Courage
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Rachel
Quando o fim da primavera despontou no ano seguinte, completei um ano morando na pensão de D. Clotilde. Muita coisa havia mudado desde então. Eu vivia uma época tranquila, mas também de muitas realizações pessoais. Quando comecei o supletivo, quase na metade de janeiro, vi na minha frente um leque de oportunidades em que voltar a estudar havia me oferecido. E de repente, eu comecei a acreditar em mim mesma. Descobri que eu era muito boa em escrever composições e comprei um caderno onde eu escrevia contos dramáticos. Às vezes eu passava horas no meu quartinho da pensão, escrevendo como se tivesse todo o tempo do mundo. Também me cadastrei na Biblioteca Pública de Nova York e comecei a alugar alguns livros maravilhosos, feitos por autores que eu nunca tinha tomado conhecimento antes.
Finn também estava muito feliz e amadurecido. Ele ia bem na faculdade e conseguiu um papel importante em uma montagem de Amor, Sublime Amor da Broadway. Lembro-me de ficar tão orgulhosa dele. Quando o espetáculo estreou, todos da pensão foram assisti-lo, e seus pais também. A primeira noite do show recebera críticas muito positivas, assim como Finn, que logo foi considerado uma das grandes promessas do teatro musical.
Com o sucesso do espetáculo, eu não chegava a ver Finn como antes. Ele saía bem cedo para a faculdade, — que fora reduzida apenas para duas cadeiras -, e trabalhava no restaurante durante o turno da tarde. E depois ele corria para o teatro para se aprontar para o show. Nossos passeios no sábado acabaram sofrendo com isso e foram transferidos para segunda-feira, o único dia em que as noites de Finn eram livres. Íamos sempre para o mesmo restaurante, o Spotlight Diner, no qual Finn adorava ir. Enquanto jantávamos, ele gostava de falar dos seus amigos do espetáculo e dos projetos que planejava fazer parte no futuro, mas também me ouvia falar sobre os livros que eu estava lendo ou sobre as histórias que eu produzia no caderno. Ele ainda tentava me persuadir para seguir o caminho do teatro, mas a literatura havia roubado de vez o meu coração. E depois de um tempo, Finn acabou compreendendo isso.
Algumas noites, quando chegava exausto de uma apresentação, Finn ia até o meu quarto e pedia que eu lesse alguma história minha. Ele se deitava ao meu lado, ouvindo-me atentamente, até que caísse no sono. Às vezes eu ficava olhando para ele, decorando cada curva ou sinal do seu rosto adormecido. Tão lindo, eu pensava, antes que o cansaço finalmente me abatesse e eu acabasse caindo em um sono pacífico e sem sonhos, enquanto sentia o calor reconfortante do corpo de Finn encostado ao meu.
Ele costumava me acordar com um beijo no rosto nos dias seguintes. E então dizia:
–Mais um dia na vida da escritora Rachel Berry. Nos vemos mais tarde?
Eu apenas sorria e o observava partir da pensão, já esperando ansiosamente a hora em que ele voltava.
Finn e eu continuamos amigos do peito por algum tempo, até ele dizer que me amava, em uma noite depois de voltar de uma apresentação e se deitar na cama ao meu lado. Eu lia um conto que havia produzido naquele mesmo dia, sobre uma garota e o seu primeiro amor.
–Eu amo você, Rachel. – ele disse naturalmente e os meus olhos logo se encheram de lágrimas. Encostei a cabeça em seu peito, esquecendo-me completamente do que eu havia lido segundos atrás. Eu já ouvia escutado muitos dizerem que me amavam. Brody, o senhor Thomas, os clientes do bordel. Mas com Finn foi diferente. Havia verdade em suas palavras.
–Você me ama? – eu perguntei, olhando para o seu rosto sorridente. Ele apenas assentiu, com os olhos também marejados. – Eu também amo você, Finn. Muito.
Ele tirou gentilmente o vestido que eu usava e tracejou caminhos no meu corpo. Quando seus dedos chegaram à minha cicatriz, eu falei: — Sei que é difícil de olhar para ela. Deixe-me colocar o vestido de novo.
–Não. – Finn sussurrou, antes de beijar a cicatriz que Brody deixara em meu corpo. – Nada em você é difícil de olhar... você é linda. Você é maravilhosa.
Quando comecei a chorar, Finn beijou a minha boca e enxugou as minhas lágrimas. Deixei que ele tirasse a minha roupa de baixo e esperei também que se despisse. Ele beijou novamente os meus lábios, segurando minhas mãos protetoramente, e o senti entrando em mim. Nesse momento, voei com ele, com o meu tão amado Finn, até o céu.
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