Cosa Nostra

14 Capítulo 13: Verdade e Segredos


Notas iniciais
Espero que gostem!!!!

Ela se afastou minimamente. Eu abri meus olhos e a vi me encarando. E a minha razão voltou como um foguete. Eu a segurei pelos ombros.

- O que você tem com Jasper? – eu perguntei de repente.

- O quê? – ela me perguntou visivelmente confusa.

- Qual é a sua relação com o Coronel Hale? – eu perguntei olhando nos olhos dela.

Ela não me respondeu de imediato, o que me deixou estranhamente irritado. Por que ela estava demorando tanto para responder uma simples pergunta como a minha? Eu respirei fundo tentando não perder a cabeça.

- Minha relação com Jasper? – ela perguntou – Por que você quer saber?

Eu bufei. Ela realmente estava testando a minha paciência. E não era uma boa ideia. Eu a segurei com mais força pelos ombros.

- Qual é a relação de vocês, porra? – eu repeti a pergunta quase gritando.

- Não é da sua conta. – ela respondeu apreensiva.

Eu a afastei um pouco, mas continuei a segurando. Eu olhei demoradamente para o seu corpo, dando atenção especial para seus seios.

- Você está seminua nos meus braços. – eu falei com malicia – Eu acho que é da minha conta sim.

Ela se desvencilhou de mim e pegou sua camisa que estava no chão, a vestindo rapidamente, sem se preocupar em colocar o sutiã, que estava jogado em algum lugar.

- Quem você pensa que é, hein? Você acha que só porque demos alguns míseros beijos eu te devo satisfação da minha vida? – ela perguntou.

- Eu acho que fizemos mais que dar uns míseros beijos. – eu falei.

- Deixe-me colocar de outra forma então. – ela falou com raiva – Independente do que nós fizemos, a minha relação com Jasper não te interessa.

- Eu acho que pelo menos eu tenho o direito de saber se você tem outra pessoa. – eu argumentei já perdendo a paciência.

- Não tem não. – ela respondeu quase de imediato – Nós não temos nada e eu não tenho que me explicar para você.

- Eu não estou com paciência, caralho. – eu esbravejei – O que você tem com o Hale?

- Já te disse: não é da sua conta. – ela respondeu.

- Inferno! – eu gritei e soquei a parede – Você tem uma merda de uma aliança! – eu a acusei e ela ficou mais branca do que já era – Ah... e a foto de vocês dois também é linda! Muito romântica!

- Como você sabe da minha aliança e da foto? – ela me perguntou com os olhos arregalados.

- Não te interessa! – eu respondi.

Eu nunca ia admitir que mexi nas coisas dela. Nunca mesmo.

- Assim como também não te interessa o meu relacionamento com Jasper. – ela retrucou.

Eu fechei as mãos com força para não bater nela.

- Royce estava certo. – eu falei com ódio – Você não passa de uma vadia.

Seus olhos castanhos brilharam de ódio e imediatamente, ela me deu um soco no queixo. Eu senti dor, mas já estava acostumado. Eu coloquei a mão no queixo a olhei sorrindo ironicamente.

- Pode me bater o quanto você quiser, mas isso não vai mudar quem você é. – eu falei.

- Você é um idiota Cullen. – ela falou com sarcasmo – Se acha superior... melhor que todos, mas, no fundo, não passa de um filhinho de papai.

Eu ri alto. Ela realmente não me conhecia.

- Eu sou tudo menos filhinho de papai. – eu afirmei.

- Só porque foi rejeitado pelos seus pais biológicos e adotado quando era adolescente, você quer vir com o papo de que teve uma infância triste? – ela perguntou – Ora, Carlisle e Esme até hoje fazem todas as suas vontades... ou o lindo volvo prata não foi um mimo dos seus pais? E as aulas de espanhol e italiano? As aulas de defesa pessoal? E o apartamento de Nova Iorque? Não foi outro presente dos seus queridos pais?

- Como você sabe que eu fui adotado? – eu perguntei – E como você descobriu sobre os meus pais?

Ela sorriu sem humor.

- Provavelmente do mesmo jeito que você descobriu sobre a minha aliança. – ela retrucou.

Que ódio dessa maldita! Ela se achava a mais esperta por saber da minha vida. Mas eu não admitia que falassem dos meus pais. Eles eram a única coisa boa que eu tinha na minha vida.

- Você não me atinge ao falar dos meus pais adotivos. – eu gritei.

- Do mesmo jeito que você não me atinge ao me chamar de vadia. – ela também gritou.

Nós nos encarávamos com raiva. A tensão era quase palpável.

- Merda! – eu esbravejei.

- Por que você está tão curioso sobre meu relacionamento com Jasper? – ela perguntou com ar de superioridade – Com ciúmes, novato?

Eu ri mais uma vez.

- Faça me rir. Por que eu teria ciúmes de você? Uma mulher fria que não consegue sequer ser agradável.

- Quer uma mulher agradável para comer? Vá a um puteiro. – ela falou.

- Para que ir a um puteiro se eu já tenho você? – eu retruquei.

E outro soco no meu rosto. Que inferno! O soco dela era potente...

- A verdade dói, não é mesmo? – eu a perguntei com um sorriso sarcástico.

- Se antes meu relacionamento não te interessava, agora menos ainda. – ela falou – Eu não tenho culpa se você tem medo de ser rejeitado pelas mulheres como foi pelos seus pais biológicos.

- Você não me conhece. – eu disse.

- Nem você me conhece. – ela respondeu friamente – Agora vá embora! Não temos mais nada para conversar.

- Pois eu digo que temos. – eu falei e a segurei pelo braço.

Ela se desvencilhou e me olhou com raiva.

- Está dispensado, novato. – ela falou com o tom de voz de comando. Naquele momento, ela era a general novamente – Se dirija imediatamente ao dormitório, pois não é hora de novato ficar passeando como se estivesse de férias.

Eu ri com sarcasmo.

- Ao seu lado, seriam férias no quinto dos infernos. – eu falei.

- Me faça um favor e suma da minha frente. – ela falou – E não se esqueça que nessa merda de treinamento, eu ainda sou a General e você ainda é a merda de um novato.

- Do jeito que a senhora quiser. – eu fale batendo continência – General.

Eu peguei minha camisa, que estava no chão, e saí da sala batendo a porta com toda a minha força.

No caminho, eu coloquei a minha camisa. Maldita! Como assim eu não tinha direito? Fica se esfregando em mim e depois vem com esse papo de que não é da minha conta? Ela que fosse para a puta que lhe pariu junto com o Coronel Hale, aliança, foto e o caralho a quatro!

Eu estava indo para a cabana quando vi Rose e o Hale conversando. Ela chorava e ele a abraçava carinhosamente. Apesar de ainda chorar, ela parecia bem mais tranqüila.

Quando ela me viu, ela saiu do abraço do irmão e veio correndo na minha direção. Ele se manteve distante apenas nos observando.

- Obrigada Edward. – ela falou me abraçando – Obrigada mesmo!

- Eu não fiz nada Rose. – eu falei – Quando eu cheguei, o Coronel já estava conversando com a General.

Eu não queria nem me lembrar do que tinha acabo de acontecer com a Swan. Não queria mais tocar nesse assunto.

Rose me olhou por alguns segundos.

- O que aconteceu? – ela me perguntou.

Eu suspirei e passei a mão nervosamente pelo meu cabelo.

- O que a Swan tem com o Coronel? – eu perguntei – Eles são namorados? Noivos? Eu escutei os dois brigando. Ele falando que ela o traiu. Que os planos deles foram para o ralo...

Rose hesitou e depois balançou a cabeça negativamente.

- Quem tem que te contar isso é Isabella. – ela falou – E não eu.

Eu bufei. Era só falar sim ou não! Mas que merda...

- Pois ela acabou de me falar com todas as letras que não é da minha conta. E acho que não é mesmo. Eu nem sei o porquê eu estou insistindo nisso. – eu falei mais para mim do que para ela.

- Não desista dela, Edward. – Rose falou carinhosamente – Vocês formam um casal lindo.

- Não tem do que desistir. Nós não somos um casal. – eu falei – Nós não temos nada. Absolutamente nada. E outra coisa. Eu jamais teria alguma coisa com aquela mulher.

Ela me olhou maliciosa.

- É difícil acreditar nisso. – ela falou.

- Por quê? – eu perguntei sem entender.

- Sua blusa está do avesso. – ela falou segurando o riso.

Eu olhei para a minha camisa. Realmente estava do avesso. Merda!

- Rose...

- Edward – ela falou segurando as minhas mãos – Tenha paciência e, daqui um tempo, você vai entender o que realmente está acontecendo.

- Rose, eu não...

- Eu pensei que a ordem de se dirigir imediatamente para o dormitório tivesse sido clara, novato. – a voz da Swan nos interrompeu.

Eu e Rose olhamos na direção da voz e vimos a General Swan nos olhando com a cara fechada. Imediatamente, Rose largou as minhas mãos.

- A culpa é minha Isabella. – Rose falou para a Swan – Eu parei Edward no caminho para agradecê-lo por ter ido te procurar por mim.

- Aquela vez na enfermaria, eu aceitei as suas mentiras, Tenente, mas hoje não. – ela falou friamente e se virou para mim – Novato, se dirija ao dormitório agora. Amanhã o senhor terá seu castigo.

Rose me olhou se desculpando. Eu dei um sorriso rápido para ela, para dizer que estava tudo bem. O problema era o diabo que estava na nossa frente.

- Sim senhora. – eu respondi a General com ironia.

Eu me virei e fui em direção a minha cabana. Droga... eu precisava de um banho. Minha calça estava suja e eu também. Então, decidi ir para o banheiro, tomar um banho rápido e depois dormir... e se possível, esquecer de tudo que tinha acontecido com a Swan.

...

No outro dia, pela manhã, nós faríamos uma atividade no lago. A Major Weber sorteou as duplas, compostas por um novato e um ‘boina verde’.

A General Swan não participaria da atividade, porque ela tinha que verificar alguma coisa que não me interessa com a Major Brandon.

Sortudo como sempre, eu fiquei no barco com o idiota do Black. Ele já estava sentado no barco quando eu entrei.

- Eu não estou feliz de fazer essa atividade com você, novato – ele disse como se eu estivesse animadíssimo para fazer a atividade com ele – Então, vamos logo para acabar rápido com isso.

- Sim senhor. – eu falei.

O lago era enorme e nós estávamos bem mais afastados dos demais barcos.

- A atividade é fácil, novato. – ele começou a explicar a atividade – Eu vou te amarrar e te jogar no lago. Você tem 45 segundos para se soltar. Passados os 45 segundos, se você não aparecer, eu vou atrás de você. É simples assim. Entendeu?

- Sim senhor. – eu respondi.

Ele me amarrou com os braços para trás e os meu pés.

- Tudo bem? – ele perguntou e eu assenti.

- Até mais, novato. – ele falou de uma maneira que eu não gostei.

Aí, ele me jogou do barco. A água estava gelada e muito turva. Eu não conseguiria enxergar nada embaixo d’água. Aos pouco eu fui afundando e afundando...

Rapidamente, eu comecei a tentar me soltar, mas não conseguia. A corda estava amarrada demais. Meus braços estavam presos muito para trás e eu sequer conseguia me mexer direito.

Eu simplesmente não conseguia me mover. Eu só sentia que eu estava afundando cada vez mais.

Depois de um tempo, eu comecei a me ficar preocupado. Meu ar estava acabando e o maldito do Black não vinha para me tirar do lago.

Eu continuei tentando me soltar, mas era praticamente impossível. Meus pulmões já ardiam, exigindo ar. Eu comecei a me desesperar, mas nada adiantava.

Eu me forçava a não respirar, mas não adiantou muito. Involuntariamente, eu abri a boca e senti a água entrando pela minha boca.

Era desesperador. Minha força foi se esvaindo. Eu já não conseguia me mexer. Eu fechei os olhos e eu comecei a perder a consciência.

E logo veio a escuridão.

...

- Porra novato! Acorda! – a voz da Swan me trouxe de volta.

Eu abri os olhos e a vi. Ela estava sentada em cima de mim. E eu vi que ela suspirou aliviada ao me ver de olhos abertos. Imediatamente, eu comecei a cuspir água.

A General saiu de cima de mim e ficou ajoelhada ao meu lado. Ela me colocou deitado de lado enquanto eu cuspia água e mais água.

Depois de um tempo, eu parei de cuspir tanta água e olhei para a Swan. Ela estava toda molhada. Seus cabelos estavam soltos. Era a primeira vez que os via assim.

- Novato, o senhor está bem? – ela perguntou.

Eu não respondi, porque na verdade, eu não sabia seu eu estava bem ou não. Eu abri a boca para falar alguma coisa, só que saiu mais água.

- Vamos levá-lo para a enfermaria. Agora. – ela falou.

Exausto, eu fechei os olhos. Eu senti que me carregavam em uma espécie de maca. Mas eu não tinha mais força para fazer mais nada. Meu corpo todo doía.

Depois de um tempo, eu abri os olhos e vi que eu já estava na enfermaria. Lá, Rose tirou a minha roupa e colocou uma seca. Eu deitei em uma cama. Eu estava tremendo de frio e ela me cobriu com um cobertor.

Quando eu parei de tremer, eu me sentei na cama e Rose me examinou detalhadamente. Ela auscultou meu coração e meus pulmões. Eu fiquei o tempo todo de olho fechado. Minha cabeça parecia que ia explodir.

Rose fez vários exames em mim, para certificar que eu estava bem.

Então, eu senti o cheiro de morango da Swan e abri os olhos. Ela estava atrás de Rose. Parecia que tinha tomado banho, porque as suas roupas estavam secas agora e seus cabelos penteados. Ela segurava uma xícara com as duas mãos.

- Tome isso novato. – a Swan se aproximou e me deu a xícara, que estava com chá quente.

Eu tomei um gole e senti minha garganta arder.

- Sua garganta vai doer um pouco, Edward, mas tome o chá. Ele vai te esquentar. – Rose falou.

Quando acabei de tomar o chá, entreguei a xícara para a Swan e me deitei. Rose me deu um remédio e eu fechei os olhos. Rapidamente eu dormi.

...

Eu abri os olhos com dificuldade. A luz ainda me incomodava. Olhei para o lado e vi Rose sentada em uma cadeira do lado da cama onde eu estava.

Eu estava meio confuso. Onde eu estava? Aos poucos as lembranças vieram. A atividade. O lago. A falta de ar. O desespero. A Swan molhada. Água saindo pela minha boca. Caralho... eu tinha me afogado.

- Está tudo bem agora Edward. – Rose falou sorrindo como se soubesse da minha confusão interna – Foi só um susto.

- Vaso ruim não quebra. – eu falei tentando brincar e senti minha garganta arder.

- Percebemos isso novato. – a voz da Swan invadiu o quarto.

Eu a olhei. Ela estava com o uniforme de sempre: calça de exército preta e camisa preta com o símbolo dos ‘boinas verdes’ e, claro, a famosa boina verde. Mas ela estava linda.

- O que aconteceu? – eu perguntei com a voz rouca.

A atividade tinha dado errado? Ou eles queriam me matar literalmente?

Ela se aproximou lentamente até ficar ao meu lado.

- Nós conversaremos sobre isso depois. – ela falou em um tom calmo, totalmente incomum para ela.

Será que eu tinha morrido? Para ter uma Swan quase doce desse jeito, eu tinha que ter morrido... e ido para o inferno... o único lugar que com certeza ela estaria.

Ela me olhava como se quisesse garantir que eu realmente estava bem. Eu a olhava sem quase nem piscar. Eu não sabia explicar o que ela tinha que me atraia dessa maneira tão irracional. Era como se eu não tivesse escolha quando estava ao lado dela. Como se fossemos imãs, nos atraindo a todo o momento.

Eu me arrependia de ter dito as coisas que eu disse para ela. Eu havia as dito no momento de raiva. Racionalmente eu sabia que eu não podia cobrar nada dela, mas mesmo assim... a raiva de imaginá-la com o Coronel Hale me fazia perder a cabeça.

- General – eu a chamei um pouco sem graça. Eu não sabia como falar – é... sobre ontem à noite... eu...

- Tudo bem novato. – ela falou olhando nos meus olhos – Eu também.

Ela me respondeu como se estivesse lendo meus pensamentos. Ela não mudou sua feição, que continuou séria e sem emoção, mas seus olhos tinham certo brilho e eu soube que nós estávamos bem novamente.

- Agora descanse. É uma ordem, novato. – ela completou, já com o tom de “general”.

Certas coisas nunca mudam, eu pensei divertido. Eu revirei os olhos, mas assenti e fechei os olhos. Eu estava cansado e meu corpo todo doía. Em pouco segundos, eu já estava dormindo novamente.

...

Eu acordei. Eu estava sozinho na enfermaria. Eu continuei deitado. Eu já não sentia tanta dor no corpo e minha garganta já não ardia.

A porta se abriu e Rose entrou segurando uma bandeja.

- Que bom que você está acordado. – ela falou – Sente-se para tomar essa sopa.

Eu me sentei e ela colocou a bandeja no meu colo. Tinha um prato com sopa e uma colher.

- O que aconteceu? – eu perguntei.

- Eu sei que você quer explicações Edward, mas Isabella vai te contar mais tarde. – Rose falou tranquilamente.

Eu fiz uma careta.

- O que foi? – ela perguntou

- Eu acho estranho você chamá-la de Isabella. – eu falei.

- Eu também. – ela concordou comigo – Estou tão acostumada a chamá-la de Bella que não consigo me acostumar a essas formalidades do exército.

- Por que o apelido dela é Bella? – eu perguntei.

Rose sorriu.

- Tome a sopa que eu te conto. – ela falou.

Eu assenti um pouco contrariado. Eu não queria comer... mas por outro lado, queria saber mais sobre a Swan.

Eu comecei a tomar a sopa e Rose se sentou no pé da minha cama.

- Desde pequena Bella detestava o seu nome. – ela começou a contar – Acho que nem ela sabe o porquê, mas o fato é que ela nunca gostou dele. Dizia que era grande demais e que não combinava com ela. Quando Jasper queria irritá-la, bastava ele a chamar de Isabella. Isso era o suficiente para ela sair correndo atrás dele com o taco de baseball pelo quintal.

- Então, ela é brava assim desde pequena? – eu perguntei.

- Não... definitivamente não. – Rose falou com um tom de nostalgia – Nem sempre ela foi assim. Ela era doce e meiga... mas desde pequena, ela nunca teve muita paciência.

- O que aconteceu para ela mudar tanto? – eu perguntei curioso.

Eu vi a dor estampada nos olhos de Rose. Ela abriu a boca, mas não saiu nada.

- Não precisa falar. – eu falei.

- Obrigada. Tem assuntos que não me fazem bem lembrar. – ela confessou ainda meio abalada.

- Vocês se conhecem desde pequenas? – eu perguntei, mudando de assunto.

- Sim. Nossas mães eram melhores amigas. – ela falou – Nós fomos criadas juntas e nunca nos separamos.

- Deve ser bom ter amigos assim. – eu falei.

- É sim. Bella é minha irmã. – ela disse.

Eu fiz uma careta. Bella... com certeza não parecia com a General Swan, ou demônio, como os íntimos a chamavam.

- Por que você não me conta o que ela tem com seu irmão? – eu perguntei.

- O que você ouviu na briga dos dois exatamente? – ela me perguntou com cautela.

- Ele a acusava de esconder coisas dele... afirmando que ela havia o traído. Ela se defendeu falando que ela não podia contar. Só. – eu contei.

Ela pareceu estar aliviada, como se tivesse algo a mais que isso e eu não podia saber.

- Por que Rose? – eu perguntei desconfiado.

- Nada não. – ela mentiu.

- Rose...

- Edward, por favor. – ela pediu pegando a bandeja com o prato do meu colo e colocando em cima de uma mesa – É mais complicado que você imagina. Esqueça o que você ouviu, por favor.

- O que você está escondendo? – eu perguntei.

- Muitas coisas. – ela me respondeu com visível amargura no rosto – Mas logo vai chegar ao fim. Agora durma mais um pouco. Você precisa descansar.

Ela pegou um livro, se sentou em uma cadeira e começou a ler. Pelo visto nossa conversa tinha acabado mesmo.

Droga! Quanto mais eu procurava saber, mais as coisas se complicavam. Por que Rose foi tão enigmática? O que vai chegar ao fim? Frustrado, eu deitei tentando dormir.

...

Eu estava dormindo quando acordei por causa do barulho, mas continuei de olhos fechados.

- Eu quero falar com ele. – eu escutei a voz alterada do idiota do Black.

- As ordens da General Swan são expressas: ninguém vai se aproximar do Cullen. Somente eu e ela. Ninguém pode entrar na enfermaria e se você tentar novamente, Tenente Black, eu irei reportar a sua conduta à General. – Rose falou firmemente.

- Isso é ridículo. – ele esbravejou – Eu só quero saber se ele está bem.

- Ele está – Rose afirmou – Eu te asseguro isso. Ou o senhor não acredita em mim?

Ele bufou.

- Acho que terei que confiar. – ele respondeu.

- Não se preocupe Tenente Black. Logo saberemos exatamente o que aconteceu. – Rose falou como se fosse uma ameaça

- Assim espero. – ele falou, mas sua voz vacilou.

A porta foi fechada com certa violência. Eu abri os olhos e vi Rose me olhando.

- Acordado há muito tempo Edward? – ela perguntou.

- Um pouco. Estou sendo mantido refém aqui? – eu perguntei brincando.

- Apenas por pouco tempo. – ela falou – São ordens da sua general.

Eu bufei. Ela não era minha. Não mesmo!

- Você já está quase recuperado. Já até podia estar na sua cabana, mas Isabella preferiu que você ficasse aqui... aos meus cuidados. – Rose continuou falando em tom de brincadeira – Sorte sua.

Eu ri.

- Com certeza. – eu respondi rindo.

- Pode se sentar para eu te examinar? – ela pediu.

Eu assenti e me sentei. Ela levantou minha camisa e começou auscultar meu coração colocando o estetoscópio no meu peito e depois meus pulmões, o colocando nas minhas costas.

- Belos arranhões você tem nas suas costas. – Rose comentou como quem não quer nada.

Eu engasguei com o ar. Certamente eram da Swan. Eu me lembrava ter literalmente urrado de prazer quando ela me arranhou as costas. Eu balancei a cabeça tentando não lembrar. Seria um tanto vergonhoso ficar duro na frente da Rose.

Ela gargalhou. Eu sabia que ela falava essas coisas só para me sacanear, mas ela adorava me encher o raio do saco.

- Rose...

- Eu não quero explicações Edward. – ela falou rindo – O problema é seu e da Isabella.

- Você é foda. – eu resmunguei.

- Eu sei. – ela respondeu – Está tudo ótimo com você. Sua cabeça dói?

- Não. – eu disse.

- Garganta? Alguma parte do corpo? Ânsia de vômito? Dor quando respira? – ela perguntou.

- Não, não, não e não. – eu falei e ela sorriu satisfeita.

- Só um momento. – ela pediu e eu assenti.

Ela foi até a mesa e pegou o telefone, discando alguns números.

- Bella? – ela falou – Edward já está liberado. – ela avisou.

Depois de alguns segundos ela respondeu.

- Tudo bem. Ele já está a caminho.

Ela desligou o telefone e me olhou.

- A Isabella está te esperando na sala dela. – ela falou para mim – Troque de roupa e vá.

Eu me levantei da cama.

- Obrigado Rose. – eu agradeci.

- Não tem que agradecer. É a minha função e, além do mais, eu gosto de você. – ela falou.

Eu troquei de roupa atrás de um biombo e saí em direção à sala da Swan. Cheguei até a maldita sala e bati na porta.

- Entra. – eu ouvi.

Então, eu abri a porta e entrei na sala. A General estava sentada atrás da mesa, com uma postura de botar medo em qualquer marmanjo.

O Tenente Black estava sentado do outro lado da mesa, de costas para mim.

- Está dispensado, Tenente Black. – ela falou e ele se levantou e veio na minha direção.

Ele me olhou com ódio, mas antes que pudesse fazer alguma coisa, a Swan já estava em pé ao meu lado.

- Está dispensado, Tenente. – ela repetiu a ordem e se virou para mim – Sente-se novato.

O imbecil do Black saiu batendo a porta e eu me sentei na cadeira onde ele estava sentado anteriormente.

- Mandou me chamar, General? – eu perguntei.

- Sim. Eu quero saber exatamente o que aconteceu com você na atividade no lago. – ela disse se sentando novamente da sua cadeira – Quero que me conte todos os detalhes. E nem pense em não me responder novamente ou mentir. Entendido novato?

- Sim, senhora. – eu respondi.

Eu contei a ela tudo. O que eu e Black conversamos no barco. Ele me explicando a atividade, me amarrando e me jogando na água.

À medida que eu ia contando, a Swan ficava cada vez mais vermelha. Caralho! Eu acho que ela ia surtar a qualquer minuto.

Quando eu acabei de contar tudo que havia acontecido, ela deu um murro com força na mesa. Se eu achava que já tinha visto ela com raiva... eu estava enganado. Aquilo sim era raiva. Ela parecia que ia matar o primeiro que passasse na frente dela.

Ela se levantou, derrubando a cadeira.

- Desgraçado! – ela esbravejou – Maldito!

- Está tudo bem com você? – eu perguntei meio perdido.

Eu não estava entendendo direito o que estava acontecendo.

- Não. Não está tudo bem! – ela me olhou e respirou, tentando se controlar – Não havia atividade assim, Cullen.

- Não? – eu perguntei – Como assim não?

- Não. A atividade não era essa. – ela me respondeu – Pelo visto, o Tenente Black quis se vingar de você, mas ele passou dos limites.

- Você está me dizendo que aquele maldito fez tudo de propósito? – eu perguntei me levantando.

- Sim. – ela confirmou – Ele disse que você se achando o melhor, apostou com ele que você conseguiria se desamarrar a qualquer minuto. E que você pediu para ele te amarrar e jogar na água. Ele disse que foi apenas uma brincadeira entre vocês dois que acabou mal.

Eu tremia de raiva.

- Não foi isso que aconteceu! – eu falei revoltado.

- Eu sei novato. – ela disse – Eu sei.

Eu fiquei um pouco mais tranquilo em saber que a Swan não havia acreditado nas palavras mentirosas daquele maldito! Eu não conseguia acreditar que aquele maldito tinha feito isso.

- Filho da puta! Eu vou matá-lo. Ah se vou! – eu praticamente gritei – Eu vou matar aquele covarde com as minhas próprias mãos.

- Cala boca novato! – ela falou com desdém.

Eu olhei para ela.

- Cala a boca? – eu falei revoltado – Vá à merda! O maldito quase me matou!

- Em primeiro lugar, vá à merda o senhor, novato atrevido! – ela falou com toda a pose de “eu sou general” – E em segundo lugar. Eu sei que ele quase te matou. Fui eu quem te tirou da água inconsciente, merda!

Eu fiquei calado. Ela tinha razão, mas que ele ia me pagar, ele ia. Ah se ia!

- Ele vai ser punido. – ela me falou – Não só fisicamente, mas ele será punido com suspensão sem salário por 30 dias e esse fato vai constar essa advertência na ficha funcional dele.

- Só isso? – eu não podia acreditar – Foi tentativa de homicídio. Fala sério. Não pode ficar assim!

Ela deu os ombros.

- É só o que eu posso fazer. Mas você pode esperar o treinamento acabar e dê uma surra nele... igual você fez com Royce. – ela falou normalmente.

Eu não tive outra reação a não ser rir. A General realmente estava me mandando bater no Tenente??? A mulher era muito louca.

- Com certeza eu vou fazer isso. Ele não sabe com quem ele se meteu – eu falei mais calmo – Ele está fudido.

- É. – ela concordou – Pelo visto, ele realmente está fudido.

- Antes ele do que eu. – eu completei

- Sempre, Cullen. Essa é a regra número dois do grande General Swan. – ela falou debochada – Antes seu inimigo que você. Sempre.

- É a segunda vez que você fala sobre regras do General Swan. – eu comentei.

- Meu pai tinha algumas regras, que segundo ele, eram essenciais para quem quisesse ser general no exército. – ela contou.

- E você seguiu essas regras? – eu perguntei.

- Claro que sim! Eu aprendi com o melhor. – ela falou, mas sem qualquer emoção – E ele era mesmo o melhor. Sério. Concentrado. Competente. Não admitia falhas.

Eu fiz uma careta.

- O que foi novato? – ela perguntou.

- Se você já é o capeta em pessoa, imagina seu pai. – eu falei.

E ela riu. Foi à primeira vez eu a vi rir. Rir de verdade. Não aqueles sorrisos arrogantes e sem emoção que ela tinha.

Eu sorri ao vê-la daquele jeito descontraído.

- Eu não sou o capeta... – ela falou e deu a volta na mesa, se sentando na própria mesa na minha frente – Posso ser um demônio qualquer, mas capeta mesmo era meu pai. Ele sim era o próprio capeta... em carne e osso.

Eu ri.

- Você não fica chateada de te chamarem assim? – eu perguntei.

- Eu já fui chamada de coisas piores. – ela contou – Você nem imagina. Para uma mulher ser general no exército, ela tem que ser a melhor. Não basta ser boa. Tem que ser a melhor. Tem que passar por cima dos preconceitos dos outros. Mostrar a todo segundo que é boa no que faz. Não pode nunca ficar em segundo lugar.

- Eu imagino que tenha sido difícil para você. – eu comentei.

- Foi, mas tudo mais difícil é mais gostoso. – ela me respondeu.

Mais uma vez ela sorriu e eu a olhei nos olhos. Como ela era linda! Eu me aproximei lentamente e a segurei pela cintura, sem nunca deixar de encará-la. A tão conhecida corrente passou pelo meu corpo... e pelo dela também, pois ela arrepiou imediatamente.

- Realmente é mais gostoso. – eu sussurrei.

Eu continuei a me aproximar dela. Nossas respirações já se misturavam. Minha boca estava seca de antecipação. Os olhos castanhos pareciam chocolates derretidos. Quando eu estava a centímetros de beijá-la, ela murmurou:

- De noivado.

Eu parei onde estava, a milímetros da sua boca e arquei a sobrancelha. Mas que merda ela estava falando justamente naquela hora?

- A aliança que você encontrou na minha sala quando você estava fuçando. – ela falou com um tom de voz baixo.

Quem não a conhecesse poderia afirmar que ela estava brava com o fato de eu ter mexido nas coisas dela... mas eu a conhecia e sabia que não... ela só estava fingindo.

Eu não me afastei e nem ela. Sem perceber eu parei de respirar. Eu estava apreensivo. Eu queria tanto saber, mas naquele momento, eu não queria mais. Não queria, porque ela estava me contando que era noiva do Hale, e eu sabia que não poderia me aproximar mais.

- É de noivado. – ela repetiu me olhando intensamente, provavelmente querendo saber a minha reação – E a foto foi tirada no dia que Jasper me pediu em noivado, durante um jantar.

Eu limpei a garganta, tentando falar alguma coisa, mas a sensação que eu tinha era que eu estava engasgado.

- Entendo... – eu falei, por fim.

Eu queria me afastar, mas não conseguia. Meu rosto ainda estava a centímetros do dela. Eu queria saber tanto e finalmente ela estava me contando. Noiva... assim como eu...

Não tinha mais como negar. Ela era dele. Sempre foi. Senti meu peito apertar.

- Mas acabou. – ela sussurrou.

Eu pisquei algumas vezes. O que? Ela não era mais noiva?

- Acabou... – ela repetiu.

Aliviado, eu soltei minha respiração. Naquele momento, parecia que ela havia tirado um peso das minhas costas.

- Não que eu deva a você alguma satisfação sobre a minha vida... mas acabou... – ela falou baixinho.

Eu sorri e ela fechou os olhos. Eu me aproximei mais um pouco dela. Apertei sua cintura e a trouxe para mais perto de mim. Ela passou os braços pelo meu pescoço, me apertando, como se não quisesse que eu fugisse. Nossos corpos estavam colados um no outro.

Ela era a minha perdição. Só podia. As nossas bocas se roçaram e ela arfou. Eu passei a língua pelo seu lábio inferior.

Nesse momento, o maldito do Coronel Hale entrou na sala. Eu me afastei bruscamente e ela colocou as mãos na mesa, buscando por equilíbrio.

- Me desculpem, eu não sabia que você estava ocupada. – ele falou olhando para mim e depois para ela – Eu não queria interromper.

Inferno! Ele não podia esperar mais alguns minutos não? Eu ainda tinha algumas perguntas. Por que acabou? E quando acabou? E sobre quem eles conversavam então? Apesar de aliviado, eu ainda estava curioso. Tinha muitas perguntas e quase nenhuma resposta.

Se não estivesse tão desesperado para beijá-la eu poderia ter perguntado o que eu queria. Eu era um idiota mesmo!

- Você não interrompeu nada Jasper. – ela falou.

Não? Como assim não? Eu olhei para ela revoltado. Claro que ele havia interrompido! Mas ela simplesmente me ignorou.

- Nós já acabamos por aqui. – ela falou e se virou para mim – Está dispensado, novato. E por favor, não fale para ninguém o que conversamos aqui, especialmente para o Tenente Black.

Depois de ser dispensado desse jeito, eu não tinha nada mais para fazer a não ser assentir e sair da sala.

Fui na direção da minha cabana, querendo cair na cama e dormir. Eu sei que eu tinha dormido não sei quanto tempo, mas eu ainda estava cansado.

No caminho, eu encontrei com o filho da puta do Black. Ele me segurou pela gola da minha camisa e perguntou:

- O que você falou para a General?

Notas finais
Pessoas no meu coração...

MUITOOOOOO OBRIGADA pela recomendação à:

- Ana_Bella16

- PATYPATT

- ceciliamarlene

- danete

- club

- FadaFelizz

- Loira_Cullen

- MSM

Meninas, eu amei cada recomendação. Eu quse explodo de felicidade quando leio cada palavra da recomendação de vcs!!!! Muito obrigada mesmo!!!! Vcs são as melhores!!!!

Bjossss