Notas iniciais
Demorou, mas chegou! Melhor isso do que nada !

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Todos estavam pasmos com a forma como Kasuga havia conseguido falar com a senhora. Pela distância em que estava não pude ouvir absolutamente nada. Após a conversa das duas, ficamos sabendo que um rapaz ruivo havia invadido a mansão pela noite e assassinado Hideyoshi. Sim, era o que todos já sabíamos, mas uma testemunha faria toda a diferença.

Vi Kasuga saindo de perto da velhota, os investigadores estavam tomando conta dela. Minha loira andou até mim:

- Querida, você foi incrível! O que disse a ela?

Kasuga deu de ombros e sorriu fracamente:

- Coisas de mulher, Sanada.

- E você poderia me contar? Tá, tá, eu sei que não sou uma mulher. É uma pena mesmo. Mas eu usaria um vestido pra você poder me contar.

Kasuga riu. Mas ela não parecia muito feliz.

- Eu vou te contar, seu bobo! Mas agora não...

Ela então levantou seus grandes olhos amarelados. Eu notei que de fato estavam diferentes. Ela chegou a me encarar de forma ansiosa, como se quisesse dizer algo urgente, mas não pudesse... Ou não quisesse. Eu a conhecia demais para perceber isso.

- Querida, tem algo que você queira me contar?

- Ah... – ela queria SIM contar algo, mas apenas fez que não e foi me dando as costas. O que diabos ela estaria me escondendo? Será que algum carinha anda dando em cima dela?! Estiquei o braço para puxá-la, mas alguém entrou na minha frente.

- Yukimura!

- Hunf, que foi agora?

- Olha como fala, menino! – o Grande Oyakata-sama estava parado tapando o sol – Reúna-se com Date e Saika! Vocês vão ficar de plantão hoje.

- O que?!

- Você ouviu, anda rapaz.

Saí chutando tudo que via pela frente:

- “Tudo eu... tudo eu...” – e continuei resmungando. Encontrei Kasuga sentada nos degraus da varanda, na frente da mansão – Ah... Amor?

Ela virou o rostinho pra me olhar. Estava triste, triste, coitada. Aquilo apertou meu coração:

- Eu vou ter que ficar de plantão hoje. Você acha melhor ir dormir em uma das suas amigas?

Ela fez que sim com a cabeça:

- Tudo bem. Vou dar comida ao Teddy e ao Domino e passo a noite na Oichi.

- Certo – levantei-a e tentei beija-la, mas ELA DESVIOU! O que infernos ela tem?!!!

Só vi seus cabelos loirinhos desaparecendo dentro do carro e não pude mais falar com ela. Lembrei que estava sem celular, sem chave, sem dignidade. Havia deixado tudo na delegacia.

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- Ok, homens. Saika... Ligaram da delegacia. Encontraram o fugitivo. Ele está no centro da cidade, na Praça Lincoln. Corram até lá e o mantenham vivo!

- Sim, senhor – todos dissemos. Um motorista da SiSu levou Date, Saika e eu. Descemos na praça que infelizmente estava bem movimentada.

- Vai ser impossível encontra-lo aqui – Saika comentou.

- Nem tanto.

Avistei o rapaz de regata branca e cabelos vermelhos bem compridos. Ele corria enquanto policiais militares tentavam cerca-lo inutilmente. Date, Saika e eu fomos cada um para um lado e tentamos fechar o “círculo”.

- Atenção cabelos sedosos! Aqui é Sanada Yukimura, agente da SiSu. Você invadiu minha casa uma hora dessas. Acredite rapaz: isso já é pessoal.

Date preparou as algemas:

- Renda-se e pouparemos sua vida. Você está cercado por todos os lados! Não há como escapar.

Mesmo estando longe eu pude notar que o sujeito sorriu. Ele usava uma viseira que cobria metade de seu rosto, mas eu pude ver o ato de sarcasmo.

- Você está errado – ele disse. Num rápido movimento ele saltou para uma árvore e a escalou como um macaco prego. Em dois segundos ele havia desaparecido pelos galhos.

- Por que diabos tinha que ter tanta natureza nesse lugar?! – gritei resmungando. Mas então me lembrei – Aé... Aquele negócio do Bozônio...

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O motorista da SiSu deixou Date, Saika e eu em um Hotel ao estilo Carlton Benks. Devia ter trazido minha roupa Carlton Benks.

- Não posso ficar aqui! Não trouxe cueca! – eu gritei assim que pisei fora do carro.

- Liga pra sua mulher e pede pra ela trazer.

- Não tenho celular! Não tenho cueca! Não tenho dignidade!

- Você liga do hotel infeliz! – Saika resmungou batendo a porta do carro.

- Sim, esse é hotel é infeliz mesmo – concordei.

- Argh, o que ele tem hoje?!

Acertamos tudo na recepção e subimos para nossos quartos. Por sorte, cada um tinha o seu. Já imaginou minha esposa sonhando que eu estou no mesmo quarto que alguém?! Por falar em esposa: liguei pra ela e pedi minhas coisas.

- Então? O que se faz em um quarto de hotel, sozinho, enquanto espera seu chefe encher seu saco lhe mandando ir trabalhar?

Tirei os tênis, joguei a camisa no lixo (estava podre) e liguei a TV:

- Legal! Tá passando “A praça é nossa”! Hoje vai ser bão.

Já estava todo esparramado na cama dando boas risadas quando ouvi um estrondo. Pulei da cama. Algo havia explodido em algum lugar!

Corri pra abrir a porta e alguém entrou voando: era o cara ruivo! Tentei correr atrás dele, mas o desgraçado se jogou pela sacada. Outra pessoa entrou no meu quarto:

- Sanada seu idiota! Por que não segurou ele?! – Saika resmungava enquanto corria pra sacada e tentava enxergar o sujeito.

- Não briga comigo não, mulhé! Tiraram minha folga!

- Argh, você está me irritando hoje!

A doida da mulher decidiu me dar um soco na cara. Vê se pode?! Segurei seu pulso com força e a empurrei para a cama. Ela estava só de camisola! Foi quando me toquei:

- Sua macumbeira! É melhor sair daqui antes que a Kasuga...

- S-Sanada...

Era tarde.

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Eu não conseguia acreditar no que meus olhos viam. Não conseguia nem repetir o que meus olhos estavam vendo. Minha garganta doeu; meu peito apertou; perdi o movimento das pernas.

- Kasuga... – Sanada veio andando em minha direção. Eu o odiava naquele momento. Não podia deixa-lo tocar em mim. Dei meia volta e saí correndo o mais rápido que conseguia. Ele continuava gritando atrás de mim. Ele sempre foi mais rápido do que eu, mas não queria saber. Só continuei correndo – Kasuga!

Não entendi o que estava acontecendo. Só sei que parei de sentir meu corpo. Um leve empurrão me foi dado. Quando me dei conta, tudo estava escuro. E não havia mais nada a minha frente.

- Kasuga! Por favor... Fala comigo!

- S-Sanada...

Acordei sentindo uma forte pontada na cabeça:

- Onde estou? O que aconteceu?

- V-você desmaiou...

- E-eu... s-sonhei... – de repente tudo me voltou à memória. Por favor Sanada, meu amor, me diga que foi um sonho. Ele não diz. Ele não consegue responder – S-seu... Seu idiota! Imbecil! Por que você fez isso comigo?! E tudo que você me disse sobre me amar pra sempre?!

- Mas eu te amo!

- Chega! Eu não quero mais ouvir! Me deixa!!!

Me levantei com tudo e fiquei tonta novamente:

- Kasuga!

- Já disse pra me deixar!

Estava no quarto de Sanada. Aquele... quarto... nojento! Tornei a correr e desapareci daquele lugar. Só um lugar vinha a minha cabeça. E somente um pensamento: serei eu... mãe solteira?

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