Notas iniciais
Deixem reviews e boa leitura!

P.O.V Rafael:


A lua cheia estava alta no céu, brilhante e imponente. Saí da casa antiga e vi que Bianca ainda dormia. Cheguei perto dela, afastei seu cabelo do rosto, pois quando ela respirava, os fios irritavam seu nariz. Sorri, ela parecia tão inocente, parecia uma criança, era só carregar para a cama.

Vasculhei seu sobretudo, armamento extra contra uma criatura daquela nunca seria demais. Achei 5 municiadores, 40 balas cada um. Levei 2. Armamento mágico de ponta. Logo em seguida, tirei minha jaqueta e a cobri. A noite seria fria e eu não sabia quando voltaria.

Caminhei durante horas na mata densa e escura. Escutei todo tipo de barulho imaginável, olhei para todos os cantos, até mesmo os mais inimagináveis. Nada e nada dessa criatura. Pulei para o topo de uma árvore, à uns 500 metros havia uma estrada de chão, se eu a seguisse, seria melhor, pois teria um lugar para recomeçar.

Inspirei longamente o ar frio da noite. Nenhum cheiro. Lugar totalmente inodoro. Isso não era bom sinal.

Alguma coisa passa nos meus pés e me derruba, caio de costas. Me levanto rapidamente e uma longa olhada aos arredores, nada. Ele está aqui, posso sentir. Puxo a faca de prata, reluzente à luz natural.

–Não se acanhe, você e eu somos criaturas malditas. Revele-se! – rugi.

Recebo grunhidos em resposta.

–Vamos, vamos, vamos nos enfrentar como merecemos. Como demônios!

As árvores balançam e ele se revela. Um homem trajando um belo terno, tinha pelo menos 2 metros de altura e membros muito compridos. Possuía uma cabeça sem rosto e sem cabelos... Slender Man. A lenda.

–Finalmente apareceu... Você parece bem mais feio pessoalmente – cuspi – Tem todos esses membros grandes e não tem uma ‘’Slender Woman’’, respondido o por que de tantas mãos. – soltei uma longa e sinistra gargalhada.

Quatro braços a mais estouram das costas da criatura... ele não gostou do insulto.

O Slender Man atacou com toda sua fúria, todos os membros e todos juntos vindo com toda velocidade contra mim. Consegui cortar 3 e me esquivar do resto. Foi uma idéia ruim, pois quando se cortava, nasciam mais dois no lugar. De 6 passou para 9. Uma Hydra moderna.

Puxei a pistola do cinto e atirei sem parar. Ele absorveu as balas e todas as feridas se fecharam. Ia dar trabalho essa criatura.


* * *

Não havia mais o que fazer. Usei todos os meus golpes mais fortes, todo tipo de técnica, tentei até mesmo beber seu sangue, mas, quando o mordi e tentei sugar, senti como se ar estivesse entrando em mim. Apenas um municiador disponível na carga máxima. As horas de sol já estavam se aproximando, eu tinha pouco tempo.

Cambaleei até um córrego, minha camiseta preta estava com 3 cortes e meu sangue negro vertia sem parar. Caí na água fria, praticamente inerte. Dava para escutar os passos do homem, velozes e incansáveis.

–Não é seu fim, pelo menos não ainda. – disse uma voz familiar vindo de perto.

Fui me virando lentamente. Havia alguém numa saliência de rocha. Um jovem de cabelos brancos e olhos vermelhos estava sentado em uma mesa de chá, bebendo uma longa xícara.

–Não se preocupe, o tempo está parado. Temos muito que discutir – ele continuou e realmente, tudo estava parado, a água do córrego parecia uma poça, alguns animais curiosos também estavam em total inércia. Até mesmo dois braços do Slender podia se ver saindo das árvores, totalmente imóveis.

–O que você quer? – falei, com a respiração entrecortada.

–Que você deixe ser burro. Eu lhe dei uma das marcas mais poderosas conhecidas pela bruxaria e vampirismo, e não usa.

–Esse Pentagrama de nada adianta.

–Adianta sim, como lhe disse há tempos atrás. ‘’O poder, os olhos, a chave, o mapa e o futuro.’’ Você domina os olhos com perfeição e agora precisa do poder! É tão simples de usar, veja o que eu fiz, parei o tempo, tudo isso está ao seu alcance.

–Como... eu... uso? – tentando fazer o ar voltar aos meus pulmões malditos, preciso de sangue para me curar.

–Da mesma forma que explodiu aquela casa de madeira junto com todos aqueles cadáveres, é um puro exercício de concentração. – falou o jovem, cinicamente.

Dessa vez não respondi.

–Por favor, vai morrer sem cumprir sua missão? Não, não – então o garoto de olhos vermelhos corre até o vampiro caído, puxa as mangas de seu terno, mostrando símbolos, tatuados em cores diferentes. – Runas, sempre muito úteis. Poder, sabedoria, envenenamento... aqui está você, cura. – ele pressiona a marca grafada em azul claro – ‘’Pelos antigos, pelos vampiros, pela raça milenar que corre por esse mundo, pelo sangue que brota nas veias dos humanos. Por tudo que é sagrado em nosso Submundo, pela Mãe Lua, guia de nossas caçadas, eu ordeno que a alma desse ser retorne à esse corpo. Em meu nome, Ethel, eu selo novamente a alma maldita nesse corpo.’’ – com essas palavras, meus olhos se abrem. Sinto minha força totalmente renovada. Rafael está de volta.

–Nossa, o mundo dos mortos é... é... mortal, realmente. – falei, um pouco aturdido.

–Muito bem, está firme, está forte, agora mate esse bicho... te vejo por aí, vampirão – disse Ethel, acenando e sumindo. Logo em seguida, o tempo voltou ao normal.

Ele veio com toda força, o Slender me atacou novamente com todos os braços. Desviei de todos, corri em sua direção. Pulei contra seu peito e derrubando-o, cravei a faca bem no meio da testa dele e usando o poder do Pentagrama, pus a arma ainda mais fundo, fazendo o cabo desaparecer no monstro.

Mais uma técnica, fiz com que a arma emitisse energia, como uma bomba. Um estouro e todos os pedaços da cabeça do Slender Man voam para todo lado.

Eu já me virava, cantando vitória. A faca estava intacta. Não, ainda não havia acabado.

Fui agarrado brutalmente pelos pés e levado até o céfalo da criatura, já totalmente inteiro. Maldito que não morre!

Ele emite grunhidos, como se fossem xingamentos e um rugido fraco. Dei um soco nele, seria um nocaute perfeito, se acertá-lo fosse como atingir borracha. Eu estava me desesperando, perdendo o controle...

‘’Um puro exercício de concentração’’, a voz de Ethel se repetiu na minha cabeça. Meu braço direito inflamou-se com chamas negro-escarlate, uma espécie de tatuagem tribal ia saindo do pentagrama e se alastrando por todo meu membro.

Agora, usei meu braço maldito para segura-lo com força ainda na cabeça. Senti como se ferro quente atravessa-se minha mão e marcasse a testa da criatura. Fumaça exalava.

Slender Man me larga, um pentagrama negro tatuado na sua testa está bem marcado, ele volta ao seu estado normal e me encara com a expressão, literalmente, vazia.

–Mes...tre... – ele grunhe.

Me levanto, ainda tonto, novo poder: Possessão.

–Poder que permite controlar qualquer criatura. Não funciona contra magias de proteção invocadas por dois ou mais bruxos. – falei, vendo que com o novo poder, vem o conhecimento ao seu respeito. – Muito bem, vamos cãozinho, você terá uma nova dona.

Disparo em direção a casa da bruxa, usando minha velocidade vampiresca cheguei em menos de 5 minutos. O monstro cheio de braços seguia meus passos, praticamente ao meu encalço. Bianca estava na varando, andando de um lado para o outro, visivelmente nervosa.

–Você está louco em sair... – ela para e encara o Slender – Onde conseguiu esse bicho?

–Essa é minha nova aquisição, caçá-lo, dar a bruxa e levar o mapa para os outros pedaços da lâmina.

–Além de ser uma adrenalina capturá-lo... belos arranhões nessa sua camiseta. Devia ter me acordado! – ela esbraveja e me da um tapa dolorido no ombro.

–Não importa, agora quero meu mapa e damos ô fora daqui. – Bato na porta do casebre com toda minha força, duro como pedra. – Bruxa maldita! Abra isso!

A porta se abre lentamente com um rangido.

–Entrem... entrem... – diz uma voz de dentro dos cômodos, parecia uma voz de criança.

Entramos com o Slender e tudo na casinha. A porta se fecha, as tochas se acendem nas paredes e uma mesa de madeira aparece, com duas cadeiras de um lado e uma do outro.

–Sentem-se... sentem-se meus jovens... – a voz fala novamente. Obedecemos.

A figura com capuz novamente aparece, agora em uma túnica longa e adornada, uma roupa para rituais. O capuz é removido, revelando um rosto delicado de uma menina de 13 anos, cabelos negros, encaracolados nas pontas e olhos castanhos bem escuros.

–É um belo espécime que me trouxe, o primeiro a conseguir – ela começou – e como prometido, aqui está seu mapa. – ela abra a túnica e atira um pergaminho antigo. Eu o pego e abro, um mapa. – Agora vá e não me perturbe mais.

–Espera, onde eu encontro o Molde? – perguntei.

–É uma pena que você não tenha incluído o Molde junto com o mapa, eu o tenho. Mas o preço é caro. – ela responde, inocentemente.

–Não interessa, eu o quero agora! Não fui parar no Mundo dos Mortos em vão! – rugi.

–Não fique nervosinho, o que Ethel está fazendo por você é bem raro. Ele é esperto, tome cuidado. Em fim, não vou te dar o Molde.

Olhei para o Slender Man, ainda ali parado com o grande pentagrama na testa, eu ainda podia comandá-lo.

–Slender... mate-a e procure a cruz de madeira! – dei a ordem.

Foi até divertido ver essa pequena sala virar um campo de batalha, em poucos minutos a Bruxa estava subjugada e o Molde estava na minha mão.

–Foi bom fazer negócio com você, até... – falei, já indo em direção à porta – Ah! Antes que eu me esqueça ‘’Pelo poder da marca maldita eu libero a criatura de meus domínios’’. Pronto Slender, divirta-se com a bruxa. – a marca some da criatura e eu saio, batendo a porta com força.

Já se podia ver o céu tomar um brilho arroxeado, anunciando a vinda do sol. Mal saímos casa e Bianca para na minha frente e me olha, inquiridora.

–Quem é Ethel? E que história é essa de ‘’libertar a criatura dos meus domínios’’? – ela dispara.

–Não vou parar para de contar, vamos andando e você vai saber tudo, nosso novo destino agora está traçado.

Começamos a andar em direção à estrada de chão onde antes parei.

Deixamos a casa, antes silenciosa, agora perturbada pelos gritos infantis de terror.