Notas iniciais
Olá féricos, mais um capítulo quentinho que chega a manteiga derrete. Espero que gostem. Sem mais a dizer. Atenciosamente, Daily Poison.

Estava com medo. Aquilo seria a ultima coisa que Rhyagan, filho do Grão Senhor e da Grã Senhora mais poderosos de toda Prythia iria adimitir para alguém, especialmente para seu melhor amigo e irmão gêmeo daquela fêmea que tanto mechia com seus sentimentos. Mais havia algo além do medo, ele estava ancioso para vê-la depois de tantos anos afastados graças a sua covardia.

—Acha mesmo que ela vai me perdoar ?- ele perguntou quase gritando para que o outro macho ouvisse através do vento morno de início de primavera que lhes balançaram os cabelos e ia de encontro com suas asas.

—Cara, vocês eram muito próximos, talvez mais até do que eu e ela, e olhe que dividimos o mesmo local por nove longos meses- Ariel brincou com o amigo. — Você a magoou muito, e ela não esquece das coisas tão facilmente- continuou também gritando.

—Você não respondeu minha pergunta.-

Ariel ponderou fazendo algumas manobras, aproveitando o calor para esticar ainda mais as asas.

—Sim.-

E isso foi tudo que eles falaram durante o resto da viagem para casa. Rhyagan agradeceu por ter um tempo para pensar. Ele e seu primo tinham acabado de terminar o treinamento no acampamento ilyriano do Lord Devlon, o mesmo que havia treinado seu pai e tios. Ele e Ariel passaram no rito sem dificuldades e agoram retornavam pra casa. Pra Velaris.

Ah como ele adorava Velaris. Aquele era o lugar que mais amava no mundo. Não só porquê a cidade era maravilhosa e acolhedora, mais por que era ali que sua família estava. Sentia falta deles, apesar de suas visitas ao acampamento. Mais a pessoa de quem ele mais sentia falta era de Nehemia.

Ela era sua prima, filha de seus tios Cassian e Nestha e irmã gêmea de seu melhor amigo que agora voava ao seu lado em silêncio contemplativo, como se adivinhaste no que o primo estava pensando. Eles nasceram na mesma época e desde pequenos não se separaram. Aonde Nehemia ia, Rhyagan ia atrás e aonde Rhyagan ia, Nehemia estava ao seu lado.

Tudo mudou quando ele completou 8 anos e foi mandado para o acampamento. Rhyagan tomou uma decisão do qual se arrepende a cada suspiro. Ele não manteve contato com a fêmea , ignorava suas cartas e quando ela resolveu visita-lo, ele simplesmente a ignorou a saiu voando para longe. Fora um covarde, sabia que ela não podia segui-lo.

Nehemia nascera com muitos dons. Era mais poderosa até do que ele e estudava sempre para ficar ainda mais. Entretanto, ela não nascera com asas como o irmão. A causa ainda era desconhecida, mas quando ele a viu naquele dia no acampamento, com seus cabelos negros como a própria noite e seus olhos brilhantes como as estrelas, sorrindo pra ele apesar de tudo que tinha feito, ele deu graças ao caldeirão por ela não poder voar atrás dele.

Ele sentiu a raiva e a decepção dela naquele dia pelo laço que ele passara tanto tempo tentando apagar, e nunca esqueceu daquela sensação.

Nehemia não o visitou depois do ocorrido.

—La está ela!- Ariel o trouxe de volta ao presente.

Rhyagan respirou o ar puro com vontade e bateu as asas com mais força. Ele estava de volta, nada mais importava.

—Casa!-

—Acalme-se Feyre, querida, você o viu não faz nem uma semana.- Rhysand falou para sua parceira afim de acalma-la.

A grã Senhora andava de um lado para outro do jardim de sua casa, olhando sem parar para o céu em busca de algum sinal de seu amado filho.

—Eu sei, eu sei…mas é que está demorando, não acha?- ela então se aproximou do parceiro nervosa.

Rhysand apenas sorriu e lhe deu um beijo, mas foi Cassian que respondeu.

— Eles devem ter parado em algum canto, ou apenas estão se divertindo. Não se preocupe, os muleques sabem se cuidar se algo acontecer.-

—Algo acontecer? Como o que? — e o que era pra tranquilizar, acabou deixando Feyre mais anciosa.

Nestha, que estava sentada em uma das cadeiras de ferro, protegida do sol, um pouco afastada deles para poder ler seu livro em paz, semicerrou os olhos para Cassian e balançou a cabeça sem acreditar.

—Fracamente Cas…-

—O que?- disse o general dos exércitos da corte noturna sem entender.

— Não há pra quê tanto alvoroço querida, o que Cassian quis dizer- e então Rhysand repreendeu o amigo com o olhar, recebendo apenas um sorriso sapeca em resposta. -É que eles estão bem e…-

Um bater de asas e sombras o interrompeu.

—Como eu disse, estão bem!- e então ele virou sua parceira para que visse. Rhyagan e Ariel haviam acabado de pousar na frente da casa e já passavam pelo pequeno portão da entrada. Ela correu para o encontro do filho e o abraçou forte.

—Ai que saudade-

—Não é pra tanto mãe, eu te vi só a alguns dias, não deu tempo de sentir minha falta ainda .- Rhyagan sorria sem se desvencilhar dos braços carinhosos da mãe.

—Seu pai estava morrendo de preocupação!- Feyre o soltou e gesticulou pro marido.

— Sei, tenho certeza de que era ele.- e então o garoto foi até o pai para comprimenta-lo também, deixando para traz sua mãe que já estava enroscada no pescoço do seu sobrinho.

—Oi pai!- Rhy abraçou o pai, e embora o abraço tenha durado menos, ele também pode sentir o carinho e o alivio do pai por tê-lo em casa novamente.

— Você está quase tão bonito quanto eu agora que cresceu filho!- Rhysand brincou com o filho descansando uma mão em seu ombro.

— É claro pai, como a mamãe sempre diz, você é o grão senhor mais lindo.-

— Eu nunca disse isso!- Feyre agora estava do lado dos dois rindo, feliz por sua família está finalmente reunida. — Vamos entrar!- E então ela se virou para o lado e encontrou Cassian brincado com o filho, se é que aquela brutalidade pudesse ser chamada de brincadeira. Nestha sorria contida ao lado dos dois. — Todos nós, os meninos devem está famintos e o almoço já está pronto.-

Então todos seguiram para a casa. A mansão melhor dizendo, onde todos da família moravam menos Amren, mas isso não é novidade. A casa nova da família era enorme, sua mãe pensou em cada detalhe.

O hall de entrata era espaçoso, pois tinha que comportar várias asas ao mesmo tempo. Um longo corredor seguia, com varias salas de fins diversos anexadas a ele, e no fim, uma escada larga e luxuosa dava acesso ao andar superior, onde os quartos de todos esperavam. Eles passaram pela escada e foram para a direita, caminhando até que o outro corredor se tornou uma sala ampla com vários sofás e poltronas adaptados para asas ilyrianas, um tapete confortável, decorações um pouco duvidosas e uma lareira para os dias frios. Também naquela enorme sala, havia uma mesa de jantar grande o bastante para comportar todo o círculo íntimo de seus pais. Um móvel de madeira escura que combinava com o resto da decoração de toda a casa.

E lá, sentados ao redor da mesa já servida, enquanto bebericavam um vinho, estavam Morrigan, Azriel, Elain e até mesmo Amren havia aparecido, entretanto quem Rhyagan queria encontrar não estava-la.

—Onde está a Mia? — Foi Ariel quem perguntou pra ninguém em especial enquanto se aproximava dos outros para lhes abraçar.

Os sorrisos sumiram. Todos olharam para Rhys, que logo entendeu a deixa e começou a falar.

—Ah…sua irmã não está em casa.- Disse enquanto caminhava pra cadeira mais proxima, acompanhado de Feyre. Ele puxou a cadeira para ela sentar-se e então tomou o lugar ao seu lado.

—Isso eu já persebi pai, queremos saber aonde ela está?- Dessa vez Rhyagan que perguntou.

Todos já haviam sentado, mas o herdeiro da Corte Noturna continuou em pé em busca de respostas.

—Ela está na Corte Primaveril a convite de Niklaus- Rhys falou por fim, depois de trocar olhares significativos com a mulher, que acentiu delicadamente.

—ELA O QUÊ ?- o garoto rugiu sem se importar com o que iriam achar. Conhecia a reputação do filho de Tamlin, e apesar de seus pais terem feito as pazes com o grão senhor da Corte Primaveril, nada de bom poderia vir de um encontro desses.

— Fomos convidados a um tempo atrás, mais sua mãe e nenhum desses bonitinhos aqui quiseram me acompanhar, apenas sua prima se dispois a não me deixar ir sozinho e eu aceitei. — Rhysand falou com calma.

— E por quê ela continua lá ?- Ariel perguntou ao pai que comia ao seu lado sem se preocupar com a tensão que pairava sobre a sala.

—Depois do jantar daquele dia, Niklaus a convidou para passar uns dias lá com ele e dado as circunstâncias atuais, ela aceitou a proposta e tem ido pra lá regularmente visita-lo para…-

Mas Cassian não conseguiu terminar de explicar. Rhyagan explodiu de raiva.

— COMO VOCÊS A DEIXARAM FAZER UMA COISA DESSAS? ENLOUQUECERAM DE VEZ ? — ele bufava ao andar de um lado para outro, as mãos fechadas em punho balançando paralelamente ao lado de seu corpo com fios de escuridão se esroscando entre seus dedos, subindo por seus braços.

Todos na sala o observavam com cautela.

— Eu vou busca-la!- ele falou quase num sussuro e então não esperou que revidassem, já havia tomado sua decisão.

Escuridão o envolveu e ele sumiu.