Crônicas de Moria: Aprendiz de aço
5 O Reino por entre as montanhas: Themas
Corro em direção ao local ao de Helena havia matado o cervo, estava com o sangue do animal na neve, mas sem sinal dela.
— HELENA? HELENA?
Meu coração parece sair do meu peito, minha espinha toda fica congelada em zero absoluto, mesmo com todo treinamento feito nas muralhas eu nunca havia sentido tanto medo na minha vida, nem mesmo meu suor parece descer mais, vejo suas pegadas na neve indo em outra direção da floresta e as sigo correndo.
— Então esquecemos um lá de Whiteland, vai ser fácil corrigir isso. — De maneira furtiva, sem eu perceber aproximam três orcs em minha direção.
Os três equipados com espadas curvas e escudos parcialmente velhos e enferrujados vem em minha direção com seus urros de guerra, saco minha espada pronta pro combate. O primeiro orc tenta desferir um golpe vertical de cima para baixo, com minha espada bloqueio o golpe e giro para esquerda enquanto jogo sua espada para o lado, com o cotovelo acerto seu rosto que faz ele cambalear para trás ficando atordoado momentaneamente, o segundo orc que vem a direita tenta desferir um golpe na horizontal da direita pra esquerda, agacho para desviar do seu ataque e pulo para atrás para manter distância do meu inimigo, aproveito os poucos segundo de vantagem e pego a faca que deixei no cinto e a lanço em sua mão que acerta certeiramente o fazendo parar o seu ataque e largando sua lâmina no chão, com seu momento de vacilo enquanto tenta tirar rapidamente a faca de sua mão corro em sua direção e enfio a ponta da minha espada em seu peito fazendo gritar por alguns segundos enquanto perde o fôlego. O terceiro fica com um pouco de medo, mas ao ver o primeiro retornar enfurecido para o combate e indo em minha direção, o orc corre na mesma direção para ajuda-lo, o primeiro tenta um ataque por trás tentando enfiar sua lâmina em minhas costas, ouso seus passos pesados arremessarem a neve para o ar e quando a ponta de sua espada está quase chegando em mim, giro fazendo com que ele mate seu próprio companheiro acidentalmente, ambos trocam olhares de temor e no movimento rápido golpeio o primeiro orc fazendo sua cabeça voar livremente por entre a floresta e assim ambos os orcs mortos caem no chão em sincronia deixando apenas seu sangue negro tingir a neve. O Último Orc está simplesmente apavorado, ele aproxima seu escudo em seu peito e vem em minha direção. Estendo minha mão para o chão na mesma direção que o orc se aproxima e uso “Tân”, as labaredas que saem de minha mão transformam a neve em uma pequena poça de água, essa leve demonstração de poder faz o meu inimigo recuar levemente sem saber qual seria meu próximo movimento, ele toma um segundo de coragem e parte novamente em minha direção correndo, uso “rhew” sem falar alto para que o orc não perceba e daquela poça de água se tona gelo o que o faz escorregar e cair perdendo seu escudo e sua espada. Ele se vira tentando pegar sua espada e aproveito para enfiar minha espada em sua mão esquerda.
— Você, se você realmente quer se manter vivo criatura impura, me diga, onde está a elfa ? — Ele grita de dor enquanto giro a espada quebrando os ossos de sua mão.
— Estamos no território élfico humano imbecil, o que mais tem são elfas. — Ele tenta usar a mão direita para pegar sua espada, pego uma flecha de minha aljava para enfiar em sua outra mão.
— Não se faça de idiota, você estava na mesma direção que ela, segurava um arco branco. ONDE ESTÁ MINHA AMADA?
Ouso um grito em meio ao amanhecer, Tyr parece se levantar rapidamente, em silêncio. Pergunto se ele está bem, mas não me responde, a única coisa que fala é para pegar minhas coisas para enfim seguir caminho. Ele parece mais calado do que o normal, todavia não quero correr o risco de incomodá-lo, pegamos nossas coisas e partimos. Observo o caminho adiante, me encontro em uma estrada de pedras meio íngreme que sobe as colinas para as montanhas, meus passos ficam mais pesados conforme subimos, ao virar me deparo com aquela enorme vista; as mais longas árvores por entre toda Munnin, um grande rio pode ser visto a direita, mas está tão pequena que suas águas não passam de um fio de água em minha perspectiva, a esquerda contemplo pequenos vilarejos, tão distantes capazes de serem confundidos com um pequeno pontinho preto no meio de uma tela verde.
— Onde nós estamos? — Paro para tomar um pouco de fôlego depois de tanta subida. Tyr reduz o passo para falar.
— Estamos em meio do caminho para Themas nas montanhas de Ymir. Agora evite falar um pouco garoto e economize o fôlego. O ar é rarefeito aqui.
Apertamos os passos conforme o tempo passa, com o tempo começo a notar um estranho movimento por meio da montanha. Começo a pensar que posso estar sofrendo de alucinações ou algo do tipo, Tyr não parece nem olhar para mim, entretanto, fala em voz alta que são golens de pedra. Como se houvesse um olho atrás da cabeça me observando, sabendo até mesmo o que eu pensava. Faço um leve expressar de surpresa com um tom de dúvida, nunca tinha ouvido falar sobre esses “golens de pedra”. Antes mesmo deu abrir a boca, Tyr parece saber exatamente o que eu ia falar e me explica sobre essas criaturas. Resistentes e perseverantes, o golens de pedra são os grandes protetores dessas terras, assim como os ents buscam proteger a floresta, desprovidos de pouca inteligência, porém providos de tamanha força normalmente os golens não sofrem de ataques normais e magias pouco ofensivas apenas fazem cocegas a essas criaturas. Pergunto como que Themas ainda não foi atacada sem querer por esses guardiões, já que os humanos sempre modificam a natureza para seu próprio bem, Tyr me responde que a muitos anos, o primeiro rei de Themas jurou trazer paz a esse lugar em troca de proteção, os cidadãos de Themas fazem oferendas as golens em troca de sua ajuda. As montanhas parecem traiçoeiras com pouca segurança em suas passagens, Tyr me guia para que eu não caia nos grandes abismos por entre as montanhas, observo que as nuvens tocam o topo das montanhas. Tyr para pôr um momento.
— Ali está, aprendiz de ferreiro. Themas, o reino por entre as montanhas.
Ele aponta para um grande reino, um dos três reinos mais fortes dos homens, a enorme cidade era protegida por uma gigantesca muralha feita de pedra, dizem que Themas foi um presente dado aos anões pela ajuda dos homens na Primeira Guerra, praticamente tudo lá é feito de pedra, tanto os mercados, as casas e sobretudo o palácio. Consigo ver alguns golens próximos a muralha como verdadeiros guardiões das muralhas. Poderosos protetores. Eles nos observam caminhando para Themas. Tyr fala para eu não me preocupar já que os golens sentem o desejo das criaturas que se aproximam e sabem quem pretende invadir Themas para um ataque, e não farão mal algum para nós. Descemos a estrada de pedra até entrar em Themas, as pessoas parecem deprimidas e caídas sem esperança, alguns tenta trabalhar em mercados para ainda ter algum resquício de felicidade com falsos sorrisos.
— Mas o que está acontecendo aqui? — Caminho mais devagar observando cada pessoa.
— A fome, a guerra.... nem todos são soldados, nem todos sabem de fato o que está acontecendo, alguns buscam apenas a paz, outros buscam apenas se alimentar para sobreviver, como pode um reino tão vasto estar dessa forma e o rei nem ao menos faz algo pelo seu povo?
Entramos na taverna leste da cidade, a taverna do “golem adormecido”. Lá havia dezenas de pessoas dos mais variados tipos, alguns bêbados deitados na mesa, outros cantarolando à mercê do vinho e da cerveja, mas um homem me estava deixando curioso. Seus aspectos físicos lembram de um soldado, sua armadura é difícil de ver pois estava bem desgastada com o tempo e inúmeras marcas de batalhas antigas, um outro homem vai em sua mesa e se senta, ambos começam a conversar. Acabo me sentando ao lado e escutando brevemente a sua conversa.
— Bem parece que finalmente estamos livres, não é? — O primeiro soldado meio tremulo pega sua caneca de cerveja.
— Os orcs avançaram na parte norte da fronteira com pequenos grupos de batalha, não estamos livres ainda, em breve eles chegaram...
Ambos os soldados ficam em silêncio, apreciando seu copo de cerveja, neste momento Tyr se senta e coloca na mesa duas canecas, oferecendo uma das canecas para mim.
— Vá por mim, beba.
O gosto é amargo e descia bem devagar por toda garganta, sinto uma sensação ruim que aos poucos se torna gostoso, sinto um relaxamento no corpo, peço mais uma caneca para o dono do bar que confuso olha para Tyr que se mostra um pouco indiferente com isso, ele acena com a cabeça e o dono entrega mais uma caneca, eu a bebo mais rapidamente. Brevemente começo a sentir um bem-estar muito boa vindo daquela bebida e uma alegria muito profunda ao mesmo tempo que sinto uma leve sensação de enjoo, peço mais uma caneca, Tyr me olha um pouco preocupado, entretanto pede mais uma, tento beber rápido, porém meu estômago começa a borbulhar. A servente se aproxima de nós e pergunta se queremos mais alguma coisa, Tyr fala que precisamos de um local para descansar, minha visão fica um pouco embaçada e começo a sentir um grande enjoo vindo do estômago pra garganta. Ele mostra um pequeno saco de moedas para a servente, a mesma acaba nos levando para a parte superior da taverna enquanto ele me carrega apoiando meu braço esquerdo por entre seus ombros, lá era o local onde tinha alguns dormitórios, Tyr fala que ficará no quarto a direita e eu o da esquerda, ao adentrar no quarto ele me deixa no chão sutilmente e sai fechando a porta com cuidado, procuro o balde mais próximo para vomitar toda bebida que ingeri, a tontura não passava mesmo vomitando, deixo minhas coisas no chão e vou para a cama em questão de cinco segundos foram mais que suficientes para cair no sono.
[Tyr – Themas]
Deixo o garoto em seu aposento, completamente bêbado, possivelmente sendo sua primeira vez que toma uma cerveja. Percorro a passos mais largos para fora da taverna, o local parece seguro para o garoto e não me vejo mais com a obrigação de guiá-lo. Saiu de lá observando o movimento da rua, as pessoas estão andando devagar e cabisbaixas, alguns guardas estão próximos de alguns mercadores, de guarda ou patrulhando as ruas. Evito contato direto com eles e vou em direção ao palácio para falar com o rei, as ruas são largas, com o percurso todo feito de pedras, vejo alguns mendigos encostados nas gélidas paredes grossas de pedra de algum estabelecimento local pedindo um pouco de esmola ou comida. Chego ao enorme palácio do rei, seu palácio é revestido com um tipo de pedra enegrecida, de um formato meio circular em cima aparentemente banhado em ouro, algumas pilastras seguravam um enorme teto semelhante à de uma caverna, como se a própria montanha fosse o teto do palácio, perfeito para se proteger de ataques de outras direções. Um dos guardas que está de guarda na entrada do palácio fica de frente a mim mandando eu parar.
— Sou Tyr de Whiteland, protetor da muralha e ranger da noite, tenho uma mensagem para o rei. — Ele manda eu aguardar enquanto passa para um outro guarda anunciar minha chegada ao rei.
Alguns minutos se passam e ele libera meu caminho, os corredores são imensos com tochas espalhadas em ambas as extremidades das paredes, a iluminação e tão vasta que posso enxergar todo corredor de pedras, um tapete com tons escuros decora os corredores com um tecido grosso e quadros de antigos reis estão espalhados pelas paredes iluminadas com uma tinta tão vivida quanto a própria vida. Depois de percorrer três enormes corredores me deparo com uma porta de madeira rústica semelhante ao carvalho, empurro com uma certa dificuldade devido ao peso da porta. Adentro em um enorme salão, enormes pilastras cilíndricas cercam por entre os salões como base para o salão, duas longas mesas de madeira mogno estão repletas de pratos vazios, canecas vazias e velas acessas, um enorme banquete acabará recentemente e os serviçais do rei chegaram a pouco para limpar as mesas. Mais à frente, posso ver um enorme trono de pedra, com pequenos entalhos por volta feitos de madeira escurecida, algumas pedras preciosas de diferentes cores estão entalhadas nas pontas do trono. O rei com suas vestes claras douradas está sentado em seu trono prestando atenção em um velho andarilho maltrapilho de pé em sua frente, suas vestes são simples e uma manta acinzentada cobre suas túnicas, ele segura um grande cajado de madeira como uma bengala para seu corpo cansado e sua enorme barba branca.
— Vossa Majestade, rei dos homens por entre as montanhas. Um mal está vindo, um mal que paira por entre as terras de longínquas e corrompidas juntando forças para novamente começar uma guerra. — O jovem rei logo esboça um sorriso de canto de boca, mexendo levemente seu cabelo loiro como se debochasse daquele homem.
— Não diga tais bobagens velho tolo, a mais de dois mil anos não a um mal por entre estas terras, enquanto a muralha estiver de pé, nenhuma criatura das trevas caminhará por entre Munnin, e se caso esse dia chegar, os elfos estarão próximos prontos para dar fim a tudo, estamos seguros por entre as montanhas.
— Vossa Majestade entenda... — Caminho de maneira atenta e bruta para chegar próximo do trono.
— Rei de Themas, trago-lhe notícias da muralha, saiba que o ancião fala a verdade. — Ao cortar a conversa dos dois, ambos fitam seus olhares a mim.
— Então, o que um ranger da muralha faz tão longe de seu posto?
— Fui mandado pelo comandante Valow para trazer-lhe está mensagem, precisamos do exército das três raças unidas novamente. A guerra está a caminho. — Ao ouvir isso o rei cai em altas gargalhadas, que ecoam por entre todo o salão.
— Primeiro este velho homem adentra meu palácio com tais baboseiras, agora você, um protetor da muralha, tão longe de seu posto, me enchendo de balbucios sem sentidos.
— Estou aqui vossa majestade, pois a muralha não aguentará muito tempo. A muralha está caindo, meu senhor.
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