Crawling Back To You
2 Abordo do navio pirata
Notas iniciais
KATHERINE
A princesa andava pelo castelo lendo um livro, até ver um homem parado, olhando um quadro que estava no corredor do terceiro andar.
Era Theo Serov, o vencedor da luta. Katherine se aproximou do rapaz, que nem a notou, já que estava com sua atenção completa no quadro.
Era uma pintura de sua família, mas essa era bem antiga. Lá estava seu pai ao lado de sua mãe. Rei George segurava a bebê Katherine no colo, a rainha Amélia estava com a mão no ombro de seu primogênito, Jonathan, o qual segurava o pequeno pé da irmã.
A futura rainha adorava esse quadro, é uma das poucas lembranças que tem do irmão, e sua mãe não deixou que tirassem essa pintura, porém vivia escondida.
—Boa noite, senhor Serov —Katherine sorriu para o homem ao seu lado.
Ela não fazia ideia que ele era na verdade, William Thatch, um dos piratas mais famosos e que causa mais problemas para os reinos.
O pirata virou-se para a garota e a olhou de cima a baixo. O vestido não permitia ver suas curvas, mas William já percebeu que o corpo da princesa é muito bonito, ainda mais que havia um decote em seu busto.
Ele não entendia por que ela o interessava tanto, mas sentia-se conectado a princesa.
—Anh… Theo você está me deixando desconfortável —Katherine ficou vermelha.
—Peço perdão, alteza —William parou de encarar o decote e olhou em seus olhos. Ela era tão linda, trazia um sentimento tão bom que ele não conseguia explicar. —Eu estava apenas…
—Não precisa dar justificativa, só não faça isso —a princesa o repreendeu.
Katherine estava encantada por ele. Afinal era um rapaz extremante bonito e que sabia muito bem utilizar uma espada. Ela nunca viu alguém com os cabelos tão negros e olhos tão azuis iguais do homem a sua frente. Ele é bem mais bonito que Frederick, Katherine pensou.
A futura rainha ficou curiosa, um homem com o físico e aparência de Theo, não deveria trabalhar em uma mina, e sim ser um lorde ou até mesmo um príncipe.
Os dois só perceberam depois de vários minutos, que estavam apenas se encarando.
—Eu… —Katherine disse voltando para a realidade —Queria dizer que você foi fenomenal no torneio! Sabe, a facilidade que você controla e manuseia a espada é de tirar o fôlego.
William sorriu de lado para a princesa. Então ela gosta de lutas com espadas, pensou.
—Você fica mais atraente a cada momento que passa —o pirata disse.
—Oi? —a princesa se afastou.
—Digo... Interessante! Sabe, você é linda e é uma princesa! —William apressou-se a dizer, um pouco sem jeito. —Nunca imaginei que uma princesa gostasse disso…
—Bem, eu treino esgrima todo dia —a futura rainha sorriu.
—É… Esgrima não vai te ajudar muito em uma luta de verdade —o pirata cruzou os braços.
—Já esteve em lutas? —a princesa sorriu animada.
—É claro —ele respondeu encostando no corrimão da escada. —Olha, se quiser eu ensino você a como usar uma espada.
—Sério!? —Katherine se aproximou.
—Será uma honra a treinar, princesa —William segurou a mão de Katherine. Ele sentiu como se um fogo acendesse dentro dele. Essa garota não é normal, ele pensou. William beijou a mão de Katherine olhando-a nos olhos.
A princesa ficou um pouco perdida em seus pensamentos. Seus olhos eram... Hipnotizantes.
—Amanhã, ás dez horas. Me encontre no Porto do Almirante. —William disse.
—Esse lugar é deserto… —Katherine o olhou.
—É melhor não chamar atenção, não é? Além de que eu vou partir amanhã, não posso ficar mais no palácio e estou hospedado em um lugar perto do porto. —William mentiu.
—Você está certo —Katherine sorriu.
—Não leve muitos guardas, eles me deixam... Desconfortável —William começou a subir as escadas.
—Espere, no torneio eu vi que suas veias ficaram pretas e parece que sentiu dor… O que foi isso? —a princesa o olhou.
—Deve ter sido sua imaginação, alteza. —William voltou a subir as escadas.
Katherine ficou com raiva, odiava que falassem que ela imaginava coisas. Mas ela não iria o contestar, era um desconhecido e lhe faria um favor, a ensinando a lutar.
(…)
WILLIAM
De manhã, a primeira atitude que William teve ao chegar no litoral, foi correr até o mar e tocar nas águas. Ele sentiu-se novo em folha, e não estava mais com a sensação de carregar um peso nas costas e que estava morrendo aos poucos.
—Tá me dizendo que a princesa concordou em vir aqui treinar com você? —James cruzou os braços quando seu irmão lhe contou o que aconteceu.
— Eu sei, foi fácil demais. Sunrise… Esse reino é um desastre nas defesas —William disse olhando para o palácio, que parecia pequeno devido a distância.
—São pacíficos —James disse sentando-se em um tronco de árvore apodrecido. —Possuem armas, exércitos, mas não investem muito nisso.
—São ingênuos —William sentou ao lado do seu irmão. —Bem, se tudo der certo, teremos uma princesa a bordo ainda hoje.
—É preciso que dê certo, não vai querer encarar nosso pai furioso, se falhar.
—James —William sorriu o olhando — quando é que eu falhei?
—Quer que eu fale na ordem cronológica? —James disse gargalhando.
—Sh —William empurrou o irmão rindo. —Vão, escondam-se —o capitão se levantou e disse para os demais piratas que estavam na praia. —A princesa chegará a qualquer momento.
KATHERINE
Os pais da futura rainha estavam tão ocupados resolvendo assuntos do reino, que mal se importaram quando a princesa foi avisar que iria treinar no litoral com o vencedor do torneio.
Katherine convocou vinte e cinco guardas para a acompanhar, afinal, ela não conhecia Theo, todo cuidado é pouco.
Ela se escorou na janela da carruagem e ficou observando enquanto passava, a cidade em que seu povo vivia, logo as pessoas notaram que era a princesa, e paravam de fazer suas obrigações para a olhar.
Katherine era amada pelo seu povo, sempre foi gentil com todos, ao contrário de Margareth. A sua irmã odiava pisar na vila, sentia nojo dos pobres. Mas Katherine os amava. Todo mês ela visitava a vila e distribua alimentos e dinheiro para seus súditos.
Crianças corriam atrás da carruagem e várias pessoas acenavam para a futura rainha, que respondia sorrindo e acenando de volta.
O litoral já estava a vista e logo a carruagem parou. A princesa suspirou feliz, amava o litoral, amava principalmente o oceano. Era raro as vezes que seus pais a deixavam chegar perto do mar, mas ela sempre sentia algo a puxando para ele.
Seu cocheiro abriu a porta fazendo uma reverência e estendeu a mão para Katherine.
—Obrigada —ela sorriu e desceu observando o lugar.
Esse porto estava abandonado a anos, porém havia um navio ancorado perto das rochas, Katherine achou estranho, mas continuou seu percurso.
Logo viu Theo, sentando em um tronco de árvore.
—Bonjour —Katherine se aproximou sorrindo.
O pirata ergueu os olhos para a princesa e suspirou.
—Bom dia, senhorita —ele se levantou e segurou a mão de Katherine, a levando até sua boca, e a beijou.
Katherine sorriu, ele é um cavalheiro, ela pensou.
William por sua vez, olhou nos olhos da garota. Ela é diferente, ele pensou, sempre que ele a toca, sente algo diferente. Ela é realmente decisiva para a maldição. É ela, tem que ser ela.
—Vamos começar? —Katherine disse olhando para trás e um de seus guardas trouxe a espada da princesa.
William analisou os guardas, não são muitos. Seus homens conseguem acabar com eles facilmente.
—Quem mais sabe que está aqui? —William a olhou.
—Ahn… Meus pais?
O pirata arqueou as sobrancelhas como se isso não importasse.
—Que se dane —ele sorriu. —Princesa, eu lamento, mas não tenho tempo para isso —William pegou a espada da mão da garota.
—O que você tá fazendo —ela riu.
—Sequestrando você, docinho —o pirata sorriu.
No mesmo instante os guardas da princesa sacaram suas espadas e se posicionaram para luta.
Katherine ficou olhando sem entender para William e sorriu no final.
—Ah entendi!! É o treinamento —ela sorriu. —Você me assustou! Okay, eu estou desarmada e um homem quer me sequestrar… Bem, eu chutaria aqui…
William percebeu o que ela ia fazer e deu um passo rápido para trás.
—Você é louca? —ele a olhou.
—É o ponto fraco de um homem, fazendo isso ele fica vulnerável e eu posso pegar minha arma de volta —Katherine disse animada.
William a olhava chocado, ela acha mesmo que é um teste, pensou.
—Tá, parabéns. Agora o show acabou —William assobiou e seus homens apareceram cercando os guardas da princesa.
—O que é isso, Theo? —Katherine olhou assustada para o homem a sua frente.
—Meu nome é William —ele se aproximou da princesa. —E eu sou um pirata —ele sorriu.
WILLIAM
William segurou o riso ao ver a cara da princesa. Ela ficou pálida na hora que ele disse que era um pirata.
—Viu um fantasma, alteza? —ele zombou. Katherine começou a se afastar, mas quando ia correr, William segurou seu braço. —Não, princesa. Não adianta.
—Me larga! Seu cretino! —ela se contorcia.
—Já me chamaram de nomes piores —William sorriu.
—Socorro!! —a princesa olhou desesperada para seus guardas, mas estavam lutando com os piratas e pelo visto, perdendo. —Por favor, por favor me deixe ir… Eu… Eu posso pagar a quantia que quiser!
William sentiu pena, e até pensou em a soltar… Não, ele queria a soltar quando ela pediu... Essa garota tem algo… Ela não é uma pessoa normal, tem algo a mais nela.
—Princesa —ele a puxou para si —pode se contorcer, gritar, não vai adiantar, poupe seu esforço.
—Por que está fazendo isso? —ela o olhou, Katherine estava com os olhos cheios de lágrimas. —Por favor, eu… Eu confiei em você, minha família precisa de mim…
—Você é surda? Não adianta —William disse nervoso. —Agora para com esse escândalo, garota mimada.
Ele a virou, pegou sua arma escondida debaixo da blusa, que estava presa na calça e aprontou para a cabeça dela.
—Ei ei ei, cachorrinhos —ele gritou e os guardas da princesa se viraram. —Larguem as armas ou —ele engatilhou o revólver.
No mesmo instante os guardas soltaram as armas e levantam as mãos. A princesa ainda tentava escapar do braço que estava envolta do seu pescoço.
—Quieta —ele disse pressionando a arma em sua cabeça, e Katherine não conseguiu mais segurar as lágrimas. —Kaspar, Matias —William chamou e dois de seus homens, altos e fortes vieram ao seu encontro. —Leve-a para a prisão —ele entregou a princesa e seus homens seguraram os braços da garota que ainda resistia. —Se um dos dois tocarem nela —William virou-se para eles. —Vão ter um fim pior do que a morte.
—S-Sim, capitão —eles disseram com um tremor na voz e foram para o navio.
—Espera, espera —a princesa gritava. —William! Não os machuque! Por favor!
O pirata suspirou guardando a arma. Ele mataria esses guardas imediatamente, mas a voz desesperada de Katherine ecoava dentro dele.
—Inferno —ele reclamou. —Leve-os também para a prisão.
—Mas William… —James saiu do meio dos prisioneiros e foi até o irmão.
—Só faça o que eu mandei —o irmão mais velho disse indo para o navio.
Ele não sabia o que estava acontecendo com ele. Desde o momento que ele viu aquela menina, ele sabia que ela era diferente… Por que quando ele a olha, é como se o seu coração batesse mais rápido? E por que ele sente uma paz tão grande quando a toca? E quando ela fala alguma coisa, ele quer fazer o que ela manda.
Tem algo a mais nessa história. William são sabia se era por causa da maldição, mas ele nunca sentiu assim. Bem, ele se sente assim apenas quando está no mar… Por que ela faz ele ter essas sensações?
—O que deu em você? —James disse indo até ele.
—Eu não sei, James. —William se afastou. —Não sei, eu ia mandar vocês matarem os guardas…
—E por que não mandou?
—Eu não sei —William olhou impaciente para o irmão.
—O que vamos fazer com vinte e cinco guardas?
—Vamos os deixar na primeira ilha que encontrarmos, está bem? —o capitão estava agitado por não ter feito algo que queria. —Levantar âncora! Vamos para o leste! —William ordenou e pegou a primeira garrafa de rum que encontrou.
Logo o navio começou a entrar em movimento. Homens davam nós nas cordas, outros estendiam as velas.
—Você está louco. Eles vão avisar o rei de Sunrise que sequestramos a filha dele! —James continuava seguindo seu irmão.
—James, se me contestar mais uma vez, é você que será deixado em uma ilha —William disse nervoso e deu um gole na bebida —Já acabou? Ótimo. Vá buscar meu chapéu.
James deu as costas com raiva para seu irmão e saiu pisando duro.
William foi até o timão conduzir o navio. Iria se encontrar com seu pai na ilha de Santa Helena o mais rápido possível.
KATHERINE
A futura rainha estava em desespero. O único alívio que teve foi de ver seus guardas sendo encaminhados para a prisão.
Mas ainda sim, ela estava perdida em seus pensamentos. Sua família… Seu irmãozinho, Henry… Ela nem se despediu…
As lágrimas e a tristeza tomavam conta da jovem Lecerf. O desespero por ter sido sequestrada por piratas estava a fazendo surtar, ela andava de um lado para o outro.
—Princesa, por favor, acalme-se —um de seus guardas foi até ela.
—Eu vou morrer, não vou? —ela disse tremendo, olhando para o homem que veio a amparar.
—Não, minha alteza. Você é valiosa para eles... Não irão a matar.
—Minha rainha —outro guarda ajoelhou aos pés de Katherine — devemos nossa vida a você. Lamento não termos lhe protegido…
—Por favor, levante-se. Vocês vão sair daqui… Preciso que cheguem até meu pai… Não posso ficar aqui —a princesa disse limpando as lágrimas.
—Daremos nossa vida para a salvar, majestade —outro guarda levantou e os outros o seguiram.
—É muito bom ouvir isso, mas não posso pedir a vida de vocês. Apenas avisem meu pai… Eu tentarei voltar para casa —Katherine disse tentando conter o desespero.
Depois de muito tempo, escutaram passos na escada e um homem, alto e forte, muito parecido com o pirata que a sequestrou foi até a sua cela, era James. Ele estava acompanhado de três piratas mais velhos e muito sujos.
—Vamos, vocês serão deixados em uma ilha —o homem que estava com as chaves abriu a porta da cela.
—Vamos encontrar o rei, majestade —um guarda segurou a mão de Katherine. —Aguente firme.
A princesa sorriu para o homem que saiu da prisão. Logo, ela ficou sozinha com o irmão de William.
—Agora entendo o motivo do meu irmão tê-la escolhido —James entrou na cela.
Katherine sentiu medo, e afastou-se enquanto o homem se aproximava.
—Você é realmente uma obra dos deuses —James disse analisando a garota. Ele não sabia o que sentia quando chegava mais perto da princesa, mas era a mesma sensação que seu irmão sentia sobre Katherine.
Os dois irmãos eram atraídos pela futura rainha de Sunrise, porém os dois não faziam ideia do motivo.
Katherine já havia encostado na parede da cela, e o homem continuava a se aproximar. James segurou o rosto da menina com as duas mãos, e sorriu. Katherine tentou fazer que ele a largasse, mas o pirata logo segurou seus pulsos.
—Eu gosto disso —ele sussurrou em seu ouvido. Katherine estava em desespero, só queria que esse homem ficasse longe dela, mas ele apertava seus pulsos e a pressionava na parede. —Quanto mais você se contorce, mais eu quero você, princesa.
—Me larga! Sai de perto de mim! —Katherine gritou tentando o empurrar.
James por um breve instante relaxou os pulsos involuntariamente. Ele ficou atordoado, por que ele fez algo que ela mandou?
Katherine no mesmo instante que sentiu James a soltando, chutou o meio das pernas do pirata, que gritou de dor. Ela tentou fugir, já que a porta estava aberta, mas James logo se recompôs.
—Você não vai a lugar algum, sua idiota —o pirata disse com raiva e puxou a princesa, a fazendo bater na parede. —Não deveria ter feito isso, você agora piorou muito a sua situação.
James começou a beijar e morder o pescoço da princesa, com dificuldade, já que a mesma se contorcia e tentava se livrar a qualquer custo. O mar ficou agitado, ondas violentas batiam no casco do navio, fazendo- o balançar com muita força.
Katherine gritava e chorava desesperadamente. A repulsa estava a dominando, ela sentia nojo e ódio do homem a sua frente.
—James, James, James —ela escutou a voz de William, que descia as escadas e o irmão mais novo ficou quieto. —Não é assim que tratamos nossos convidados.
O capitão do navio escorou-se na porta da cela e deu um gole no rum e jogou a garrafa no chão. William se aproximou do pirata e o puxou, afastando-o da princesa.
—Quais são as regras desse navio, James? —William disse segurando a gola da camisa de seu irmão com raiva.
—As regras dizem que depois das nove os prisioneiros pertencem a tripulação —James empurrou William, que o largou.
—Ela não é uma prisioneira —William se aproximou da princesa, que estava encolhida chorando e segurando os pulsos, que estavam roxos. —Ela é minha convidada.
—Deixa de ser frouxo, William! —James disse irritado. —Quando você vai entender que ela…
—Ela é uma princesa, seu animal! Ela é valiosa para nós! —William o olhou com raiva. —O que pensa que estava fazendo!?
—Você é fraco, William —James se aproximou do irmão com mais raiva. O irmão mais novo do capitão era conhecido por ser impulsivo demais, e ser extremamente agressivo em qualquer tipo de situação, bem semelhante ao seu pai. —Sempre foi fraco com mulheres! Você se lembra como você ficou quando Jane foi…
James não teve tempo de continuar. William fechou os punhos na mesma hora que ouviu o nome da mulher e socou o rosto do irmão, que caiu no chão.
Katherine observava a cena, William que sempre foi o mais sensato da família, ficou fora de si.
—Eu juro, James, a próxima vez que falar o nome dela, eu mato você —William disse tentando se controlar para não socar de novo o irmão e foi até Katherine, ajoelhando-se ao seu lado. —Sai daqui, agora —ele disse alto e James se levantou com ódio no olhar.
Katherine e William ficaram sozinhos na prisão. A princesa estava sem reação, e o pirata parecia triste.
—Ele te machucou? —William a olhou.
Katherine negou com a cabeça e limpou as lágrimas do rosto.
—Seu pulso tá péssimo —William sorriu. —Logo isso some.
—Por que fez isso? —Katherine olhou para o pirata a sua frente. Ele e o irmão eram parecidos, mas a princesa entendeu que por dentro, os dois eram bastante diferentes. —Por que me protegeu?
—James sabe ser um completo idiota, você não tem culpa de nada —William se levantou e estendeu a mão para Katherine, que recusou e se ergueu sozinha. —Escuta, ele tentou te estuprar…
—Eu sei muito bem o que ele tentou, William —a princesa disse arrumando seu vestido.
—Bem, não vou mentir, todos os homens aqui vão tentar isso —William disse indo até a porta da cela. —Eu sei que você não gosta de mim, mas…
—Eu vou matar você —Katherine olhou nos olhos do pirata. —Você e seu irmão.
—Vou entender isso como um obrigado por ter te salvando —o pirata sorriu irônico. —Enfim, você tem duas opções. Ficar aqui e esperar meus homens virem, ou ir comigo para a minha cabine.
—Não confio em você —Katherine o olhou séria.
—E seria uma tola se confiasse. —William disse de bom humor. —Mas garanto que minha companhia será bem melhor do que ficar aqui, com mais de cinquenta homens.
—Como vou saber que não vai encostar em mim? —a princesa queria ir com William. Sentia que seria mais seguro com ele, porém ele a sequestrou, colocou uma arma em sua cabeça. Ninguém neste lugar podia ser confiável.
—Se melhora a situação —William a olhou sorrindo. —Eu não faço essas coisas.
—Então não quer fazer nada comigo? —Katherine se aproximava devagar.
—Que pergunta —William riu. —Claro que quero, princesa. Mas, não vou te obrigar a nada, fica tranquila. Então, vem comigo? —o pirata estendeu a mão.
Katherine apenas passou por ele sem dizer nenhuma palavra, William sorriu, entendendo que aquilo era um sim.
—Sua sorte é que eu gosto de você, boneca—o pirata passou pela princesa subindo as escadas.
—E eu odeio você —a princesa o seguiu.
—É compreensível —William riu indo até a sua cabine e abrindo a porta para Katherine entrar.
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