Creation
9 معضلة
Notas iniciais
Então, vamos para mais um capítulo e resolução desses dilemas. Ansiosos?
Eu também. Estamos chegando perto de descobrir tudo.
Paciência, dudes!
Sem sugestões de música, vamos logo ao que interessa!
DIVIRTAM-SE! o/
Quando cheguei a sua porta, ouvi alguns gracejos e risos. Havia cólera me consumindo e cegueira demais para impedir qualquer ação precipitada. A campainha não iria me parar. Bati com tanta força na superfície de madeira que a dor me constipava um tanto.
Demorou alguns minutos para me atender.
-Jared? Algum problema?
-Todos os possíveis. –A empurrei, entrando em sua casa.
-O que está acontecendo?!
-Onde está o seu namorado, Mia?
-Mas o que...
Nesse exato instante, Shannon apareceu.
-Hey, Jared. –Seu olhar baixou rapidamente. –Pensei que estivesse trabalhando.
-Vocês estão trepando, não é?
-Jared, não começa! –Mia bufou.
-Eu vi vocês se beijando hoje. –O meu tom frio e cortante pareceu fazer algum efeito entre eles.
Os dois se entreolharam.
-Estamos nos conhecendo melhor. –Ele respondeu calmo, mas obstinado.
-Sempre a quis, não? Aliás, eu acho que toda a minha vida sempre foi um sonho para você, meu irmão.
-O que?
-Sempre tive o meu trabalho, fui melhor reconhecido, consegui a mulher da minha vida e você, Shannon? Até hoje vive na minha sombra.
Se aproximou claramente ferido.
-Eu nunca estive na sua sombra. Se hoje é o que é, Jared, foi por sempre eu ter te protegido. Até contra você mesmo.
Respirei.
-Não venha tentar me ofender por que seu orgulho está ferido.
Sorri.
-Acha mesmo que ela te ama?
-Não. Mas ela também não te ama como antigamente. –Persistiu seu olhar em mim e depois se voltou para Mia. –É melhor eu ir. Te ligo mais tarde.
Ela assentiu e o acompanhou até a saída. Vi quando a beijou na cabeça e saiu como se nós dois fossemos meros estranhos.
-Espero que esteja feliz. –Antes que passasse por mim a detive.
-Não é justo usar o meu irmão para uma vingança tola.
-O único que está vendo vingança aqui é você. Eu realmente gosto dele e não teria coragem de machucá-lo para te fazer pagar pelas suas merdas. –Se soltou e me deixou sozinho.
Não fui embora. Deitei em seu sofá e acabei por cair no sono sem perceber. Era tarde quando despertei. Mia estava na minha frente, sentada de costas com sua lareira ligada tomando uma bebida quente. Aquela visão era praticamente o que eu mais desejei durante todos os anos em que esteve sumida. Sem poder resistir a minha própria insanidade a abracei e a trouxe para meu colo.
-Jared, meu chocolate. –Tentou evitar algum desastre entre nós dois.
Meu braços envolviam-na por completo. Olhos assustados, mas desejosos.
-Você está me lembrando muito quando nós nos conhecemos. –Disse.
-Me assustou.
-É, eu sei. Isso é algo comum entre a gente. A amor nos assusta demasiadamente, não é?
A pergunta a pegou despreparada.
-Deixei que dormisse pois sabia que estava cansado.
-E queria que eu ficasse. A solidão não te agrada nenhum pouco.
-Sempre estive sozinha.
-Só até eu aparecer.
-Era o mesmo com ou sem a sua presença.
-Por que mente tanto? Os seus olhos mostram claramente a verdade.
Sugou o ar com dificuldade.
-Me deixe em paz. –Falou em uma outra tentativa para se desvencilhar.
-Eu te amo.
Mordeu o lábio.
-E eu sei que também me ama. Não é ninguém e muito menos o Shannon que vai te fazer se esquecer de mim.
-Jared.
-Por favor... Fica comigo de uma vez por todas.
O celular mais uma vez tocou para interromper uma decisão importante.
-Atenda.
-Me responde primeiro.
-Respondo assim que atender.
Sorri e a obedeci. Era da companhia me chamando para o próximo ensaio.
-Era do Centro?
-A resposta.
-Vou me arrumar para o ensaio. –Deu as costas.
Mia não contava com uma outra surpresa. O ensaio condizia com uma coreografia a dois entre ela e seu novo parceiro. Estava arrumada, um tanto impaciente pela demora. Entrei na sala despertando sua curiosidade.
-Ele já chegou?
-Ele?
-Com quem vou dançar.
-Ah, claro. Vai se arrumar ainda.
-Certo.
-Já se aqueceu?
Assentiu com a cabeça.
Comecei por retirar o casaco que vestia.
-O que está fazendo?
-... Tirando o casaco?
-Mas está frio.
-Preocupada de eu me resfriar? -Gracejei.
Ignorou. Resolveu olhar a vista enquanto terminava de me despir.
-Dê a contagem.
-Mas ele não...
Voltou-se a mim segurando as palavras. Não posso afirmar se a sua expressão significava desagrado ou perturbação.
-Você vai dançar comigo.
-Sim.
Riu com ironia.
-Como não pude adivinhar? É bem do seu feitio.
-Pois sim. Estivemos juntos no palco algumas vezes, por que não relembrar?
-Como quiser, Maestro.
Conforme a contagem avançava entre nós mais a conexão fazia questão de nos juntar. Tanto em ficção como em realidade.
-Paixão, minha querida. Mostre exatamente como quando faz amor comigo. –Sussurrei.
-É um pouco difícil quando há apenas o som de nossas respirações.
-Acredito que esse mesmo som é o que invade nosso quarto em todas as noites de erotismo e sentimento.
Uma pegada mais forte, uma aproximação quase que provocativa bastaram para que ela me olhasse em explosão e sensualidade.
Terminamos com corpos colados, o suor escorrendo em exagero. Admirava sua boca entreaberta e o esforço para manter a compostura.
-Me diga se o Shannon consegue te comover da mesma maneira que eu faço. -Pausei. -Diga.
-Há uma grande diferença entre os dois. A comparação seria absurda.
-Isso mesmo. Continue a enganar você mesma, mas eu tenho certeza que não vai resistir a um beijo agora, não?
Se silenciou.
-Responda, Mia.
-Me beije logo, Jared.
O fiz de bom grado. O calor de nossas bocas estimulou toques promíscuos. Nos encostamos na parede mais próxima.
Foi rápido, porém sublime.
-Não deveríamos ter feito aqui.
-Eu sei. Não vai acontecer de novo.
-Vai, se continuar a ensaiar comigo.
-Sei como separar as coisas.
-Por favor, Jared...
-Não. –A interrompi. –É onde quero estar.
Dedilhei seu abdômen.
-Estou doente.
Ágil, apertou a vista com terror.
-Como é?
-Estou com uma doença terminal denominada ELA ou Esclerose Lateral Amiotrófica.
-... Não. –Parou repentinamente. –Não acredito em você. –Tentou escapar do meu domínio.
-É verdade, Mia. Não há nada o que fazer.
-Onde estão os exames?
-... Venha comigo.
Fomos até meu escritório pessoal dentro da companhia. O pânico se mostrava presente em suas reações. Entreguei os papéis com a dura verdade e aguardei por suas próximas frases.
-Meu Deus... –Uma mão tapou um choro que nascia. –Jared!
Pude esperar tudo vindo de seu desespero menos um doce abraço sincero e honesto.
-Não pode ser verdade, Jay. Não! Vamos fazer outros exames e você vai ver. –Segurou meu rosto. –Estará tudo bem.
Peguei em suas mãos e sorri fraco.
-Não há mais o que fazer, minha querida. Isso é algo ao qual já me conformei. A única coisa que te peço é que case comigo.
-Ah, Jay.
-Eu a amo demais e só quero ser feliz mais uma vez contigo.
Outra vez me abraçou.
-Quando descobriu?
-Pouco antes de fugir.
Se agarrou aos meus ombros com culpa.
-Me perdoe.
-Não vamos pensar no passado. –A forcei a olhar para mim. –Se case comigo.
Inevitáveis Grandes Olhos
Tinha acabado de tomar o meu rotineiro café. O porteiro anunciara uma visita agradável. Me preparei o mais rápido possível e atendi a porta. Quando a vi percebi que o seu humor não era um dos melhores.
-Precisamos conversar, Shannon.
Notas finais
Vejo-os em breve!
Beijoletos. ;)
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