Crawling Back To You

1 PARTE 1 - O plano


Notas iniciais
Boa leitura a todos! Espero que gostem!

KATHERINE

O pesadelo de Katherine Lecerf começou com o som das ondas do mar. Ela era uma criança, que aparentava ter uns seis anos. Era alta para a sua idade, e como era uma princesa, tinha exatamente os padrões que a monarquia pedia. Desde pequena, usava vestidos extremamente rodados e volumosos.

Havia um garoto a seu lado, cabelos loiros, olhos castanhos escuros, alto e esbelto. Um típico Filho do Sol. Era o jovem príncipe Jonathan Lecerf, deveria ter uns onze anos.

Os dois estavam de mãos dadas e olhavam para o horizonte.

—Papai e mamãe vão ficar furiosos —a pequena garota olhou para o jovem rapaz ao seu lado.

—Eu não posso mais viver aqui —Jonathan olhou para trás, onde se via um bosque e mais além, um castelo enorme. —Não quero governar, não nasci para isso.

—Mas você é o herdeiro de Sunrise —a jovem Katherine abraçou o garoto. —Você é meu irmão favorito!

—Claro que sou o favorito —o menino riu a abraçando. —Mas Margareth será sua companhia quando eu for embora.

—Por favor me leve com você —a criança suplicou, com olhos de piedade para seu irmão mais velho.

—Você é pequena demais pra tomar essa decisão —o garoto ajeitou sua roupa, não estava vestido corretamente, um príncipe não deveria usar roupas de um pirata. Ele estava com uma camisa branca, uma calça marrom e carregava uma mochila em suas costas, caso necessitasse de algo no navio.

—Você também é pequeno! —Katherine começou a chorar —Quem vai me acordar a noite pra ler histórias? E quem vai brincar comigo no jardim?

—Ei ei —o garoto se ajoelhou. —Eu nunca vou te abandonar, minha praguinha. —a garota riu secando as lágrimas com um lenço. —Eu sempre vou estar em seu coração, e você sempre estará no meu.

Os dois se abraçaram, seria o último abraço.

—E olha o que estou levando —ele puxou um colar que estava escondido debaixo da sua camisa. Ele o abriu e havia uma foto de Katherine.

A menina sorriu, ela amava seu irmão e estava doendo dizer adeus.

—Você é a pessoa que eu mais amo e sempre vou amar no mundo, princesinha —ele beijou a testa de Katherine.

—Vou sentir sua falta, pirralho —a menina riu.

—Eu também vou —Jonathan sorriu. Quando olharam para o horizonte, via-se um grande navio se aproximando —tenho que ir.

O rapaz correu até o barco na margem e pulou dentro dele.

—Eu estarei indo para a minha felicidade, Kate! Me deseje boa sorte!

—Tchau Jonathan!! Eu te amo! Que os deuses lhe protejam!!

O garoto começou a remar sorrindo para a irmã. Katherine ficou observando-o partir e olhou para o colar que possuía. Dentro dele havia uma foto dela com Jonathan, porém ela era apenas um bebê e ele um menininho de 5 anos que a abraçava. Ela iria sentir tanta falta do irmão…

Katherine já estava voltando para o castelo quando escutou algo a chamar.

—Kate, venha até mim —uma voz doce e calma sussurrou.

A menina olhou espantada para trás. Não havia ninguém, seu irmão já estava chegando no navio, não poderia ser ele.

—Sou eu Kate, venha para mim —a voz repetiu.

Ela vinha do mar, como se as ondas a chamassem.

—Quem está falando? —a menina olhava confusa para os lados.

—Minha criança, junte-se a mim… Sua casa é aqui, minha princesa, junto com seu pai.

—Eu não entendo —Katherine começou a entrar no mar.

Ela sentia que deveria ir, ela queria.

Quando as águas começavam a tampar sua cintura, vários cavalos saíram do bosque. Eles eram pretos e havia uma tiara dourada em suas testas. Porém, dois cavalos brancos, bem mais encorpados e elegantes se aproximando dela.

Um homem desceu do cavalo e correu até a menina. Rei George Lecerf, um jovem forte, loiro e com olhos castanhos claros resgatou a menina das águas.

—Por Sigel, você está bem —a rainha Amélia desceu de seu cavalo. Outra típica Filha do Sol, cabelos loiros e olhos castanhos escuros abraçou a filha que estava no colo do rei.

—Onde está seu irmão, Kate? —o rei colocou a garota no chão.

—Ele está mais feliz agora —a princesa sorriu orgulhosa.

—O que foi que ele fez —o rei olhou para o horizonte. Com sua coroa que cintilava como o sol, ele passava o ar de autoridade e sabedoria, porém era capaz de ter atitudes violentas se fosse necessário.

—Você não deveria ter brigado com ele por três anos! —a rainha olhou para seu marido —Ele é apenas uma criança —Amélia começou a chorar.

A rainha era serena e calma, raramente ficava triste ou com raiva, porém amava seus filhos mais do que tudo. E perder seu primogênito não seria fácil.

Ela sentou-se no chão e tirou sua coroa.

Katherine não entendia o que estava acontecendo, eles deveriam estar felizes pelo seu irmão. Ele seria feliz agora.

—Vou mandar uma frota atrás dele —o rei voltou para seu cavalo.

—É inútil —a rainha se levantou segurando a mão de sua filha. —São piratas. Nunca mais o acharemos.

—Vamos desistir do nosso filho? —o rei olhou para Amélia.

—Agora você o chama de filho!? Você sempre maltratou o garoto, sempre disse que ele não serviria para o trono!

—Ele deveria aprender a como ser um rei! Era irresponsável demais…

—Ele era uma criança, George!

—Depois discutimos isso —o rei olhou com raiva para Amélia e montou em seu cavalo. —E caso você não tenha notado, Katherine estava entrando no mar. Acho que você sabe o motivo, não é, fiel esposa? —ele disse ironicamente e cavalgou para o bosque, metade dos guardas o seguiu.

—Venha querida —a rainha colocou a filha na cela do cavalo.

—Um homem me chamou mamãe, a voz vinha do mar —a menina dizia olhando para o horizonte.

—Eu sei minha querida, não vou deixar acontecer de novo —a rainha montou no cavalo e elas voltaram para o castelo.

Katherine acordou assustada e nervosa. Ela olhou para os lados, ainda era noite e mais uma vez, o mesmo pesadelo, sabia que uma parte sua imaginação inventou, como o caso de um homem no mar que a chamava, dizendo ser seu pai.

Agora com vinte anos, ela não se lembrava muito de seu irmão desaparecido, mas sabe que ele existiu, e é proibido falar dele no reino, é como se todos tivessem esquecido dele. Porém ela nunca deixou de usar seu colar e nunca seria capaz de o esquecer. Ela o segurou e com a luz do luar conseguiu ver a foto de Jonathan com ela.

—Vou te encontrar um dia, eu prometo —ela beijou a foto e se deitou novamente.

WILLIAM

William acordou com ressaca, de novo. Ele sentou-se em sua cama e já ia se levantar. Até perceber que do seu lado havia uma mulher. Ela era ruiva e dormia profundamente, e por sinal estava nua.

—Meus deuses —William disse descendo da cama devagar para não a acordar. E notou que ele também estava sem roupa.

Ele não se lembrava de absolutamente nada do dia anterior e mal fazia ideia de quem era a mulher em sua cama.

Depois de se vestir, ele já estava saindo de sua cabine e indo para o convés, porém escutou a garota espreguiçar.

—Droga —ele encostou a cabeça na porta.

—Bom dia, meu cachorrinho —a mulher disse se levantando. William revirou os olhos. Odiava apelidos.

—Bom dia, garota ruiva que eu não faço ideia de quem seja —ele virou-se sorrindo.

—Você é engraçado —a mulher disse pegando sua roupa no chão.

—Desculpe, mas eu preciso ir, procure Wayne e ele vai pagar pelos seus serviços. —William abriu a porta com pressa.

—O QUÊ? —a mulher berrou. —Quem você pensa que eu sou!?

—Essa é a questão —William se aproximou dela sorrindo. —Eu não faço ideia de quem você seja. Eu estava bêbado, eu não sei o que aconteceu aqui, e eu definitivamente não me lembro de você.

Sem pensar duas vezes, a garota deu um tapa na cara de William.

—Seu pirata imundo! —ela o empurrou e saiu da cabine pisando duro.

—Talvez eu tenha merecido isso —William arrumou a camisa e saiu de sua cabine.

Seu navio já estava a todo vapor, e sua única obrigação era capturar uma princesa Lecerf. Era uma missão que seu pai, Robert Thatch, lhe designou.

O motivo era simples, apenas o sangue de um Lecerf quebraria a maldição que persegue sua família a séculos.

—Animado com a ideia de capturar uma princesa? —seu irmão, James, se aproximou.

—Estou animado com a ideia de conseguir dormir com uma —William sorriu.

—Dormir? Que palavreado é esse, irmão? —James gargalhou.

—Teremos uma dama no navio —William fez uma voz dramática. —Vamos ter que ser educados, ô meu príncipe —ele beijou a mão do irmão e fez uma reverência.

—Como queira, minha princesa —James disse também fazendo uma reverência e os dois gargalharam.

—Mas agora é sério, não faça nada com a princesa que traremos. —William olhou para o irmão.

—Só se ela pedir —James riu.

Os dois eram bem parecidos na aparência, ambos com olhos azuis e cabelos negros, diziam até que tinham o mesmo nariz. Mas em questão de personalidade, os dois eram totalmente diferentes.

James era o irmão mais novo, e tecnicamente mais desrespeitoso. Ambos não são santos, afinal são piratas, porém James concordava em obrigar mulheres a dormirem com ele, mesmo que elas não queiram. William já achava isso errado.

A explicação era: James admirava seu pai, que no caso, pratica isso com diversas mulheres. William ao contrário, sentia repulsa de seu pai, já que cresceu vendo-o espancar sua falecida mãe.

Porém como o poderoso Robert Thatch era o líder dos piratas e William é seu sucessor, ele o obedecia.

Mais umas dez horas de viagem e eles chegariam no reino dos Filhos do Sol.

—Depois de pegarmos a princesa, qual será o próximo passo? —James perguntou.

—Acho que tem todo um procedimento, nosso pai conhece e irá nos falar depois. —William respondeu assumindo o timão.

—Você sabe que precisará sair rápido do castelo. A gente não dura muito tempo fora do litoral. Estou louco para me livrar dessa maldição.

—Logo estaremos livres dela, e possivelmente livres de mais um da raça Lecerf —William sorriu.

KATHERINE

—Mãe, eu tenho mesmo que usar isso? —a princesa disse se olhando no espelho e observando o corpete que Tina, sua dama de companhia havia colocado nela.

—Eu achei magnífico —Tina disse penteando os cabelos da princesa.

As duas eram grandes amigas, desde pequenas brincavam escondido. Katherine escolheu Tina como dama para melhorar sua condição de vida, já que ela é filha dos cuidadores de cavalos do palácio.

—Hoje é um dia importante, querida —rainha Amélia dizia enquanto suas três damas faziam suas unhas e cabelos. —Você deve estar radiante para seu noivo, é um dia importante para ele.

—Frederick vai apenas participar do torneio de espadas. E ele é horrível. Eu sou bem melhor que ele.

—Concordo com a minha senhora —Tina disse pegando o vestido do manequim e vestindo na princesa. —Katherine é fenomenal com uma espada, ela prática bastante.

—Argh esse vestido é enorme —Katherine disse olhando o rodado e volumoso vestido em seu corpo.

—Esse vestido está divino! —Amélia olhou para a filha. —Azul é mesmo a sua cor! E outro fator, não fale que é melhor que seu futuro marido em questão de luta, é constrangedor.

—É a verdade —Henry entrou no salão correndo com seu balão. —Katherine é muito boa em lutas de espadas, eu já vi.

—Ah veja só esse pequeno príncipe! —Amélia sorriu para o filho. —Você está um charme com essa roupa, meu querido!

—Ual, você está linda, magrela —o irmão mais novo da princesa ficou olhando-a com a boca aberta.

—Você é muito gentil, bochechudo —ela riu.

Tina colocou a coroa em Katherine e ela estava pronta.

—Mãe, eu não aguento mais a Grace, ela é insuportável, eu quero outra —Margareth entrou no salão com o braço cruzado.

—Vai ser a terceira dama de companhia que você dispensa só essa semana. —Amélia suspirou. —Você está deslumbrante com esse vestido, querida.

—Eu sei —a irmã de Katherine ficou ao lado dela no espelho se olhando. —Eu adoro vermelho.

—O vestido de Katherine é mais bonito que o seu— Henry disse correndo pelo salão.

—Cuidado para sua barriga não estourar o botão de sua roupa, gordinho. —Margareth olhou ríspida para o irmão.

—Para de implicar com ele —Katherine olhou para a irmã. —Ele tem sete anos.

—Isso não muda o fato dele ser gordo.

—Você é terrível —Katherine revirou os olhos.

—Minhas garotas estão prontas? —rei George entrou no salão e caminhou até a esposa, e lhe deu um beijo. —Você está perfeita, minha rainha.

—Fale papai, qual vestido é o mais bonito, o meu ou o de Katherine? —Margareth olhou para o rei.

—Impossível escolher, vocês duas são...

—Igualmente lindas, blá blá blá —Margareth sentou-se na cadeira irritada.

—O torneio vai começar, vamos? —George estendeu um braço para Amélia e outro para Katherine, afinal ela é a futura rainha.

Henry ficou ao lado de sua irmã mais velha e Margareth se posicionou ao lado da rainha.

—É estranho —Margareth riu. —Katherine é a única com cabelos castanhos aqui.

—Depois de dezoito anos que você me conhece e só agora percebeu. Parabéns, seu cérebro está começando a funcionar —Katherine disse ironicamente.

—As duas, comportem-se —Amélia disse sem graça.

Assim que chegaram no local da competição, eles sentaram-se em seus devidos lugares e ficaram esperando a partida começar.

Eram vários competidores de vários reinos. E Katherine percebeu que haviam homens estranhos em meio a multidão. Devem ser competidores de lugares distantes.

—Para a minha amada noiva —Frederick se aproximou de Katherine com um buquê de flores.

—Obrigada Fred —a futura rainha sorriu. Ela foi prometida a um Filho do Fogo a dez anos atrás. Frederick era ruivo com olhos verdes e apesar de Katherine não sentir que ele é o homem da sua vida, ela o achava extremamente bonito e gentil, com ela. Com outras pessoas ele era um idiota.

Ele estava equipado para a luta e Katherine achava engraçado o príncipe em uma armadura.

—Qual será o prêmio para quem vencer? —Henry perguntou animado.

—Eu não sei —Frederick respondeu não dando atenção para o garotinho, que olhou triste para o chão.

—O vencedor pedirá algum prêmio ao rei na hora —Katherine disse segurando a mão de Henry. Ela olhou com indiferença para o noivo, não suportava que tratassem seu irmão dessa maneira apenas por causa do físico dele. —Desejo sorte para você, Frederick —Katherine entregou as flores para Tina. —Pelo jeito que luta, vai precisar.

Henry gargalhou e Amélia olhou com desaprovação para a filha.

—Eu… Eu agradeço, majestade —Frederick se curvou sem graça e voltou para a arena.

Rei George segurou o riso.

—Acho que você que deveria estar no lugar dele na luta —o rei sussurrou no ouvido da filha.

—E eu concordo plenamente —Katherine sorriu. Seu pai a apoiava bastante em seu treino com espadas.

Enfim, o torneio começou e aquele que caísse primeiro ou fosse ferido, era desclassificado.

—Querido, há tantos homens que eu nunca vi na vida competindo… —Amélia também percebeu.

—Aquele com a armadura azul é um gato —Margareth disse mexendo no cabelo e Amélia deu um leve tapa em sua mão —Aii!! É verdade!

—Querida, devem ser os Filhos da Lua ou do Deserto. Quase não nos encontramos com eles. —George disse sem preocupar-se muito.

Amélia continuava a olhar desconfiada para a arena, sentia que algo não estava certo.

WILLIAM

Nunca foi tão fácil entrar em um castelo.

Quando chegaram em Sunrise, ficaram sabendo do torneio. A segurança era péssima, trinta dos seus homens se distribuíram pela plateia e outros dez se inscreveram na competição.

William recebeu uma armadura azul, e se posicionou na arena. Ele olhou para a multidão e encontrou a família real destacada no meio dela. Protegidos por dezenas de guardas, eles assistiam o torneio debaixo de uma tenda enorme.

Ele observou atentamente cada membro daquela família. Primeiro havia uma menina, com longos cabelos loiros e lisos, seus olhos eram castanhos escuros e era muito, muito bonita. Ela não possuía uma coroa tão grande quanto a dos outros, então ela não era a mais importante, deve ser Margareth.

Ao seu lado, com certeza era a rainha Amélia. Sua coroa comprovava isso, ela era magnífica, com várias pedras preciosas. A rainha parecia contente, olhava para seus súditos e acenava algumas vezes.

Ao seu lado estava o rei George, que parecia bem contente também. Ah, William odiava reis, os achava extremamente arrogantes, mas esse não parecia tão rígido e mal humorado igual os outros, pode-se ver que ele estava segurando um riso.

Ao seu lado deveria estar a futura rainha Katherine, mas William não conseguiu a enxergar, porque havia um ruivo a sua frente. Ao seu lado havia um garotinho loiro, que estava gargalhando, ele com certeza estava a cima do peso. William o achou bastante agradável.

Tudo bem, William pensou, são uma família de loiros. Isso é ótimo, já que o pirata tinha uma queda por mulheres morenas, então facilitaria ele não querer nada com uma delas.

Até que o rapaz ruivo se retirou da frente da princesa.

—Ah meus deuses —William suspirou.

A princesa sorria e falava algo no ouvido do pai. Ela era… Ela era uma obra dos deuses. Seus cabelos eram ondulados e castanhos escuros, além do sorriso dela ser espetacular.

—Capitão, a luta vai começar —um dos seus homens chegou ao seu lado.

—É… —William não queria tirar os olhos dela. É estranho, ele nunca ficou assim com uma garota, ainda mais uma princesa. William detesta princesas, são metidas e egocêntricas. Mas essa, havia algo nela… Ele sentiu algo que não soube explicar. Uma sensação boa, igual a que ele sentia quando estava no mar…

—Capitão, a gente entendeu que a loira é muito bela mesmo, mas precisamos lutar —os homens de William sorriram ao seu lado olhando para Margareth.

William voltou para a realidade quando sentiu uma dor incontrolável em seu corpo. A maldição começou a agir, ele tem que voltar para o mar. Depois que a dor passou, William estendeu sua espada e o torneio começou.

William quase riu com a maneira que os competidores lutavam. Eram desengonçados e muito ruins.

O pirata já participou de várias batalhas no mar, e sabia usar muito bem uma espada, era considerado o melhor entre os piratas, e há um boato que ele supera o próprio pai.

William quase não se movia, estava fácil para ele e seus homens.

KATHERINE

—Isso é um show de horrores —a futura rainha olhou com desaprovação para a arena. —Esses homens nem sabem segurar uma espada!

—Por favor, querida —rainha Amélia a olhou. — Não comente nada disso com seu noivo.

Katherine revirou os olhos, Frederick era realmente péssimo.

Mas havia alguns homens que lutavam muito bem. Ela nunca havia visto nenhum deles e com certeza, não eram de Sunrise.

Katherine não conseguiu tirar os olhos do homem que vestia uma armadura azul. Ele mal se movia, esperava que o atacassem, e assim derrubava o competidor.

—Ele é incrível —a princesa se inclinou para frente.

Havia apenas quinze homens em pé, e um era extremante alto e forte, seu nome era Edmond, e ele estava acabando com todos os competidores.

Frederick atacou o homem com armadura azul, que apenas se esquivou e sorriu.

—Eu estou apaixonada —Margareth suspirou. —Olha o sorriso dele.

—Menos, Margareth —George riu.

Katherine apenas ficou o olhando encantada, o jeito que ele se movimentava e como manuseava sua espada, a impressionou bastante.

Ele começou a lutar com Frederick. O homem parecia se divertir bastante, enquanto o noivo da princesa estava vermelho de exaustão.

Até que ele caiu no chão com apenas um golpe do rapaz com armadura azul.

A plateia aplaudia e gritava. Agora estavam de pé apenas esse homem e Edmond.

Edmond atacou o rapaz, que se esquivou bem rápido. Seu rosto já não estava mais sorrindo, ele estava sério e ele rodava a espada com seus dedos, esperando outro ataque.

Edmond atacou novamente e agora o homem o enfrentou. O barulho das espadas se chocando fez a multidão ficar frenética.

A luta estava realmente interessante, até que Katherine jurou ver algumas veias pretas no pescoço do competidor. No mesmo instante o homem chutou Edmond e recuou com uma expressão de dor.

—Você viu isso? —Henry segurou a mão da irmã.

—É, eu vi… —Katherine o olhava com mais interesse a cada instante.

O rapaz se recompôs e atacou Edmond, depois de mais um tempo de luta, o jovem conseguiu tirar a espada das mãos do competidor, que se ajoelhou, declarando derrota.

A plateia se levantou e aplaudia o vencedor. O rei levantou-se, e a multidão se calou.

—Temos um vencedor! —George disse sorrindo. —Qual o seu nome, meu jovem?

WILLIAM

Foi fácil demais para o pirata, apenas a dor atrapalhou em algum momento.

O rei se dirigiu a ele, mas William não poderia falar seu nome, seria reconhecido como pirata.

—Theo Serov —ele mentiu.

William olhou para Katherine, que o encarava. O pirata não desviou o olhar dela, e sorriu para a mesma.

Katherine respondeu o sorriso com outro, o que fez William se arrepiar. O que está acontecendo comigo, ele pensou.

—Theo Serov, você tem direito a um pedido para mim. —o rei sentou-se olhando para o pirata. —Sinta-se à vontade em fazê-lo.

—Eu gostaria de passar um dia no castelo, majestade —ele respondeu.

—Você pode receber ouro e várias outras riquezas, por que gostaria de passar um dia em minha casa? —rei George o observou desconfiado.

—Vim de bem longe, alteza, trabalho nas minas de ferro. Gostaria de ser tratado como um príncipe apenas uma vez na vida.

Rei George sorriu, parece ter gostado do rapaz e de sua possível humildade.

—Então que o seu desejo se torne realidade! Levem o para o castelo —o rei ordenou os guardas. —E o sirvam como se fosse um verdadeiro nobre!

A plateia aplaudia e William sorria vitorioso. Agora só precisava sequestrar uma Lecerf, e ele já havia escolhido qual. A princesa Katherine era seu alvo agora, e ele sabia que não queria sair de Sunrise sem ela.

Notas finais
Favoritem e comentem!!! Muito obrigada galera! Beijos até o próximo!!