Crônicas de Luz e Sombra

25 A aliança do outro mundo e a ruiva odiosa.


Notas iniciais
Mais um capítulo da historia de Sarah, após os momentos críticos e de mais um embate contra Wicca e Jack, Lucrécia acaba fugindo com sua joia se confirmando como futura inimiga das meninas, uma grande reunião com os lideres dos povos que se unirão para enfrentar a contaminação esta para ocorrer. Boa leitura.

As princesas são levadas até um enorme salão onde a reunião com os lideres dos povos que fazem parte da aliança ira ocorrer, o local é enorme cheio de cadeiras em posições especificas distribuídas em uma disposição circular e cada lugar possui uma marcação que simboliza uma posição relevante à aliança, as garotas entram e encontram a direita do enorme salão vinte duas cadeiras disponibilizadas em dez na frente e doze atrás, cada cadeira tem um símbolo que representa a joia de uma das princesas, as garotas então sentam-se em seus respectivos locais e Sarah senta numa cadeira desocupada ao lado de Sam. Logo a rainha Quain Cho entra na sala sentando na cadeira a esquerda que tem um símbolo que representa a humanidade, em seguida ela anuncia seu filho Jun que entra e acena para Cecilia, que acena de volta e ele logo senta na cadeira que representa o povo dos magos antigos, em seguida é anunciado a rainha dos elfos a bela Nilladriel Vindoron que acena para sua filha que faz cara de aborrecida enquanto a elfa senta em seu respectivo local, ai passam a entrar pessoas que as meninas não conhecem, o primeiro é um senhor idoso de longos cabelos brancos, olhos vermelhos, orelhas pontudas, uma túnica negra, alguns colares de prata e se apoia numa bengala, seu nome é Alastor Hunt e aparentemente ele representa o submundo o que deixa todas as meninas surpresas, em seguida um enorme homem com cabeça de leão, um hibrido homem animal, que anda como homem e veste roupas orientais com proteções de madeira e couro, nada pesado, um chapéu de madeira e palha largo que cobre seu rosto quando o mesmo esta de cabeça baixa, luvas que não interferem em suas garras, botas que também não o fazem, deixando os dedos de fora, ele é apresentado como Todokan o líder da raça mística, velho povo a qual Airi pertence.

— Todos os lideres estão presentes, mas nesta reunião não só os lideres das tribos serão representados, mas também alguns de seus generais que possuem participação importante nessa guerra podem entrar e se apresentarem as meninas.

— Meu nome é Duriel Khrazer, sou líder dos escudos vermelhos uma tropa mercenária independente que luta para proteger o povo elfo, atualmente estamos em aliança com a imperatriz Nilladriel e juramos servir a ela e ao seu povo durante esta guerra, então princesas e rainha branca, nossos escudos estão ao seu lado. — Um jovem elfo de cabelos compridos lisos e negros, o que é raro em elfos comuns, mas bem comum nos elfo do antigo império já quase extintos atualmente, suas roupas são uma túnica marrom com detalhes vermelhos e dourados, sobre ela um peitoral de peça única com alguns detalhes em alto-relevo nas extremidades, ombreiras de metal presas a armadura com tiras de couro e travas metálicas, manoplas de aço vermelho, um cinto de couro com reforços metálicos e proteções para as coxas fixadas na perna por correias de couro, botas de costura dupla reforçadas com placas metálicas e esta sempre carregando uma espada embainhada que o mesmo chama de Durandal e uma outra que usa para as batalhas, para finalizar suas vestimentas um vasto escudo de aço vermelho com detalhes em ouro formando um brasão de louros e uma espada, escudo esse que geralmente é fixado nas costas de sua armadura. O mesmo se curva enquanto se apresenta depois toma seu lugar ao lado da rainha dos elfos.

— Me chamo Kamile Ashiford sou uma espiã da aliança e lidero uma rede de informações neste mundo, atualmente trabalhamos para a aliança e nosso real empregador é o rei Jun. — Uma jovem de cabelos curtos castanhos, olhos verdes, um belíssimo rosto que geralmente esta coberto por um grande lenço, esta trajando um lenço azul, um casaco de couro grosso que vai até a metade de sua coxa fechado por cordões de couro e travas de aço, sandálias de couro com amarras trançadas nas pernas, uma faixa justa em sua coxa que armazena adagas, luvas negras com proteções nos braços e compartimentos para agulhas, um diadema com pequenos chifres vermelhos. Assim como Duriel, ela vai até o centro e se curva diante das meninas se apresenta e senta ao lado de Alastor.

— Naga Stamped. Sou filha do chefe Todokan e segunda em comando da tribo é uma honra lutar ao lado das senhoritas. — Uma grande garota de longos cabelos negros, orelhas de gato saindo dos cabelos volumosos, esta vestindo um casaco de inverno com pelagens nas extremidades, sobre uma blusa justa com decote, um cinturão de couro, uma calça justa de lycra branca e botas marrons com fechos de prata. A garota apenas faz uma leve reverencia e senta ao lado de seu pai.

— Agora que todos estão devidamente apresentados, vamos começar a reunião, só uma coisa, Sarah, você deve sentar-se aqui nesta local. — Quain Cho então aponta para uma cadeira maior como um trono em destaque que fica bem ao centro dos lideres, este local seria da rainha branca. Sarah reluta para ir, mas após incentivo de Sam ela acaba indo. — Agora que estamos todos nos lugares corretos, vamos prosseguir com nossa primeira reunião da aliança com as princesas, com a palavra a rainha dos elfos Nilladriel. — Quain Cho então ao terminar de falar volta ao seu lugar dando à vez a mãe de Flora que se levanta.

— Bem o foco da nossa reunião hoje é que após acharmos a nossa rainha, estamos a um paço de poder confrontar a contaminação, mas para que isso ocorra precisamos localizar as demais princesas ou o poder de nossa rainha não estará completo, sem falar que nosso inimigo parece estar sobre a posse de mais joias do que a que sabíamos. — Fala a elfa que logo é seguida pelo comentário de Duriel.

— Ainda não tive a oportunidade de lutar contra esses novos inimigos, mas sei que um deles controla os generais do inferno, já tive o desprazer de cruzar espadas com alguns deles, confesso que não é nada fácil lutar contra aquelas bestas, me diga Alastor como seus generais vieram parar do lado inimigo? — Com um ar um pouco agressivo e debochado o jovem elfo questiona o rei do submundo.

— Esses jovens insolentes de hoje em dia, criança se não fossemos aliados eu já teria arrancado sua cabeça, mas prometi ao senhor Jun que seria civilizado nesta aliança... Esses jovens de hoje não possuem respeito pelos mais velhos. — Alastor por um momento deixa todos preocupados, mas ao olhar para Jun o mesmo se acalma e parece ficar apenas mal humorado.

— Peço a todos que se comportem e sem afrontas, somos todos aliados, Duriel eu tenho muito apresso por você, sei que os elfos sempre foram inimigos dos seres do submundo, mas estamos aliados contra um inimigo em comum e esta aliança prometeu cooperação total e paz entre os povos de agora em diante, sabemos que o primeiro reino a ser conquistado pela contaminação foi o submundo e que muitos de lá ou perderam suas vidas ou foram corrompidos e hoje trabalham para o mal. — Jun intermédia a discussão acalmando os ânimos o que deixa os outros mais tranquilos e surpreende as meninas e a própria Cecilia o quanto o garoto é maduro para sua idade.

— Bem eu gostaria de ressaltar que a rainha Sarah não parece se sentir adequada a sua atual postura como rainha e isso se deve a sua inexperiência, talvez um treinamento mais adequado com alguém mais experiente do que a filha da rainha dos elfos fosse mais aconselhado. — Fala Quain Cho o que faz Nilladriel olhar torto para ela.

— O dever de treinar as princesas sempre recaiu sobre a princesa verde de cada geração, nesta em questão sou eu e assim tenho feito, nós temos lutado incessantemente contra o inimigo e acredito que tenho plena capacidade de seguir com meu treinamento. — Flora parece bem aborrecida ao retrucar contra o que foi dito.

— Desculpe senhorita Flora pelo que minha madrasta disse, ela foi um pouco indelicada, mas acredito que ela esteja certa, até porque tamanha responsabilidade não se aplica aqui, como a senhorita mesmo disse cabe a princesa verde o treinamento das demais princesas e Sarah na verdade é a rainha. Outra coisa é o ponto que me faz pensar realmente que ela esta certa, um fardo como esse também vem lhe prejudicando, afinal acompanhamos os resultados de suas lutas e sabemos que a senhorita é uma das princesas que ainda não é capaz de assumir a postura da transformação nível dois, a única força capaz de rivalizar com a dos novos inimigos como vimos na ultima batalha. Acredito que a senhorita também deva participar de um treinamento especial, assim como as demais, mesmo que eles não possuam poderes mágicos tão incríveis eles ainda são poderosos o bastante e bem experientes para lhes ensinar o necessário para despertar seus poderes ocultos. — Jun explica sua postura e mesmo sem querer aceitar Flora acaba se calando.

Depois desse momento tenso as discussões seguem mais calmamente e são decididos os mestres para cada princesa, o que deixou Flora ainda mais aborrecida já que quem ficou como sua mestra foi sua mãe a antiga princesa verde, por um momento a reunião quase virou uma discussão terrível, mas Flora se controlou mesmo diante os deboches de sua mãe, em seguida foi decidido que Duriel ensinaria Thabata já que ele é um espadachim o que se enquadra melhor em suas características de combate, Todokan assumiu que seu povo deveria treinar Airi já que mesmo ela sendo uma mestiça ninguém melhor que eles para ensinar ela a usar todo seu poder, sua filha Naga assumiu o treinamento de Erika já que elas são combatentes marciais, Quain Cho ficou responsável pelo treinamento de Nina, como guerreiras elas se compreenderiam melhor, Kamile assumiu o treinamento de Cecilia e Alastor o treinamento de Sam que ficou assustada por ter que treinar com o rei dos demônios.

A reunião segue com a confirmação que outro dos pontos mais importantes seria o treinamento de Sarah que deveria ter um pouco do treinamento de todos os mestres, mas Jun e sua ordem de magos tentaria ensinar o máximo da magia elemental para a jovem, já que seu poder na verdade abrange os vinte e dois elementos que formam a luz, após as decisões tomadas foi traçado um plano de busca pelas princesas que ainda não foram encontradas ou a seus cristas respectivos caso não tenham sido despertados ainda, o que seria uma busca difícil já que eles nem sabiam quantos estavam sobe a posse do inimigo, mas eles possuem um trunfo já que Flora tem em mãos um artefato que consegue rastrear a energia colorida e que pode sentir a luminosidade mágica para auxiliar nas buscas. Para concluir a reunião vem o tópico mais delicado, o julgamento da traidora e inimiga Nevoa que estava ainda na prisão já que foi recapturada sem resistência após a rebelião de mais cedo. A garota entra na sala escoltada por guardas e tem o direito a palavra depois que são descritos seus crimes.

— A jovem Artemísia Wunderwelt que atende pela alcunha de Nevoa, portadora do anel laranja da Neblina, esta sendo julgada por traição a coroa branca e por usar seus poderes em favor da contaminação, a mesma foi recapturada sem resistência após a rebelião que concebeu a fuga de sua irmã Lucrécia Wunderwelt que atende pela alcunha de Nébula e é culpada pelos mesmos crimes. A criminosa ainda partiu consigo levando os cristais roxo e laranja. — Quain Cho relata os fatos decorrentes e após espera a sentença.

— A réu deseja tomar a palavra em sua defesa antes de ser lançado a sentença? — Jun pergunta a garota.

— Eu costumava agir como se soubesse o que estava fazendo, como se fosse superior a todos, até as minhas colegas, me coloquei contra Sarah e as demais por diversas vezes, desejando a morte das mesmas, pois achei ser essa a vontade de minha mãe e consequentemente a minha também. Mas eu estava errada, a família e as lembranças que eu pensava ter, assim como as minhas memórias e até mesmo o que eu pensava ser certo, não passavam de mentiras, eu sou um clone do corpo da rainha negra criada para ser compatível com o anel laranja. Eu não passo de uma mentira e aceito qualquer punição pelos meus pecados, eu apenas quero sair desta guerra que levou a vida da Ananda na minha frente, eu sempre lutei, mas nunca pensei de verdade que veria alguém morrer, eu jamais quis isso e o que disse não é verdade, a minha irmã não levou o cristal laranja ela deixou comigo, ele esta aqui e quero devolve-lo. — Artemísia estende sua mão com a joia laranja sobre ela, os guardas se preparam para resistência, mas a garota não o faz e eles pegam a joia de suas mãos e a entregam a Jun.

— Você alega que teve esta joia em suas mãos esse tempo todo e quer nos devolver, mesmo sabendo que podemos mata-la pelos crimes que cometeu? — Jun questiona a garota por suas ações.

— A morte não é o pior castigo de todos, viver num mundo de mentiras já é dor e sofrimento bem maior que morrer, eu não quero mais lutar por uma mentira, mas não quero ter uma morte dolorosa e cruel nas mãos de alguém desequilibrada como a Wicca. — Artemísia responde enquanto de seus olhos escorrem lagrimas de arrependimento e tristeza.

— Lute por nós Artemísia, sei que nunca fomos amigas, mas isso não nos impede de tentar, podemos fazer um mundo diferente e mostrar que a Ananda não morreu por nada, mesmo vocês estavam lutando pelo que acreditavam, queria o bem para as pessoas que lhe eram queridas, apenas queriam sorri novamente, o sorriso que em algum momento lhes foi tirado tão violentamente, eu também perdi alguém importante para mim nesta guerra, alguém que por muito tempo foi tudo, me ensinou a ser que eu sou hoje, minha mãe me foi tirada muito cedo, não quero mais uma família despedaçada por essa guerra, não quero mais uma vida destruída, lute conosco por um mundo onde você e sua irmã possam ser felizes juntas. — Sarah se intromete na situação concedendo a garota uma segunda chance o que deixa alguns dos presentes irritados ou nervosos.

— Desculpe Sarah eu não posso, eu não sou forte como vocês, eu não posso lutar contra a Nébula, ela é minha irmã, meu coração não suportaria isso, me desculpe por tudo que fiz contra você e suas amigas, eu aceito minha punição eu só quero que isso acabe logo. — Artemísia então responde quase fraquejando na frente de todos.

— Bem já que a nossa rainha quis dar uma segunda chance para nossa prisioneira como sua primeira decisão ao assumir o trono dos tronos, acho que nada mais justo do que deixarmos que ela conduza a sentença da prisioneira. — Jun sorrindo passa o poder de decisão para Sarah o que aborrece os reis, principalmente ao Alastor.

— Eu entendo sua postura de se por contra sua irmã ser impossível, eu também não poderia ir de contra minha família e amigas, logo eu a sentencio a algo pior que a morte, por não ter aceitado lutar ao nosso lado, eu sentencio você a viver, você será conduzida ao nosso mundo, quero que parta da cidade e busque por uma vida melhor, reconstrua sua vida longe das lutas e da dor, quero que busque sua felicidade, isso já vai ser duro suficiente para você. — Sarah da sua sentença o que surpreende a todos e principalmente a Artemísia.

— Sarah obrigada por essa chance... Eu queria dizer a vocês uma coisa, um aviso ao menos, espero que esta informação possa ao menos ajudar vocês, eu não sei quem é a Wicca ela não estava nos planos de nossa rainha, ela nunca foi nossa companheira e acredito que ela não seja a única, eu diria que ao menos mais duas podem surgir, Sarah e meninas tomem cuidado com a minha irmã, eu gostaria que ela vivesse e tivesse uma vida melhor, mas isso não será possível, estejam dispostas a mata-la ou vocês serão derrotadas, ela estava abalada e por isso foi capturada, mas quando ela foi embora daqui ela estava decidida e neste estado ela fará o que for preciso para vencer, até matar uma de vocês se for preciso e acreditem ela pode fazer isso, na nossa ultima batalha Flora ela foi pega de surpresa, mas ela não mostrou nem metade de seu verdadeiro poder. — Artemísia avisa sobre os perigos que esperam pelas meninas.

— Obrigada por suas informações, espero que consiga achar o seu caminho. — Sarah sorri para a menina.

— Só mais uma coisa, tomem cuidado com o Jack, ele nunca removeu sua mascara na nossa frente, ele nunca foi nosso aliado de verdade, mas ele sempre esteve perto de nós, ele sempre esteve à espreita e nunca foi alguém confiável, talvez ele seja a pior das ameaças. — As palavras de Artemísia preocupam as garotas e em seguida ela é conduzida pelos soldados para o local onde será teleportada para sair deste mundo.

A reunião termina e as meninas seguem para o mundo delas, para seguir com suas vidas naquele resto do dia, enquanto isso na mansão dos Drummond Scarlet encontra-se lendo um livro em seu quarto, à garota parece seria e não parece concentrada em sua leitura, ela que deixou de ir à cerimonia de despedida de sua melhor amiga e ficou trancada em seu quarto quase o dia inteiro, tratando mal os empregados que tentavam convence-la a descer e comer alguma coisa, em sua cabeça ela só consegue lembra dos minutos finais de sua amiga, a lembrança do rosto da Ananda com sangue escorrendo de sua boca enquanto ainda surpresa com o golpe traiçoeiro de Wicca olhava fixamente para ela como se tentasse dizer algo, como se tentasse se despedir, aquela lembrança é a única coisa que vem em sua mente, mesmo quando a garota tenta pensar nos grandes momento que teve com sua melhor amiga, essa visão se agarra a sua consciência, a dor vai consumindo seu coração aos poucos.

A garota levanta de sua cama jogando seu livro com força no chão e vai se banhar, entra no banheiro tira suas roupas e vai para abaixo da ducha ligada, a água escorre pelos seus cabelos vermelhos escuros e em seguida pelo seu corpo, sua cabeça baixa, seus olhos fixos em seus pés, ela não consegue livrar sua mente daquela visão, nem seu coração de tanto ódio, de tanta dor, aquilo parece despedaçar sua alma, a garota parece estar perdida numa escuridão profunda. Depois de algum momento ela desliga a ducha e segue para sua banheira entrando e ficando com a cabeça recostada a uma toalha a beira da banheira. Sua consciência perdida vaga na imensidão escura do subconsciente buscando forças para superar a perda, sem perceber a garota passa alguns minutos naquele local, mas se pareceram dias em meio a tanta dor. Ao terminar seu banho Scarlet se troca vestindo um short curto e uma blusa comprida e decide descer para enfim comer alguma coisa, ao chegar à sala de jantar onde estava se dirigindo a cozinha, ela se encontra com sua mãe que estava saindo de sua sala de costura em direção à cozinha.

— Querida fico feliz que tenha decidido sair de seu quarto, eu estava preocupada com você, já que não quis comer nada o dia todo, eu pedi para as empregadas tentarem falar com você, mas me disseram que não quis atende-la, eu estou preocupada, aconteceu alguma coisa? — Fala a mãe de Scarlet forçando seus dedos em suas mãos em sinal de nervosismo.

— Não fale como se fosse da sua conta, minha vida não diz respeito a você e eu não me importo com sua preocupação. — Scarlet é fria e vazia com as palavras que desfere contra sua mãe.

— Não fale isso querida, eu sou sua mãe e estou preocupada com você. — Mais uma vez a mãe dela tenta ser gentil ficando ainda mais nervosa.

— Não ouse falar que é minha mãe, sua mulher fraca e patética, você não passa de uma boneca que só existe para obedecer aos desejos egoístas de meu pai, aquele maldito monstro que acha que pode controlar as pessoas, você nunca teve coragem de fazer nada na sua vida, olha pra isso, só sabe machucar seu corpo como penitencia pela sua fraqueza, você viu tudo que ele fez até hoje e nunca teve coragem de dizer nada, acha mesmo que pode dizer ser minha mãe agora, o mesmo sangue que ele tem nas mãos você também tem sua mulher patética, agora volte para suas agulhas e vá fingir que costura alguma coisa enquanto lamenta sua insignificância. — Scarlet que tinha puxado sua mãe pelo braço revelando suas mãos e dedos todos cheios de marcas de alfinetadas a empurra fazendo com que ela caía sentada no chão.

— Desculpa-me... Desculpa-me... Desculpe-me... — A mãe de Scarlet começa a chorar ainda no chão.

— Para de chorar, para agora, eu não aguento mais ver você chorando, para agora mesmo, sua maldita bruxa, eu odeio você, eu queria que tivesse morrido ao dar a luz a mim, você jamais deveria ter sobrevivido. — Scarlet da um tapa na cara de sua mãe que cai completamente no chão.

Scarlet sobe pega um casaco vermelho com capuz, veste e puxa o capuz para cobrir sua cabeça, fecha ele até em cima e sai com pressa, sendo rápida o suficiente para ver do corredor as empregadas ajudando sua mãe a levantar, enquanto isso ela sai da casa e começa a vagar pelas ruas sem rumo, ela olha para as pessoas em volta e se sente perdida, ela continua andando sem rumo pelas ruas da cidade enquanto vai anoitecendo, ela possui muita raiva em seu coração e em sua face um vazio completo, ela entra em uma boate dos subúrbios baixos da cidade o local esta lotado, a iluminação baixa, o som ensurdecedor, existe muita agitação, pessoas gritando, bebendo, dançando, a garota se sente cada vez mais perdida, ela vai até o bar e pede uma bebida, o barman percebe que ela não possui idade suficiente nem para estar ali, mas mesmo assim da a ela uma bebida, a garota vira o copo e acaba ficando engasgada pigarreando, o que chama atenção de algumas pessoas no local, após isso mesmo sem ela pedir o barman coloca uma segunda dose para ela, a garota não estava tão certa se desejava aquilo, mas sua mente estava muito bagunçada para negar e ela acaba virando a segunda dose que não desce de forma diferente, sua garganta parece queimar, seus olhos parecem arder, ela engasga mais uma vez, aquele gosto forte e travado em sua garganta parece descer rasgando. O barman sorri da garota e a serve uma terceira dose, a garota repete a ação estupida e seu corpo não acostumado com o álcool já demonstra sinais claros de entorpecimento, ela retira dinheiro de seu bolso sem mal reparar se esta pagando a quantia correta agradece e tenta se retirar do local, mas parece tonta e desequilibrada, ela acaba se recostando em uma pilastra perto da pista de dança, sua visão turva e suas pernas parecem fracas, neste momento uma pessoa se aproxima, mas antes que tente falar alguma coisa, alguém toma sua frente e segura à menina pelo braço a tirando de lá.

A garota tenta olhar quem esta lhe puxando pelo braço, mas ela não consegue distinguir muito bem, ela vê por um estante longos cabelos brancos meio prateados, uma garota a segurar seu braço firme e a lhe puxar em direção a saída, neste momento Scarlet quase perdendo a consciência questiona quem é e em seguida chama por Mikaella, mas sem resposta logo em seguida ela perde a consciência. Na manhã seguinte ela acorda ainda desorientada e com muita dor de cabeça, ao olhar em volta percebe que esta em sua casa, em sua própria cama, suas roupas foram trocadas e alguém lhe deu banho, a principio ela se sentiu mal, talvez com sua privacidade invadida, em seguida ela se sente mais segura em perceber que escapou de algo que poderia ser terrível e por fim em sua mente vem à imagem da garota de costas puxando seu braço, que provavelmente teria sido a Mikaella a retira-la daquela situação, ela teria a salvado, Scarlet se sente mais calma e seu coração parece quente por um momento, é então seus olhos se enchem de água. A garota enfim começa a se entregar as lágrimas, ela começa a chorar e a socar a cama com raiva, Scarlet grita de dor em seu coração solitário pela perda de sua preciosa amiga Ananda, seu coração naquele momento foi resgatado das trevas e enfim pode chorar a perda de sua única amiga, a única pessoa que sempre esteve com ela, seus gritos e murmúrios podem ser ouvidos por toda a casa, mas apesar de seu sofrimento o ambiente silencioso da casa parece estar na verdade bem mais calmo do que antes, como se a imensa cortina de trevas tivesse ido embora pela primeira vez.

Notas finais
Um capítulo menos tenso e mais explicativo, porém é apenas o começo de uma jornada que será decisiva para esta história, espero que todos estejam gostando, na próxima semana teremos um capítulo novo, desculpem se hoje não teremos curiosidades sobre os personagens ou informações sobre o capítulo, devido a problemas pessoais estou sem poder fazer um relatório melhor. Mais prometo que isso não afetará em nada a qualidade da história, então até a próxima.