Crônicas de Luz e Sombra

24 Segredos compartilhados entre fios vermelhos.


Notas iniciais
Mais um capítulo de nossa história de princesas guerreiras que lutam contra a contaminada rainha negra para salvar o mundo, no último capítulo as princesas finalizaram uma luta dura e triste, com ajuda de Jun o noive de Cecilia que é um príncipe mago e um ótimo cavalariço, elas puderam retornar e descobrir muito do que ocorria naquele mundo. Bem fiquem com mais um capítulo e boa leitura.

Na manhã seguinte a noite mais conturbada do ano a notícia logo se espalhou, na saída da festa de Halloween uma tragédia ocorreu, a pobre garota Ananda estudante da turma primeiro B sofre um acidente, a garota foi atropelada por um motorista alcoolizado e foi socorrida ao hospital geral, porém não resistiu aos ferimentos e veio a falecer. As aulas são suspensas aquele dia e no lugar delas uma cerimônia formal de despedida a garota é feita. Todos comparecem de uniforme com uma fita preta no braço para simbolizar o luto. Muitos choram, pois mesmo não conhecendo muito bem a garota eles ainda eram em sua grande maioria colegas de classe ou mesmo de colégio, ao contrario do que parecia por toda aquela marra, a menina era muito querida por seus colegas, extrovertida e sempre brincalhona com muitos deles, as meninas do clube de ética a qual ela pertencia em sua grande maioria parecem bem tristes e chocadas com o ocorrido, como esperado Lucrécia e Artemísia não comparecem a aula, por estar presas na cidade do outro mundo, sua ausência é atribuída ao choque de perder uma amiga tão próxima, o mesmo é dito de Scarlet a melhor amiga da garota que simplesmente não foi a escola, o que pega Sarah de surpresa.

Sarah e suas companheiras tentam segurar sua frustração e tristeza já que elas estão entre as pouquíssimas pessoas que sabem a verdade, elas estavam lá e não puderam fazer nada pela menina, mesmo sendo sua inimiga o grupo sente-se culpado pelo ocorrido, por não ter podido evitar e por reconhecer que no final Ananda, ou melhor, Cassiopeia lutou como uma verdadeira princesa colorida e morreu fazendo o que era certo. O fúnebre evento segue solene e silencioso, a única coisa que corta o silêncio são os prantos de alunos e professores que não querem acreditar numa tragédia como essa, ao fim da cerimônia as garotas saem do local e vão à sala do clube de astronomia para conversarem sobre tudo que descobriram, no caminho Flora tenta conversar em particular com Thabata.

— Thabi espere um momento eu preciso conversar com você sobre uma coisa antes de nos reunirmos com as outras. — Flora segura o braço Thabata a impedindo de continuar caminhando, mas a mesma olha em seus olhos com um ar de frustração e frieza.

— Falar sobre o que? Sobre ter namorado minha mãe quando eram mais jovens? E por que ela não te reconheceu nenhuma das vezes que você foi à minha casa? — Thabata parece estar indignada com o fato de Flora ter escondido tantas coisas relacionadas à vida das duas.

— Após a morte de Julia e das demais princesas naquele fatídico dia, tudo aquilo acabou sendo demais para a Ângela aceitar, ela estava sofrendo demais com tudo aquilo, ficou claro para mim que ela não aguentaria viver com aquilo, ver sua melhor amiga e demais companheiras morrerem daquele jeito estava acabando com a vida dela, eu tive que abrir mão do que me era mais precioso naquela época, os sentimentos dela ao apagar todas as memorias sobre as princesas, sobre a guerra e sobre mim, para que ela tivesse uma vida feliz ao lado de alguém que pudesse dar a paz que ela merecia. — Flora parece acabada com tudo aquilo, suas lagrimas escorrem por sua face de forma descontrolada.

— Esse poder de apagar memorias foi usado só nela ou em mim também? E quando a relação de vocês acabou anos depois você veio atrás de mim, eu sou o que? Seu premio de consolação? — Thabata parece ficar mais irritada a cada momento.

— Não usei o meu poder em você e nunca ti vi como premio de consolação, minha mãe sentiu o seu poder mágico, assim como o da Nina e da Cecilia, levei as joias a vocês como indicado, eu nem sabia que você era filha da Ângela, eu nem suspeitei, confesso que quando te vi aquela noite notei a semelhança, mas não foi por isso que me apaixonei por você, nós nem nos demos bem quando nos conhecemos... Você sabe que eu não sou esse tipo de pessoa. — Flora tenta se controlar e tenta acalmar Thabata.

— Eu não sei nada sobre você! Primeiro você descobre que eu sou filha de uma antiga princesa e que foi sua namorada e você nem teve a coragem de me contar! Depois ao encontrarmos a Sarah, você percebeu de cara que ela era a filha da Julia sua companheira morta e nem teve a decência de falar a verdade sobre a mãe dela, tem mais o que me da nojo é o que você fez com a Mikaella, a mãe dela foi sua companheira, ela usava a joia que hoje é usada pela Lucrécia, uma de nossas inimigas e por sua culpa, seu plano, ela sobreviveu, mas não suportou a dor de tudo que aconteceu, mas você deixou que ela encarrasse tudo aquilo sozinha, fosse desacreditada pelo mundo ao ponto de ser considerada louca, ela até foi internada numa clinica psiquiátrica e hoje vive de forma catatônica e se você foi capaz de apagar as memorias da minha mãe para que ela suportasse tudo aquilo, por que não apagou as dela também? — Thabata aponta no rosto de Flora enquanto grita com ela.

— Eu não podia interferir eu fui punida por agir com sua mãe, eu não suportaria ver sua mãe definhar como a Vivian, ela não, eu jamais me perdoaria, eu tentei ajudar a Vivian também, mas fui punida pelos elfos por desobedecer à ordem de não interferir com a vida de humanos, eles disseram que sendo princesas ou não as magias élficas nunca devem ser usadas para fins pessoais de humanos, eu fiquei cativa por anos devido a isso, eu juro eu jamais deixaria isso acontecer se dependesse de mim. — Flora tenta se defender enquanto sente seu coração a castigar.

— Serio mesmo? Então se pretendia ajudar por que deixou a filha dela sofrer todos aqueles abusos durante um ano se sabia que a mãe dela não era louca? Já sei não poderia interferir! Sabe? Eu cansei de você e das regras e leis dos elfos, cansei de suas tradições mesquinhas e idiotas, nós não poderíamos ficar juntas mesmo, então é melhor que nossa relação acabe agora, seremos companheiras de batalha como princesas afinal uma guerra vem vindo contra aqueles dois malditos, mas será só isso e quando tudo isso acabar e o mundo estiver salvo novamente eu espero não ver você nunca mais. — Thabata se desprende da mão de Flora violentamente e vai embora para a reunião deixando a elfa em prantos.

Flora esta tão abalada com tudo que ouviu e sem ter o que fazer a respeito, que mal consegue andar em direção à sala ou mesmo tentar impedir que Thabata se vá, ela apenas se apoia na parede a seu lado e tenta conter suas lagrimas e sentimentos. Enquanto isso Thabata entra na sala do clube de astronomia onde as garotas estão reunidas, o silêncio é inquietante e angustiante, a única que parece não se abalar muito com tudo é Airi que nunca foi tão expressiva quanto a sentimentos. Thabata entra na sala e vai para um canto e é observada por Cecilia que percebe que as coisas não estão muito normais para a menina e não se trata apenas da morte de Ananda ou da ameaça iminente. Quando Flora entra na sala sem delongas ela conjura seu cajado magico e abre um portal para o outro mundo seguindo as especificações de sua mãe, ao chegar à cidade as coisas parecem um pouco caóticas, as pessoas estão trancadas em suas casas com medo e existem muitos magos e guardas élficos feridos ou mortos, muito da cidade parece ter sido destruído como se ela estivesse sobre ataque e do centro da cidade ouvisse um enorme estrondo.

No castelo na sala dos prisioneiros um enorme coelho de ferro destrói a parede da cela que abrigava Lucrécia e Artemísia, as garotas se assustam com o ocorrido e ao olhar em meio a escombros e o enorme buraco na parede a grande criatura de carne e ferro se afasta dando passagem para Jack, o conjurador adentrar no recinto.

— O que faz aqui covarde? Veio debochar de nossa ruina ou pretende nos matar enquanto estamos sem nossos anéis? — Lucrécia toma a frente confrontando a figura tranquila mais assustadora do rapaz mascarado a sua frente, enquanto sua irmã assustada se encolhe num canto.

— Por mais que matar vocês ou qualquer outro ser vivo, me de um enorme prazer, concordo que seja um desperdício arrancar suas vidas agora, sem falar que nossa rainha quer vocês de volta, ela perdoa o fracasso de vocês e aceita que retornem para lutar por ela. — Jack joga aos pés das garotas as joias com as pedras ametista e a laranja que pertencia a elas.

— Você e aquela maluca tentaram nos matar e até mataram a Ananda, sem falar que aquela mulher não é nossa mãe, ela pode ter nos criado, mas ela nos descartou aquele dia. Acha mesmo que confiaremos em vocês? — Lucrécia responde irritada enquanto recolhe os anéis no chão.

— Oh! Sem ressentimentos, eu não ia matar vocês só iria tortura-las como punição pelo fracasso, a morte da outra garota foi um acaso ela nos traiu e odiamos traidores. Pensa ter sido descartada, então ao invés de choramingar e apodrecer nesta cela, por que não vem conosco e prova seu valor a rainha, talvez ela volte a te tratar como filha e tudo volta ao normal? — Jack mesmo com a face coberta demonstra malicia no tom da sua voz, mesmo que demonstrando tais sentimentos ainda sim a proposta parece tentadora.

— Irmã vou aceitar, aquela mulher pode não ser nossa mãe, mas se fizermos o que ela manda, quando esse mundo for destruído nós teremos lugar no novo mundo e poderemos governar junto dos vencedores esta terra, venha comigo, vamos mostrar o nosso valor. — Lucrécia parece determinada e estende a mão para a irmã com a joia laranja para lhe entregar.

— Eu não quero estou cansada dessa vida de lutas, não quero morrer numa batalha sem sentido, seja lutando contra aquelas garotas ou contra esse monstro e aquela louca. Acho que você não deveria aceitar também, depois de tudo que fizemos essas pessoas não nos mataram, podemos ficar aqui e seguirmos com nossas vidas sem nos arriscarmos. — Artemísia ainda assustada parece recusar a oferta e tenta impedir que sua irmã aceite também.

— Bem eu não vou te machucar, mas se não quiser vir comigo pode ter certeza que a oferta não será feita novamente, vamos embora deixa essa fracassada ai e pode deixar a joia dela também, sem ela a joia não serve de nada para nós, mas fique sabendo garota se um dia levantar seus punhos contra nós não te pouparei novamente. — Jack fala acenando para a garota e saindo pelo buraco de onde veio.

— Bem irmã é uma pena que sigamos caminhos diferentes, espero que viva sua vida da forma que achar melhor, mesmo que seja aqui nessa prisão. Tome a joia, para que se lembre de quem você já foi de verdade e do que poderia ter sido se não fosse covarde... Sentirei sua falta. — Lucrécia derruba no chão a joia que pertence a Artemísia e vai embora por onde o rapaz seguiu.

Enquanto isso na entrada do castelo uma enorme criatura alada com garras afiadas uma face e dorso feminino, mas com o corpo coberto de uma plumagem negra e vermelha, com vários adornos como dreads adornados de joias vermelhas e peças de ouro, seus dois pares de asas batem forte gerando um poderoso vento em uma de suas mãos uma lança de ouro adornada com joias vermelhas como sangue, ela ataca ferozmente a guarnição élfica que tenta defender o lugar. Muitos soldados tentam atacar com seus arcos e lanças, mas a criatura parece ser resistente aos ataques, mesmo as magias não pareciam surtir muito efeito sobre o grande demônio emplumado. Neste momento destruindo uma parede ao arremessar um soldado élfico contra ela, sai Wicca segurando sua foice e sorrindo diabolicamente.

— Isso mesmo Garuda devore-os com sua fúria, mostre a eles todo o seu poder de um dos generais do submundo. — Sorrindo a garota agita sua foice se preparando para atacar.

— Parada aí fedelha, não pense que vai fazer o que quer em meu castelo, atacando os soldados que estão sobe o meu comando, eu Quain Cho senhora desta casa não permitirei isso. — A madrasta de Jun e rainha deste reino vêm seguindo pelo corredor, desta vez não esta vestida com sua bela túnica, mas armada de batalha, usando um corselete dourado em forma de escamas, um protetor metálico avermelhado segurando os grandes seios, valorizando com a abertura na armadura que deixa também seus ombros amostra, proteções metálicas vermelhas nos antebraços com adornos no final que parecem presas de dragão, braceletes de ouro grossos e resistentes, manoplas de metal solidas e adornadas como garras, um vasto cinturão de couro adornado com presilhas metálicas, um biquíni curto na parte de baixo coberto atrás com uma espécie de tecido grosso com uma flamula de dragão adornada, proteções nas coxas com os mesmos adornos de presas no mesmo aço vermelho, joelheiras de ouro pesadas e pontudas e botas de couro cobertas por uma grande proteção metálica dourada na canela e nos pés, uma gargantilha, preso as costas coberto pelos enormes cabelos negros um grande escudo de metal adornado com presas e com um dragão adornado no centro, outro escudo similar preso a seu bracelete no lado esquerdo. Quain Cho coloca seu elmo de batalha, uma espécie de proteção que cobre a lateral do rosto, o topo da cabeça e possui uma viseira móvel, no alto do elmo chifres similares aos de um dragão apontados para trás.

— Pensei que mulheres peitudas como você só servissem para satisfazer os prazeres de homens da realiza e chorar de medo quando algo ruim como eu acontece, mas vejo que a vadia teve todo trabalho de vestir essa armadura pesada só para encarar a morte, não lhe negarei o que tanto anseia, venha para o abraço gélido de seu destino. — Wicca se prepara para o combate enquanto da uma gargalhada diabólica.

— Pare de latir demônio e lute contra mim! — Quain Cho provoca sua adversaria e parte contra ela.

A batalha se inicia e Wicca não perde tempo e já conjura sua magia em sua grande e assustadora foice e salta rasgando o ar e desferindo um pesado golpe contra a rainha, mas a mesma bloqueia com seu escudo do braço esquerdo e o mesmo parece emanar uma grande e massiva magia.

— Não adianta bloquear meus ataques, uma hora minha foice ceifará sua vida, você com esses escudos nada poderão fazer. — Wicca continua a provocar sua inimiga.

— Você vai entender porque a rainha desta casa é chamada de Dragonesa Impiedosa. — Quain Cho parece sorrir enquanto encara sua oponente.

Quando Wicca menos espera ela é golpeada brutalmente nas costas recebendo um grande impacto e a jogando no chão, quando ela olha para trás percebe que sua adversaria sacudiu o segundo escudo contra a parede e o mesmo ricocheteou em sua direção com violência, logo após o impacto ele foi recolhido através de correntes que são fixas no escudo e que podem se desenrolar por meio de um mecanismo acionado nele.

— A sua ignorância será sua ruina, eu não sou apenas uma nobre sentada num trono para acalentar o rei em noites frias, eu sou uma guerreira desta nação, uma das mais poderosas deste reino e vou te matar. Não temerei uma bruxa como você. — A Dragonesa Impiedosa se prepara para um novo ataque enquanto ameaça sua adversaria de forma imponente, em seguida sua oponente começa a se recompor.

A batalha continua e Quain Cho usa seus escudos para golpear sua oponente, os arremessando ou simplesmente desferindo golpes pesados com ele. Wicca os bloqueia furiosa, fazendo uso de sua foice para aparar os golpes ou mesmo atacar com violência e ímpeto, a luta continua ao mesmo tempo em que a criatura alada massacrar os soldados, porém devido a bravura dos mesmos e a grande quantidade que ainda resistem eles conseguem se equiparar a besta, a luta segue, mas Wicca se enfurece ainda mais com sua incapacidade de matar sua inimiga e decide apelar para suas magias.

— Cristal sombrio que guarda o meu poder eu convoco a fúria dos espíritos famintos alimentem-se de meus inimigos devore! — Wicca usa seu poder para chamar os espíritos famintos e atacar com uma poderosa força magica.

O ataque segue devastador, mas é barrado ao se chocar com os poderosos escudos de Quain Cho que bloqueia o golpe e logo em seguida ataca arremessando os dois escudos frontalmente com eles imbuídos em magia, mas o ataque acaba sendo parado por uma criatura que pula na frente e recebe o golpe sendo destruída, o coelho gigante de aço se sacrifica por ordem de seu mestre para proteger sua companheira, em seguida ele se apresenta ao salão acompanhado de Lucrécia já transformada.

— Vamos embora nossas ordens são de apenas resgatar as garotas. — Jack diz para Wicca recuar.

— Onde esta a outra garota? Nós viemos aqui buscar as duas e não só essa ai, eu fiquei aqui de chamariz e você só tinha que ir buscar elas e nem isso você fez completo? — Wicca questiona irritada sobre a missão de seu parceiro.

— Ela decidiu por ficar e não mais será um problema para nós ou para ninguém, ela desistiu de lutar, vamos embora daqui, antes que mais inimigos decidam aparecer. — Lucrécia responde no lugar de Jack.

— Bem rainha cara de dragão nossa disputa ficará para a próxima, então me de licença... Garuda providencie nossa saída agora! — A criatura se desvencilha dos soldados e vai até sua mestra recolhendo os três e indo embora do castelo voando.

Os elfos tentam acompanhar, mas sem sucesso a criatura voa muito rápido para soldados alcançarem, Quain Cho retira seu elmo e ordena que os sobreviventes cuidem dos feridos e arrumem a bagunça, enquanto isso as meninas chegam ao castelo e encontram tudo destruído e bagunçado, elas rapidamente são recebidas por Quain Cho que já estava no salão e explica as garotas o que estava acontecendo, Sarah então usa seu poder para curar os ferimentos dos soldados ali presentes e eles seguem para sala de guerra onde a reunião começará em breve para tratar desta invasão, as garotas demonstram impaciência enquanto esperam os demais membros da aliança contra a rainha negra. Enquanto isso Sarah vai até uma varanda e fica olhando as montanhas desta terra tão diferente da sua, Erika se aproxima da garota e fica encostada no parapeito da varanda olhando a paisagem com um ar de aborrecimento e duvida.

— Sabe Sarah eu sempre odiei você e quando falaram que você era a rainha branca eu não acreditei? Não é como se existisse um motivo para não acreditar, eu só não queria que fosse verdade, o ódio que eu tenho de você sempre foi à única coisa que móvel a minha vida, eu tenho muito medo que ele desapareça, mas confesso que nunca te disse por que de eu odiar tanto você. — Sarah não esperava que Erika falasse com ela, ainda mais sobre aquilo que ela tanto quis saber e sempre ficou sem resposta, de onde vinha tanto ódio se elas nem se conheciam.

— Eu mentiria se eu dissesse que não quero saber, meu medo é que agora eu não queira essa resposta, mas se partiu de você me falar, diga, afinal eu queria tanto saber sobre como sabe tanto sobre minha mãe. — Sarah fala num tom serio com a garota.

— Não é como se você tivesse feito algo contra mim ou alguma coisa do tipo, mas tudo começou quando nossas mães eram princesas, elas eram melhores amigas, andavam sempre juntas, minha mãe admirava muito a sua mãe, elas estudaram na mesma escola, faziam praticamente tudo juntas, mas um dia sua mãe conheceu seu pai e se afastou da minha mãe, aquele maldito homem arrancou o que era mais precioso na vida de minha mãe, ele levou Julia embora e elas passaram a seguir caminhos diferentes, quando sua mãe não estava lutando ela estava tendo uma vida de casal normal com seu pai sem ele saber de nada, sem saber como ela era importante para o mundo, das coisas incríveis que ela era capaz de fazer. Seu pai não merecia sua mãe! — Erika fica cada vez mais irritada enquanto fala, mas tenta se controlar.

— Se vai ficar falando mal do meu pai, vamos ter um serio problema aqui. — Sarah parece se aborrecer um pouco, nessa hora Sam estava se aproximando e pensou em se meter para proteger sua namorada, mas decidiu ficar apenas observando a conversa.

— Para piorar sua mãe ficou gravida de você e parou de ir às batalhas, ela parecia muito feliz com a gravidez, foi ai que minha mãe teve uma ideia que aproximaria as duas novamente, ela se relacionou com um homem e engravidou para ter coisas incomuns com a Julia, assim elas voltariam a conversar e passar mais tempo juntas, por um tempo funcionou, mas como esperado você nasceu primeiro, sua mãe ficou ainda mais feliz, ela só falava de você e a distancia delas começou a aumentar novamente, pois cuidar de você requeria tempo, mas minha mãe estava calma pois quando a criança que ela esperava nascesse elas voltariam a ter coisas incomuns, foi ai que eu nasci, éramos muito parecidas quando bebês, mesma cor de cabelos, quase os mesmos olhos, aquela foto foi tirada num dos raros momentos que sua mãe teve ao lado da minha, foi quando nos levaram para brincar com outras crianças em uma creche... Minha mãe começou a se desesperar por não conseguir o que esperava e começou a dizer que a culpa de elas não ficarem juntas era minha, que você era a criança perfeita a filha de Julia, a menina maravilha e eu era a decepção que não serviu para nada. Minha mãe chegou a me dizer após alguns anos que tentou me afogar duas vezes, mas que teve pena, pois mesmo eu sendo um fracasso eu ainda lembrava a Sarah. — Erika quase perde o controle nesse momento, mas consegue se acalmar.

Sarah começa a sentir pena da menina, mas ao mesmo tempo raiva da mãe dela e não consegue aceitar que isso tenha gerado tanto ódio contra ela, afinal ela não fez nada para merecer aquele ódio todo.

— Nós crescemos um pouco mais e começamos a ficar mais independentes, mas nunca mais nos vimos, nossas mães voltaram a lutar e foi ai que aquele fatídico dia ocorreu, uma missão na base do inimigo, as garotas acabaram sendo emboscadas, sua mãe optou por recuarem, como ela era a mais poderosa as garotas geralmente a admiravam, mas ela não era a líder e não cabia a ela decidir, as garotas respeitavam muito a Julia, isso aborreceu Flora que optou por não fugir dali, elas estavam tão perto de emboscar a rainha negra só precisavam vencer mais uma horda de demônios e conseguiriam chegar ao salão da rainha, mas ao chegar lá elas se depararam com um grande demônio poderoso conjurado pela rainha negra, seu nome é Lucifera, ele era poderoso demais e estava recebendo apoio dos poderes gigantescos da rainha, mas princesas acabaram sendo derrotadas, quatro delas foram mortas, Talia, Erena, Celia e Mira, essas foram as princesas que deram suas vidas para que as demais pudessem escapar, assim as joias, cinza, laranja, bronze e rubi foram contaminadas e capturadas pelo mal. — Erika já mais calma explica o ocorrido que levou a morte das princesas e posteriormente a morte de Julia mãe de Sarah.

— Então foi assim que elas morreram? Isso levou a criação das arautos Cassiopeia com o cristal de bronze, Chrona com o rubi e Nevoa com o cristal Laranja. — Sarah então compreende como os cristais mágicos foram parar nas mãos dos inimigos.

— Sim, na fuga minha mãe foi ferida e sua mãe voltou para ajuda-la, foi quando o demônio golpeou sua mãe e a princesa Vivian que usava o cristal ametista, sua mãe não resistiu ao golpe e morreu na hora, Vivian ficou ferida, mas sobreviveu, porém seu anel foi perdido e o cristal ametista acabou indo parar com os inimigos. Como sua mãe criou a barreira ela acabou se desfazendo e os danos que foram acarretados ao ambiente permanecessem, destruindo um enorme edifício garagem que ficava na área para onde elas fugiram. O resto nesse caso você já sabe, mas o problema é o que veio depois, minha mãe ficou obcecada com a morte da Julia, depois do ocorrido ela passou a me treinar para fazer por você o que ela não pode fazer por sua mãe, até enviou o meu anel da joia vermelha para seu pai entregar a você, assim quando eu fosse ao seu encontro eu poderia ser sua serva e te guardar para sempre, assim compensando o erro dela do passado. Mas eu não tinha pedido nada disso e não queria essa vida e por isso passei a odiar a pessoa cujo nome eu ouvi a minha infância toda. — Erika chega a grita neste momento o que quase faz Sam ir contra ela para proteger Sarah.

— Mas eu não sabia de nada disso, eu nem cheguei a receber o anel, meu pai o guardou com as coisas da minha mãe, a perda dela foi muito dolorosa para nós, eu achei aquele anel por acidente e nem imaginava o que poderia ocorrer ao usa-lo. — Sarah fala tentando explicar que por mais doloroso que seja o passado de Erika, ainda sim ela não tem culpa e que ela também sofreu por perder a mãe.

— Agora eu sei e mesmo que não consiga me desculpar, eu entendo que tudo que sinto por você é na verdade o que sinto por mim, por nunca ter conseguido mudar a minha vida, ter podido evitar isso, eu não odeio você Sarah, eu me odeio e odeio minha mãe por ter destruído minha vida, mesmo que eu também a admire como guerreira. Eu ainda não quero acreditar que você seja a rainha branca, mas se você for saiba que eu darei a minha vida para te proteger. — Erika termina de falar e sai de cabeça baixa passando por Sam que estava ao lado da porta.

Sam vai até Sarah e a abraça, as garotas ficaram impressionadas com tudo que ouviram, mas isso serviu para fazê-las entender tudo que ocorreu naquela época e que levou as coisas a ficarem como estão agora.

Notas finais
Foi isso pessoal, grandes revelações e muito ainda por vir no arco final desta história que tenho o prazer de contar a vocês, agradeço por todos que estão acompanhando e espero que gostem dos próximos também. Enquanto o capítulo da próxima semana não chega vamos ao nosso saiba mais sobre as personagens. A garota de hoje é Cecilia Aqua: Uma garota delicada e sofisticada com traços suaves e de descendência franca, originalmente era loira como seu pai, mas pintou seu cabelo de azul claro e seu cabelo é liso e geralmente fica amarrado como um rabo de cavalo. Esta sempre bem maquiada e produzida e apesar de sua suavidade possui um gênio forte e egoísta, fisicamente possui um rosto de menina, mas quando produzida parece mais velha mesmo só com seus 16 anos. Cecilia adora Lobélios azuis um tipo de flor pequena de coloração azul, ama se produzir e estar na moda, adora cantar, receber flores e cartões, adora tocar piano, principalmente quando toca com sua mãe, adora tocar violino, sair com rapazes e demonstrações de afeto publico de qualquer espécie, não pode ver casais que fica boba, Cecilia ama sua irmã mais nova e não admite mais adora a trajetória de sua mãe sonhando um dia ser tão famosa quanto, adora filmes românticos e doces da lanchonete sweet strawberries. Bem pessoal é isso, até a próxima semana onde trairei mais um capítulo, continuem dando apoio a minha fic isso é muito importante para mim.