Could It Be Another Change
1 Prólogo
Notas iniciais
ADIVINHA QUEM TA DE VOLTA? EU MESMA
Eu queria postar outra história assim que terminei AG mas eu fiquei tão sem criatividade, mas enfim to tentando fazer essa fic faz uns bons meses e não sei se ficou boa mas espero que vcs gostem.
—Ele está acordando Doutor, olhe.
—Senhor Jackson? O Senhor consegue me ouvir? – uma voz grossa falou.
Um quarto branco. Roupas brancas. Móveis brancos.
Quando Perseu abriu os olhos, os mesmo doeram e sua cabeça latejou. Tentou colocar uma de suas mãos na testa mas assim que levantou o braço sentiu-o incapaz de se mover. Não conseguia distinguir a causa das dores mas ligando os pontos viu que estava em um quarto, não o seu quarto em sua casa, ou seu quarto na casa de sua mãe, mas sim em um quarto de hospital.
Assim que viu duas pessoas não familiares ao seu lado, uma morena baixa que sorria para o moreno com pena mostrando suas covinhas e um homem já mais velho lhe olhando seriamente, as engrenagens de seu cérebro começaram a funcionar e ele conseguiu perguntar.
—Por que estou em um hospital? – assim que falou sentiu sua garganta arder. Logo tentou se sentar mas sem sucesso.
—O Senhor tem de ficar deitado por enquanto, está muito fraco. – respondeu a mulher que ele ponderou ser a enfermeira. – O Senhor sofreu um acidente de carro e precisa descansar antes de qualquer coisa.
—Acidente?
—Sim, pelo que a polícia relatou você, sua mulher e sua filha estavam na Rota 85 quando um caminhão bateu na lateral do seu carro.
—Sim, estávamos voltando de viagem. Eu a minha... Espera, minha mulher! Ela está bem?! E Agnes?! Deus como isso foi acontecer?
O homem estava desesperado, como deixara isso acontecer com sua família? E se tivesse acontecido alguma coisa com Agnes, sua filha tão amada? Ele nunca se perdoaria! E sua esposa então! Ela sempre fora seu porto seguro, a pessoa a quem ele confiava sua vida e sem pestanejar trocaria sua vida pela dela.
—Senhor Jackson tenho que pedir que se acalme, tudo isso é muita informação para o senhor processar agora. – pediu o médico. – Responderemos todas as suas perguntas depois que fizermos os exames. Ah, quase me esqueci, meu nome é Harrison Milles.
—Hm, então Doutor Milles, quando vou poder fazer os exames? – perguntou Perseu quando na verdade queria perguntar onde estavam suas garotas.
—Bom, podemos fazer isso agora mesmo. Jenn busque uma cadeira de rodas para ele.
—Sim, Doutor Milles. – a morena saiu andando rapidamente do quarto e em menos de dois minutos a garota já estava de volta empurrando a cadeira de rodas. Perseu achou aquilo estranho, estava machucado mas não impossibilitado de andar, não é?
—Doutor? – chamou Perseu e o médico grisalho se virou para ele. – Acho que uma cadeira de rodas não será necessário, tenho quase certeza que consigo andar.
—Sinto muito, mas o senhor acabou de acordar e teve ferimentos graves. Sabemos que é capaz de andar mas preferimos não arriscar.
Perseu, mesmo não concordando com a ideia, saiu da maca com a ajuda da enfermeira e se sentou na cadeira de rodas, sentindo logo em seguida ela se mover. Durante o trajeto até o elevador o moreno vira algumas cenas realmente frustrantes. Não era de se admirar que houvessem pessoas doentes em um hospital, afinal esse era o lugar onde elas deveriam estar mas o rosto de cada paciente que passava empurrando uma espécie de ferro com uma bolsa de soro representava mais um dos milhares que não teriam muito tempo.
Sem perceber, já haviam pegado o elevador até o andar 9, que aparentemente era onde se faziam todo tipo de exame. Os três chegaram até uma certa porta, e foi quando a enfermeira lhes deixou, e o médico tratou de empurrá-lo para dentro da sala, onde se encontravam vários aparelhos, uma cadeira no canto da sala e um maca ao meio com uma espécie de máquina acima dela.
Na opinião de Percy, os exames demoraram, e muito, tudo que ele pensava era em sua família e até agora, não recebera nenhuma informação sobre. E o pior, se perguntasse, não iriam lhe responder, mas finalmente depois de 40 minutos que para Percy pareciam ter sido muito mais, os exames acabaram e Milles lhe levou de volta ao quarto.
O mesmo se sentou em uma cadeira em frente a maca onde Perseu se encontrava sentado e respirou fundo.
—Senhor Jackson, sei que tem muitas perguntas e vou responde-las mas antes quero que o Senhor se acalme, vou lhe contar uma coisa que não muita agradável.
—O que está esperando?! Conte logo!- disse Perseu afobado.
—No acidente, o caminhão bateu na lateral do seu carro, foi por esse motivo que você sobreviveu. É claro que não saiu intacto mas conseguiu. Agnes, sua filha também sobreviveu, teve alguns arranhões e uma fratura na perna mas não é grave. – Perseu sentiu-se aliviado ao ouvir aquilo mas se preocupou um pouco quando o médico abaixou a cabeça e suspirou. – Mas... infelizmente, sua esposa não resistiu.
—O que...? Lily, ela... Não é possível.
—Lily sofreu uma pancada muito forte na cabeça, conseguimos trazê-la até o hospital mas infelizmente faleceu na cirurgia.
Perseu abaixou a cabeça e respirou fundo, se controlando para não gritar e causar um escândalo. Lily, sua Lily, sua linda esposa e o amor de sua vida se fora, como contaria isso para Agnes, como conviveria consigo mesmo depois disso, sabendo que quem estava dirigindo o carro era ele, e o pior, como se perdoaria.
Perguntas sem respostas rodavam sua mente e as lágrimas se acumulavam em seus olhos, mas precisava ser forte, por ele, por Lily e principalmente, por Agnes.
—Quando vou poder ver Agnes? – perguntou com a garganta fechada.
—Bom, ela já fez todos os exames e provavelmente está dormindo mas se você não se...
—Não me importo, quero vê-la.
Milles assentiu e o guiou até o quarto de Agnes que era bem perto de onde era o quarto de Perseu. O moreno já não estava sentado na cadeira de rodas mas naquele momento desejava muito sentar nela, pois suas pernas tremiam assim como o resto de seu corpo. Agnes ainda era tão pequena, apenas sete anos de vida e teria que lidar com a notícia de que sua mãe falecera.
Não soube como conseguira mas finalmente abriu a porta e viu sua pequena Agnes deitada em uma cama, respirando calmamente, os cabelos jogados pelo travesseiro. Tão pequenina, tão inocente, tão criança.
—Agnes, meu amor? Acorde. – chamou Percy, vendo que a garota já estava por acordada.
—Papai? – perguntou a loirinha, com a testa franzida.
—Sim, Ag é o papai.
A menina abriu os grandes olhos verde claros e olhou para o pai, confusa. Aquele quarto não lhe era familiar, era todo branco a havia poucos móveis. Era feio, assim Agnes pensava. Também estava confusa com o fato de seu pai estar ao seu lado quando acordara. Ele sempre acordava mais cedo e era sempre sua mãe quem lhe acordava. Com esses pensamentos fez a pergunta que fez com que o sorriso de seu pai desaparecesse.
—Cadê a mamãe?
Percy não respondera de imediato, pensou e pensou. Não podia falar na cara dura “Sua mãe morreu”, então como uma desculpa temporária falou a primeira coisa que veio a sua cabeça.
—A mamãe foi viajar Ag. – ele disse, calmamente, para não entregar tudo.
—Viajar? Mas porque ela foi viajar sem me avisar? E porque estamos nesse quarto feio? – Agnes soltou as perguntas, nervosa.
Percy pensou um pouco, não achava certo virar para uma garota com apenas 7 anos de vida e falar que sofreram um grave acidente. Agnes não era boba, se ele contasse sobre o acidente ela logo associaria esse fato com a “viagem” da mãe. Mesma pequenina, a menina era tão inteligente quanto a mãe.
—Ah, meu amor você sabe como o trabalho da mamãe é difícil e...
—Mas ela nunca precisou viajar!
—Sim Agnes, ela nunca precisou mas agora ela precisa. – disse Percy em um tom frio, o que fez com que a loirinha se encolhesse. – Só vou poder responder suas perguntas se você me deixar falar querida. Tudo bem?
—Tudo. Desculpe-me papai. – disse ela, novamente no tom doce que só ela conseguia fazer. Percy sorriu e se preparou para contar mais uma mentira.
—Continuando, dessa vez a mamãe precisou viajar e eu não sei exatamente quando ela voltará, tudo bem? – perguntou ele e Agnes assentiu. – E respondendo sua outra pergunta, estamos aqui porque teve que tomar uma vacina muito importante.
—Vacina? Mas eu só tomo vacina de... – ela pensou um pouco. — ...de muito em muito tempo.
—É, eu sei disso docinho, mas dessa vez nós adiantamos um pouco pra você só precisar tomar daqui um tempão. – agora era oficial, ele era péssimo com mentiras, mas felizmente a pequena Agnes caiu nessa. Pelo menos era o que ele achava.
—Papai... – ela o chamou depois de alguns minutos. – Porque não me lembro de ter tomado essa vacina?
—Ahn... – Percy pensou por um minuto, ou dois. Estava certo que inventar uma resposta para aquela pergunta não seria o trabalho mais fácil. – É porque a vacina tem um efeito temporário, no qual deixa as pessoas um pouco esquecidas.
—Ah, entendi. E eu vou lembrar?
—Com certeza Ag.
Então, finalmente a garota parou de fazer perguntas a seu pai o que o deixou aliviado, pelo menos por meia gora, porque depois o médico responsável entrou no quarto de Agnes e lhe avisou que teria de fazer alguns exames.
—Exames? Papai exames não são quando a gente tem que fazer xixi no potinho? E de vez em quando, cocô? – perguntou a loirinha fazendo Milles segurar a gargalhada assim como Percy que sorriu brevemente.
—Sim filha, mas também existem outros tipos de exames onde temos que ficar deitados embaixo de máquinas muito grandes, ou quando temos que tirar sangue. Essas coisas também são exames.
—Atá, mas porque eu tenho que fazer exames? – perguntou ela e a quarto ficou em silêncio. Mas logo foi quebrado pela mesma que arregalou os olhos. – Espera, eu vou ter que tirar sangue?! Não! Por favor papai, não deixa eles fazerem como da última vez!
A garotinha estava a beira das lágrimas enquanto Percy se recordava da última vez que ela tirou sangue, para falar a verdade, foi a primeira vez que Agnes tirou sangue, e sinceramente não foi a melhor experiência da pequena. Quando falou para seus amiguinhos que iria tirar sangue, os que realmente eram amigos dela falaram que era como uma picadinha de formiga e que as enfermeiras sempre eram legais e a melhor parte era no final, quando os baixinhos ganhavam balas e pirulitos.
Mas essa não foi a descrição de Agnes. Quando chegaram ao laboratório, havia apenas uma criança na sua frente e de acordo com a secretária, haviam duas enfermeiras, de primeira uma moça de no máximo 25 anos com os cabelos de princesa veio sorrindo até o garotinho na sua frente e lhe estendeu a mão, ainda sorrindo, e lhe falando a todo momento “Não vai doer, eu prometo” E isso aqueceu o coração aflito de Agnes. Mas logo ele gelou novamente ao ver a segunda enfermeira.
Agnes nunca fora de falar palavras feias ou falar mal das pessoas, e de fato ela não falou, apenas pensou.
Uma velha, feia e gorda como um lutador de sumô, com a cara mais feia que cocô de cachorro veio andando até a loirinha e falou “Ande rápido, não quero perder meu tempo”, o que fez Agnes querer morrer, sua mãe sempre lhe ensinara a nunca julgar as pessoas antes de conhece-las ou pela aparência mas Agnes não pretendia e nem precisava conhecer a tal enfermeira, ela já sabia que aquilo só podia ser a reencarnação do Diabo.
Até os dias de hoje a garota se lembra de chorar até cair de cansaço nos braços de seu pai. A velha feia e gorda não deixara seus pais entrarem, segurou seu bracinho com tanta força que ficou roxo, e no final ela nem mencionara as balas ou os pirulitos.
—Agnes, meu amor, se acalme. – pediu seu pai. – Eu prometo que se você tiver que tirar sangue, não vai ser como da última vez.
Mesmo aflita, Agnes confiou em seu pai.
Mas no fim das contas, ela não teve que enfrentar nenhuma enfermeira feia, agulhas afiadas e negações contra pedidos de balas ou pirulitos. Ela só teve que se deitar em uma maca dura e e esperar os tais “exames”.
Os dois saíram do hospital em menos de 72 horas. O que foi impressionante, e acordo com o médico, tanto Perseu quando Agnes, não sofreram lesões preocupantes e assim poderiam ir para a casa. Mas antes de saírem pela porta do hospital Milles chamou Percy em um canto e lhe disse cuidadosamente.
—Senhor Jackson, sei que o Senhor e sua filha estão passando por um momento delicado e intenso mas eu aconselho o Senhor ir até um psicólogo que eu sempre recomendo para os meus pacientes, porque... – antes dele terminar Percy levantou a mão em sinal de protesto.
—Sem querer desmerecer o Senhor, mas eu não preciso de ir em nenhum psicólogo. Eu tenho certeza que vou me recuperar.
O médico pensou em protestar mas viu nos olhos de Perseu que a última coisa que precisava era de mais pessoas a sua volta lhe dizendo como devia se sentir. Então apenas assentiu vendo-o pegar sua filha já adormecida no colo, mas antes de partir o médico deu um último aviso.
—Senhor Jackson. – chamou – Eu lhe aconselho a pelo menos levar sua filha até um psicólogo quando contar a verdade, por tudo que já vi acontecer com as pessoas por aqui, tenho certeza que você precisará de alguém que consiga explicar melhor tudo que aconteceu. – Doutor Milles tirou um papel do seu bolso e entregou para
Perseu assentiu e saiu pela porta de frente, já sabendo que sua mãe o esperava pois ficara sabendo o que acontecera mas não pudera ir ao hospital mais de uma vez.
—Obrigado por me buscar mãe. – disse o moreno com a voz baixa assim que entrou no carro. Sally se virou e olhou o filho com carinho.
—Isso é o mínimo que posso fazer, meu filho.
Não demorou muito para chagarem até a casa de Percy. Sally insistiu, e como insistiu, em ficar mas Percy não queria ninguém lhe enchendo, até mesmo sua mãe. Ele sabia que ela iria falar a mesma coisa que toda família fala quando esse tipo de “incidente” acontece.
“Eu sinto muito...”
“Ela era uma mulher tão boa...”
“Se precisar de qualquer coisa, estou aqui...”
Af...
Não que ele desmerecesse as pessoas que queriam o ajudar, sabia que elas falavam isso para que ele se sentisse melhor, mas Perseu sabia que não iria funcionar, só iria fazê-lo gastar saliva falando coisas como “Muito obrigado por estar aqui...” e blah, blah, blah.
Uma coisa que ele queria que todos entendessem, ele estava cansado, frustrado e de saco cheio. Não queria ninguém lhe dizendo nada nem oferecendo ajuda, porque ele também sabia que se precisasse de ajuda, poderia pedir para qualquer amigo ou familiar, e ele teria.
♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦
Uma semana depois...
Já era noite e novamente Percy estava tomando um gole de cerveja. O moreno nunca fora de beber muito e agora teria de ser muito menos pois sua mulher não estava ali para lhe falar que estava bebendo demais. E principalmente pelo fato de que Agnes estava ali também, na sala, vendo Backyardigans, e podia notar facilmente que seu pai não estava bem.
Quando pensou nisso, logo parou de beber e guardou o resto das latas no congelador. Como ambos já haviam tomado banho não havia problema em ficar assistindo TV mais um pouco, então, Percy se sentou ao lado de sua filha que deitou a cabeça em seu peito e suspirou.
—Papai... – chamou-o.
—Sim, docinho?
—Quando a mamãe vai voltar?
Percy prendeu a respiração e logo depois a soltou. Aquela pergunta com certeza, estava assombrando Agnes e o Jackson se odiava por não poder responder aquela simples pergunta.
“Quando Lily iria voltar?”
Por mais que soubesse a resposta, se recusava a acreditar.
—Eu ainda não sei Ag. – respondeu, tentando soar confiante mas vendo que isso não acalmou a filha, logo acrescentou: — Não acho que vai demorar.
A pequena assentiu e continuou a assistir o programa que tanto a entretinha, mas que agora, não chamava tanto sua atenção.
Agnes estava um pouco nervosa, e esse era mais um dos motivos de não estar prestando atenção no desenho. Amanhã teria de voltar para a escola, não que ela não gostasse. Agnes adorava a escola! Sentia falta de seus amigos, e das professoras que mais pareciam princesas. Mas o fato de ir para a escola e todos lhe perguntarem o porque de ter faltado nessa semana, não era tão legal assim.
Agnes sentiu uma tremenda vontade de chorar ao se lembrar da resposta.
Ela não era burra. Não sabia exatamente o que tinha acontecido com sua mãe, mas se lembrava de pancadas e gritos, então se ela não estava em casa é porque não estava bem.
Percy olhava para a filha querendo saber o que passava em sua cabecinha já que não entendia nada na sua. Sabia que em alguma hora teria de contar para ela o que aconteceu, mas não sabia como.
Em um movimento súbito, Percy pegou o papel que o médico o entregara uma semana atrás no painel onde Lily colocava todos os papéis e telefones importantes.
Respirou fundo... Teria de fazer isso.
Pegou o telefone preparado para ligar, quando notou o nome que a muito tempo não escutava.
“Annabeth Chase.”
Notas finais
Não sei se vou continuar então depende de vcs.
Bjsss ♥
Ana
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