Ele se ergue lentamente de seu trono, ao ouvir que a muralha estava caindo o rei Belmi fica pálido como a neve, seus olhos azuis fixavam em mim como se eu acabasse de tirar suas esperanças.

— Isso é impossível. Por séculos jamais a muralha sofre se quer um único ataque das terras de Huginn. — Ele parece mentir para si mesmo com a esperança de se esconder numa ilusão.

— Acha mesmo que viria de tão longe para falar mentiras vossa majestade? Estou viajando a pelo menos um mês a pé para pedir sua ajuda. — Vejo suas pernas bambearem como se estivesse acabado de processar a notícia.

Ele se senta novamente em seu trono, coberto de pavor e receio, murmurava reclamações baixas culpando seu falecido pai, achava que se tornasse rei jamais precisaria trabalhar ou fazer quaisquer tarefas que necessitasse de uma liderança de fato. Ele me olha novamente e pede minha ajuda para o manter salvo de qualquer mal que venha. Ao ver essa cena repugnante de um rei tolo e covarde me enfureço tamanho que grito com ele.

— COMO PODE? VOCÊ É O REI DE THEMAS! UM DOS TRÊS REINOS DOS HOMENS.

— Você acha que eu queria isso? ACHA MESMO QUE EU QUERIA SER REI?

— Quer você queira ou não, teu povo precisa de você, as pessoas estão comendo migalhas enquanto você se empantufa neste palácio de comida e vinho. Teu povo está sem esperança lá fora com medo de morrerem, seja de fome ou pela guerra que se aproxima enquanto você está preocupado com o próprio rabo.

— Olha como fala, eu sou o rei!

— Então haja como um rei.

Escutamos um barulho vindo próximo da porta, ao olhar encontramos um pequeno goblin escondido ao lado de uma das mesas de carvalho, ele se assusta ao notar que foi identificado e começa a correr para o corredor principal, puxo rapidamente meu arco e atiro uma flecha que acerta de raspão em sua perna, ele corre mancando enquanto seu sangue escorre por entre os largos corredores do palácio, ao chegar próximo da entrada ele solta um grande assobio que atrai uma rápida revoada de morcegos para dentro, saco minha espada e tento matar o maior número de morcegos que vejo, mas cada vez mais eles entram e batem seus corpos em mim, com pouca visão que tenho vejo o goblin entregando um pequeno pergaminho para um dos morcegos que sai voando para fora do palácio. O velho que estava no grande salão fala algo que não consigo ouvir direito devido o barulho dos morcegos e vejo uma enorme luz alastrar e queimar todos os morcegos que estavam vindo, um por um se tornando apenas poeira em meio ao corredor. Olho para trás e vejo a luz voltar para o cajado que servia de apoio ao velho homem.

— Você é um mago! — Ele se aproxima calmamente de mim.

— Sou Dantul, sou de uma ordem de magos, tão antiga quanto este reino, e tão poderosa quanto os elementos. — Vejo o goblin parcialmente queimado agonizando de dor no chão, ambas as pernas foram totalmente carbonizadas em meio aquela magia. Me aproximo dele e soco seu rosto.

— Responda e eu talvez pense em te ajudar. O que você entregou para aquele morcego? — Ele continua agonizando de dor, mas ao ouvir a pergunta ele dá um leve sorriso.

— É tarde hehe... Lu-rok se aproxima para tomar de volta o que é nosso por direito.

Ele tossiu com força uma última vez antes de enfim morrer, o velho mago olha abismado enquanto pensa no nome que o goblin acabou de citar, ele murmura esse nome várias vezes com um olhar de dúvida em meio a tantas perguntas. O rei anda lentamente para a entrada buscando entender o que tinha acontecido. Vejo medo em seus olhos enquanto observa o pequeno goblin morto em seu palácio e ainda sim consigo me impressionar ao sentir medo no rei por um ser morto.

— E-ele está?

— Sim, ele está morto. — Olho para o mago.— Quem é Lu-rok? — Vejo seu olhar distante, como se lembrasse de tempos antigos.

— Lu-rok, Comandante do exército dos elfos de Huginn. Braço direito daquele que se proclamava Senhor de Moria, Vidar O Rei Mago.

O rei Belmi se treme por inteiro ao ouvir o nome "Vidar". Na muralha ouvimos sobre este nome sendo um grande rei do elfos, tamanho era sua força que diz as lendas que todas as raças, homens; anões; elfos e todas as criaturas de Munnin precisaram se unir para vencer este rei que desejava possuir tudo e escravizar todos. Belmi questiona o mago do porquê o goblin estaria aqui em Themas, o mago por sua vez responde que os goblins são espiões de Lu-rok, pequenos batedores que não só são enviados para matar alvos específicos como recolher informações para o comandante. Estranhamente o mago para de falar e fica brevemente atordoado, ele revela que sente algo muito sombrio em Themas, uma energia antiga, extremamente poderosa, algo como se tivesse despertado de um sono profundo. Me levanto próximo do cadáver e sinto uma sensação muito estranha, meus instintos parecem estar alarmados, me avisando e obrigando a pensar em uma única coisa. Erick.

[Erick – Themas]

Me levanto em meio a escuridão no chão de pedra, não consigo ver absolutamente nada além de uma neblina negra me rodeando, sinto um frio enorme como se o sol não tocasse mais aquele lugar a muitos anos. De repente escuto uma voz ecoando na escuridão.

— En la landoj de morto kie forta batalo jam ne estas, la generaloj de la mastro de Moria maldorma de ili a dormo kaj mallumo revenas por ciuj Moria — Vejo uma silhueta de um homem colocando uma armadura, ouso o barulho de metal da armadura sendo colocada e entrelaçada, sinto uma áurea obscura e medo em volta deste homem.— Mi fifine revenas.

A silhueta parece se virar, como se estivesse me olhando, ele caminha com dificuldade em minha direção pronto para vir pra cima de mim, fecho meus olhos apavorado até ouvir um som familiar, uma porta sendo batida. Acordo totalmente atordoado, alguém está batendo na porta do meu quarto. Me levanto devagar buscando equilíbrio quase caindo novamente na cama, alguém bate mais uma vez com mais força na porta, aviso alto que estou indo e de maneira mais focada possível eu ando até a porta para abri-la. Abro e vejo Tyr com suas coisas, ele me olha sério e pede para eu pegar minhas coisas, quando vou perguntar o que tinha acontecido vejo dois soldados do palácio de Themas escoltando-o, as armaduras dos soldados eram feitas de ouro puro. Depois de prender minha espada no cinto procuro pegar minha mochila o mais rápido possível, porém, ao pegar sinto novamente uma sensação muito estranha, como se algo dentro estivesse murmurando meu nome. Tyr me pergunta se está tudo bem, então falo que sim e relevo isso. Saímos da taverna e todas as pessoas estavam nos observando, me sentia como se estivesse sendo preso ou acusado de algum crime, vejo pessoas comentando de maneira sutil, murmurando nos ouvidos das outras, olho para Tyr que parece levemente aliviado ao me ver.

— O que está acontecendo?

— É uma longa história, mas vai ficar tudo bem, confie em mim.

A cada passo que damos, sinto um frio muito grande na espinha, ouso uma voz sussurrar na minha cabeça algo, mas não consigo entender o que é. Reduzi levemente meus passos e Tyr coloca sua mão em meu ombro buscando com o olhar se estou bem, balanço a cabeça indicando para ele que estou bem e voltamos a andar com mais pressa ao palácio de rei. Ao adentrar no palácio, seus enormes corredores me impressionam, vejo algumas armaduras próximas das tochas feitas com aço de carbono e cobre com entalhes de armas no peito como charme. Uma enorme porta de madeira se abre com um barulho muito alto devido ao peso da porta, vejo o rei em seu trono de olho em mim enquanto caminho para sua direção, ao seu lado para um senhor de muita idade segurando um cajado.

— Sim... é dele que sinto algo. — O ancião parece me observar de baixo para cima.

— Então jovem rapaz, o que traz para Themas? — O rei parece impaciente e nervoso, e fala comigo de seu trono.

— Vossa Majestade, Me chamo Erick de Denavia, meu pequeno vilarejo foi atacado semana passada por um grupo de Orcs...Eles matarem meu pai.

— Denavia. Hm... É de fato um pequeno vilarejo, pois dificilmente ouvi sobre este vilarejo. Então vem em meu reino procurando por abrigo?

— Não senhor vossa majestade, estou em uma missão dada pelo meu falecido pai pouco antes de sua morte, ele me pediu para levar este martelo para o reino de Munnin.

Ao retirar cuidadosamente o martelo de minha mochila, o velho homem fica espantado, ele caminha em passos largos novamente em minha direção e observa atentamente o martelo mais de perto. O rei fica totalmente em silêncio enquanto Tyr fica ao meu lado parcialmente confuso buscando entender o que de fato havia acontecido com aquele ancião.

— Isso é impossível... Como pode ter vindo para essas redondezas? E bem de baixo dos nossos narizes. — Todos olham de maneira curiosa para o senhor, que lentamente se vira para o rei. — Vossa majestade, se este objeto for de fato o que estou pensando, toda Moria pode estar correndo sério perigo.

— Como assim mago? - O rei se levanta de seu trono e olha assustado para o ancião.

— Este, jovem não é um simples martelo, este é o martelo de moria, forjado durante a primeira guerra. Seu dono era ninguém menos que Vidar, O rei mago.

O grande candelabro no centro do grande salão no teto do palácio, se apaga ao falar isso e todos que estavam presentes ficam em completo silêncio. O velho homem revela que a dois mil anos atrás, durante a primeira guerra de Moria, um elfo negro juntou quatro dos melhores ferreiros de cada raça: Baldun O anão; Thorik O elfo; Fareng O homem e Merleck O orc. e os deu o conhecimento da magia elemental e os mostrou a usar seu fulcro magico de maneira ativa, para que guerra cessasse e a paz pudesse retornar para Moria os quatro ferreiros magos se juntaram e criaram a sociedade do aço, uma ordem capaz de forjar as melhores e mais poderosas armas de todo o mundo. Com tamanho conhecimento e capacidade das forjas, os quatros criaram este martelo como forma de trazer não só poder como paz a toda Moria, não só colocando os melhores metais e materiais para se forjar como colocando uma fonte extremamente poderosa de magia no martelo, suas próprias energias vitais e magicas dentro do martelo, entretanto, Vidar de alguma forma roubou o martelo e com seu conhecimento em magia ancestral ele não só aumentou os poderes do martelo com magia antiga, como partiu sua própria alma em duas, colocando assim sua própria alma no martelo. Com tamanho poder Vidar era capaz de derrotar exércitos inteiros com um único ataque e sozinho.

— Não sabemos ao certo até onde vai a extensão do poder do martelo nem o que de fato são as capacidades dele, mas eu suplico jovem Erick, como mago da ordem dos anciões, preciso que me entregue o martelo para levá-lo para minha ordem.

O mago estende a mão querendo o martelo, estendo meu braço para entregar o martelo a ele. A porta é aberta de maneira totalmente agressiva por um soldado que está ofegante anunciando um ataque dos Orcs, escutamos um barulho descomunal vindo de inúmeras trombetas de soldados ao redor do reino. Sem pensar muito guardo rapidamente o martelo em minha mochila, Tyr acena com a cabeça concordando com a minha atitude de não entregar por hora o martelo, o rei Belmi ordena que seus soldados preparem as linhas de defesa enquanto um pequeno grupo de cinco soldados aparece para ficar de guarda e proteger o rei, o mesmo acaba abrindo um compartimento secreto no braço esquerdo de seu trono, puxando sua própria espada cuja lâmina era da mais pura prata, com o cabo banhado no mais puro ouro de Themas, o verdadeiro símbolo deste reino.

— Garoto! Sua espada, prepare-se. Eles estão vindo. — Tyr saca sua espada, me encorajando a fazer o mesmo.