Crônicas de Marrer: As Almas de South
1 Prologo: O passado
Notas iniciais
Lá estava o menino Pyter, sentado sobre as escadas da grande catedral Argertavis, na cidade de Mook ao Leste do país de South. Apoiado sobre sua espada de lâmina fina e com pedras de rubis. Cabisbaixo, ofegante e muito cansado, foi levantando sua cabeça lentamente, revelando em sua visão a enorme Praça da Águia. Suas lágrimas se misturando com seu suor que ficavam mais evidente conforme o sol iluminava sua pele pálida, refletindo em seus olhos castanhos. Seu cabelo ondulado e castanho queimavam por conforme o sol chegava no topo, e o cheiro forte dos cadáveres subiam em seu nariz. Pyter tentava respirar fundo e recompor suas forças para levantar, mas era impossível. A praça estava silenciosa, assim como o resto da cidade, as palmeiras envoltas da praça quebravam o silêncio de vez em quando, junto com o vento que arrastava o cheiro forte para a porta da catedral.
Quando Pyter olhou para frente, percebeu que alguém se aproximava, mas sua visão estava embaça por conta do sol e do cansaço. Ao recuperar sua visão lentamente, era possível ver um garoto moreno com roupa toda de couro e com uma ferida exposta em sua barriga parar em sua frente, Pyter se assustou, tentou se levantar, mas o máximo que conseguiu foi subir mais um degrau, ainda sentado, Pyter, desesperado disse:
-Você está vivo!
A pessoa de pele morena se aproximava de Pyter, chamando-o por “Pyt”. Pyter foi subindo os degraus, com sua espada apontada para o garoto a sua frente.
-Pyt! – Dizia o garoto diversas vezes –Pyter! – falou mais alto.
Com os braços tremendo, sem força para segurar sua espada, que era pesada, ele a largou, se virou e fechou os olhos. O garoto ainda o chamava.
-Pyter sou eu! – Gritou o garoto.
Pyter estava todo encolhido no degrau, ele lentamente foi se ajeitando e abrindo os olhos lentamente, até perceber que não era quem ele pensava.
-Henry! – Disse Pyter aliviado.
-Quem pensaste que fosse?
Pyter olhou a sua volta, parecia procurar algo ou alguém.
-Eu vi Joan Oliver...- Pyter estava suas pupilas dilatadas, assustado, parecia que havia entrado em transe –Ele usava aquela roupa de couro, com o símbolo de sua família, e com a ferida em sua barriga.
-Precisamos ser breve...- Disse Henry o interrompendo e se virando para a praça –Lorde Eduard irá querer satisfações por termos destruído sua cidade.
Pyter, estava com os olhares perdidos, assustado e tremendo. Henry se virou para Pyter e ficou o observando por alguns segundos, até o agarrar pelo braço dizendo:
-Precisamos ir, deixe seu passado com os mortos, Pyter!
-Ele me chamava pelo apelido. – Disse Pyter sendo arrastado pelo braço por Henry.
Henry o ignorou e continuou o arrastando pela praça.
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