Crônicas Do Olimpo - A Batalha Do Labirinto

17 Talk Show da Morte! De Volta ao Labirinto...


Nico e eu estávamos bem de novo, isso fazia eu me sentir melhor se não fosse pelo fato de que ao amanhecer, nós estaríamos novamente no labirinto.

Assim que o sol surgiu, Hansel, Jake e Tyler já estavam acordados, Hansel estava chateado, eu sabia o motivo. Hoje mesmo sendo impossível, era treze de junho, o que significava que faziam sete dias desde que adentramos no labirinto. O prazo final de Hansel era hoje, e ele tinha perdido completamente as esperanças, Jake estava tentando faze-lo se sentir melhor, o que já era mais uma impossibilidade, digo... Jake sendo gentil.

Depois de comermos, nós andamos até a guarda de gado e dissemos adeus.

- Nico... — chamei. — Você poderia vir com a gente.

Ele suspirou e passou a mão pelo cabelo.

- Não sei Megan. — disse ele, pelo seu tom, realmente não estava mais zangado comigo, apenas confuso. — Ainda tenho muito que pensar, mas eu prometo. Na próxima vez que nos virmos, estarei vivo.

Bufei.

- Como se eu me importasse com isso. — falei, ele franziu as sobrancelhas. — De que adianta estar vivo, se você não estiver bem?

Ele sorriu.

- Me lembrarei disso.

Acho que estava pensando sobre meu sonho, e como o jovem menino Perdiz me lembrava Nico. Eu não acredito que alguém tenha dormido bem na casa do demônio do rancho, mas Nico parecia pior que os outros. Seus olhos estavam vermelhos e seu rosto pálido. Ele estava embrulhado em um roupão preto que devia ter pertencido a Geríon, pois era três vezes maior mesmo para um homem adulto.

- Nico... — falei tocando seu ombro. — Bianca quer que você fique bem, se agarre as palavras delas, tá legal? Mesmo quando uma pessoa morre, se ela for importante para a gente, sempre sobre um pedaço dela em nós.

Jake me olhou estranhamente.

- Megan esta... dizendo uma coisa sábia. — disse ele, depois estremeceu. — É o dia mais estranho da minha vida...

Ignorei ele, mas apenas revirei os olhos. Nico riu.

- Obrigada por se preocupar, Megan. — disse ele. — Mas eu estarei bem. E... Tente ficar viva, tá? Quer dizer... Sabe aonde esta indo?

- Quando se esta no labirinto... — interrompeu Eurítion. — Nunca se saber aonde esta indo.

Nico de repente ficou muito interessado no gramado.

- Você não ajudou muito... — ouvi Jake murmurar para o vaqueiro.

- Só avisando. — disse Eurítion.

- Nós sabemos. — falei, me voltei para Nico. — Nós veremos de novo.

Ele assentiu, e sem dizer mais nada, ele saiu em direção à casa da fazenda. Podia ser minha imaginação, mas a névoa da manhã parecia se apegar a ele conforme ele andava.

– Ele ficará bem – Eurítion prometeu. O vaqueiro tinha se limpado bem. Ele estava usando uma calça jeans nova e uma camiseta Western limpa e ele tinha até aparado a barba. Ele estava usando as botas de Geríon. – O menino pode ficar aqui e organizar seus pensamentos pelo tempo que precisar. Ele estará seguro, eu prometo.

- E você? — perguntei.

- Vai ficar legal? — completou Jake.

Eurítion coçou sob um dos queixos de Ortro, então sob o outro.

– As coisas vão andar um pouco diferente aqui no rancho de agora em diante. Sem mais carne de gado sagrado. Eu estou pensando em empadas de soja. E eu vou ajudar esses cavalos carnívoros. Talvez eu pudesse me inscrever no próximo rodeio.

Essa ideia me fez estremecer.

- Talvez seja legal... — disse Jake.

- Bem... Boa sorte. — acrescentei.

Eurítion estreitou os olhos.

- Como filho do deus da guerra, eu não deveria dizer algo assim mas... — ele hesitou. — É muito fofo como vocês terminam as frases um do outro.

Essa frase na voz grossa dele saiu estranha, eu estava tão vermelha que poderia se camuflar com uma das vacas do gado vermelho de Apolo.

- É... — gaguejou Jake. — Nós vamos indo...

– É. – Eurítion cuspiu na grama. – Creio que vocês vão procurar a oficina de Dédalo agora?

Um brilho surgiu no olhar de Jake.

- Você sabe onde fica?

Eurítion estudou o gado, e percebi que o assunto da oficina de Dédalo o deixou desconfortável.

– Eu não sei onde fica, mas Hefesto provavelmente sabe.

- Hera disse algo como isso. — disse Jake. — Mas como vamos achar Hefesto?

Eurítion puxou algo de debaixo do colarinho da camisa. Era um colar – um disco prateado liso em uma corrente prateada. O disco tinha uma depressão no meio, como uma impressão digital do polegar. Ele entregou a Jake.

– Hefesto vem aqui de tempos em tempos – Eurítion disse. – Estuda os animais e tal para poder fazer cópias autômatos de bronze. Vez passada, eu, hum, fiz um favor a ele. Uma pequena peça que ele queria aplicar em meu pai, Ares, e Afrodite. Ele me deu essa corrente em gratidão. Disse que se eu alguma vez precisasse achá-lo, o disco me conduziria às forjas dele. Mas só uma vez.

– E você está dando para mim? – disse Jake. — Por que?

Eurítion ruborizou.

– Eu não preciso ver as forjas, irmãozinho. Tenho o bastante para fazer aqui. Apenas aperte o botão e você estará no caminho.

Ele apertou o botão e o disco pareceu ganhar vida. Surgiram oito pernas metálicas. Uma aranha de metal. Jake pulou quando a aranha voou da sua mão.

- Como isso é possível? — perguntou ele.

- Já deveria estar acostumado... — falei. — Obrigada, Eurítion.

- Ah, melhor irmos logo. — disse Jake. — Acho que aquela coisa não vai esperar por nós.

Jake me puxou pelo braço. Nós dissemos adeus a Eurítion, Tyler tirou a guarda de gado de cima do buraco, e nós pulamos de volta ao labirinto.

Eu desejava ter posto a aranha numa coleira. Ela correu pelos túneis tão rápido, que na maior parte do tempo eu não pude nem mesmo vê-la. Se não fosse pela audição excelente de Tyler e Hansel, nós nunca teríamos sabido pra onde ela estava indo.

Nós descemos correndo por um túnel de mármore, então nos arremessamos para a esquerda e quase caímos em um abismo. Hansel me agarrou e me puxou pra trás antes que eu pudesse cair.

O túnel continuou à nossa frente, mas não havia chão por uns trinta metros, só a escuridão escancarada e uma série de hastes de ferro pendiam do teto. A aranha mecânica estava a meio caminho, balançando de barra em barra atirando teias de metal.

- Barras. — disse Jake. — Nisso sou bom...

Ele saltou sobre a primeira barra e começou a se balançar de um lado pro outro como se fosse um macaco, chegou do lado oposto e correu atrás da aranha. Eu o segui. Quando atravessei, olhei para trás e vi Tyler carregando Hansel nas costas. O grandão fez o percurso em três balanços, o que foi uma coisa boa já que, no momento que ele pousou, a última barra quebrou com o seu peso.

Nós continuamos a nos mover e passamos por um esqueleto amassado no túnel. Ele usava os restos de uma camisa, calças compridas, e uma gravata. A aranha não diminuiu a velocidade. Eu deslizei numa pilha de fragmentos de madeira, mas quando os iluminei percebi que eram lápis – centenas deles, todos quebrados pela metade.

O túnel se abriu para uma grande sala. Uma luz ardente nos atingiu. Quando meus olhos se ajustaram, a primeira coisa que notei foram os esqueletos. Dúzias cobriam o chão ao nosso redor. Era uma coisa macabra...

Alguns eram antigos e esbranquiçados. Outros eram mais recentes, mais inteiros. Eles não cheiravam tão mal quanto os estábulos de Geríon, mas chegavam perto. Então eu vi o monstro. Ela se levantou de um estrado resplandecente no lado oposto da sala. Ela tinha o corpo de um grande leão e a cabeça de uma mulher. Ela teria sido bonita, mas o cabelo dela estava amarrado para trás em um coque apertado e ela usava muita maquiagem, tanto que ela me lembrava minha professora de coro do terceiro ano.

Ela tinha um distintivo azul fixado no tórax que me levou um momento para ler.

MONSTRO EXEMPLAR!

Tyler choramingou ao meu lado.

- Esfinge...

Eu sabia exatamente porque ele estava assustado. Quando ele era pequeno, Tyler foi atacado pelas patas de uma Esfinge e desapareceu.

Jake foi na frente, , mas a esfinge rugiu, mostrava os caninos no seu de outra forma rosto humano. Barras caíram sobre ambas as saídas do túnel, atrás de nós e à frente. Imediatamente o rugido do mostro se transformou em um sorriso radiante.

– Bem vindos, sortudos concorrentes! – ela anunciou. – Se preparem para jogar... RESPONDA AO ENIGMA!

Aplausos ensaiados soaram do teto, como se houvesse alto-falantes invisíveis. Refletores brotaram ao redor do quarto e refletiram o estrado, jogando todo o resplendor da discoteca em cima dos esqueletos no chão.

- Mas que droga é essa? — perguntou Jake. — Ah... Certo, é o seguinte, senhora monstro, nós estamos com um pouco de pressa e precisamos passar.

- Responda as perguntas ou eu te comerei e limparei minhas presas com seus ossos. — ameaçou ela, transformando sua macabra ameaçada mais ameaçadora com aquele sorriso.

— Acho a primeira opção bem mais agradável. — comentei.

– Prêmios fabulosos! – falou a Esfinge. – Passe no teste, e poderá avançar! Falhe, e eu te comerei! Quem vai ser o nosso participante?

- Eu vou. — disse Jake.

Ele pisou adiante e avançou para o pódio do competidor, que tinha arqueado sobre ele um esqueleto em uniforme escolar. Ele tirou o esqueleto do caminho, e ele caiu ruidosamente no chão.

- Ah... Foi mal ai. — disse Jake para o esqueleto.

- Seja bem-vindo! Jake Turner. — o monstro falou, embora Jake não tenha dito seu nome. – Você está pronto para o seu teste?

- Eu acho que sim, tenho escolha?

- Não! — rosnou ela.

- Tá, vamos logo com isso. — suspirou Jake.

- São vinte enigmas no total! — disse a Esfinge. — Para passar você tem que mostrar conhecimento em todos os vinte. Isso não é ótimo?

Jake pareceu preocupado, mas seu orgulho não o deixou admitir isso.

- Certo, estou pronto. — disse ele.

Os tambores tocaram acima. Os olhos da esfinge brilharam de excitação.

– Qual é a capital da Bulgária?

Jake franziu o cenho. Por um terrível momento, eu pensei que ele estava empacado.

– Sofia – ele disse, – Eu acho...

– Correto! – Mais aplausos ensaiados. A Esfinge sorriu tão selvagemente que seus caninos apareceram. – Por favor, não se esqueça de marcar sua resposta claramente na sua folha de teste com um lápis preto número dois.

- Ah? — Jake parecia confuso, Então uma folha de teste apareceu no pódio à sua frente junto com um lápis afiado.

– Preste atenção na bola que você assinalar e fique dentro do círculo – a esfinge disse. – Se você tiver que apagar, apague completamente ou a máquina não vai conseguir ler as suas respostas.

- Maquina? — repetiu Jake. — Que maquina?!

A esfinge apontou com sua pata. Em cima do refletor estava uma caixa de bronze com um monte de engrenagens e alavancas e uma grande letra H na lateral, a marca de Hefesto.

- Agora a segunda questão, qual é a raiz quadrada de dezesseis?

- Quatro, mas... Espere um segundo...

– Correto! Qual presidente dos Estados Unidos assinou a Proclamação de Emancipação?

- Eu... Eu... — ele franziu a testa confuso, então ele se irritou. — Eu sei lá! Tenho cara de filho de Atena ou algo assim?

- Jake... — alertou Hansel.

Os refletores resplandeceram. Os olhos da esfinge faiscaram puro preto.

- Então isso significa... Que você falhou, meu querido. — disse ela. — E como nós não permitimos que crianças fiquem para trás você será DEVORADO!

A Esfinge expôs suas presas, que brilhavam como aço inoxidável. Ela pulou para o pódio.

- Não! — gritei sacando minha espada e me colocando na frente de Jake, eu não tinha tempo para me defender, então Tyler entrou na minha frente.

Eu não pude acreditar que ele estava sendo tão valente, especialmente quando ele teve uma experiência tão ruim com uma esfinge antes.

Ele agarrou a esfinge no ar e eles colidiram de lado com uma pilha de ossos. Isso deu tempo para Jake sacar seu sabre. Tyler se ergueu, sua camiseta em frangalhos. A Esfinge rosnou, procurando por uma abertura.

- Megan! Fique atrás de mim! — Jake gritou.

- Não! — exclamei de volta.

Então ele me empurrou e se colocou na minha frente sem discussão. A Esfinge empurrou Tyler para o lado e investiu em nós. Hansel a cutucou no olho com o osso da perna de alguém. Ela guinchou de dor. O monstro veio para cima de nós, Jake defendeu.

Jake ia dar o golpe no monstro com seu sabre, mas Tyler arrancou a maquina do monstro do chão e a jogou na cabeça da Esfinge, acabando com seu penteado. A máquina caiu aos pedaços em volta dela.

– Minha máquina classificadora! – ela chorou. – Eu não posso ser exemplar sem a pontuação do meu teste!

As barras se ergueram nas saídas. Tyler e Grover estavam esperando por nós.

- Megan, vá! — gritou Jake. — Eu vou ficar...

- Não vem com esse papo clichê, Cabeça de Javali. — falei. — Não vou deixar você para trás.

Eu ataquei a Esfinge com Anaklusmos, ela recuou, puxei Jake pelo braço e juntos corremos na direção das barras. Todos nós saímos para o túnel distante.

A esfinge começou a nos seguir, mas Hansel pegou sua flauta e começou a tocar. De repente os lápis se lembraram que eles costumavam ser partes de árvores. Eles se enroscaram nas patas da Esfinge, raízes e folhas cresceram e começaram a se prender ao redor das pernas do monstro. A Esfinge os rasgou, mais isso nos deu tempo suficiente.

Minha mente estava a mil como sempre que a adrenalina me corre nas veias. Tyler puxou Hansel para o túnel, e as barras bateram se fechando atrás de nós.

Jake tropeçou e caiu no caminho, voltei para ajuda-lo.

- Jake! — chamei.

Ele já havia se levantado.

- Estou bem, apenas continue se movendo!

Nós corremos pelos túneis escuros, ouvindo o rugido da Esfinge atrás de nós conforme ela reclamava dos testes que ela teria que corrigir a mão.

Por um momento de pânico eu achei que tínhamos perdido a aranha até que Tyler ouviu um fraco barulho de cliques.

Nós fizemos algumas curvas, recuamos algumas vezes, e finalmente encontramos a aranha batendo a sua pequena cabeça numa porta de metal.

A porta parecia um daqueles antigos alçapões de submarinos – oval, cheia de rebites de metal nas beiradas e uma argola como maçaneta. Onde devia estar o portal havia uma enorme placa de latão, esverdeada pelo tempo, com um eta grego inscrito no meio.

Nós nos entreolhamos.

- Prontos? — perguntou Hansel.

- Não. — admiti.

- Sim! — exclamou Tyler batendo palmas, e ele girou a argola.

Assim que a porta abriu, a aranha entrou rapidamente, com Tyler logo atrás. O resto de nós seguiu logo atrás, não tão ansiosos.

A sala era enorme. Parecia uma oficina mecânica, com vários elevadores hidráulicos.

Alguns tinham carros, mas outros tinham as coisas mais estranhas: um hipaeléctrion de bronze sem sua cabeça de cavalo e com vários arames saindo de seu rabo de galo, um leão de metal que parecia ligado a um carregador de bateria, e uma carruagem grega feita inteiramente de chamas.

Projetos menores cobriam outras mesas bagunçadas. Ferramentas estavam penduradas ao longo da parede. Cada uma tinha seu esboço numa placa de madeira pendurada, mas nada parecia estar no lugar correto. O martelo estava no lugar da chave de fenda. O grampeador onde a serra deveria estar.

Sob o elevador hidráulico mais próximo, que erguia um Toyota Corolla 98, um par de pernas se estendia – a metade de baixo de um homenzarrão em calças cinzas surradas e sapatos maiores que os de Tyler. Uma perna estava num suporte metálico. A aranha foi direto para debaixo do carro, e os sons de clique pararam.

- Vejam só o que temos aqui. — disse o homem, com sua voz profunda vinda debaixo do Corolla.

O mecânico empurrou o carrinho para fora e se sentou.

Eu já o tinha visto antes, reconheci imediatamente aquela sensação de formigamento por todo o corpo, sempre acontecia na primeira vez em que se via determinado olimpiano.

Diante dele, eu só consegui manter a expressão séria, sempre tinha que tomar cuidado com as palavras.

Eu já tinha visto Hefesto uma vez antes, brevemente no Olimpo, então pensei que estaria preparada, mas como sempre, estava errada.

Notas finais
Talvez hoje eu poste outro, TALVEZ, ainda não sei bem.