P.O.V. Hope.

A garota que morreu na piscina era Elisa James, uma humana. A garota era a Poderosa do Colégio local. Mas, ela morreu carbonizada!

Como alguém morre carbonizada dentro duma piscina?! Então, me ocorreu que tínhamos uma aluna capaz de fazer isso. Ashley Foster. Ela era filha da Jane Foster e do Thor. Ela tinha o Poder do pai dela.

Sim, por mais chocante que pareça os personagens que pensávamos ser apenas personagens de quadrinhos aparentemente existem de verdade. São várias versões da Terra onde existem vários tipos de criaturas. E se você tem o Poder e ou a tecnologia suficientes pode viajar através deles. A Doutora Foster chegou aqui grávida e meu vó fez o parto da Ashley. Coitada, a Jane quase morreu.

—Ashley, você...

—Acha que eu matei a humana?

—Eu não sei. Mas, se disser que não foi você, vou acreditar. Se disser que foi... vou te defender.

—Não fui eu. Eu tenho controle sob mim mesma.

A mãe da Ash ficou grávida dela pouco antes do pai dela ir embora e sabe lá Deus como elas vieram parar aqui nesta Terra. O pai dela não... não acho que ele sabe que ela existe.

P.O.V. Ashley.

Todos pensam que eu matei a garota, mas eu não matei! Chamaram a polícia humana para investigar e fomos todos interrogados.

Elisa James foi encontrada morta na piscina do Internato Volturi agora a polícia está revirando tudo. Mas, tem uma parte boa.

As aulas estão suspensas. Então fomos passear. Só não contávamos que iríamos parar no último lugar que pensei que poderíamos acabar.

O lugar que só existia nos meus sonhos.

Os salões dourados, todos os guardas de túnicas douradas, o povo tomando hidromel. Era algum tipo de festa. Mas, de repente o lugar ficou silencioso como um túmulo.

—Quem é você?

Eu olhei pra ele e ele estava exatamente igual ao retrato, só que caolho.

—Então, realmente não sabe quem eu sou?

—É claro que não. Porque saberia?

—Duma forma isso é reconfortante.

P.O.V. Hope.

Esse é o encontro pai e filha mais esquisito do universo.

—Você passou por mim. Nunca nenhuma ameaça passou por mim sem que eu visse.

P.O.V. Ashley.

Olhei bem para o cara. Ele era negro, mas os olhos eram dourados.

—Você é o Heimdall, o porteiro.

—Porteiro?

—O guardião da ponte do arco íris, guarda a passagem de Asgard, defende a cidade de ataques de inimigos. Que é jeito chique de dizer porteiro.

Olhei em volta mais um pouco e vi a Sif.

—E você é a Sif. A guerreira.

—E quem é você?

Senti uma lâmina atravessando a minha barriga, mas ainda assim consegui responder antes de cair.

—Ashley Foster.

Quando disse o meu nome ele fez uma cara...

—Idiota! Seu asgardiano burro!

Tudo era meio que um borrão.

P.O.V. Thor.

A garota movia-se tão depressa que nem dava para ver. Ela tinha presas e mordeu-se, enfiando o próprio sangue pela goela abaixo da garota ferida.

—O ferimento está cicatrizando. E rápido.

Nenhum humano se move tão depressa. Ou cura tão depressa.

—Quantos anos você tem?

—Dezesseis.

—Alguma relação com a Doutora Jane Foster?

—Minha mãe.

Eu vi as lágrimas escorrendo pelo rosto dela.

—Me lembro da primeira vez que vi você. Eu tinha nove. E vi esse monstro assustador que devia ser um herói, que parecia com o homem que minha mãe disse que era meu pai, mas tudo o que eu vi era sangue e morte. Ainda tinha dois olhos na época. Eu não sabia que versão de você era real. E eu esperei por você. Para explicar... ou pedir desculpas... ou me dizer que me amava! Esperei por você, por anos! Mas, você não veio! Estava aqui. Festejando!

A menininha. No campo de batalha em Vanaheim.

—Talvez a mamãe estivesse certa. Talvez estamos melhor sem você!

Meus Deuses! Todo esse tempo... eu tinha uma filha.

—Eu vim para Midgard atrás da sua mãe, mas ela não estava.

—É claro que ela não estava! O que ela deveria fazer?! Dar a luz para um bebê meio asgardiano no hospital?! Ela precisava de ajuda! Mas, ninguém ajudou! Nem mesmo você. Então, ela precisou viajar. Para outra versão da Terra. Um lugar onde alguém poderia salvar a mim e a ela. Eu era forte demais, a minha mãe quase morreu! Quando nós precisamos, quando ela implorou para alguém fazer alguma coisa... você não fez nada! Enquanto ela estava morrendo no parto você não fez nada! E eu te odeio por isso!

Eu vi o raio vindo.

P.O.V. Heimdall.

Eu nunca vi uma criança igual a essa. Apesar de ser nascida de uma Midgardiana ela tinha o Poder do Rei Thor.

—Ashley!

—O que?!

—Talvez devesse dar a ele uma chance de explicar.

—Porque? Eu dei a ele chance de se explicar. Eu tentei rezar pra ele, mas ele não me ouviu. Então, porque motivo eu deveria ouvi-lo?

—Porque ele é seu pai.

—Eu deveria ter visto você. Eu deveria ter visto a gravidez de Jane Foster, deveria ter visto seu nascimento. Eu posso ver todos os nove reinos.

—Mas, há mais de nove reinos. Ninguém pode ver tudo, exceto que seja Deus. Você é um Deus?

—Não. E o que é você?

—Tribrida. Mas, você meio que tem razão. Se você é basicamente o olho que tudo vê, porque você não viu a Ashley? Á menos... filha da mãe!

—O que?

A garota parecia mais do que surpresa, parecia chocada.

—O que?!

—Sua mãe te escondeu de propósito.

—O que?! Como assim? Como?

—Eu vi no grimório da minha vó. É um feitiço. Um feitiço de ocultação super-poderoso. Ela criou para esconder o meu pai e a minha tia dos caçadores de bruxas e funcionou, por um tempo. Durou até a infância, suprimiu os poderes deles. Quando desenvolveu o seu poder... o feitiço parou de funcionar.

—Espera, está me dizendo que minha mãe planejou me esconder?!

—Basicamente. Não é certeza, mas pelo o que eles estão dizendo. Pense á respeito. Seu pai é Thor, o Deus do Trovão/ Príncipe de Asgard, isso lhe dá muitos inimigos. Você tem um tio doido que matou metade de Nova York e seu avô basicamente enxotou a sua mãe da última vez que ela foi para Asgard. E para tornar pior, ela tava com aquela magia negra de elfo no corpo quando ficou grávida de você.

O salão começou a chacoalhar.

—Ei, precisamos sair daqui. Tem algum lugar onde não tenha ninguém? Um lugar aberto?

—Sim. O pátio de treinamento. Venham comigo.

A Midgardiana teve que arrastar a Princesa até o pátio.

—Obrigado, Sif. Olha, eu sei o que está sentindo agora.

—Sério?

—Sério. Você é uma bomba relógio ambulante. E agora vou te mostrar como cuidar disso antes que machuque alguém. Ou pior, antes que mate alguém.

—Estou bem.

—Você está longe de estar bem! Está a beira de um colapso! Confie em mim, conheço os sinais. E eu... sendo a Tribrida consigo detonar o pátio externo com um grito... não quero nem saber o que você consegue fazer. Sabe essa sensação ai dentro, como um balão sempre se enchendo, sempre prestes á explodir?

—Talvez.

—Bem, deixa explodir. Grita. O mais alto que conseguir.

—Isso é...

—Cala a boca. Agora... grita.

Ela gritou e isso causou uma tempestade. Uma tempestade enorme. Ela continuou gritando e isso causou um furacão.

—Corram!

P.O.V. Hope.

Eu botei o povo todo pra dentro e fiz um feitiço de barreira.

—Phesmathos redox redismus sustera.

Usei sal como um elemento de ligação. Para fazer uma gaiola, uma barreira.

—E quem é você?

—Hope Volturi.

—Precisamos detê-la antes que destrua o Palácio.

—O Palácio vai ficar bem. O mundo tá caindo lá fora, mas aqui dentro vai ficar tudo bem. Acredite, vamos ficar bem.

Quando finalmente parou ela estava sentada no chão no meio dos escombros chorando.

—Ash...

—Porque a minha mãe faria isso comigo?

—Talvez ela só tava tentando te proteger. Do seu tio vingativo e maluco, do seu avô. Dos outros reinos. Não sei. Devia perguntar pra ela.

—Porque Jane iria querer esconder a criança de meu pai?

—Hello! Quando a Doutora Foster estava possuída pelo demônio e morrendo, seu papai ainda assim chamou a guarda para expulsá-la. Como acha que ele receberia um bebê híbrido na vizinhança?!

P.O.V. Thor.

Ela tinha um ponto. Mas, Jane não tinha o direito de fazer isso.

—Ashley a gente tem que voltar. Ou a Doutora vai chamar a polícia. Isso se ela já não chamou.

—Nem sei como viemos parar aqui em primeiro lugar.

—Eu sei.

—Não. Não! Você fez isso?

—Não. Você fez. Cabeçuda! Você tem um pé de cada lado ou coisa assim.

—Um pé de cada lado?

—Ashley, você existe em dois lugares ao mesmo tempo. Aqui em Asgard e lá na nossa Terra.

—Não pode estar falando sério.

—Estou. Agora tem que levar a gente de volta. Mas, vamos concertar essa bagunça antes disso.

—Como?

Uma Midgardiana com magia. Ela concertou tudo o que minha filha quebrou.

—Legal. E como a gente volta?

—Você é meio que uma Bifrost ambulante. Então, segure a minha mão e pense em casa.

—Mas, eu não quero voltar.

—Vai ter que voltar. E como fica a Doutora Foster? Olha, agora que sabemos que você pode ir e vir quando quiser... pode ir e vir quando quiser. Eu aprendi a caminhar no tempo, esse seu... Poder deve ser igual. Ou ao menos parecido.

—Eu não quero voltar.

—Ao menos mande uma mensagem pra sua mãe então.

—Aqui o sinal de celular é péssimo.

—Ashley por favor. Se não disser a ela onde está vai ser pior. Para você. Vai ficar de castigo.

—Odeio quando você tem razão.

—Vou pegar mais sal e algumas velas.

Ela desenhou um pentagrama com o sal no chão. As velas em volta.

—Entra ai.

Ashley entrou e a outra mandou.

—Deita e relaxa. Respira fundo, abra sua mente.

—Que feitiço você vai fazer?

—Vou te projetar. Te mandar pra sua mãe e te trazer de volta. Pronta?

—Pronta.

A menina deitou e fechou os olhos.

—Vejo você logo. Demaite amore, demaite amore....

P.O.V. Jane Foster.

Minha filha sumiu. De repente apareceu.

—Ashley!

—Oi mãe. Não posso ficar por muito tempo. Estou em Asgard e sei o que fez. Você me escondeu.

—Sim. Mas, só estava tentando te proteger.

—Eu entendo, mas eu pensei que ele tinha me largado.

—Sempre te disse que seu pai não sabia da sua existência.

—Eu sei. Mas, tentei falar com ele de qualquer jeito e um dia consegui. Mais ou menos. Estou segura onde estou e vou voltar... só não sei quando. Tchau mãe.

—Ashley! Ashley!

Ela sumiu.

P.O.V. Hope.

A Ashley me mandou de volta. E a investigação de assassinato ainda estava em aberto. E adivinha quem era a principal suspeita?

—Ashley não matou a garota.

—Então, porque fugir?

—Ela não fugiu. Está com o pai dela.

A polícia está tentando preencher as lacunas. Coitados.