Could Be Happy
3 Um certo alguém
Acordei-me cedo, como de costume, tomei banho, preparei o café, acordei os meus irmãos. Às vezes me sentia um pouco mãe deles, não que a minha mãe fosse ausente, mais, eu tinha responsabilidade demais. Ela já tinha saído para o trabalho, evitou conversar comigo, foi bom assim, não queria escutar mais sermões, queria tudo, menos discutir por coisas sem sentidos. Ultimamente era o que mais fazíamos discutir. E sempre pelos mesmos motivos. Pensava sempre em ir embora, precisava ficar sozinha... Mais quando percebia que não tinha pra onde ir, desistia.
― Anna, já preparou o meu café?
― Aqui Sam. A Amy já se levantou?
―Nem sei se ela se acordou. Onde é que esta a mamãe e o papai?―ele disse.
―Já foram trabalhar. Termina ai que eu volto já.
―Nossa que feio!― ele disse olhando pro meu joelho. ―vai deixar uma cicatriz horrível.
― Não vai mesmo! Vou cuidar disso... Termina ai, vou ver a Amy.
―Vai sim! Você vai ter que usar jeans a via inteira. ―ele disse rindo.
Como se eu usasse jeans, só tinha saias e um vestido no meu guarda-roupa. Nunca me preocupei com isso, e não era uma cicatriz que iria mudar meu estilo de se vestir. Ia dar um jeito, sempre dava. O deixei na cozinha e fui acordar a Amy...
―Amy, acorda, vai!―disse abrindo as janelas.
― Qual foi Anna, só mais um pouquinho, ainda esta cedo.
― Não mocinha, o Sam já esta quase pronto só falta você.
― Que saco! Parece a mamãe falando...
Voltei pra cozinha, o Sam já tinha terminado o café, preparei um chá pra mim, estava quase ficando resfriada, e como não ia pra aula e nem ensinar hoje, iria aproveitar o dia pra descansar e fazer um curativo melhor no meu joelho.
―Estou pronto Anna. Já arrumei a mochila podemos ir.
―Antes vai lá ao quarto, e chama de novo a Amy, pra mim. Por favor.
― Por que vocês não colocam um despertador?
Como se resolvesse. Acordava sempre a Amy no Máximo três vezes, ela tinha um sono muito pesado, mais quando era a vez da mamãe ela se acordava na primeira tentativa, deve ser por que eu sou muito paciente só pode, não queria que ela perdesse o horário da aula, a minha mãe só nos chamava uma vez, se não acordássemos perdíamos qualquer compromisso... E com o tempo eu aprendi, parecia que dormia com aquilo na minha mente, qualquer barulho já me acordava.
―Amy!― disse Sam batendo na porta.
― O que foi Sam?
― A Anna mandou eu vim te chamar...
―Entra. ―ela disse, abrindo a porta, e dando lhe passagem.
―Você ainda esta assim? Daqui a pouco iremos paro o colégio.
― Fala baixo. Quer que a Anna escute.
― Eu não sei o que você esta aprontando mais não irei te ajudar...
― Ah vai sim. ― disse Amy o puxando pelo braço. ―fica ai na porta observando se a Anna não vem, qualquer coisa inventa uma desculpa e não deixa ela entrar.
― E o que eu ganho com isso? Se der errado ficarei de castigo...
― Não vai dar errado. E depois eu penso em alguma coisa...
― Depois não. Agora!
― Tudo bem... O seu dever de hoje, pode ser.
― Durante um mês, todos os meus deveres de casa.
― Dois dias, e não se fala mais nisso. Agora vai!
Enquanto o Sam vigiava a porta a Amy pegou o papel que a Anna tinha jogado no lixo. Esperou ela dormir, e guardou nas suas coisas, não podia mesmo deixar de conhecer o David, a sua curiosidade era tal grande que nem se importava que isso não fosse da sua conta...
― Alô! David?
―Oi, quem fala?
―Oi, é a Amy, você não me conhece eu sou a irmã da Anna.
― Oi! Anna?
― Vocês se conheceram ontem, lembra?
― Sim, lembrei a Anna!
― Sim! Eu vi que você deixou o seu numero pra ela ligar, e você deve estar se perguntando por que a Anna não te ligou, então é que ela é um pouco lenta pra essas coisas. ―disse ela um pouco nervosa.
― Oi Amy, desculpa mais eu tenho que sair agora, depois nos falamos... ―disse ele a interrompendo.
―Ela queria te ver!―disse ela rápido. ―Não eram bem essas palavras que deveria ter dito― pensou.
Ambos ficaram em silêncio, ate serem interrompidos...
― A Anna vem ai!―disse Sam abrindo a porta.
― Droga!―disse Amy, desligando o celular e correndo pro banheiro.
― Sam! O que houve? E onde esta a Amy?
― Estou quase pronta!―gritou Amy dentro do banheiro.
― E também atrasada, não vai dar tempo, come alguma coisa no caminho... ―disse.
―Pontinho! Vamos Sam. Você não vai?
― Não. Estou um pouco resfriada, vou ficar em casa.
― Porque não me disse, ficaria com você. Eu vou ficar. Sam pode ir.
― Não mesmo! Podem ir os dois, agora!
― Por favor, me deixa ficar. Não vai ter nada de interessante mesmo hoje, e vai que alguém venha aqui e você esteja dormindo? Tem que ter alguém para abrir a porta...
― Não estou esperando ninguém. E não irei dormir, vou fazer umas coisas, então pode ir não se preocupe!―disse os conduzindo ate a porta.
― Tudo bem. Vou levar o celular caso você, queria me ligar...
― Não mesmo. ―disse tomando o celular de suas mãos.
Fechei a porta, antes que a Amy inventasse outra desculpa, e os observei pela janela. O ponto de ônibus ficava perto de casa, sempre íamos juntos todos os dias, e depois cada um seguia o seu caminho e só nos víamos a noite. Mais ficar em casa sozinha não iria ser tão ruim, às vezes achava ate bom, ter a casa só pra mim, em completo silêncio. Aproveitei e desmarquei as minhas aulas, ensinava matemática, sempre pela tarde e às vezes ficava também à noite. Tinha apenas seis alunos, que já eram muitos, a minha mãe dizia que era apenas o inicio, depois eu iria dar aulas em uma escola, esse era o sonho dela. Pronto sem aulas, sem ninguém em casa era um ótimo momento pra escutar uma musica, e limpar a casa, eu sabia que não iria conseguir descansar, precisava fazer algo, iria começar pela cozinha, antes troquei de roupa, coloquei algo pra ficar a vontade, estava só, então qualquer roupa cairia bem... Limpei a cozinha, queria trocar o carpete, mais deixei pra uma próxima vez, preparei uma salada, coloquei um frango pra assar, Coloquei as roupas pra lavar, esse era a tarefa da minha irmã, mais quis adiantar pra ela, e aumentei o som, dancei sem me preocupar com nada, me sentia tão bem só comigo mesma.
It might seem crazy what I’m about to say
Sunshine she’s here, you can take a break
I'm a hot air balloon that could go to space
With the air, like I don't care, baby, by the way
Because I’m happy
Clap along, if you feel like a room without a roof
Because I’m happy
Clap along, if you feel like happiness is the truth
Because I’m happy
Clap along, if you know what happiness is to you
Because I’m happy
Clap along, if you feel like that’s what you wanna do
Cantei tão alto, que os vizinhos ficaram ate incomodados, mais continuei, se eles quisessem reclamar que fossem falar com a minha mãe, muitos não gostava de mim também não gostava de muitos, alguns nem me conhecia, parecia que eu nem morava aqui... Terminei de lavar a louça, e o almoço estava quase pronto, não que eu cozinhasse bem mais sabia alguma coisa, e voltei pra sala...
Here come bad news talking this and that Yeah, give me all you got, don’t hold me back
Yeah, well, I should probably warn you I’ll be just fine
Yeah, no offense to you don’t waste your time Here’s why
Because I’m happy
Clap along, if you feel like a room without a roof because I’m happy…
Escutei alguém batendo na porta, poderia ser a Amy ,esperei um pouco, até ouvir novamente, alguém bater, se fosse ela deveria inventar alguma desculpa pra aparecer a tão cedo...abaixei o volume do som, e abri a porta.
― Oi! Lembra-se de mim?
Fiquei sem acreditar no que estava vendo, se alguém me contasse que ele viria aqui eu não acreditaria, fiquei sem saber o que dizer o que fazer, fiquei um pouco sem jeito... Ele me olhava com aqueles olhos lindos, me olhava de um jeito...
― Oi! Claro que eu lembro!―disse encostada na porta.
― Nossa que cheiro!―disse ele dando um passo pra trás.
― Ai meu Deus! O frango.
Corri ate a cozinha, deixando-o plantado na porta, cheguei tarde demais, o frango estava queimado, o cheiro de fogo exalava na cozinha...
―Deixa eu te ajudar. ―disse ele pegando um pano que estava na pia. ― É melhor fazer outro, esse já era.
― Eu vou jogar água, assim eu tento salvar.
― É melhor não. Tenta fazer outro. ―ele disse tentando me fazer parar.
― Era paro o almoço, eu esqueci completamente!―disse apoiada na pia.
― Às vezes acontece, Anna.
― Você não esqueceu o meu nome, e nem onde eu moro. ―disse um pouco surpresa.
―E você queria me ver!―disse ele indo pra a sala.
― Quem eu? Não mesmo, eu nem me lembrava de você!
― Verdade?―disse ele se aproximando de mim.
― E o que te fez vim ate aqui?Por que eu tenho certeza que você mora do outro lado da cidade. E pra vim ate aqui só pode ter alguma coisa pra fazer nessas redondezas...
Pela cara que ele fez estava pensando em alguma desculpa pra me dar, esperei com paciência, independente da resposta eu iria aceitar...
― Tenho conhecidos aqui. E ai como você mora por perto resolvi passar e dizer um oi.
―hum! Sei. Um oi, tudo bem David.
Retornei pra cozinha, e coloquei outro frango pra assar, percebi que ele me observava. Voltei logo pra sala, não era bom deixar ninguém sozinho, minha mãe podia chegar a qualquer momento, e não ia gostar nada disso, um estranho na sala dela.
― Percebi que você estava ouvindo uma musica.
― Sim, quando fico em casa sozinha, eu coloco algo pra ouvir, me faz relaxar. ―disse sorrindo.
― Eu também... Às vezes. Prefiro ir a algum barzinho que também tem musicas ao vivo, às vezes eu toco quando me chamam, você gostaria de ir?
― Bom, eu nunca fui, mais deve ser legal... ―disse meio que sem jeito.
―Então esta convidada. Te pego amanha as sete pode ser?
Alguém acabou de chegar, pensei que fosse a minha mãe ou o marido dela, mais ainda bem era a Amy e o Sam.
― Anna, não vai apresentar o seu amigo?―disse Amy, se colocando no meio de nós dois.
―Esse é o David. David esses são os meus irmãos Sam e Amy.
Ambos se cumprimentaram, o Sam que nem ligou muito subiu direto pro quarto, a Amy ficou logo querendo fazer perguntas, e pela cara do David ele estava mais constrangido do que eu.
―OK, mocinha já o conheceu agora vai.
Esperei que ela subisse, não queria demorar muito ou outra coisa acontecesse.
― Eu já vou Anna. Disse ele indo ate a porta.
― Amanha as sete?―disse.
―Sim, eu te pego!
― Tchau,David!
―Ate amanha Anna!―disse ele com um sorriso nos lábios.
Antes de fechar a porta...
―Anna! ―disse ele um pouco longe.
―Oi!―gritei.
―Não se esquece do frango!
Apenas sorrir, nem me preocupei se parecesse bobo, continuei sorrindo...
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