Crawling Back To You
13 Velhos tempos
Notas iniciais
WILLIAM
—Ela e Wayne estão demorando demais —o capitão disse olhando para a porta. Mas James nem deu atenção para o irmão, já que estava ocupado com uma garota ao seu lado. William suspirou revirando os olhos. —Estou falando com você.
—Ah pelos deuses… —James olhou para a porta também. —Daqui a pouco ela volta. Se me dá licença, irmãozinho —ele voltou a beijar a garota e William resolveu relaxar. Como Billy havia dito, os Proorts não estavam incomodando há muitos anos.
—Você deve ir, agora —uma mulher encostou de repente no balcão ao lado de William e olhava para o rapaz. Seus olhos eram extremamente azuis. O pirata franziu as sobrancelhas… A cor daqueles olhos são os mesmos que Katherine possuía as vezes…
—O quê? —William olhou para a mulher a sua frente.
—Vá agora —a mulher repetiu, apertando o braço do rapaz. De repente seus olhos voltaram para uma cor castanha e ela parecia tão confusa quanto William.
O pirata não entendia o que havia acabado de acontecer. Ir aonde? Ele pensou.
—James vou dar uma volta —o capitão avisou o irmão e se encaminhou até a saída, estranhando o aviso da mulher.
Abrindo a porta, William se deparou com Wayne deitado no chão a alguns metros, sem se mover. No mesmo instante, o pirata olhou ao redor, procurando Katherine, mas nenhum sinal da menina.
—Ei, Wayne —William ajoelhou-se ao lado do anão e o cutucou.
—Senhor… —ele respondeu fraco.
—Vem, sente-se —o pirata ajudou seu amigo.
—Meu senhor —Wayne estava com lágrimas nos olhos. —Levaram a princesa, meu senhor!
—Quem!? Os Proorts!? —William disse preocupado e o anão confirmou. —Por Edward Thatch —ele se levantou passando a mão no rosto. —Vou buscar o Oliver, ele vai ser útil… Escute, quando recuperar suas forças, peça a James para montar um perímetro.
—Certo, meu senhor —Wayne disse limpando as lágrimas e William começou a correr em direção ao navio.
JONATHAN
O irmão mais velho da futura rainha de Sunrise estava pegando no sono, na madeira dura e fria da prisão, quando escutou vários passos correndo até sua cela.
Ele se levantou sonolento, esfregando os olhos, esperando que fosse Katherine. Um dos homens de William, que vigiava os prisioneiros, aproximou-se segurando uma lamparina, e conseguindo observar melhor quem estava a sua frente, percebeu que era o próprio capitão do Vingança da Rainha Ana.
Os seus homens, que estavam dormindo em celas distantes, se levantam observando a situação.
—O que você quer? —Jonathan cruzou os braços.
—Eu não estaria fazendo isso se não fosse importante —William abriu a porta da cela. —Não tente nada contra mim, sua irmã está correndo perigo.
—O que aconteceu com Katherine!? —Jonathan sentiu seu sangue ferver e avançou em William, que o parou com sua mão.
—Os Proorts a pegaram —o capitão estava sério. —Não é hora para brigarmos, precisamos tirar ela de lá.
Jonathan suspirou e concordou com a cabeça.
—Estamos na Ilha de Ascenção —William subiu as escadas, acompanhado de seus homens e do Lecerf. —Você conhece aqui melhor do que eu.
—Estamos em Maio —Jonathan disse enquanto todos desciam as escadas para a praia com pressa. —Significa que está havendo o torneio.
—Vão colocar Katherine para lutar —William concluiu enquanto eles se dirigiam ao restante da tripulação do Thatch, que James havia reunido.
—Ou ela será o troféu —Jonathan o olhou. —Antes eram objetos de valor, mas desde ano retrasado estão levando pessoas.
—Qualquer das duas situações é ruim —o capitão se aproximou de James. —Prepare o perímetro. Eu e Oliver vamos até os Proorts.
—Não é boa ideia levar ele sozinho, deixe-me ir com você —James pediu.
—Ele sabe que é a vida de sua irmã que está em jogo —William olhou para Jonathan, pegando a espada da bainha de um dos seus homens e entregando para o rapaz. —E sozinho não vai conseguir resgatar ela. Além de que preciso de você aqui, James. Se formos com muitas pessoas chamaremos atenção.
—Então vai ser como nos velhos tempos —Jonathan aceitou a espada.
—Vamos logo —William disse indo para a floresta e James o acompanhou.
(…)
O mais velho dos irmãos Lecerf sabia onde localizava a aldeia dos Proorts, e teve que guiar William pelo caminho. Os dois sabiam fazer silêncio enquanto caminhavam na mata, não queriam chamar atenção.
Depois de alguns metros, o litoral se distanciava cada vez mais, e Jonathan sabia que a maldição de William agia ao afastarem do mar.
Nesse exato momento, o Thatch apoiou-se em uma árvore com expressão de dor e uma onda de veias negras percorreram o corpo do rapaz.
—Você deveria voltar —o irmão de Katherine continuou andando e logo William recuperou as forças e o seguiu.
—Nem pensar —ele respondeu.
—Eu não sei o que você planeja com Kate, mas fique sabendo que não permitirei que faça mal a ela —Jonathan parou observando ao redor.
WILLIAM
William não respondeu, e sentiu sua garganta secar. O plano de seu pai era exatamente machucar a princesa, e pior, ela seria morta. Foi a primeira vez que William pensou que tudo que ele estava fazendo, sua missão de fazer Katherine se apaixonar por ele, iria a matar.
Ele desejava se livrar da maldição, mas não queria fazer mal a menina. Foi então que a ficha caiu. Desde que ele a sequestrou, havia sempre um impulso para proteger a garota, e depois de um tempo, quando os dois ficaram mais próximos, William realmente não queria nenhum mal para Katherine. Por quê? Ele se perguntava.
—Olhe —Jonathan parou e apontou para frente. —Tem dois guardas ali.
—Eu pego o da direita —o Thatch disse e começou a se aproximar.
Os dois não notaram a aproximação dos piratas, e pelas costas, William e Jonathan sincronizadamente, colocaram suas espadas nas gargantas dos dois Proorts.
—Onde e quando será o torneio? —William perguntou com a voz firme, mas não obteve resposta e pressionou a espada na garganta do homem —Eu fiz uma pergunta!
—Gaan na die hel! —o homem respondeu rangendo os dentes.
—Eu sei muito bem que vocês falam a nossa língua —Jonathan chutou as pernas do seu refém e o fez ficar de joelhos, e encostou novamente a espada em sua garganta. —Respondam agora.
—O torneio vai começar —o Proort que estava com William disse, olhando para o chão.
—Nee, moenie iets sê nie!! —o refém de Jonathan disse com raiva, olhando para seu parceiro.
—Continua —William pressionou a espada ainda mais, e começou a perfurar a pele do garoto.
—Será ao redor do grande penhasco —ele respondeu.
—Idioot! —o outro gritou e Jonathan socou seu rosto.
—O que irão fazer com a garota!? —William perguntou.
—Ela será o troféu… O troféu! —seu refém tremia. —Jammer, my vriend —o garoto olhou para seu companheiro caído do chão e olhou para William com raiva. —Maldita seja sua raça! —e de repente, segurando a mão de William, inclinou-se bruscamente para frente, cortando a própria garganta.
O capitão do Vingança afastou-se rápido, mas já era tarde demais.
—Ah que droga —William disse olhando para sua roupa que estava respingada de sangue.
—Os Proorts o matariam de qualquer jeito —Jonathan pegou seu refém pelos cabelos e cortou sua garganta. —A cerimônia será por aqui, vem.
(…)
Depois de vários minutos caminhando, o barulho da cachoeira aumentava e pode-se ver várias tochas rodeando o local.
—Pelo menos é um espaço aberto —Jonathan disse.
Ao passarem pelas tochas, conseguiram ver a cachoeira. Os dois se esconderam atrás de um tronco de árvore que estava caído para observar melhor o lugar.
A direita, era onde os competidores ficariam, já que enormes jaulas de madeira e cipó haviam sido montadas.
A esquerda, estava o pequeno exército dos Proorts, formado apenas de mulheres.
—Cadê a Kate? —William disse não conseguindo achar a menina.
—A gente tem que participar, é o único jeito —Jonathan disse.
—Certo… Vamos para lá —o Thatch apontou para as jaulas. —Cada um ocupa um lugar.
—Já devem ter competidores —o Lecerf disse enquanto os dois se aproximavam devagar.
—São sequestrados, peça para ir no lugar —William se esgueirou pelas árvores.
Não havia muitos guardas nessa região, o que era suspeito, já que os competidores não aceitavam muito serem capturados e se rebelavam.
Provavelmente a competição será do outro lado da cachoeira, já que a plateia não estava naquela região.
William foi o primeiro a entrar em uma jaula, que estava aberta. O rapaz estranhou, por que toda essa despreocupação com os sequestrados?
—Quem é você? —um homem forte e alto surgiu do fundo da cela, aproximando de William.
—Vou competir em seu lugar —o pirata respondeu e o homem riu.
—Não vai não —o grosseiro homem disse socando as mãos. —Aquele troféu é meu.
William o observava cinicamente. Então os competidores não tentaram fugir por causa da princesa?
—Talvez na sua outra vida —o pirata sacou a espada. —Vá embora, ou eu terei que te matar.
O homem riu e se aproximou do rapaz.
—Um verme como você não é páreo para mi… —ele se inclinou, e não deveria ter feito isso. William, cansado da lorota e vendo que aquilo não iria a lugar nenhum, decepou a cabeça do homem de seu corpo.
—De novo —o pirata disse limpando o respingado de sangue do seu rosto. —Sujo de sangue, de novo! —reclamou.
—Ei —Jonathan chegou na abertura da jaula de William e ao ver o pirata todo sujo de sangue, olhou para o chão. —Que nojo.
—O que fez com o seu? —William foi até ele.
—Era um pobre coitado, quando me viu desmaiou.
William segurou um riso. No fundo, o Thatch sentia falta de seu velho amigo. Ele e Jonathan viveram juntos há muito tempo, mas depois dos acontecimentos, nunca mais se falaram e quando se encontravam, apenas curtas batalhas acontecia.
—ACOMPANHEM-NOS! —o exército passou pelas jaulas e caminhava para dentro da mata.
Os competidores saíram e as seguiram.
—São doze contando com a gente —William falou.
—Vai ser moleza.
(…)
Ao contornarem a cachoeira, várias arquibancadas estavam montadas ao redor de uma vasta área, coberta de árvores e arbustos.
No monte a frente, estava o líder dos Proorts, o rei Dafari. E ao seu lado, presa por correntes em uma árvore, estava Katherine. Eles haviam a vestido com roupas reais, precisamente dos Filhos do Fogo.
William, como no primeiro torneio de Sunrise parou de andar para olhar a menina. Um vestido vermelho, igual fogo, com fios dourados realçavam a beleza da princesa. Uma coroa, feita de ouro estava em sua cabeça e seus cabelos estavam soltos e balançavam com o vento.
—Continue andando —uma mulher da guarda o empurrou.
Cada participante foi colocado em uma posição, separados por trinta metros e o exército ficou posicionado na frente de cada um.
Katherine estava com a cara zangada, e olhou para baixo, observando os competidores. Até que seus olhos encontraram os de William, fazendo sua expressão mudar e um sorriso discreto aparecer.
O pirata sorriu e piscou para a princesa, que começou a observar os outros participantes, encontrando seu irmão.
—Vou tirar você daí —Jonathan moveu os lábios para a princesa fazer a leitura e ela afirmou com a cabeça.
Dafari estendeu as mãos e a plateia, formada da tribo dos Proorts, ficaram em silêncio.
Eles eram completamente tatuados, igual as mulheres do exército, apenas as crianças possuíam o corpo limpo.
—Uiteindelik het die dag van die toernooi aangekom! —ele gritou e a multidão bateu palmas. —BEM VINDOS, COMPETIDORES! —ele mudou sua língua para que todos pudessem o entender. —Vocês irão disputar esse belíssimo troféu! —ele estendeu a mão, mostrando Katherine.
—Olha aqui seu merda —a princesa gritou para ele, fazendo a plateia se assustar pela falta de respeito com a autoridade dos Proorts. —Eu não sou um troféu! Quem ousar encostar em mim sofrerá as consequências!
Dafari depois de um tempo começou a rir e aliviou a tensão.
—As regras são as seguintes: cada um de vocês deverá tentar pegar o troféu, quem fizer isso primeiro ganha! Porém, vocês terão que se enfrentar, já que estão disputando essa garota —o rei dos Proorts explicou.
—ISSO É RIDÍCULO! —Katherine tentava se soltar das correntes —EU NÃO PERTENÇO A NINGUÉM AQUI PARA ALGUÉM…
Nesse instante, o rei Proort com um movimento de surpresa, deu um tapa forte na cara da menina.
Jonathan e William cerraram os punhos e começaram a avançar, porem duas guardas impediu que continuassem.
—Voltem para as suas posições —elas sibilaram.
Katherine estava com o rosto vermelho e a marca da mão do homem estava gravada em sua face. A fúria no rosto da menina apenas aumentava ainda mais, e por alguns segundos, William viu seus olhos ficarem azuis.
—Continuando —Dafari ajeitou sua roupa. —Quem retirar o troféu das correntes ganhará e assim, terá uma luta comigo. Caso eu ganhe, você estará morto e o troféu será meu, então vamos começar!
—Você ainda não disse o que acontece caso perca —William gritou.
A plateia e seu rei começaram a rir.
—Eu nunca perdi, meu jovem… —Dafari olhou para o pirata que havia o chamado e parou de falar. Depois de um tempo, analisando bem o competidor, ajeitou sua postura e tomou fôlego. —Você é um dos descendentes de Edward Thatch, não é?
—O bom e velho Barba Negra —William sorriu. —Sou William Thatch, Dafari. E você sequestrou a garota que estava comigo.
—Ora vejam só —Dafari olhou para Katherine. —Então ela é sua namorada?
—Mais ou menos isso —William respondeu e Jonathan o olhou cinicamente.
—Não abuse da sorte, Thatch —o irmão de Katherine disse com raiva.
—Você ainda não me respondeu, Dafari —William continuou e sentiu a maldição aparecer novamente. Suas veias ficaram pretas por alguns segundos e o pirata quase se desequilibrou.
—Isso vai ser interessante —o rei dos Proorts mexia em sua barba. —Caso eu perca, o vencedor poderá sair com o prêmio. Chega de enrolação! Que a disputa comece!
O rei Proort desceu o monte e encaminhou-se até uma tenda com um trono e o exército se retirou.
—O que estão esperando, vão logo! —Dafari gritou.
Jonathan e William desembainharam as espadas e começaram a correr em direção a princesa.
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