Crônicas da Morte
1 Cidade Ameaçada
Notas iniciais
Hoje, ao acordar, percebi que minha mãe havia saído fazia horas. Tentei me acordar cedo para poder acompanhar minha telenovela preferida. Essa manhã estava chuvosa então resolvi pensar um pouco em tudo que vivi. Preparei um energético para confortar minhas fraquezas e sentei-me na poltrona da sala. Tentava eu conseguir pensar em meu passado, mas a cada dia ele se apagava de minhas memórias. Havia algo que me preocupava mais do que tudo naquele momento. Saber que minha mãe havia saído ao meu adormecer, e não retornastes ao meu acordar.
Decidi sair um pouco de casa, mas antes, reconheci o carro de minha mãe na garagem. Afinal, se ela tinha um carro, por que não saiu com ele?
Peguei a chave do carro na estante da sala, nervoso com o tempo que não passava. Tentei pensar onde ela deveria estar e, como ela deve ter ido a pé, deve estar no supermercado. Estacionei o carro no supermercado mais próximo da nossa casa e entrei como um louco procurando ela. Eu não a encontrava até que ouvi o auto-falante anunciar perigo na cidade. Um bando de traficantes estavam livres do presídio para atormentar os moradores da tão sonhada Constance Ville, a cidade mais calma da Irlanda.
Ao sair as pressas do supermercado, não via mais o carro da minha mãe. Então, tive que ir a pé para casa, mas pelo caminho havia um trilho de trem. Estava eu andando sobre aquelas ferrugens sobre pedras e decidi para um pouco. Sentei-me ao trilho, mas não sabia o que seria meu intuito de estar ali. Talvez de me livrar de problemas como o do carro e do sumiço da minha mãe, ou se estava ali para tentar obter paz de uma situação inusitada.
Estava realmente pensando em ficar ali até vir um trem e passar sobre minha alma entristecida e levá-la embora para o mais longe possível, até que vi luzes sobre o trilho e me levantei para ver o que seria, então ao olhar para frente vi o trem vindo rapidamente em minha direção, mas a unica coisa que eu poderia fazer era esperar ele levar minha vida embora, mas vi que ele estava parando e ouvi gritos dos clandestinos.
O trem parou justamente na minha frente, mas não sabia realmente porque ele fez isso. Se não era esse o meu querer. Mas aceitei e saí de lá tremendo e quase não conseguia andar.
Felizmente havia chegado em casa e por ver portas abertas, vi que minha mãe também havia chegado. Corri para vê-la, ainda me tremendo um pouco pelo susto. Ao abrir a porta da sala, estava lá ela, deitava no chão, com sangue escorrendo de sua cabeça e uma lágrima à cair de seus olhos.
Ao ver não acreditei, até perceber que estava chorando. Não entendia o porque, mas sabia que isso não devia ter acontecido. Fui ao espelho e, por incrível parecer, vi-me na infância ao braços da minha mãe. Bons tempos, que foram vingados ao entardecer daquela maldita manhã.
A vingança nunca me veio a cabeça, pois sempre tive um temperamento normal, mas após isso, queria fazer vingança com minhas próprias mãos, mas não sabia por onde começar, nem por quem.
Fui para meu quarto, precisava pensar, mas a cada vez que lembrava aquela terrível cena, não conseguia mais pensar em nada.
A culpa estava me subindo à cabeça, pois não devia ter ido procurá-la, pois devia confiar no seu coração. Eu havia me preocupado e perdi a verdadeira inspiração de minha vida.
Liguei para uma agência que cuidava de casos ativos e relatei um resumo geral do que havia acontecido. Eles marcaram uma sessão comigo ao fim da tarde, as 17:40. Talvez eu não devesse esperar. Talvez seria mais fácil sem a ajuda deles. Ou talvez não. Então esperei a tarde passar, as horas passavam sobre meus olhos cansados e o relógio movimentava-se de forma simultânea. Apenas fazendo tic, tac, tic, tac... e a cada vez mais ficava cansado e sem vontade de abrir um caso com a polícia. Quando eu estava prestes a desistir, toca a campainha e eu abri. Haviam muitos carros de polícia frente a minha casa. Eles pediram entrar e eu não neguei.
Eles se depararam com o corpo de minha mãe morto no chão da sala e perguntaram mais sobre aquele dia. Eu disse, mas eles desconfiaram. Foram revistar a casa, quarto por quarto, banheiro por banheiro, cômodo por cômodo.
Até encontrarem no tapete de meu quarto uma arma, suja de sangue e foi a arma que matou minha mãe. Então eles perguntaram por que aquela arma estava comigo, mas eu nunca havia pegue naquilo. Então me levaram para a delegacia. Mas ao sair de casa, estavam chegando os agentes que eu havia chamado. Mas se aqueles que vieram antes não eram os agentes, como eles sabiam que alguém havia morrido? Será que alguém viu ela morrer? Será que alguém viu quem a matou? Será que quem matou quer pôr culpa em mim? E por que?
FIM
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