Crawling Back To You
12 Os Proorts
Notas iniciais
KATHERINE
Mais um dia abordo do Vingança da Rainha Ana. Katherine já não sabia a quanto tempo ela estava naquele navio, porém com seu irmão, ela se ocupava e não ficava o dia inteiro vendo os piratas trabalhando.
Katherine, Wayne e Jonathan passaram a tarde inteira juntos conversando, e os dois irmãos ficavam cada vez mais próximos. A princesa não sabia se podia confiar nele, mas sabia que ele não a faria nenhum mal. Em vários momentos dos assuntos que surgiam, Katherine se perdia em seus pensamentos e lembranças da noite anterior. Ao lembrar do corpo de William colado ao seu, arrepios navegavam o corpo da menina e ela segurava-se para esconder o sorriso.
Quando a noite chegou, Wayne percebeu que o navio estava desacelerando, e nesse momento, William apareceu vendo os dois sentados ao lado das grades.
Ele olhou para a menina, e deu um sorriso de canto para ela. Afinal, depois de terem dormido juntos, os dois não se falaram o dia inteiro. William também havia gostado de ter ficado daquela maneira com a princesa. É claro, o corpo do pirata pediu muito mais que apenas ficar junto a ela, porém já havia valido a pena.
—Chegamos em uma ilha, e essa não é muito amigável —ele disse. —Venham, vamos desembarcar.
—Eu volto mais tarde —Katherine se levantou, olhando para o irmão.
—Tenha cuidado —Jonathan pediu.
Wayne e Katherine acompanharam William, e sua tripulação já estava desembarcando. Era uma ilha bastante escura, sem muita iluminação.
—Achei que iríamos treinar —Katherine sorriu para William ao seu lado. —Você disse que começaríamos esses dias.
—Se você não ficasse o dia inteiro babando no Oliver, já teríamos começado —ele disse sorrindo de canto.
Os três foram os últimos a desembarcar e a tripulação esperava William.
—Bem, homens —o capitão disse ao pisar na areia. —Divirtam-se.
Os piratas comemoraram e saíram correndo em direção a cidade.
—O que eles vão fazer? —Katherine disse olhando a cena.
James se juntou ao irmão e os dois começaram a andar até um estabelecimento entre as árvores.
—Saquear, essas coisas —o Thatch respondeu.
Katherine os seguiu achando aquilo uma atitude bárbara, mas são piratas, o que podia esperar?
William abriu a porta, e todos que estavam lá dentro os olhou.
Aquilo era um bar, bem grande pelo visto. E havia vários homens e mulheres com aparências rudes e agressivas. A banda parou de tocar quando viu o pirata, mas logo continuou.
—Ah eu amo aqui —William suspirou e começou a adentrar o local com os outros o seguindo.
Katherine observava o estabelecimento. Havia o lugar da banda, da plateia (onde vários dançavam, cantavam e brigavam), uma bancada onde estava um velho, alto e barbudo, secando os copos e servindo as pessoas.
Até que a princesa, que era a última e estava atrás de Wayne, foi barrada por um homem bem grande, que possuía cicatrizes no rosto e várias tatuagens nos braços.
—Está perdida docinho? —ele perguntou com sua voz grave e rouca.
—Anh… Não —ela sorriu e procurou desviar do homem.
—Pra que a pressa, a gente nem se divertiu ainda —ele segurou a cintura da menina por trás e a puxou para si.
—Seu nojento —a princesa pisou com toda sua força no pé do homem, mas isso mal o afetou. —Me larga! —ela gritou, fazendo Wayne, James e William que estava bem à frente, virarem-se.
—Pelos deuses, Wayne, falei para ficar de olho—William disse passando por eles e tendo que empurrar várias pessoas, já que o lugar estava lotado. —Ei —o pirata assobiou para o homem que segurava a menina. —Não percebeu que ela não gostou?
—Cai fora, Thatch —o homem respondeu.
—Solta ela —William sorriu de canto, achando engraçado a coragem do homem.
—Já falei para cair fora —o homem segurou o braço da menina e começou a puxar, Katherine resistia, querendo se soltar.
—É parceiro —William sacou a espada. —Foi você quem pediu.
Com um golpe, o pirata atravessou com sua espada, o braço do homem. Todos pararam e olharam para cena. Katherine caiu no chão, já que estava fazendo força para o lado contrário.
William suspirou e jogou sua espada no chão, ajudando Katherine a se levantar, que olhava horrorizada para a cena.
O braço do homem estava caído, separado de seu corpo e o próprio havia se ajoelhado.
—SEU MALDITO —o homem gritou.
—Wayne, limpe minha espada por favor —William disse ignorando o homem.
Todos voltaram ao que estavam fazendo, como se aquilo fosse normal. Quatro homens levantam o grandalhão e o levaram para fora, enquanto Wayne limpava a espada que estava suja de sangue com um lenço.
—Ei —o capitão soltou a menina, que estava o segurando. —Você tá bem?
—William… Você… Você —Katherine estava assustada.
—Não se preocupe, ele merecia —William voltou a andar e Katherine o seguiu. —Você não é a primeira nem a última que ele tenta obrigar a alguma coisa. Agora ele terá mais dificuldade —ele disse e James riu, continuando a andar.
Os três sentaram-se nos bancos que tinham de frente para o balcão do bar, enquanto Katherine tentava se acalmar.
—Boa noite Billy —William sorriu cumprimentando o homem velho, que estava enxugando os copos.
—Sempre tem que chegar fazendo uma cena, não é William? —ele estendeu um copo para o pirata que o segurou e outro para James. —O que vão querer beber?
—O melhor que você tiver, meu querido —William disse observando o ambiente. —Sem Proorts?
—Eles não estão mais incomodando a um bom tempo —Billy disse enchendo os copos de James e William e percebeu a presença de Katherine. —Namorada nova?
William sorriu e olhou para Katherine.
—Pode se dizer isso —ele piscou para a princesa.
—O que vai querer, senhorita?
—Eu estou sem dinheiro —a princesa observava o lugar e tentava tirar da cabeça a cena nojenta e violenta que havia vivido. Pela primeira vez, Katherine percebeu o quanto William pode ser frio e ter esse tipo de atitude. Mesmo assim ela não se sentia amedrontada, afinal ele a protegeu.
—É por minha conta —O Thatch a olhou.
—Como se você pagasse —Billy reclamou e William arqueou as sobrancelhas, como se não fizesse o que o homem havia dito.
—Ah sendo assim, eu gostaria muito de beber um champanhe —ela sorriu, procurando esquecer o ocorrido —Taste of Diamonds, por favor.
James e William a olharam, depois viraram e começaram a rir, enquanto Billy tossia sem graça.
—Boneca, você não está em um castelo luxuoso —James sorriu dando um gole na sua bebida.
—Não tem esse tipo de bebida aqui —William a olhou.
—Ah céus! Pardon, senhor —ela o olhou sem graça. —Pode ser algum de sua preferência.
Após servir a garota, Billy apoiou-se na bancada.
—Eu fiquei sabendo que você sequestrou uma princesa… É ela? —ele perguntou.
—Em carne e osso —William estendeu o copo e Billy o encheu.
—Ah você não toma jeito, não é rapaz? —o senhor suspirou. —Mas é o que eu sempre falei, a melhor fruta sempre é proibida.
—Meus deuses você parece um cara de oitenta anos falando —o capitão deu um gole e estendeu o copo novamente.
—Eu sou um cara de oitenta anos —Billy respondeu enchendo o copo novamente e Katherine riu.
William começou a conversar com James e Wayne estava sentado ao lado da princesa, os dois observavam o show.
As pessoas pulavam, algumas se beijavam, em um canto estava havendo brigas com socos e tudo mais. Era uma verdadeira bagunça, havia de tudo.
—Que lugar é esse? —ela olhou para o anão, que parecia entediado.
—Um barzinho que o capitão adora —ele bocejou.
—Eu sei né, Wayne —a princesa sorriu. —Estou falando da ilha.
—Ilha de Ascensão —o pequeno homem olhou para a menina. —Aqui possui uma comunidade muito perigosa, os Proorts.
—Esse nome não me é estranho —a princesa pensou, já escutou sobre essa tribo em alguma reunião do reino. —Quem são?
—Eles cultuam a deusa Lissa, da mitologia grega. São muito agressivos e extremamente loucos —Wayne olhou ao redor. —Vivem vindo a lugares como este sequestrar desafiantes para a competição.
—Que tipo de competição?
—Eles buscam várias pessoas para disputarem um troféu. Só pode haver um vendedor —o anão parecia nervoso ao contar. —Senhor William já enfrentou um deles que veio aqui. Foi bem difícil para o capitão.
—Por que fazem isso? —a princesa estava curiosa.
—Diversão... O mais assustador é que o competidor que vencer, passa por uma batalha final, que é lutar contra o rei Proort, o Dafari. E é muito raro alguém voltar vivo.
—Credo —Katherine ficou com medo.
—Mas fica tranquila, eles não estão dando as caras por aqui não —Wayne se levantou quando viu um garoto, da mesma idade, passar por ele, o olhando. —Já volto, alteza.
—Divirta-se —Katherine sorriu.
—Caralho! —William praticamente gritou —Olha essa música!
Katherine o olhou e até James assustou.
—Tan tandandandandan —William começou a imitar o som dos instrumentos.
—Já tava demorando —James sorriu bebendo mais.
—Ele está tonto? —a princesa segurava para não rir.
—Nah, daqui a pouco passa —o irmão mais novo respondeu encostando no balcão.
—She was a fast machine she kept her motor clean—William começou a cantar estralando os dedos e Katherine riu. — She was the best damn woman that I ever seen, she had the sightless eyes telling me no lies..
O pirata virou-se para a princesa e estendeu a mão sorrindo. Katherine segurou e William a puxou, a levando para mais dentro do salão.
—Taking more than her share, had me fighting for air—a banda cantava e William se aproximava de Katherine. —She told me to come, but I was already there…
—Piratas não deveriam dançar —a princesa disse no ouvido de William, que envolvia a cintura da menina e colava seus corpos.
—Uma princesa não deveria sentir-se atraída por um pirata —ele respondeu e em seguida, olhou para a menina sorrindo, que ficou vermelha. —'Cause the walls start shaking, the earth was quaking, my mind was aching and we were making it —William voltou a cantar fazendo a menina rir e animando a dança entre os dois.
—And you shook me all night long, yeah, you shook me all night long —a multidão cantava, pulava e levantava as mãos.
William rodou Katherine, que ria e se divertia bastante, nunca achou que faria isso com um pirata… Ou melhor, que um pirata iria fazê-la sentir-se tão bem e feliz.
Quando a música estava acabando, William rodou a princesa mais uma vez e a puxou para si, ficando os dois cara a cara.
Katherine aos poucos foi parando de rir e fixando seu olhar no do pirata, olhos azuis intensos que também a fitaram. Ele sorriu e tirou o cabelo do rosto da garota, e ao se aproximar lentamente, a beijou.
Katherine colocou as mãos no rosto do rapaz e acariciava delicadamente sua barba rala. Com o fôlego esvaindo, os dois separaram-se e ficaram se olhando por breves minutos.
—Nunca vou me cansar de fazer isso —o pirata sorriu.
Katherine escondeu um sorriso. O que está acontecendo comigo? Ela pensava. A princesa sabia que seu sentimento pelo homem havia mudado desde que chegou no navio…
A futura rainha olhou para o rapaz a sua frente. Ela o achava bonito e atraente, ele a divertia e a protegia…
—Ah céus —a expressão da menina mudou drasticamente. Preocupação e culpa vieram à tona. Será que estou gostando dele!? Ela pensou. Não, não é possível!
—O que foi? —William franziu as sobrancelhas.
—Eu… —Katherine não sabia o que falar, até que viu Wayne sair pela porta sozinho. —Vou tomar um ar com Wayne…
—Aqui é perigoso, então não se afastem —o pirata aconselhou acariciando a mão da menina sorrindo, e foi até o irmão.
—Wayne, me espera —a princesa saiu do bar e viu Wayne caminhando lentamente. Ao escutar sua voz, o anão virou-se. —Nossa aqui fora está muito frio —a princesa disse se abraçando e querendo se aquecer.
—Como estão indo as coisas com o capitão? —o pequeno homem perguntou quando a menina havia o alcançado.
—Eu realmente não sei… Wayne, quando eu cheguei no navio… Você havia me dito que ele precisava de mim por causa da sua maldição… —Katherine pensava. —E ele agora é todo bonzinho comigo… Tem alguma coisa haver?
Wayne parou de andar e parecia que havia visto um fantasma.
—O que foi? —a princesa virou-se para ele. —Ai vocês estão me escondendo alguma coisa! Eu sabia! Então William está fazendo isso por interesse, não é!? —o anão continuava parado, com os olhos arregalados. —Vamos Wayne! Me diga! —Katherine franziu as sobrancelhas.
—A-Alteza corra para o bar… A-Agora —o Carter disse com a voz trêmula.
—Anh? Por que eu faria isso? —Katherine cruzou os braços, até que percebeu que Wayne olhava para algo. A princesa virou-se, mas não conseguia enxergar nada. —Você está me assustando, para com isso.
—Você precisa sair daqui —Wayne segurou o braço de Katherine desesperadamente. —Chame o senhor William, o mais rápido possível…
—Mas Wayne, o que… —Katherine começou a recuar, estava assustada com a atitude de seu amigo, até que começou a enxergar várias formas escondidas nas árvores. Pessoas, que estavam camufladas, olhavam para os dois.
Uma mulher então se aproximou. Ela vestia um tipo de armadura, porém suas coxas, braços e barriga estavam descobertos. Seu corpo inteiro era tatuado, até mesmo o rosto. Ela sorriu para Katherine, e seus dentes eram extremamente podres.
A princesa suspirou, tentando manter a calma, já bastava Wayne desesperado.
—Boa noite, mademoiselle —a princesa fez uma reverência. —A senhorita deve estar sentindo frio com essas vestes —ela sorriu simpaticamente.
—O que está fazendo!? —Wayne estava encolhido segurando a manga da camisa de Katherine.
—Estou sendo educada! Fique quieto —a princesa sussurrou para o menino.
—Die trofee sal haar wrees —a mulher sibilou e várias outras garotas saíram da mata.
—Eu… Não sei falar essa língua… —Katherine olhou para os lados, e viu que estava cercada. —Pouvez-vous parler français? —a princesa perguntou, caso eles soubessem a língua francesa, seria mais fácil comunicarem. —Parli italiano? —ela tentou outro idioma, mas ninguém a respondeu, apenas sorriam.
—Neem dit, verlaat die dwerg —a mulher falou e todas as outras começaram a se aproximar.
—O que vocês estão… —Katherine perguntou, mas uma das mulheres tampou sua boca e segurou seus braços. A Lecerf começou a se contorcer tentando se soltar, mas a mulher era muito forte.
—Majestade! —Wayne tentava se livrar dos braços de uma garota e ajudar a princesa. Então ele foi golpeado na cabeça e caiu fraco no chão.
As mulheres se reuniram e formaram uma fila, amarraram a boca e as mãos da menina e vendaram seus olhos. Katherine foi jogada no chão, onde pôde sentir que estava encima de uma rede, logo foi embrulhada por aquele pano e sentiu ser puxada para o meio da floresta.
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