Notas iniciais
Deixem reviews e boa leitura!

–Você é o vampiro mais...mais... diferente que eu já vi — falou Bianca, ofegante enquanto tentava acompanhar a escalada de Rafael — Pode sair no sol sem se queimar, tem esses poderes de demônio e mais alguma coisa oculta aí no meio.

–Muita coisa foi mistificada pelos humanos a respeito dos vampiros através das gerações — respondeu o filho da noite, em pé no topo da íngreme colina, esperando a parceira — Meu único problema é que durante o dia meus poderes se limitam bastante.

–Mas uma pergunta interessante é: POR QUE DIABOS SUBIMOS ESSA COLINA, NÃO TEM MERDA NENHUMA AQUI! — gritou Bianca, chegando ao topo e sentando.

–Realmente, não tem nada aqui, o importante é o que se esconde mais a frente. Com poderes em um nível muito baixo, não vou me arriscar a usar os Olhos e morrer... mas esse modo natural de vampiros morrerem eu não devia ter te falado.

–Não importa, não importa. Agora me diga, o que você está procurando, Rafael?

–Procurando... procurando... aquela casa! — exclamou, apontando para uma casa de madeira bem distante no horizonte.

–Está sugerindo que vamos ter que descer e ainda caminhar até lá... você vai me carregar.

Já era perto do meio dia quando a dupla chegou a um casebre de madeira, parecendo abandonado e em péssimos estados de conservação. Um filete de fumaça saía da chaminé.

O vampiro se recostou numa árvore, respirando rápido. Carregar uma humana com nem metade das forças totais disponíveis, realmente cansa.

–Um pouco de sangue agora cairia muito bem... — reclamou ele.

Bianca apenas deita sobre o amigo um olhar um pouco triste, sentiu uma culpa por esgotar esse ser poderoso. Ela sacode a cabeça para afastar esses pensamentos estranhos, era algo sem sentido, mas pensar dessa forma... o que significava?

–O que foi? ele pergunta.

–O que foi o que? — ela fala, saindo dos seus pensamentos.

–Você me olhava com um olhar estranho... o que está escondendo? — o vampiro fala, inquisidor.

–Não é nada não...

Os dois trocam olhares desconfiados, o sentimento de desconfiança estava sendo mútuo. Rafael se levanta e se dirige à varanda, bate na porta seguidas vezes, ficando cada vez mais nervoso.

–Bruxa maldita, deve estar dormindo e não ficar esperando! — vociferou o vampiro.

–Arrombe a porta oras... — falou a caçadora, com um pouco de ironia na voz.

–Muito fácil que é com menos da metade da força, tenta você então.

Um chute, dois chutes, três chutes.

–Desisto... essa porta de madeira velha tem reforço de chumbo? Merda que não quebra! — Bianca fala, cansada tanto pelo sol forte e quente quanto pela força que fez.

–O nome disso é Barreira, serve muito bem em imóveis e se o bruxo for bom, uma barreira corporal. No corpo do usuário, causa um dano considerável no oponente. — reflete Rafael — O problema é que se você quer algo importante, essa desgraçada tem de tudo. Vamos esperar até a noite, com um pequeno upgrade no meu poder, ponho essa casa inteira abaixo.


* * *

Após uma longa, quente e tediosa tarde, o sol finalmente começa a se pôr. O vento frio da noite é inalado devagar pelo filho das trevas, sentindo todos seus sentidos voltarem ao habitual, a força novamente correndo por seus músculos, a pele empalidecendo, deixando as veias negras mais salientes, os Olhos escarlate acendendo com o poder ao máximo. A fera da noite finalmente acordou.

Bianca ainda cochilava abaixo de uma das grandes árvores que cercavam a pequena propriedade, Rafael saiu do topo da árvore e aterrissou na varanda, concentrou-se em sua marca que imediatamente emanou um brilho como o de seus olhos, e seu punho voou contra a porta, fazendo pedaços de madeira entrar com violência dentro do imóvel.

–Finalmente, pensou que eu desistiria fácil não é? Bruxa presunçosa. — rugiu Rafael.

Ele entra na casa sem fazer muita cerimônia, vasculhou todos os cômodos escuros, tudo vazio e silencioso... armadilha.

Tochas se acendem magicamente, portas e janelas se fecham com o vento forte e repentino. Uma figura trajando um grosso manto negro surge. Um capuz esconde totalmente o rosto do ser.

–Rafael, Rafael. Sempre impaciente. Devia mostrar mais respeito à quem te ajudou. — falou o ser feminino.

–Meu respeito se esgotou quando você resolveu não abrir a porta, sabe que não gosto muito de sol. — rebateu o vampiro.

–Sabe, não vou perguntar por que veio, sei a resposta. Quer um rumo para achar a tal Lâmina de Prata, a espada lendária e idolatrada pela sua raça. Aquela que terminou com as Guerras Mortais, aquela que...

–Esse papo eu já conheço — ele a interrompe — Preciso realmente de um rumo, como encontrá-la e o que preciso fazer depois disso.

–Calma, calma, um passo de cada vez. Não esqueça: apressado come cru.

–E atrasado come frio. Diga o que eu quero saber e você não vê mais nem meu reflexo no seu espelho. — um sorriso nasce no rosto do jovem, rindo próprio trocadilho idiota.

–Então sente-se, por que tem história antes disso — a bruxa aponta para uma mesa (que não estava ali antes, mágicas...) -Vamos conversar um pouco, aceita algo para beber?

–Tem sangue humano?

–Positivo ou negativo?

–Qualquer um, um copo cheio por favor. — uma taça de aço lustroso aparece em cima da mesa, cheia até em cima com o liquido escarlate. — Obrigado. — Ele fala após longos goles.

–A Lâmina foi dividida em 5 partes. Um cabo, 2 guardas, um apoio para o fio e uma peça central que liga as outras partes. Mas não tão simples juntar os pedaços, é preciso do molde de madeira, esculpido pelas unhas do próprio Drácula.

–Onde estão os pedaços?

–Espalhados por aí, você tem sorte, um dos pedaços está preso na cintura da sua parceira dorminhoca. O resto está com outros vampiros, e vampiros muito fortes, com guardiões e magias, eles nunca abririam mão do poder que aquilo libera.

–Tudo bem, entendi. Como os encontro?

–Eu tenho um mapa.

–Faça-me um preço.

–Traga o que eu quero, esse é o preço, vampiro.

–O que eu preciso fazer?