Could Be Happy
2 Take me home
—Depois dei as costas, precisava voltar para casa. Amanhã seria outro dia, estava bastante cansada, continuei a caminhar, ate ser surpreendida...
―Ai, que susto!―disse derrubando as minhas coisas no chão.
Um carro parou de frente para mim, o meu coração estava bastante acelerado, eu só sentia minhas pernas tremer, no momento fiquei com muito medo, pensei que iria ser atropelada de novo.
―Anna! Calma, sou eu David. ―Ele disse dentro do carro.
―Você é louco? O que pensa que esta fazendo? Eu não gosto dessas brincadeiras idiotas. ―disse com a voz bastante alterada.
―Desculpa! É que você andou tão rápido, quando fui ver você já tinha sumido. O único jeito de te alcançar foi de carro...
―Você esta me seguindo? Será que não foi suficiente ter me atropelado, agora quer me assustar é isso?
― Eu não estou te seguindo, e não foi a minha intenção Te atropelar, e muito menos te assustar. Eu só queria te entregar isso. ―ele disse colocando em minhas mãos.
―As minhas chaves, eu devo ter as derrubados. ―disse.
―Pronto estão entregues a dona. ―ele disse voltando para o carro.
―Então, você vai vim, ou vai ficar ai?
Nem pensei duas vezes, entrei no carro, e lhe expliquei o caminho da minha casa. Era quase 23h, a minha mãe devia estar preocupada, já podia imaginar ela grudada na janela me esperando, no meu celular já devia ter umas 10 mensagens, fora as ligações perdidas. Eu tinha as chaves, mesmo assim ela não dormia depois de me ver em casa. Parecia uma criança indo pra escola, pela primeira vez, às vezes parecia que eu nem tinha 21 anos. A minha irmã de 15 anos, tinha mais liberdade do que eu.
―Por que Você parou aqui?―disse.
―Ali tem uma farmácia. Volto já ―ele disse saindo do carro.
Aproveitei que estava sozinha e comecei a mexer em tudo, vai que ele fosse um louco, psicopata e quisesse me sequestrar. Ultimamente desconfiava de tudo, ninguém nunca foi gentil comigo, sem querer nada em troca. Parei por um instante, precisava ficar calma. Abri a janela e o avistei saindo da farmácia.
―Aqui, comprei esses analgésicos, caso você tenha dor, e essa pomada pra passar nos ferimentos, tem que passa quando a pele estiver limpa, ate cicatrizar... A farmacêutica anotou nas caixas dos remédios, os horários de cada um pra você.
― Obrigada!―disse, enquanto Pegava e guardava na minha bolsa.
―Eu falei pra que era, e a farmacêutica disse se você quiser ela pode fazer o curativo.
―Não precisa! A minha mãe é enfermeira pode deixar ela me ajuda.
― Ok!―e voltou a dirigir.
Permanecemos em silêncio, por um bom tempo, ate chegarmos à rua da minha casa, da esquina dava pra se ver a luz acessa, não só a minha mãe como também os meus irmãos estavam me esperando, pensei. Não queria ser vista saindo do carro de um desconhecido, pedi pra ele parar um pouco antes.
―Aqui esta bom. ―disse retirando o cinto.
―Não quer que eu te deixe na porta da sua casa?
―Não precisa. Obrigada! A minha família iria querer saber quem você é, iriam fazer muitas perguntas. Se é que você me entende...
―Tudo bem. Os seus pais devem ser daqueles bem protetores.
―É, são sim! Obrigada mais uma vez. Tchau. ―disse saindo do carro.
―Tchau!―disse sorrindo.
Percebi que ele ainda me observava do carro, tentei olhar disfarçadamente, mais não me controlei, irei e fiquei o olhando de longe, acenei com a mão. Enquanto pegava as minhas chaves, vi que ele dava a volta com o carro e se distanciava cada vez mais, me virei e abri a porta, entrei e apaguei as luzes de fora. A minha mãe estava sentada no sofá, levei um susto por vê-la ali, apenas com a luz do abajur acessa, pela cara dela, não estava nada satisfeita.
―Oi, mãe!―disse tentando esconder os meus joelhos ralados.
―Possa saber onde você estava? Pra que você tem celular? Eu te liguei varias vezes deixei recado...
E assim foi o meu fim de noite, escutando as lamentações da minha mãe, tudo que eu já sabia desde que me conheço por gente. Se eu visse as horas naquele momento poderia ser mais de meia noite. Resolvi me sentar...
―Você não vai sentar no sofá assim, sobe já pro seu quarto, e vai tirar essas roupas molhadas. Amanha conversaremos.
Ainda pensava que eu era uma criança. Só falta me levar no colo e me dar banho. Amanha conversamos, sei,sempre deixava pra amanha. ―resmunguei subindo as escadas.
―Enquanto morar na minha casa vai ser sempre assim!
Não queria acordar a minha irmã, dividíamos o mesmo quarto, não acendi a luz, fui direto para o banheiro, tirei as minhas roupas joguei tudo num canto, precisava de um banho, fiquei debaixo do chuveiro por um bom tempo, coloquei uma roupa que estava no banheiro deveria ser da minha irmã, às vezes usava as roupas dela quando chegava tarde e não queria acender a luz pra não incomodá-la. Fui direto pra cama, queria apenas dormir.
―Anna, você esta acordada?
Queria que fosse sonho, precisava dormir, não estava a fim de conversar estava cansada e iria ficar com fome... Resolvi fingir que estava dormindo, assim ela iria desistir.
―Anna!―disse puxando o meu lençol.
Esqueci que era a minha irmã, então era igual a mim...
― O que você quer? Me deixa dormi... ―Disse cobrindo a minha cabeça com o lençol.
―Olha o que eu achei nas suas coisas, um numero de telefone de um cara chamado...
Virei-me rapidamente, e arranquei o papel da mão dela, acendi a luz, e li o que estava escrito...
―Não acredito que ele deixou o numero dele!―disse sem acreditar.
―Quem Anna? O cara que te trouxe de carro? De onde vocês se conhecem?
― Amy! Posso saber onde você encontrou isso? E por que ainda esta acordada?
―Eu estava te esperando, e achei esse papel nas suas coisas quando estava no banho, você sabe que eu não gosto de bagunça no meu quarto.
―Nosso quarto mocinha, ainda durmo aqui, e não fique me esperando parece a mamãe.
―Você ainda não respondeu as minhas perguntas.
―E nem irei te responder, apaga a luz. ―disse voltando pra cama.
―Anna! Eu fiquei acordada ate agora, não é justo eu ir dormir sem saber o que aconteceu.
―Ok! Eu fui atropelada, pelo cara que me trouxe de carro. E não! Eu não o conheço e. Não sei por que ele deixou o numero, não vou ligar mesmo. Pega um band-aid pra mim, por favor.
―E você fala assim, nessa calma? Aqui pega. ―ela disse me entregando o ban-aid.
―O que você quer que eu fale, ele foi gentil comigo, comprou os remédios e me trouxe ate em casa. E só. Agora posso dormir?
―Ainda não!Deveria ligar pra ele... Só pra agradecer...
―Não mesmo, eu já o agradeci ate demais, e foi ele que me atropelou, não fez mais do que sua obrigação, agora vai dormir por que se a mamãe vê essa luz acessa vai querer saber o motivo.
―Ainda acho que você deveria ligar, eu iria gostar se alguém me ligasse. Ele é bonito?
―Não ele é muito feio. Muito.
Menti pra ela, ele era lindo, tinha um sorriso encantador, só de pensar nisso queria sonhar com ele só pra não esquecer o seu rosto, nunca mais iria vê-lo, e se o visse de novo aposto que ele nem se lembraria de mim... Poderia ficar a noite inteira pensando nele. Nem o conhecia, e ele já fazia isso comigo, me levantei peguei o papel e joguei no lixo, apaguei a luz e voltei pra cama.
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