Capítulo 7

– Sanada Yukimura?

– Sou eu.

– O senhor está preso.

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– Mas que palhaçada é essa?! – sim, era o que parecia. Jurava que a qualquer momento um circo entraria pela porta e gritaria “Feliz Aniversário” porque minha esposa doida, doida, tadinha, estava meio adiantada no calendário e tinha esquecido a data. A parte boa seria que eu ganharia um din din de indenização por causa do primeiro palhaço, que me acertou de verdade. Mas claro... se tudo fosse uma palhaçada mesmo.

– É isso que o senhor ouviu. Está preso por formação de quadrilha, descomprometimento profissional, mau uso de sua profissão e envolvimento no assassinato de Toyotomi Hideyoshi.

– Ah, só pode estar de brincadeira, né? Que, que é? Tá querendo um autógrafo meu? Não seja por isso! Toma aqui – e assinei na farda dele. O policial me encarou como se dissesse “Você tá fazendo isso mesmo?”, torceu a boca num sinal de impaciência para com loucos como eu, guardou as algemas e concluiu:

– O senhor não bate bem da cabeça. Então diremos apenas que irá nos acompanhar até uma visita pela delegacia.

– Ah, agora já estamos nos entendendo. Assim é bem melhor – ironizei. Olhei pra Kasuga, pedindo ajuda. Ela estava com seus olhões encarando a mim e ao policial.

– Senhor policial, deve estar havendo um engano. Meu marido não tem nada a ver com nada disso. Nós chamamos a polícia aqui para que prendesse este homem – e apontou para o ruivo morto ou quase morto – que invadiu nossa casa e tentou nos assassinar.

– Bom, então vamos levar os dois. De qualquer forma o senhor Yukimura tem que ser o primeiro.

Revirei os olhos e perdi a calma.

– Me dá essa porr* aqui! – eu mesmo peguei as algemas e tranquei em meus braços. Abri a porta da viatura e bati com força.

– Eu poderia ir também? – Kasuga perguntou a ele.

– Sim. Mas não neste carro.

Ela revirou os olhos e seguiu em direção a garagem. Fiquei pensando se ela tinha esquecido as “visitas” lá, porque eles não poderiam ficar sozinhos em minha casa! Não! Iriam levar tudo! Se bobear até os cachorros demônios! Mas não tive tempo de avisá-la: a viatura partiu e tudo virou um grande borrão através daquela janela.

Ah, esqueci de dizer que o invasor ruivo estava despejado babando no porta-malas, ou sei lá como se chama o compartimento atrás.


TUM!

– Senta aí! – ordenou o delegado, um tal de Zacarias (parece até que fui eu quem nomeou esse cara) me jogando em uma cadeira. Estávamos em uma pequena sala, com uma mesa no centro e algumas cadeiras. Dois policiais estavam armados e postos na porta, enquanto Zacarias dava voltas pela cadeira onde eu estava sentado, imóvel e algemado.

Eu estava intacto e impaciente: aconteciam mil e uma coisas lá fora; a família Hideyoshi estava em perigo; minha casa também; Toyotomi estava morto; Kasuga estava sozinha; eu havia esquecido de por comida para o gato... E tinha que ser preso justo agora? Enquanto o delegado Zacarias resmungava e gritava, cuspindo e enxugando a testa, eu simplesmente estava fechado em uma expressão séria de quem não vê a hora da “aula” acabar pra poder ir finalmente para casa.

– Agora que o senhor já sabe o porquê de estar aqui, comece a abrir o jogo Yukimura: por que, como e quando você matou Hideyoshi?

– Não vou responder isso – respondi, sem olhar para ninguém, apenas encarando o vazio a frente.

– Ah não, é? E posso saber por quê? – questionou o delegado pego de surpresa, como se tivesse levado um tapa na cara. Vai ver era a primeira vez que alguém lhe respondia assim.

– Simples: simplesmente porque eu não sei a resposta de nenhuma dessas perguntas.

– Não sabe? Como assim não sabe?! Você por acaso cometeu o delito inconscientemente?! É mais uma vítima de sonambulismo?! Ora senhor Yukimura, muitas pessoas chegam aqui alegando tais desculpas para se safarem, mas tenha certeza que todas elas acordam vendo o sol nascer quadrado! Comigo... comigo não há desculpas... Comigo não tem escapatória.

– Olha senhor delegado, eu não quero criticar sua maneira de trabalhar e muito menos quero me meter nos seus assuntos, pois com toda certeza eu não me formei em direito para ser delegado. Eu só gostaria de fazer uma pequena observação.

– Pois faça...

– Acredito que seja mais produtivo para o senhor interrogar o verdadeiro culpado disso. Essa pessoa sim sabe responder as suas perguntas. Agora, se não for muito incomodo, vou me retirar, pois a minha esposa se arrumou todinha pra mim hoje e não quero desperdiçar a boa vontade da pobrezinha ... – eu dizia enquanto limpava a roupa e me levantava da cadeira.

– Senta aí! – me empurrou de volta para o assento – Não banque o engraçadinho comigo, senhor Yukimura! Apenas responda minhas perguntas e então nos entenderemos!

Eu já estava rangendo os dentes e então explodi de fúria:

– Eu já disse que não tenho como responder por que DIABOS NÃO FUI EU QUEM MATOU O SENHOR HIDEYOSHI!!!

– E como prova isso?!

– POR QUE DIABOS EU MATARIA ALGUÉM CUJA SEGURANÇA TRARIA MEU DÉCIMO TERCEIRO?!

– Ora! Há inúmeros motivos: Vingança! Rebeldia! Desentendimento! Cobiça... – e esse último quesito Zacarias deu maior ênfase. Soltei um riso de deboche.

– Hunf... Até parece. Eu não tenho motivos para cobiçar nada do senhor Hideyoshi! Nada além de sua amizade e companhia... Porque eu não preciso disso: eu tenho DOIS empregos!

– Ahá! Então admite que cobiçava algo do velho!

– Por Deus delegado, o senhor já está fora de si! – resmunguei revirando os olhos. Ele já estava apelando para qualquer alternativa que surgisse... Tentativas mudas.

Foi então que comecei a notar uma certa movimentação entre os dois guardas da porta. Um deles aproximou-se de Zacarias, meio nervoso e inseguro, e cochichou algo no ouvido do delegado. Este ergueu uma sobrancelha e consultou as horas em seu relógio de bolso, que um dia fora dourado, agora já estava enferrujado.

– Yukimura – ele disse se virando e enxugando a testa com um paninho imundo – Tenho que dar uma saidinha. Mas nossa conversa não terminou! Fique aqui e me espere... Ouviu?!

– Afe, “prometo não lutar contra seus guardas e tentar fugir como um super-herói, senhor delegado” – resmunguei com as mãos erguidas em sinal de rendição – Sou um garoto comportado.

O delegado me olhou bem, como se não tivesse entendido se era uma piada ou se eu falava sério. Encarei-o de volta sorri. O delegado se retirou enxugando o suor.

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Kasuga narrando. É. Saí com o Audi do Sanada, porque precisava passar em outro lugar antes de seguir para a delegacia, e nesse lugar o carro dele era identificado a um quilômetro de distância, para que sua entrada fosse autorizada. Estacionei e entrei no gigantesco prédio da SiSe.

Logo na entrada havia uma garotinha brincando com balas de tic-tacs que ergueu a cabeça para mim e sorriu feito uma cadelinha treinada.

–Pois não?

–Ah, preciso falar com Oyakata-sama. É urgente!

–Tem hora marcada?

–Ah, não. Mas diga a ele que é Kasuga, a esposa de Sanada Yukimura.

–Ah! Eu conheço a senhora! Quero dizer, não pessoalmente, mas o senhor Yukimura me falou muito da senhora, que tem ratinhos, e gatinhos, e...

–Sim, sim, e baratas e morcegos como qualquer outra pessoa. Mas avise-o logo, porque é urgente!

–Tá! – e ela desceu de um banquinho, para meu assombro, ficando a altura da minha cintura. Uma anã... Talvez. Longos minutos depois voltou saltitando dizendo que entrasse e eu zarpei sala adentro.

– Senhora Yukimura, o que a trás aqui?

– Por favor, senhor, faça a segunda pergunta.

– Bom então, o que posso fazer pela senhora?

– Por mim não muito, mas por Sanada, muita coisa.

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Yukimura de volta. Zacarias voltou minutos depois.

– Pronto – disse entrando e fechando a porta – Tenho duas notícias, Yu-ki-mu-ra... Uma boa e uma ruim. Qual quer primeiro?

– Que venha a boa...

– Bem, a boa é que nosso interrogatório está encerrado por enquanto. Parece que realmente não temos provas contra o senhor...

Sorri de forma satisfeita e ergui as sobrancelhas para o delegado, fazendo cara de “Eu venci, sou melhor que você, e nem me formei em direito”.

– A má é que o senhor ainda está preso.

Meu sorriso desapareceu.

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– Mas que merda tão fazendo! – resmungou o enorme Oyakata-sama. Imaginei que tipo de pessoa ousaria ir contra esse homem, porque só de olhar para ele eu já perdia toda a coragem de sequer pensar em qualquer insulto! Tenho certeza de que ele sabe ler mentes! E sabe mesmo, porque adivinhou o que eu estava pensando.

– Não se preocupe, Kasuga. Vamos tirá-lo de lá. Agora vejo que o assassino de Toyotomi possui contatos em todos os lugares que possamos imaginar. Se eu estivesse abalado demais, arriscaria dizer que Oda Nabunaga é o vilão por trás de tudo outra vez.

Engoli seco: Sanada ainda não havia contado ao grande homem o que descobrira sobre Oda. Eu teria que me esforçar ao máximo para fingir não saber de nada.

– Vamos para a delegacia imediatamente – e ele apertou um botão em sua secretária – Motonari. Reúna todos porque vamos entrar em ação.

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– Mas que porcaria! ME TIREM DAQUI, SEUS DESGRAÇADOS!!! – eu berrava agarrado as grades da cela.

– Não Yukimura. Você não sairá daí até termos novas notícias – disse Zacarias dando as costas e estalando os dedos para um guarda.

– Já disse que você pegou a pessoa errada!!! Isso é uma injustiça!!! Você me paga, seu maldito!!!

– Que seja, Yukimura – disse Zacarias entediado – Mas até lá, essa será sua refeição.

E um dos guardas deixou cair dentro da cela uma tigela com uma estranha gororoba, parecida com vômito.

– E como dizem os italianos: Bon appetit!

– Ora essa... Enfia essa tigela no c...

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O carro parou em frente a delegacia e o Grande Oyakata-sama saiu do veículo batendo a porta tão violentamente que amassou uma parte da lateral. Atravessou a entrada empurrando um dos guardas contra o chão, como se fosse um pedaço de papel. O sujeito caiu de lado meio pasmo e eu simplesmente saltitei por cima dele.

– Mas que merda é essa nessa merda de lugar?!!! – gritava o Grande homem no meio do distrito.

– Senhor Oyakata-sama! – gritou um sujeito com cabelo faltando.

– Que merda você fez agora, Zacarias?! Por que prendeu Sanada Yukimura?!!!

– Oras senhor... Testemunhas o acusaram de participar do assassinato de Toyot...

– Quem foi o merda que disse essa merda, seu merda?!!! – gritou o Grande homem erguendo o tal de Zacarias pelo colarinho. Fiquei assombrada: só Oyakata-sama pra tratar desse jeito alguém tão importante! Acreditei que ele poderia ser o presidente do país se quisesse, mas só não o teria feito porque a SiSe não seria nada sem ele. No entanto, eu finalmente entendi porque Sanada admirava tanto esse homem.

– N-não posso relevar, senhor... É sigilo para com a testemunha...

– Grande merda! – resmungou ele, soltando Zacarias. Oyakata-sama andou em direção as celas, empurrando mesas, cadeiras e pessoas que estavam pelo caminho e pisando forte no piso de madeira da delegacia. Tanto que esse ficou cheio de buracos.

Chegamos as celas e eu pude ver Sanada sentado sozinho em uma delas.

– Yukimura!

– Oyakata-sama!

– Yukimura!

– Oyakata-sama!

– Saia da frente pra eu te soltar muleque! – e com um forte puxão, a grade foi rompida. Os guardas olharam pasmos para a cena e Zacarias apareceu logo atrás enxugando a testa com um paninho imundo.

Sanada saiu dançando da cela. Encarou Zacarias e cantou pra ele:

– “Pensou que tinha me prendido!
Bicho feio e fedido!
Que peninha meu amor...
Delegado se ferrô...!”

Andou até mim, me deitou de lado, me beijou e me levantou.

– Ô bicha linda!

– Vamos Yukimura! – ordenou Oyakata-sama pondo a grande da cela de volta no lugar – Temos muito que fazer!

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Deixamos Kasuga em casa e fomos até a mansão Hideyoshi, onde tava todo o pessoal reunido.

– Eh, Sanada! Preso outra vez? – caçoou Date.

– Pois é, Date. Encontrei a vadia que tu pegou da última vez e ela mandou dizer que ainda tá esperando o salário insalubridade que tu deve a ela.

Date revirou os olhos e Sasuke riu. Dentro da mansão não tinha nada de novo: o mesmo povinho fingia trabalhar lá dentro.

– E a titia? – perguntei ao jovem rapaz muito jovem.

– Ainda lá em cima, senhor.

– Melhor cortar a raiz dela... – eu disse assobiando de admiração.

– Bom, se não há outro jeito, vamos fazê-la falar a força!

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Foi um absurdo me deixarem sozinha em casa! Depois de tudo que eu fiz e tudo que aconteceu! Por sorte a casa estava vazia. Hanbei e sua vaca deviam ter fugido assustados. Teddy estava em cima da mesa, lambendo os pratos e meu dálmata, Domino, estava enrolado num tapete.

Olhando assim, não havia nada errado. Não tinha outra! Decidi ir atrás de Sanada! Do jeito que ele é atrapalhado, só daria mais problemas! Além disso, que mau eu faria?


Cheguei à mansão Hideyoshi e vi um aglomerado de pessoas na entrada. Logo deduzi que seria difícil entrar. A vadia da Saika estava na entrada e logo me reconheceu e apressou-se a meu encontro:

– Kasuga! Você não pode entrar! Esta área é restrita apenas ao pessoal da empresa e à perícia.

– É meu marido que está lá dentro, e nem você e nem a polícia vai me impedir de entrar!

– Este caso é trabalho do Sanada! Isso não tem nada a ver com você!

– Ah, interessante isso! Visto que vocês praticamente imploraram pela minha ajuda algumas horas atrás!

– Estou dizendo, Kasuga! Mantenha-se longe ou terei que prendê-la!

– Escute aqui sua vadia! Meu marido e eu compartilhamos tudo! Tudo que é dele é meu também! Então, vou entrar neste caso por livre e espontânea vontade! E tente me impedir que eu acabo com essa sua cara lambuzada de maquiagem barata!

Ignorei-a e continuei andando. Meu coração tremia: era a primeira vez que levantava a voz pra alguém, dessa maneira. Fiquei com medo que ela realmente viesse atrás de mim, mas não baixei a guarda. Por sorte consegui entrar na mansão.

Encontrei Sanada no Hall e o Grande Oyakata-sama tentando tirar um lustre enorme que parecia ter caído em sua cabeça.

– Kasuga! – exclamou Sanada espantado – O que faz aqui mulhé?! Não devia estar em casa lavando roupa?!

– Vim ajudar e ai de você se me impedir disso!

– Kasuga, isso não tem nada a ver com você... – disse Oyakata-sama.

– Eu tentei avisa-la, senhor! – Saika veio falando e vadiando atrás – Mas ela não me escutou.

Explodi de raiva dessa vagabunda:

– Olha aqui! Calem a boca vocês dois que até agora não conseguiram fazer merda nenhuma! Eu fui a única que fez alguma coisa nessa porcaria de caso e ainda arrisquei meu emprego por vocês! Então quietos!

Todos estavam pasmos. Eu também. Ninguém nunca falara assim com Oyakata-sama. Nem a própria mãe dele. Apesar do medo todo que eu sentia por dentro, por fora estava sob controle.

– Agora fala Sanada: me explica mais sobre a mãe de Toyotomi.

– Ela é esquisita...

– Esquisita como?

– Ah, pra começar, ela usa acolchoados de lã... Isso é esquisito, fala sério!

– E...?

– E ela gosta de muitos gatos, sabe? É gato pra caralh...

– Sanada! Essas informações não são relevantes!!!

– Ah, certo. Acho que tem mais uma coisinha... Ela nunca fala nada.

– Nunca fala?

– É, nunca fala?

– Ela é muda?

– Não, só deve ter preguiça. Ou medo de perder saliva... Eu lembro que uma vez você me explicou que as pessoas velhas tem baixa porcentagem de água no organismo...

– Leve-me até ela! – ordenei a um jovem policial, ignorando o Sanada que não parava de falar merda.

– pra não perder mais água e ficar mais enrugada... Deve ser por isso que ela tem medo de perder saliva...

– Como vocês estão tentando fazê-la falar? – perguntei ao rapaz.

– Bem, usamos um sódio aí que o senhor Yukimura trouxe e...

– Não acredito que vocês usaram tiopentato de sódio numa senhora de 80 anos!!! Mas já vi que a coisa tá feia mesmo...!

O rapaz me levou até ela e todo o resto do grupo veio atrás, mais preocupados do que outra coisa. Talvez pensavam que eu pudesse estar louca e por isso não deveriam ter se ofendido tanto com minhas gritarias. Mas eu sabia o porquê de estar louca assim: eu estava grávida, com hormônios a flor da pele, e correndo o risco de virar mãe solteira. Nem a pau que eu iria deixar meu marido dessa forma por aí!

Entrei no quarto sentindo aquela energia carregada de tristeza. Estava meio escuro e a única claridade vinha da pequenina janela onde a senhora estava sentada. Aproximei-me dela e comecei a falar o que vinha a mente.

– Senhora Hideyoshi, sinto muito pelo seu filho. Ele era um grande homem. A senhora deve saber disso. Ele ensinou muitas coisas a mim e ao meu marido, Sanada. Ele também ensinou muito a outras pessoas também, a senhora deve saber. E deve sentir muito orgulho dele, também. O Sanada é um dos agentes que tá trabalhando no caso do seu filho. A partida de Toyotomi nos chocou muito, a todos nós, sabe? Meu marido pode parecer meio estabanado, mas ele é um homem muito bom... Ele admirava Toyotomi e por isso tem dado tudo de si pra conseguir resolver isso logo. Todos os dias eu fico em casa esperando que ele chegue bem para que eu poça dormir tranquila mais um dia, pois enquanto ele não entra pela porta, fico com o coração na mão. Sabe, eu estou grávida dele... Mas até que meu filho nasça eu só tenho o Sanada para me fazer companhia. Por isso não vejo a hora de tudo isso acabar e poder ter minha família em paz.

“A senhora deve entender isso. É esposa e é mãe. E como esposa e mãe, pode sentir o sofrimento de outras esposas e mães. Senhora Hideyoshi, a paz de seu filho está em suas mãos! A senhora é capaz de fazer justiça a seu filho! Basta dizer uma pequenina verdade. Senhora Hideyoshi, a paz de toda a minha família também está em suas mãos”.

Era minha última cartada. Não tinha mais nada para ser dito. Só podia esperar e rezar. E esperar e rezar funcionou. A velha senhora ergueu a cabeça, me encarou com olhos azuis vívidos e sua voz saiu numa engasgada frágil:

– Você aceita um chá?

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Notas finais
Peço desculpas pelo capítulo maluco. Acho que exagerei fazendo a Kasuga agir dessa maneira... Mas não sei não. Não consegui pensar em outra coisa.
Espero que tenham gostado.
xx