Cosmic Unreal
3 Delírio
No lado de fora da cabana a chuva caía sobre nós. Ainda estava digerindo tudo o que havia acontecido ao tempo que Olívia e Sasha me abraçavam, esmagando seus pertences nas bolsas contra o meu corpo. Pude sentir o sangue e os ferimentos na minha própria pele, também agredida, mas eu não sentia nada.
Não gostava da ideia de ter sido violento com quem quer que fosse. O instinto de sobrevivência, a necessidade de salvar alguém, podem ser algumas exceções, contudo, mesmo os embates verbais me incomodavam. Ás vezes é inevitável brigar. Uma vez Sara me disse que é impossível estar pronto para tudo, mas precisamos estar sempre preparados para nos adaptar.
Seguimos na direção que acreditávamos ser a melhor para voltar à cidade. Ignorei as dores pensando na situação do casal. Ora o braço de um estava sobre meus ombros, ora era o braço do outro. Olívia como sempre apresentava uma postura mais forte.
A chuva afinou conforme nos afastávamos. Pude enfim notar detalhes no trajeto que aos poucos me faziam lembrar de como cheguei ali.
Havíamos combinado de explorar juntos um pouco da ilha enquanto o navio sofria reparos. Nos afastamos de Kale, a maior cidade local, andando pelo leito de um rio seco até chegar numa gigantesca caverna cuja distância para a outra abertura não era longa. Uma penumbra tomava conta do seu interior. Minutos mais tarde estávamos subindo uma colina tomada pela relva sob um terrível sol. Ao longe avistamos um penhasco e bem próximo a ele, um pedaço de terra que parecia ser uma pequena parte desconectada da ilha principal. No meio do caminho desisti de continuar.
Debilitado sob aquele calor fiz o caminho de volta o qual pareceu muito mais longo que o normal. A água já tinha acabado na metade do trajeto. Interrompi os passos várias vezes me segurando para não desmaiar. A caverna parecia um lugar confortável para descansar, não importava o que poderia acontecer. As frias pedras do chão agradavam o meu corpo.
— Ei!
Ouvi uma voz feminina.
Ela estava agachada ao meu lado. Seus olhos e grandes lábios elevaram meu espírito.
— Estou bem... É só um mal estar — Levantei rapidamente. Uma tontura tomou conta de mim e ela me segurou.
— A quanto tempo está aqui? — Perguntou. Notei seus olhos correndo por toda a caverna como se estivesse procurando por algo.
— Não faz muito tempo, alguns dias talvez, não consigo pensar direito...
— Nessa caverna eu quero dizer — Falou enquanto me acompanhava para fora dali.
— Não sei. Eu só queria andar um pouco.
— Se seguir nesse leito seco até o fim chegará mais rápido na cidade.
A vi se distanciar rapidamente na direção contrária a minha. Lembrei de ter visto alguém com as mesmas feições na pensão onde me instalei. Naquela ocasião trocamos olhares, mas a única informação que tinha era de que ela estava em algum quarto no andar térreo.
— Ei! Qual o seu nome?! — Gritei.
Ela virou o rosto me fitando em silêncio. Seu corpo tomava boa forma nas roupas que vestia.
Segui pelo meu rumo.
De volta à cidade, admirei o mar por uns instantes, observei os locais presos a suas rotinas, mas nada prendia minha atenção por muito tempo. Permaneci na pensão pelo menos até o dia seguinte. A preocupação tomou conta de mim, mas resisti em tomar alguma iniciativa. Poderia simplesmente estar paranoico. Presumindo demais as coisas como sempre.
A imagem daquela moça ficou na minha cabeça em meio aos pensamentos confusos que sempre me atormentavam antes de dormir.
A chuva caía lá fora. Acordei com um mau pressentimento. Me desloquei até o hotel onde o casal havia se acomodado. Mas não era aquele. Visitei mais quatro pulgueiros, porém não souberam ou não quiseram dizer nada sobre seus hóspedes. Circulei pela maldita cidade durante quase todo o dia, perguntando sobre uma mulher de grandes óculos e um cara ruivo. Tudo que ouvia eram respostas dadas com má vontade. Por fim, nenhum sinal dos dois. Considerei que poderiam ter se perdido, fui então até as autoridades que por sua vez fingiram se comprometer com uma futura busca coletiva.
Tomei coragem e mais uma vez me vi na entrada daquela caverna. Consegui cruzá-la a passos calmos quando senti uma presença ao meu redor. Um garoto surgiu do nada estendendo para mim uma espécie de livreto em suas mãos. Olhando melhor, aparentemente era o caderno que Sasha me deu.
— Uh... Obrigado. Deixei cair por aqui. — Falei.
O rapaz entregou o caderno sem dizer nada. Suas pupilas eram esquisitas, pareciam ter o formato de uma lua crescente. A pele parda com diversas fissuras e cabelos esverdeados. Ignorei tais detalhes pensando que estava delirando naquele momento.
Vários metros adiante me dei conta de que não havia trazido comigo aquele caderno, pois não carregava nenhuma bolsa ou mochila. Havia até mesmo me irritado com o fato pois a inspiração vem quando menos esperamos e escrever é preciso. Vi o caderno desaparecer em minhas mãos assumindo a forma de uma grande pedra achatada. Um gás verde se espalhou provocando uma forte queimação nas minhas narinas, a pele começava a arder especialmente nas mãos onde meus ossos começaram a doer absurdamente. Meu sangue naquelas extremidades parecia ferver. As mãos pareciam submersas num caldeirão de água fervente.
Conforme fui perdendo a consciência, aquela reação foi ficando cada vez mais inócua. O incômodo desapareceu quando meu corpo se entregou no interior da caverna. Lutei contra as pálpebras pesadas. Pude ver o garoto se esquivar de um ataque que pareceu ser algum tipo de magia. Novamente aquela mulher apareceu. Sua aparência possuía alguns traços distintos em relação ao que já havia observado nela, principalmente a orelhas, se mostravam pontiagudas.
Ambos eram bastante ágeis e habilidosos com magia, forçando-os a continuar a luta para além da caverna. Meu corpo se movimentou sem que conseguisse dar comandos a ele. Estava sendo arrastado. Entreguei-me ao inevitável sem suspeitar das possíveis consequências que haveriam assim que despertasse.
Foi uma longa caminhada. Saímos da ilha menor para a principal, passando por uma velha ponte de madeira. Nosso caminho alternativo evitou a caverna. Estava cansado dela. De tudo aquilo. Talvez não devesse ter saído de Meusen, pensei comigo. Mas não adianta, ficando parado ou me movimentando alguma merda VAI acontecer. Aventuras que não pedi. Pessoas que depois não vão dar a mínima para mim. Estava fadado a enfrentar tudo isso. Tinha medo da morte. Evitava a todo custo pensar nela. E ironicamente as circunstâncias pareciam querer me levar ao limite. Não estou dizendo que me sentia naquele momento como se tudo e todos estivessem contra mim, como se existisse uma conspiração universal. Apenas não compreendia o que o destino ou o acaso ou os dois queriam me dizer.
Seguimos por um desfiladeiro tomado por vegetação. Paramos algumas vezes para descansar. A noite tomou conta de tudo.
— O que foi aquilo? — Indaguei. Caminhamos lentamente por vários minutos sem ninguém ter comentado algo a respeito.
— Provavelmente ghouls. — Responderam em uníssono.
— Ghouls?
— É, ghouls — Disse Liv, tocando o lado esquerdo do ombro com uma expressão de dor.
— Me lembro vagamente da existência de algumas criaturas quando estava no liceu de magia.
— Então você é um magista?! — Sasha questionou com uma expressão engraçada.
— Erm... Não exatamente...
— Gente, gente! Olhem! — Liv apontou para uma massa escura que saía de uma fissura numa das paredes do desfiladeiro. Era ELA. A mulher que não saía dos meus pensamentos quando não estava ocupado com preocupações. Ou reflexões idiotas.
Sasha se levantou mas não conseguiu sair do lugar. Dirigi-me até a desconhecida que estava com os joelhos dobrados e as costas no chão. Mesmo com tantos ferimentos sua beleza continuava intacta.
— Vai ficar só me olhando? — Disse ela com o braço estendido na minha direção. Agarrei-a pela dobra atrás do cotovelo fizemos força até ficar de pé.
— Samia. — Estendeu a mão.
— O quê? — Perguntei.
— Me chamo Samia.
— Ishitaki. Kenj...
Um passo em falso para trás foi o suficiente para o meu corpo se inclinar. De maneira reativa acabei puxando a moça na minha direção. Caímos juntos mas foram as minhas costas que sentiram os pedregulhos.
Sua boca era mais macia do que imaginava. Senti seus muitos fios de cabelo se afastando do meu rosto. Aqueles olhos negros me encararam por um longo instante. Permaneci estático deixando-a se erguer da forma que lhe fosse mais conveniente, no entanto, com os joelhos dobrados, se manteve sobre mim. Suas mãos vieram de encontro a minha garganta, suavemente passando os dedos ásperos pelas marcas doloridas. Olhei bem para ela notando mais uma vez as orelhas pontiagudas.
— Vocês estão bem?! — Inesperadamente a voz de Olívia entrou nos meus ouvidos. Parecia totalmente recuperada, mesmo que isso não fosse verdade. Sasha estava ao seu lado com os ombros caídos, carregando uma expressão abatida que não conseguia esconder.
Conforme fomos andando a passagem se apertava mais e mais a ponto de precisarmos andar um atrás do outro.
Samia assumiu a liderança com uma pequena orbe brilhante flutuando em sua mão. Lumia era uma técnica tão básica quanto a Cinesi, porém, eu não conseguia executá-la.
Escapamos enfim por uma vasta área verde, cheia de ondulações. Num riacho próximo, notamos a presença de habitações rústicas. Aquela ilha não parecia tão grande. Talvez estivesse começando a ter uma noção melhor das dimensões do mundo ao nosso redor.
Com materiais primitivos, Samia cuidou de nossos ferimentos.
— Muito obrigado por nos receber, Samia. — Disse Olívia enquanto bebia seu chá. Ambas iniciaram uma conversa enquanto eu olhava o acampamento.
— Eu não vivo aqui. O que estavam fazendo naquele lugar? — Perguntou.
— Somos pesquisadores. Estávamos em busca de material. — Olívia respondeu.
— Quase foram mortos.
— Como sabe disso?
— Estive vigiando esses desgraçados a algum tempo mas havia um terceiro.
— Aquele garoto? — Perguntei.
— Aquela coisa tinha traço de Djinn. Quase acabou comigo.
Olívia se ajeitou no assento. Seus olhos brilhavam durante aquela conversa.
— O quê você faz?
— Eu caço.
— Então monstros são mais comuns do que pensava — Eu disse.
— Humanos podem ser a maioria mas pelo menos de onde venho, etnias não-humanas dominam grandes territórios.
— Se refere a Aiga? — Olívia questionou.
— O quê é Aiga?
Minha cabeça doía ouvindo tudo aquilo. Ás vezes não conseguia prestar atenção me distraindo com o Sasha deitado em silêncio ou pensando sobre os nossos pertences deixados na cidade.
Liv parou para pensar um pouco e logo voltou a falar:
— Even?
— Se é assim que vocês chamam, então sim.
— Do quê vocês estão falando?? — Questionei.
— Kenji. Existe uma teoria sobre a dualidade existencial. Tudo ou QUASE tudo o que existe desde uma pedra a um universo inteiro, possui uma parte complementar e, também, uma contraparte.
— Eu não quero saber disso. Não faz nenhum sentido.
Ela arrumou papéis e caneta na sua bolsa. Começou a desenhar.
— Esse círculo é onde vivemos. Mediterra. Vou chamar de M. Imagino que você saiba algo sobre Aiga, afinal já estudou num liceu de magia.
— Vagamente...
— Ótimo. Aiga será A. — Ela fez um novo círculo cruzando-o com o que já estava ali.
M tem uma realidade paralela chamada A.
— Depende do ponto de vista. E se estivéssemos em A?
— Tá, tá, para de falar. Mas foi até bom você mencionado isso!
M e A são existências dependentes.
"Paralelo", nesse contexto, basicamente é uma coisa que funciona colateralmente com outra.
Aiga nada mais é que a "irmã" de Mediterra.
É de lá que os seres não-humanos vieram a mais de 260 anos!
— Inclusive os ghouls?
— Não necessariamente! Essas coisas já fazem parte da natureza do mundo pelo que sabemos. Me refiro aos orcs, draconianos, lupinos, fadas, elfos! — Apontou para Samia.
— Eu sou meio-humana. — Samia respondeu.
— E mestiços! — Olívia corrigiu.
— Percebo que você ainda não chegou no ponto que queria. — Falei.
— Temos dois círculos aqui. A e M. Eles estão se cruzando como se um estivesse sobre o outro porque acredito que assim as coisas ficam mais claras.
O que integra esses dois mundos é o que chamamos de Plano Existencial. Entretanto, mas fica mais fácil dizer UNIVERSO.
A + M fazem parte de um Universo chamado: ADEN.
— Olha a volta que você está dando pra explicar tudo isso, Liv...
— Cala a boca!
Olhei para Samia e havia uma grande bolha pulsante saindo do seu nariz. Seus olhos estavam abertos. Talvez estivesse usando alguma técnica de disfarce ou fosse algo natural dos elfos.
Olívia sorrateiramente levou a caneta até a bolha estourando-a.
Samia despertou do seu transe meditativo.
— Nossa amiga Samia disse que veio de OUTRO MUNDO. As possibilidades são muitas, mas a primeira coisa que pensei foi justamente um OUTRO universo.
Enquanto falava, desenhou novos círculos, estes mais distanciados dos já presentes, com as legendas M2 e A2.
— De acordo com a teoria, nesse outro universo também existe uma Mediterra e uma Aiga. Para diferenciá-lo, foi chamado de EVEN.
A diferença é que essa Mediterra e Aiga são realidades ALTERNATIVAS, contrapartes em relação aos nossos mundos do lado de cá!
EVEN é um universo alternativo ao nosso próprio universo o qual supostamente é mais antigo já que a teoria vai mais além ao dizer que Even nasceu de Aden...
— Se estivéssemos num livro não entenderiam nada ou nem prestariam atenção nisso tudo isso que você disse. — Disse a ela.
— Nem todos são iguais a você, idiota — Retrucou.
— Então. Eu venho de... Even? — Samia perguntou.
— Pelo visto sim.
— Que loucura — Falei. — Baseado nisso tudo então também temos "versões alternativas" de nós mesmos?
— Quem sabe? — respondeu Olívia. — Podemos realmente estar num livro.
— Pode ser. Escritores são loucos.
— Que bom que você sabe disso.
Mais tarde partimos.
Ainda debilitado, Sasha recuperou energia o suficiente para voltarmos à cidade. Precisávamos recuperar nossos pertences e pegar outro navio. Samia nos acompanhou e desapareceu sem dizer nada.
O navio já tinha ido embora. Algumas pessoas com as quais Sasha e Olívia ganharam simpatia não acreditavam no que tinha acontecido. Diziam que aquela parte da ilha ficou submersa depois de um forte abalo sísmico.
Aguardamos por uma semana a chegada de uma nova embarcação, vinda de Kastan. Os tripulantes permitiram nosso embarque em troca de algumas moedas de prata.
Olívia entregou-me sua única luva e fez questão de preencher minha mão de dedos tortos com ela. Coube bem. Não incomodava. O casal voltou a demonstrar o bom humor característico. Além de vê-los bem, a melhor sensação foi a intuição de que nos encontraríamos novamente.
* * * * * *
Ás vezes eu escrevia no caderno sem olhar, distraído com a paisagem e meus próprios pensamentos. Quando percebia, o estrago já estava feito: um rascunho legível com palavras que num primeiro momento preferia não revisar.
Maioria das vezes era a minha alma quem escrevia tudo aquilo, ignorando as autocríticas de que tudo era vago, repetitivo.
Não somente o ambiente como as pessoas ao redor também eram inspiradoras em todos os sentidos possíveis. Gostava de observá-las. Seus gestos, posturas, expressões... alguns bem difíceis de descrever. Seus microuniversos poderiam ser genéricos, no entanto, todos possuem particularidades. Mais do que saber se são especialistas em algo. Se possuem alguma força mística. Ou armamentos especiais. Ou sabem técnicas de luta corporal. Eram as profundezas que me cativavam. Esquecia que a qualquer momento poderia me afogar. Então subitamente voltava à superfície. As máscaras voltavam. Preocupado demais sobre como falar ou agir no mundo. Um excesso de cuidado que minava a minha autenticidade. Tentei de várias formas encontrar a minha voz interior durante a ansiedade. Já estava enlouquecendo achando que qualquer coisa que dizia sempre soava arrogante, talvez até mesmo alegórico demais. Conduzia as pessoas ao erro de pensarem que faltava veracidade em mim, como se fosse um idiota tomado pelo ego, vivendo de antefaces. A verdade é que querendo ou não, máscaras caem. Não conseguia esconder por muito tempo quem eu realmente era. Tudo que necessitava era aprender a me expressar melhor. Se como magista nada mudaria ao menos poderia tentar me tornando um alguém melhor. É por isso que decidi me mudar.
Sentado com o frio da janela no rosto, senti uma mão pesada movimentar meu ombro.
— Senhor...? Senhor?!
— Estamos com problemas mecânicos. Desça nessa estação e aguarde o próximo trem. — Entregou-me novas passagens.
Aguardei caindo de sono na plataforma com a companhia de dezenas de pessoas. Depois que o trem chegou ainda demoraram para partir.
A janela fria daquele trem agradava meu rosto. Nada perturbava a minha paz.
— Kenji??! — Uma voz conhecida chamou por mim.
— O-Olívia? — Respondi assustado.
— Você estava aí esse tempo todo babando?
— Babando?
— ACORDA, SASHA! O KENJI TÁ AQUI!
Virei o rosto. O ruivo estava imediatamente ao meu lado, não fazia ideia desde quando. Pelo aspecto ainda não tinha se recuperado totalmente.
— Ãhn... — Grunhiu.
— Vocês não iam para aquela ilha mais ao norte?
— Era o plano, mas... longa história, meu caro! Longa história...
Sasha demorou para despertar. Quando decidiu se levantar, despencou sozinho no chão do vagão. Algumas pessoas ajudaram a esposa dele a colocá-lo de pé. Ao me avistar, disse: — Ishitaki...
— Ei Sasha. — respondi.
Estendeu a mão para me cumprimentar mas ainda reclamava de dores.
— Não faça tanto esforço, idiota!
— Me deixa em paz... — Retrucou.
— Vou te jogar pela janela!
Sorri diante daquela cena.
— É bom ver vocês.
Após uma hora, o trem chegou a Nancledra.
— Então! Mais uma despedida! — Disse Liv.
— Já perdi a conta. Parem de perseguir. — Sorri discretamente.
— Não tem como voltar atrás, Kenji. Nós te amaldiçoamos.
— É, isso aí... Até quando você estiver dormindo nós vamos estar lá. — Sasha complementou.
— Na última vez que isso aconteceu, não deu muito certo. — Respondi.
Todos rimos e não demorou para que Sasha reclamasse de alguma dor. No meio dos gemidos, ainda encontrou forças para falar:
— Ainda tá com... o caderno?
— Claro. — Sorri.
— Se cuida! — Olívia acenou para mim.
Eles se afastaram, misturando-se com a multidão na área da estação.
Uma inspiração veio à cabeça.
Precisava escrever algumas loucuras e assim o fiz.
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