogro o havia entregue. Devia ter tacado fogo naquilo. Por Zeus, o que será que havia naquele envelope?!
- Milo, o que você está fazendo?!
Milo o olha nos olhos. Pegou todas as fotos que havia no envelope, deixando apenas os DVDs, e as jogou no chão, deixando que Camus as visse.
- Me explique isso, Camus!
O ruivo sente seu coração falhar uma batida. Zeus, aquilo não era possível. Como Eliot teve acesso aquilo? Como seu irmão foi capaz de tirar aquelas fotos!? Se sentiu nauseado vendo aquilo, era perversidade demais.
- Milo, eu não sabia da existência dessas fotos, eu... — Não conseguia nem formular uma frase, estava enojado, nao sabia se sentia mais ódio de seu irmão, ou do sogro.
- Camus, é o seu irmão que está nessas fotos! É o seu irmão estuprando o nosso filho! — Joga o envelope no chão. Não acreditava naquilo. Respirou fundo tentando manter a calma — Eu nem quero saber o que tem nos DVDs. Quem te deu isso?!
Camus recolhe as fotos e coloca de volta no envelope, o jogando na cama.
- Milo, eu preciso te contar uma coisa, preciso que me escute com atenção — Iria contar toda a verdade sobre o irmão, não podia mais esconder isso de Milo, não mais.
O loiro respira fundo, se sentando na cama. Por Zeus, o que Camus iria lhe contar agora?
- Pois bem, fale...
Em silencio, o francês passa a se vestir, afinal tinha acabado de sair do banho. Quando estava devidamente vestido puxa uma cadeira e senta-se de frente para o marido.
- Milo, o Cris é pai do Hyoga — Curto e grosso, não tinha outra forma de contar aquilo.
Certo, por aquela Milo não esperava...
- Quer dizer que o Cristal, o seu irmão, é o pai biológico do Hyoga? O Cristal, a mesma pessoa destas fotos, que esta estuprando e batendo no Hyoga? Ele é o pai dele e o mesmo motivo do Hyoga odiar os gays? Ele é o motivo de o Hyoga ter estado em um orfanato?
- Milo, lembra há dois anos, quando eu viajei para a Rússia, por que o Cris estava com problemas?
- Lembro... Você disse que ele sofreu um acidente e precisava de alguém pra ficar com ele alguns dias... O que tem isso?
- Eu tinha recebido um telefonema de um amigo do Cris, ele me disse que depois que esposa do Cristal faleceu ele se descontrolou e passou a agredir o filho. Eu fiquei preocupado, nem ao menos fiquei sabendo da morte da Natassia.
- ...Por que escondeu isso de mim, Camus? — A voz estava visivelmente magoada.
- Eu... sei que não tem justificativa, mas eu queria me certificar de tudo antes, queria ir até lá e se eu confirmasse aquilo, eu traria meu sobrinho comigo, e nos o adotaríamos, daríamos o amor que Cristal estava se recusando a dar.
- E por que não me contou quando adotamos o Hyoga, Camus? Por que escondeu algo assim sobre nosso filho, mesmo sabendo que eu queria tanto saber mais sobre ele?
Camus sabia que Milo tinha razão, nada poderia justificar o que fizera
- Milo, eu tive medo, medo de você me odiar, me achar um inútil, covarde. Eu... não consegui proteger o Hyoga... quando eu cheguei na Rússia fui procurar o Cristal. Aquele maldito me confessou que tinha espancado o menino varias vezes, e inclusive já chegou a deixa-lo inconsciente, nós brigamos, eu exigi ver o Hyoga, disse que o traria comigo, e o denunciaria, o entregaria pra policia. Então ele me disse que o garoto tinha fugido que não sabia dele, e que se o achasse dessa vez o mataria. Eu procurei, Milo, juro que o procurei por quase uma semana, contratei detetives e tudo mais, mas não obtive sucesso. Então quando voltei pra casa, voltei decidido a adotar uma criança, nós nos inscrevemos e ficamos a espera. Há alguns meses você viajou pra Milão pra fazer uma exposição, e eu não pude ir contigo. Então em um fim de semana eu fui ao orfanato, e foi quando vi Hyoga. Ele não tinha me reconhecido, e eu fingi que não conhecia, na verdade nem me aproximei. Senti um alivio enorme por saber que ele estava bem, vivo, mas mesmo assim não tive coragem de me aproximar, ele poderia fugir, pensar que o Cris viria atrás dele, enfim... eu procurei a diretora e conversei sobre o Hyoga, ela me contou que o acharam na rua, e ele foi encaminhado pra lá, que já havia passado por inúmeros orfanatos em um período de dois anos, então eu falei pra ela que gostaria de adotá-lo. Dona Marta acabou saindo do Orfanato, por motivos pessoais, mas antes passou o caso pra Helena, a nova diretora, aí ela nos ligou... e o resto você já sabe.
O loiro não sabia ao certo o que dizer... Queria sim descobrir o passado de Hyoga, queria muito, mas não dessa forma. Queria que o filho contasse para si por confiar e respeitar eles... Mas ouvindo aquilo de Camus, saber que ele escondeu algo assim sobre Hyoga lhe partia o coração. Sabia que havia escondido seu próprio passado do ruivo, mas... Não queria lembrar daquilo. Havia passado noites em claro pensando em como contar a Camus, e todas essas vezes, ao pensar no que seu pai havia feito, sempre acabava derramando algumas lagrimas. Se não conseguia sequer se lembrar disso em pensamentos, como falaria aquilo para o amado? Como faria para as palavras saírem?
No final, acabou que Saga o havia ajudado mais uma vez, mas... Descobrir que Camus havia escondido algo tão importante sobre o filho deles acabou deixando-o sem palavras... Simplesmente não sabia o que falar.
- Milo, entenda... – A voz de Camus estava embargada pelas lagrimas contidas — Eu tive medo de contar e você se decepcionar comigo, por ter um irmão como o Cris... E se o Hyoga soubesse a verdade ele me odiaria ainda mais, por ser irmão do homem que lhe causou tanta dor. Eu só quis proteger vocês, por que os amo. E eu juro, Milo. Juro que não sabia do abuso sexual. O amigo do Cris que me contou das agressões me ocultou esse pormenor. Eu devia ter desconfiado... Zeus como fui tolo. O que Cristal fez foi desumano! Agora entendo a aversão do Hyoga a gays.
Milo respira fundo e o olha nos olhos.
- Tudo bem, Camus... Eu entendo... — A voz saiu mais triste e decepcionada do que queria.
O ruivo levantou da cadeira em que estava sentado e senta ao lado do loiro na cama, levando uma mão a face dele.
- Mi... me perdoa.
- Tudo bem, Camus... Eu só não esperava por isso... — Suspira, se levantando e se afastando do toque dele.
Camus ficou na duvida se Milo se referia as fotos, ao estupro que Hyoga sofrera, ou a ele não ter contado a verdade, quem sabe fosse todo o conjunto.
- Milo, eu te conheço, eu sei que não esta nada bem. Por favor, fala comigo, briga comigo, me xinga, me bate, mas não faz isso, não diz que esta tudo bem sem estar, não se afaste de mim, não seja frio comigo. Eu posso suportar tudo, menos isso.
- Eu... Eu preciso pensar sobre tudo isso, Camus. É muita informação de uma só vez... — O olha nos olhos, se aproximando dele e afagando-o amorosamente — Vou passar a noite lá na casa do Saga, tá?
- Não! De jeito nenhum! Como assim na casa do Saga? Milo por Zeus, vai ser sempre assim? Sempre que acontecer alguma coisa você vai correndo procurar o Saga? Sempre o Saga! — Inferno! Nessas horas odiava Saga. Por que Milo sempre corria pra ele quando precisava de colo? Por que era sempre com Saga que o loiro desabafava? Por que era sempre Saga que sabia dos segredos mais bem guardados de SEU marido?
- Camus, por favor... Eu só preciso engolir toda essa historia... Sabe que o Saga é como um irmão para mim. Eu confio nele...
- E em mim não, não é? Você nunca confiou em mim Milo, não como confia no Saga. Acho que você escolheu a pessoa errada pra casar, deveria ter casado com ele já que o ama tanto. — Doía saber que ao menor sinal de problema Milo saia pra procurar o amigo, se sentia menosprezado, diminuído.
- Camus, eu nunca me arrependi de ter casado com você. Eu não confio em Saga mais o que confio em você. Eu não o amo mais do que amo você. Saga é apenas o meu amigo.
- E por ele ser seu amigo você vai correndo pros braços dele? Dormir com ele? Milo, aqui é sua casa, é aqui que deves ficar!
- Camus, eu sei que minha casa é aqui. Mas entenda... Eu preciso pensar um pouco. Amanhã eu volto, eu juro.
- Se você for, não precisa mais voltar! — Sabia que estava sendo radical, que ele havia omitido algo deveras importante do marido, mas a ideia de Milo dormir fora, na casa de Saga, o deixava louco.
- Camus, eu...- Mordeu o lábio inferior, não acreditando naquelas palavras. Saga já foi sim seu porto seguro, mas agora esse cargo era de Camus. Amava o ruivo tanto que chegava a doer. Não queria deixar o marido, mas... Era muita informação, não sabia como agir ou falar quando visse Hyoga na próxima vez. Queria pensar, e sabia que Saga iria escuta-lo e lhe dar conselhos como sempre fazia. Não queria que o ruivo pensasse que confiava mais em Saga do que nele, isso é idiotice. Mas Camus que havia lhe escondido àquelas coisas, não poderia conversar com ele sobre isso — Se é o que quer, então é o que irei fazer, Camus. — Sorriu tristemente para ele uma ultima vez, antes de dar meia volta e sair do quarto.
Camus socou a parede a sua frente, mas estava tão fora de si que nem ao menos sentiu o sangue que manchava a pele. Como Milo podia ter escolhido ir para casa de Saga ao casamento deles? E pior, Como ele poderia ter falado aquilo pro loiro? Zeus... o que estava fazendo? Ele estava errado naquela historia, ele havia escondido algo importante do marido. Como agora ainda brigava com ele por ciúmes? Aquilo era o cumulo da idiotice. Pegou o telefone e discou um numero que sabia de cor.
- Saga... atende — Andava de um lado pro outro, mas ninguém atendia
Após três tentativas, uma voz feminina atendeu.
— Alô?
- Eu gostaria de falar com o Saga, aqui é o Camus.
- O senhor Saga não se encontra no momento. – A mulher respondeu — Sou a empregada deles, Analita.
- Obrigado — Desliga o telefone e discou o numero do celular do grego, mas desistiu antes de completar a ligação. O melhor a fazer era ir atrás de seu marido, pedir perdão e trazê-lo de volta pra casa. Pega a carteira e as chaves e sai apressado, nao podia perder tempo. Precisava de seu Milo junto de si.
oOoOoOo
Misty havia sido trazido para casa há algumas horas. Já havia se recuperado bastante e seu irmão permanecia ao seu lado o tempo todo. Inclusive agora, Afrodite estava distraindo-o conversando consigo.
Hyoga havia chegado a algumas horas e Afrodite nem pensou duas vezes e já o havia posto para trabalhar, lavando a casa inteira, cortando a grama, dando banho nos cachorros e coisas do tipo
Já Afrodite, que havia ouvido a campainha, desceu correndo para atender.
- Oi Shunny, entra... – Segura a mão do menor e o arrasta pra dentro de casa.
Shun riu baixinho.
- Calma Dite. Já to entrando, não precisa me puxar.
- Sunnyzinho, meu amor, pensei que não vinha mais! – Dite falou de forma afetada.
Nenhum dos dois notou o loiro que saia da cozinha nesse instante
- Afrodite eu já ter... – Hyoga estancou na porta da cozinha ao ver quem estava ao lado da bicha loira mais velha. — Shunny... o que faz aqui?
O virginiano o olha e nesse mesmo instante para de sorrir.
- Eu que deveria perguntar isso. O que faz aqui, Hyoga.?
- Ordens do mestre. Aquele diretor maldito falou que eu tinha que vir ajudar esse daí – O loiro mais novo indicou Misty com a cabeça — E o imbecil do Milo me trouxa quase a força. Agora estão me fazendo de escravo aqui! Mas eu já terminei, esta na hora de ir embora! — Por que mesmo que Milo ainda não tinha vindo busca-lo? Loiro inútil, quando foi para leva-lo pra aquele inferno ate se adiantou, agora para leva-lo pra casa demorava tanto.
Misty bufa, indignado. Zeus, como odiava aquele loiro. Se não tinha feito nada a respeito era apenas por causa de Shun.
- O Milo disse que você tem que ficar aqui até ele vir te buscar, ou seja, você vai ficar aqui.
Shun olhou uma ultima vez para Hyoga, antes de começar a ignora-lo por completo e ir até Misty, abraçar o amigo.
Hyoga bufa de raiva, odiava a todos, Misty por ser o culpado de sua desgraça, afinal era por conta daquela bichinha que tinha aguentar a bicha mor, aquele loiro maluco era um infortúnio em sua vida. Odiava Milo por tê-lo esquecido ali. E agora, ficaria ali até que horas?
- Anda, vai procurar o que fazer... Aproveita que já terminou de limpar o jardim e vai fazer um lanche pra gente – Afrodite adorava ver o loiro bufando de raiva, no que dependesse dele aquele menino com pose de mal iria sofrer muito nos próximos dias.
O aquariano, muito irritado, vai para a cozinha fazer o que lhe foi mandado, só não cuspiria dentro do suco por que Shunny beberia dele.
Shun ri baixinho ao vê-lo ir e olha para Afrodite.
- Não o maltrate muito, Dite.
- Até que eu to pegando leve – Afrodite diz fazendo bico — ele merecia muito mais por ter judiado do meu bebê!
- Se o Dite pudesse iria fazer trabalhar como um escravo até amanhã de manhã – Misty disse, rindo, deitando a cabeça do colo de Shun — Disso eu tenho certeza!
Shun ri também, fazendo carinho em Misty.
- Ora, se usar toda a sua maldade nele não sobrará nada para o Masck, Dite.
Dite fica serio de repente.
- Aquele ali não perde por esperar, com ele a historia é diferente. Esse moleque, o Hyoga, ainda tem concerto. Mas o Mask não.
Hyoga entra na sala com uma bandeja contendo uma jarra de suco, e alguns sanduíches.
- Aqui está — Deposita a bandeja na mesa de centro — Mas alguma coisa madames? — Pergunta olhando para Misty, em tom desafiador.
Misty o olha, devolvendo o olhar desafiador.
- Oh sim, vá lavar os banheiros da casa.
- O que? Você enlouqueceu de vez? Eu me recuso, nunca vou lavar seus banheiros, sem chances! — Aquela bicha deve ter batido forte a cabeça e enlouquecido de vez, só pode!
-Ah, mas vai sim! O diretor falou que eu posso pedir para você fazer o que eu quiser.
- Então vai lá e conta pra ele que eu me recuso a lavar seus banheiros! Desiste seu idiota, eu não farei isso!
Afrodite olhava divertido para o loiro, ahh aquele menino ainda tinha muito o que aprender.
- Oh, então prefere que eu dê queixa na policia para te mandar para um reformatório onde os garotos e garotas de lá vão fazer coisas muito piores que te mandar lavar o banheiro? – Misty continuou.
- “Maldito!” – O xingou mentalmente. Ah como odiava aquele garoto! Como ele era capaz de humilha-lo na frente de Shunny? Mas aquilo teria troco, ah se teria. Pisando duro e sem dizer uma palavra se dirige para a área de serviço a fim de pegar os utensílios para fazer a tarefa designada pela bicha Jr.
- Gostei de ver bebê. – O pisciano se sentia orgulhoso por seu irmão ter imposto sua vontade. Mesmo achando que o loirinho pegara pesado com o russo pelo menos pra um primeiro dia... nesse ritmo não restaria muitas humilhações para o resto da semana.
Misty Manda um beijinho para o irmão.
- Sei mandar quando quero.
Shun ri, abraçando Misty.
- E como sabe.
- E eu não sei? – Dite ri a abraça o irmão e Shun — Eu vou pro meu quarto, qualquer coisa chamem. Comportem-se crianças!
- Na verdade, Dite. Eu também tenho que ir. – Shun sorri, se levantando — Está tarde, e papai pira se eu não estiver em casa quando ele voltar.
- Mas você vai sozinho? Não é perigoso?
- Posso ir com você se quiser... – Misty se depôs.
- Não Misty, você esta machucado. Ficarei bem, não se preocupem.
- Você mora perto do Hyoga, não é? O pai dele já devia ter chegado... Vai ver esqueceu do traste. Mas enfim, eu chamo um taxi e peço pra deixar os dois em casa. Decidido!!
- Não precisa, Dite. Eu posso ir a pé mesmo.
- Sem mais! – Dite pega o telefone para ligar para o taxi. — Misty, chama o Hyoga, diz que ele esta liberado.
- Ok! — Se levanta, pronto para liberar o trate que era aquele loiro.
- Deixa Misty, eu vou. Você precisa descansar – Shunny o faz voltar a se sentar e, antes que ele pudesse reclamar, vai atrás de Hyoga — Hyoga?
Hyoga estava sentado numa cadeira da cozinha, já tinha terminado tudo inclusive o banheiro, mas se aparecesse na sala aquelas pestes em forma de bichas iriam lhe dar mais serviço, então preferiu esperar Milo ali mesmo.
Shun antes de entrar na cozinha, respirou fundo. Estava profundamente magoado com Hyoga, conversar com ele não era fácil para si.
- Hyoga, vamos embora.
- O Milo chegou?
- Não. Vamos de táxi, você irá comigo. Vamos logo que irá chover — falou mais frio do que gostaria.
- Mas o Milo não disse que tenho que espera-lo? Aquele desnaturado me esqueceu não foi? — bufou ao pensar que Milo havia esquecido de si, mas se sentia feliz em ir com Shunny.
- Se quiser ficar ai, pode ficar, mas o Dite vai te fazer dormir na casinha do cachorro.
Hyoga levantou-se rápido, pelo pouco que conhecia da bicha-mor era bem capaz de fazer isso mesmo. Alem do mais teria um tempinho a sós com Shunny, tinha de aproveitar
- Então vamos
- Vamos. — Em todo o momento a voz do virginiano saiu fria e sem vida, mas parece que Hyoga não notou. Voltou então para a sala e se despediu dos amigos, se dirigindo para o táxi que já havia chegado.
Hyoga entrou pela outra porta e sentou-se ao lado do menor.
- O que foi Shunny? Nunca vai me perdoar não é? — A frieza com a qual era tratado machucava
- Não sei, Hyoga. Quem sabe um dia eu te perdoe.
Hyoga bufou, não podia dizer que estava totalmente arrependido, sua opinião continuava a mesma, gays são a escoria da humanidade, mas não podia negar que faria alguma coisa diferente, principalmente para não magoar Shunny.
- Sabe, eu acho que já estou pagando por isso. O Camus me deu um puta de um castigo, aquela bicha ate me bateu, vê se pode... tem os mandos e desmandos do diretor, o Milo nem ta falando comigo, dá pra ver que já estou sendo punido o suficiente né? — Sua voz soara triste, de todas as punições, o ar decepcionado de Shunnie era a pior.
- Hyoga, só fique quieto, ok?
- Se é o que quer — virou o rosto pro lado e passou a admirar a paisagem.
Shun fez o mesmo. Não fez questão de falar com Hyoga. O trajeto foi feito em silêncio até chegarem na casa do loirinho, onde ambos desceram.
- Quero falar com o Milo. — Foi a explicação que Shun deu quando Hyoga lhe perguntou se não iria para casa.
- Aquele desnaturado... — resmungou para si mesmo, entrou em casa e estava tudo escuro, nem sinal de Milo ou do ruivo, não que quisesse ver os dois, mas era estranho não os encontrar em casa. Pelo menos o Loiro sempre estava o esperando com um interrogatório pronto.
- Onde eles foram? – O mais novo indagou, entrando na casa e olhando pela janela da sala — Não posso demorar muito, irá chover...
Ates de Shun terminar a frase sons de trovão foram ouvidos e a luz de relâmpagos adentraram o ambiente ainda escuro. Hyoga foi ate o interruptor e acendeu a luz.
- Eu não sei deles, essa hora o Camus deve estar trabalhando, mas o Milo tinha que estar em casa me esperando — fez bico ao terminar a frase, era a primeira vez que o loiro grego não o esperava para saber como foi seu dia, mesmo que sempre o ignorasse ou o maltratasse.
Shun vai até a janela, vendo a espessa chuva que caia — "Ótimo, vou ter que ficar aqui com ele..." — Suspirou antes de voltar a falar.
- O Mi deve ter saído. Vou ter que esperar a chuva passar um pouco...
O aquariano sorriu internamente, teria um momento a sós com Shunny, os dois sozinhos em casa... era agora ou nunca.
- Shunny... eu... eu... me desculpa pelas besteiras que eu fiz. Não queria que você ficasse com raiva de mim, na verdade sua decepção é o que me dói mais... — Falava enquanto dava lentos passos em direção ao outro.
A cada passo que ele dá, Shun recua lentamente.
- Não é a mim que você tem que pedir desculpas, Hyoga.
- Mas eu já pedi desculpas a bi... Ao Misty, foi a primeira coisa que Milo me obrigou a fazer quando me levou lá. E eu to me comportando, eu juro que estou... — E era verdade, mesmo que estivesse sendo obrigado a se comportar.
Shun recuou até bater em na mesa de jantar, enquanto Hyoga se aproximava cada vez mai
- E o que o Misty disse?
- Bem... ele disse que ainda não podia me desculpar, só quando tivesse mesmo certeza que eu estava arrependido e não faria mais nada parecido com alguém, mas que por enquanto, isso já era um bom começo — O loirinho disse também que o pedido de desculpas não o livraria de ser sua 'empregada’ por uns tempos, mas disso Shunny não precisava saber.
O mais novo relaxa um pouco o corpo, sorrindo docemente.
- Ele disse isso? Então tudo bem, Hyoga. Você não esta perdoado, mas eu irei tentar te perdoar.
A essa altura, o loiro já estava a apenas alguns centímetros do menor, sorriu ao ver o sorriso doce do outro, se aproximando ainda mais, sussurrando em seu ouvido.
- Obrigado, você é muito importante pra mim Shunny... eu... gosto muito de você.
Shun estremece levemente ao sentir o halito quente dele perto de seu ouvido
- Gosta... de mim? — Sussurra. O que diabos ele estava falando? Ele bate no Misty por ser gay e fala isso para si?
- Sim, eu gosto — Sorri de canto antes de capturar os lábios do menor em um beijo doce e terno. Shunny era simplesmente a pessoa mais adorável que já havia conhecido.
Após alguns minutos de completo choque, o virginiano acaba por retribuir o beijo, abraçando-o pelo pescoço.
Hyoga sorri em meio ao beijo, levando as mãos a cintura delicada daquele ser tão fofo. O beijo era mais delicioso do que imaginara em seus melhores sonhos, seu coração batia descompassado, sentiu um formigamento entre as pernas o que o fez aprofundar o beijo e puxar aquele corpo delicado de encontro ao seu.
Shun não sabia por que Hyoga estava assim brincando consigo, afinal era um homem que ele estava beijando mesmo tendo feito aquilo com Misty. Mas aquele beijo estava tão delicioso que não queria parar. Sem perceber, acabou por sentar-se na mesa, trazendo-o para mais perto de si
O loiro não queria avançar o sinal para não assustar Shun, mas já estava perdendo o controle sobre seus atos, levou as mãos as nádegas macias, apertando-as, não resistiu e levou umas das mãos ao meio das pernas de Shun, mas encontrou ali algo que jamais imaginara, assustou-se e gritou assustado apartando o beijo imediatamente e se afastando em um impulso.
- Mas.. o que... — Não sabia o que dizer. O que diabos era aquilo? Só podia ser uma brincadeira, o que diabos estava acontecendo ali?
Shun olha-o sem saber o que fazer ou falar. O beijo havia sido tão ruim assim?
- Hyoga...?
oOoOoOo
Kanon suspirou, desligando o telefone. Seu irmão acabou de avisar que não poderia vir jantar em sua casa, porém não explicou o motivo. O loiro já estava voltando para a cozinha e arrumar a mesa só para si quando a campainha tocou. Saga não viria, então quem poderia ser?
O geminiano abriu lentamente a porta se surpreendendo ao dar de cara com o espanhol ali.
Shura estava ali a contragosto, mas faria o esforço de aguentar o irmão mimado de seu noivo, faria isso por Saga, mesmo por que não queria mais brigar com o amado por causa de Kanon.
- Shura? O que faz aqui?
O capricorniano ficara um pouco desconcertado pelo modo como fora recebido, afinal tinham marcado esse jantar, não era?
- Eu... O Saga disse que viríamos jantar contigo, então aqui estou.
- Ele acabou de me ligar... Falou que não iria poder vir — Dá espaço para ele entrar — Entre. Está começando a chover.
Shura estancou na porta. Como assim Saga não viria? Por que não avisou a ele? Será que queria puni-lo pela discussão de mais cedo? Estava tão entretido se indagando o motivo pelo qual saga não o avisou que não iria ao maldito jantar que nem notou que Kanon dera espaço para que entrasse.
O geminiano respira fundo, vendo a chuva começar a cair. Como parecia que Shura não iria sair dali tão cedo, acabou puxando-o para dentro da casa. Não queria ver o noivo do seu irmão doente por sua culpa.
- Hei, ficou louco? Eu preciso ir embora.
- Bem, levando em conta que você esta sem o carro — Lembrou-se que o irmão havia pedido a Kanon que caso Shura aparecesse era para leva-lo para casa já que ele havia ido sem o carro hoje — E que esta chovendo, não, você não tem que ir embora.
- Eu não sou feito de açúcar Kanon, não vou derreter com a água. Preciso ir embora, quero ver como Saga está. — Kanon sabia ser irritante quando queria.
- Eu sei que você não é feito de açúcar, mas se você ficar doente terei que ouvir muito de Saga. Além disso você mora a uns dezesseis quarteirões daqui, sabia?
- Tá, tá... Eu vou chamar um taxi — sabia que Kanon podia ser mais teimoso que o próprio Saga, mas ficar ali sem seu noivo não era uma opção.
- Pare de ser teimoso, Shura. Eu vou te levar daqui a pouco, vamos apenas jantar antes. -Não dá chance de ele responder, começando a empurra-lo delicadamente até a cozinha.
Shura bufa rendido, não tinha jeito, teria que aguentar aquele lunático por algumas horas. Mas quando chegasse em casa Saga teria que dar algumas explicações, como por exemplo porque desmarcara a ida ao alfaiate para ver as roupas, e o porquê de não comparecer ao jantar que tanto fizera questão que ele mesmo fosse.
- Kanon, qual o motivo do jantar?
- O Saga queria comemorar o noivado de vocês, então eu me ofereci para cozinhar para os dois todas as suas comidas favoritas já que ele sempre fala que sou um bom cozinheiro.
-... Obrigado Kanon.
Shura engoliu em seco, certo, agora se sentia culpado por tudo o que disse do cunhado, no fim das contas Kanon não era tão ruim... Só um pouco mala, mas nada que não pudesse ser suportado.
- Ei, você vai se casar com meu irmão, já faz parte da família. — Kanon sorri gentilmente para o cunhado, puxando a cadeira para ele se sentar.
-É, vou...
Kanon sorri mais uma vez e espera-o se sentar, servindo ambos antes de se sentar na frente dele. — Espero que goste, fiz com carinho.
- Está com uma cara ótima. – Shura disse sorrindo e levou uma porção a boca, de fato, Kanon cozinhava deliciosamente bem, mas não faria um alarde com relação a isso ou aquele convencido guardaria suas palavras de elogio para a posteridade. — O sabor está muito bom. – limitou-se a dizer.
Kanon sorri lindamente, também começando a comer. — Obrigado. Eu tive que aprender a cozinhar, sabe? Como nossos pais nunca estavam em casa por causa do trabalho e o Saga sempre foi um desastre na cozinha, ou era aprender a cozinhar ou morrer de fome.
Shura sorri de fato Saga não era lá um chef, mas às vezes comia algumas gororobas que o noivo fazia e ficavam até comestíveis.
- As vezes ele se esforça Kanon.
- O Saga sempre se esforça em tudo o que ele faz, Shura.
- Isso é verdade. – ‘as vezes se esforça demais' completou mentalmente se referindo as vezes que Saga corria pra socorrer Kanon.
- Eu acho que... — Apoia a cabeça em uma das mãos, olhando-o — Ele começou a se esforçar dessa forma na época em que o Milo foi morar lá em casa depois do "acidente".
Shura franze o cenho com aquela informação. Não costumava ser ciumento como Camus, mas esse carinho e amizade de Saga e Milo de certa forma o incomodava.
- Imagino. – Shura fala baixinho fazendo o geminiano rir ao ver a pontada de ciúmes na voz dele.
- Sabe, o Saga sempre foi muito superprotetor com qualquer pessoa que se pareça frágil para ele. Em minha opinião ele nunca amou o Milo da forma que ele te ama. Ele amou o Milo como um pai ama e protege o filho.
- Até onde sei pais e filhos não vão pra cama. – rebateu o capricorniano, um tanto ríspido.
- Todos confundimos sentimentos, Shura. Só que algumas vezes as consequências são mais trágicas que em outras... — Disse baixinho, mais para si mesmo do que para ele.
- Tipo? — perguntou curioso, não era sempre que conseguia manter um dialogo com Kanon, e já que estavam ali... Não custava nada trocar ideia com o cunhado.
Kanon sorri tristemente para ele, tentando não demonstrar que aquele assunto o afetava.
- Sabe Shura... Certas coisas é melhor manter no passado, pois se as revivermos, mesmo que em memórias, no presente, iremos nos machucar mais ainda.
Shura parou de comer e fitou o cunhado, Kanon demonstrava certa tristeza na voz e no olhar. Será que se referia a ele mesmo? O cunhado sempre lhe parecera um bon vivant, nunca imaginou que ele guardasse magoas.
- Tudo bem Kanon, se não quer falar não o forçarei, mas... Às vezes é bom desabafar. — Não era do tipo curioso, mas de fato, às vezes era bom desabafar, colocar pra fora a dor que nos consome.
- Estaria disposto a me escutar e não contar nada para Saga?
Shura ponderou, nunca escondeu nada de Saga, mas também jamais trairia a confiança de quem quer que fosse. – Claro, o que quer que você me diga ninguém ficará sabendo, não por mim.
Kanon o olha nos olhos, tentando manter a voz firme. — O quanto você ama o Saga, Shura?
- Sentimento não se define em escalas de 0 a 10, Kanon, não é simples assim. Mas eu posso dizer que o amo mais que tudo e que ele é a pessoa mais importante da minha vida. — E era, tinha total confiança no amor que sentia pelo noivo.
- O que você diria se eu falasse que já amei alguém assim, da mesma forma que você ama o Saga?
Shura engasgou com o vinho que degustava naquele momento — C-como? Você amou alguém? Mas... Eu pensei que você... Ah deixa pra lá. Mas e onde está esta pessoa? O que houve com vocês?
Kanon morde o lábio inferior, cogitando a opção de encerrar o assunto naquele momento, mas logo desistiu dessa ideia.
- Ele está em Nova York... Em um hospital.
- Hospital? Ele é médico? — Não entendeu bem o que outro quis dizer, como assim o amor da vida dele estava em um hospital? E porque Kanon não estava junto dele? — Kanon, por que você esta aqui e ele lá?
- Porque eu não... Não aguentaria vê-lo depois de tudo o que fiz, Shura... — Respira fundo, desviando o olhar do dele, se focando em um ponto qualquer no chão. — E ele não é médico...
- Certo Kanon, então ele está doente? O que houve com ele? — Não costumava se envolver na vida dos outros, mas essa historia era instigante.
- Ele... Ele está em coma, Shura. – Suspira — Por minha culpa.
O capricorniano para de comer a dispensa toda a sua atenção para o cunhado. — Como assim sua culpa? Kanon, se não quiser falar sobre isso eu entendo, mas se quiser desabafar, pode contar comigo.
- Eu... Eu e o Radamanthys éramos amigos durante a faculdade, sabe? Éramos colegas de quarto. Foi a primeira vez que eu e o Saga estudamos em locais diferente, já que ele queria ficar em um lugar perto de casa para poder cuidar do Milo, então ele e o Radamanthys só se viram algumas vezes, quando agente vinha para a Grécia.
No segundo ano da faculdade, ele começou a me ajudar a conseguir algumas namoradas, sabe? Nada sério, só algumas ficantes, terminava com elas antes mesmo de completarmos um mês. Mas ai um dia o Radamanthys disse que estava cansado daquilo, que não aguentava mais, eu não entendi e, antes sequer de perceber o que estava acontecendo, ele me beijou.
Ele disse que me amava que não suportava mais me ver comendo aquelas vadias... Eu fiquei muito feliz, sabe? Eu também o amava. Amava tanto que chegava a doer, mas eu nunca me declararia para ele. A gente então começou a namorar. Eu achava que era tudo um sonho, de tão feliz que eu estava. Ele era incrível, era bonito, inteligente e ótimo na cama...
No último ano da faculdade, ele me levou até um lugar lindo, ele disse que aquele seria o nosso lugar especial... Ele me pediu em casamento lá, sabe? Ele disse que me amava mais que tudo nesse mundo.
E eu o amava mais que minha própria vida, então eu aceitei sem nem pensar duas vezes... Agente acabou transando naquele lugar.
Ele foi a primeira pessoa que conseguiu me possuir. Aquela foi a primeira e ultima vez também que ele me possuiu... Achei que tudo estava perfeito, mas quando acabamos ele começou a rir e disse que não achou que ele ia mesmo conseguir. E não entendi nada, mas ai eu olhei para uma moita ali perto e vi um monte de pessoas nos olhando, rindo.
Eram as mulheres que eu dispensei... Elas queriam se vingar, então gravaram tudo e tiraram fotos.
Eu olhei para o Radamanthys, e ele disse que tudo aquilo não passou de uma aposta, se ele conseguisse me possuir, de corpo e alma, ele venceria. Eu não acreditei naquilo então coloquei as minhas roupas e fui embora, escutando aquelas risadas. De noite, quando eu estava arrumando minhas coisas para ir embora o mais rápido que conseguia, o Radamanthys apareceu, ele estava completamente bêbado. Começou a falar um monte de besteiras e tentou me possuir, dizendo que meu corpo era delicioso... Eu não pensei duas vezes, o empurrei e sai correndo. Mesmo bêbado o desgraçado era mais rápido e forte que eu, logo me alcançou. Ele começou a rasgar as minhas roupas então eu... Eu o empurrei, calculei mal a força e ele acabou caindo escada.
Ele não morreu, mas a pancada na cabeça foi feia, e ele também quebrou alguns ossos... Ele esta em coma desde então.
Shura ficou em silencio durante todo o emocionado relato do cunhado, nunca imaginou que o loiro passara por tamanho drama.
- Meu Zeus Kanon eu nunca imaginei... Eu... Nem sei o que dizer... Quantos anos faz isso?
- Faz quase dezoito anos, Shura... Dezoito anos...
- Kanon, ele esta em coma há 18 anos? Mas... você tem certeza que ele ainda está em coma? Tem certeza que ele não acordou, ou... — ia dizer 'morreu' mas preferiu se calar, sabia que o assunto não devia ser fácil para Kanon.
- Ou morreu? – Kanon completa o raciocínio do moreno, rindo amargamente — Sim, Shura, eu tenho certeza. Se ele tivesse acordado, a família dele iria me ligar já que somos "grandes amigos, quase irmãos".
- Eles não sabem as circunstâncias na qual o acidente aconteceu?
- Acha que eu iria falar para eles que o filho dele quase me estuprou e que por isso eu o empurrei da escada? Eles acham que ele estava bêbado e caiu da escada, rolando cinco andares sem conseguir parar.
- Zeus... Dezoito anos é uma vida. Kanon, eu sinto muito. Mas eu queria saber uma coisa... Você ainda o ama?
- Eu... Eu... — Suspira, se levantando e indo até a janela que havia na cozinha — Acha que eu devo ama-lo depois de tudo o que ele me fez, Shura?
- Eu não perguntei se deveria ama-lo, Kanon. A gente não manda nos sentimentos, infelizmente. — suspirou, dava pra ver que o assunto ainda era doloroso para o loiro — Kanon, você ainda o ama?
- Sim, o amo.
- Kanon... E o Ikki? — Sim, Saga havia contado sobre a conversa dele com Kanon sobre Ikki, bem como a conversa do noivo com o garoto.
- O que tem aquele pivete? – O geminiano perguntou confuso.
- Eu sei que você e ele estão... Envolvidos. Eu pensei que você sentisse algo por ele. — Pelo que Saga falara realmente achou que Kanon estava apaixonado por Ikki, e que era provável que o sentimento fosse recíproco.
- Agente só teve uma transa boa, só isso. Nada de mais. – Responde dando de ombros.
- Certo... Mas não esqueça que como você disse ele é só um garoto, e você é um homem feito. Cuidado para não fazê-lo se apaixonar por você e depois não poder retribuir.
Kanon ri, duvidava que Ikki se apaixonasse por si. E menos ainda que estivesse apaixonado pelo moreno.
- Acha que ele realmente vai se apaixonar por mim, Shura? — Sem perceber, sua voz saiu com uma pitada de esperança.
- Talvez... Ele é muito jovem, e você é um homem... envolvente. Não me surpreenderia se isso acontecesse. Por isso tome cuidado para não feri-lo, Kanon. — 'se é que já não está ferindo' completou mentalmente.
- Não se preocupe com isso, Shura. — Vai até ele, colocando a mão em seu ombro. — Não deixarei ele se apaixonar por mim. Não fui feito para essas coisas.
- Não seria ruim se isso acontecesse, desde que você pudesse corresponder. Quem sabe seja a chance que a vida está te dando para ser feliz?
- Quem sabe a vida só não quer brincar comigo novamente?
- só tome cuidado para não deixar a chance de ser feliz escapar – o capricorniano diz revirando os olhos — E... Não se preocupe Kanon, no que depender de mim ninguém nunca ficará sabendo dessa historia. — era a verdade, apoiaria o cunhado no que fosse necessário. Ali, naquele momento se iniciava uma grande e verdadeira amizade.
Continua...
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