Corrompido.
1 Capítulo I - Um dia anormal.
Notas iniciais
Londres, 01 de setembro, 06:24am
Acordei. Abri os olhos com certa dificuldade, a luz matinal cinzenta ofuscava meus olhos, como aquilo era horrível. Bocejei, e tomei uma coragem grotesca para me levantar, ao colocar meus pés no chão estremeci. Estava frio, a madeira havia aparentemente congelado durante a madrugada, ou algo do gênero, quem sabe. Me esgueirei ainda sonolento até a janela. Abri. O vento frio zumbia em minhas orelhas, gotas de orvalho tocaram meu rosto, e um montinho de folhas secas se amontoaram no meu quarto. O mesmo (quarto) era simples, possuía um cama de casal em seu centro, uma mesa com folhas amassadas, bolinhas de papel e alguns desenhos ao canto, e um guarda roupas preto em outra extremidade. As paredes eram cinzentas, e possuía uma janela acima da cama.
Me dirigi até o espelho que pairava sobre o guarda-roupas e me olhei. Eu estava escroto. Meus cabelos claros — quase loiros, estavam num amontoado para um só lado. Meu semblante era de alguém que acabara de ser esmagado por mil caminhões. Meus olhos azuis pouco apareciam, devido a minha sonolência. Era magro, mas não tanto. Alto — um metro e setenta. Desci, desanimado afinal era o primeiro dia de aula. Isso seria legal para um popular cheio de amigos, mas não para mim. Havia me mudado recentemente para um apartamento, no qual vivia só. Minha mãe mensalmente me mandava quantias generosas de dinheiro. Ela estava nos Estados Unidos, estudando sua grande paixão, Artes. Eu herdara, amava desenhar, mas não qualquer coisa. Apenas Mangas.
Era 1 de setembro, iria começar as aulas. Estava com 17 anos e cursava o terceiro ano do ensino médio, era desatento durante as aulas, e adora arrumar encrencas. Me estreitei até o banheiro que ficava no mesmo corredor de meu quarto, tomei banho e me vesti para o colégio. Estudava em uma escola cara, então todos os alunos — sem exeções, deviam se vestir usando um terno azul, com uma gravata vermelha e dourada ( saias no caso das meninas ), coloquei a roupa que eu achava medonha e peguei minha bolsa. Sai do prédio. Parei em uma padaria para tomar Café, comprei rosquinhas e um café com pouca cafeina, pois sempre fica imperativo quando me submetia a cafeina, por este motivo não tomava coca-cola. Comi lentamente enquanto ouvia músicas em meu Ipod, por algumas vezes pensei ver borrões correndo pelo olho do canto, mas era bobagem.
Terminei o café da manhã, e paguei. Saía da Padaria de esquina e segui andando ao colégio, este era perto. Durante o caminho algo estranho aconteceu comigo, estava caminhando vagarosamente quando um homem me agarrou. Este homem era fedido, urrava, tinha os olhos amarelos e revirados, e estava muito gelado, como se o sangue não circulasse.
– Me solte! — Ordenava inquieto, enquanto o mantinha longe de mim usando os braços. — Não tenho dinheiro, oque quer? Me solte marginal! — Ditei com a voz serena em um tom alto. Queria gritar mas não tinha ninguém na rua, isto também era estranho.
O sujeito me pressionava contra uma grade de um beco e tentava abocanhar minhas mãos, eu estava aterrorizado com a situação. Não aguentaria por muito tempo aquilo meus braços estremeciam, e meu coração pulava para fora de meu corpo. Tomei uma atitude. O empurrei o homem desnorteado caiu contra o chão mas não expressava nada. Continuei olhando a criatura com cuidado, até que notei que ela começava a se levantar. Corri. O mais rápido que conseguia, cruzei ruas, e avenidas sem prestar atenção. O homem estava bem distante, mas sua memória não saía de minha mente. Cheguei na escola, cansado e ofegante.
A escola era bem planejada, era contornada por um muro azulado, e possuía um grande arco na frente onde era a entrada. Eram três prédios, todos igualmente da mesma altura, e cor — azuis. Os edifícios eram conectados por pontes suspensas no topo de cada um, cada prédio era para um estágio do ensino. Tinha uma quadra na parte de trás e um jardim preenchia os vazios das construções. Entrei. Fui até o terceiro prédio do ensino médio, antes passei na secretaria e peguei meus horários. Minha primeira aula era história, eu odiava história, para que saber dos mortos? Mal eu sabia que esta pergunta seria um equivoco. Me esgueirei até a sala, era no último andar, sala três. Me perdi mas um dos funcionários me ajudou, chegando na sala pude observar que eram poucos os alunos existentes, eram apenas 20 sem contar com o professor. Este era moreno e musculoso, possuía cabelo ralo e semblante maltrapilho, mas era gentil e caridoso.
– Atrasado — Falou o mestre enquanto intervia para consultar a lista de chamada. — Sr. Digorio! — Concluiu enquanto me encarava com seus olhos castanhos e batia o pé no chão á espera de uma explicação. — Não deveria deixar você entrar, mas bem é o primeiro dia de aula... Mas que isso não se repita Diego!
Encarei o professor enquanto bufava ele havia errado meu nome 2 vezes, o nome dele era Chuck. Pelo menos era oque constava no quadro. Retirei minha mochila das costas e me sentei ao lado de um garoto corpulento, cheio de espinhas, um típico nerd. Retornei meu olhar ao professor que ainda me olhava intrigado, notei que ele queria uma explicação. Ou melhor exigia uma.
– Desculpas, Professor, um louco me atacou — Parei enquanto notava alguns alunos abrirem um sorriso discreto, até o professor. — Sério! — Concluí, enquanto pegava meus livros de história.
– Claro, claro Sr. Diogo! Não estamos duvidando de nada. — Falou o professor ironicamente, enquanto se acomodava na cadeira.
– D — I — G — O — R -Y! — Bradei estupefato enquanto franzia o cenho e encarava Chuck.
– Que seja Diodoro. — Bufei.
Sem dúvidas aquilo era uma causa perdida ele nunca iria saber meu nome, desisti. O professor exibia um semblante orgulhoso enquanto colocava uma plaqueta de metal sobre sua mesa escrita " Mr. Chuck ", logo depois escreveu algumas questões no quadro. Notei uma garota de cabelos loiros presos em um coque e olhos verdes como esmeraldas sentada atrás de mim, era tão linda. Sem chances precisava falar com ela, mas não agora. Continuei olhando por ela cima do ombro, mas ela percebeu pouco tempo depois, e apenas, sorriu. Estava focada fazendo alguns rabiscos sem formas.
– Está feio! — A garota suspirou e me ignorou. Notei que ele estava fazendo uma caricatura de um semblante familiar. Meu semblante, me assustei. — Ei! — Bradei a garota pigarreou e mais uma vez me ignorou. — Você está me desenhando? — Disse enquanto revirava meus olhos confuso. Desisti, ela não ia me dar “bola”.
Alguns minutos depois o sinal tocou. Era o fim da aula. Guardei meus livros, e revirei minha bolsa procurando meu horário, o encontrei. A próxima aula seria ciências. A sala era no andar de baixo. Desci. Chegando lá havia uma aglomeração, e um bilhete na porta no qual estava escrito;
Prezados alunos,
Sinto informar que não poderia comparecer, o caos esta chegando por aí. Recomendo que se abriguem, e se protejam. Os ensinos não são necessários agora, apenas a sorte e a fé.
Srta. Stacy Jones.
Encarei o bilhete nervoso e confuso, não sou todos estavam sentindo a mesma sensação. Por um breve momento me lembrei do homem que me atacou hoje de manhã. Notei entre os alunos a mesma garota da última aula, aquela que me ignorara. Me virei novamente para a porta, e notei algo na parte debaixo da folha. Estavam rabiscados números em caneta vermelha e uma frase mal escrita.
26° 37' 45" N,70° 53' 1" W
Quando perigo chegar, olhe no verso. E mais chances terá.
Poucos notaram as coordenadas e as frases, entre os que notaram estava a garota de olhos esmeraldas. Instantes depois o zelador da escola saiu do elevador, pigarreou.
– Vocês! Desocupados, podem ir para a lanchonete. — Disse franzindo o cenho. — Mas não atrapalhe as outras classes! — O zelador gritou para que todos ouvissem. Em seguida entrou na escada e desapareceu. A garota da aula anterior saiu irritada, e não se deu conta que algo caiu de sua bolsa. Me dirigi ao papel que estava amassado no chão devido ás pisadas de outros alunos, e o peguei. Era o desenho do meu rosto, estava bem caprichoso. Em baixo estava a data e o nome da pessoa que o desenhou. Sorri. Estava assinado como “ Larissa B. “, finalmente me animei. Agora poderia falar com ela, com o pretexto de entregar o desenho. Enquanto eu pensava o corredor havia se esvaziado e só restava eu. Peguei o elevador e desci até o pátio do colégio. Depois caminhei até uma sala, esta era imensa. Possuía dezenas de mesas e cadeiras espalhadas ao longo do lugar. E uma cantina na parede. Entrei. Pude facilmente perceber a garota, ela estava sentada em uma mesa redonda sozinha, focada em um livro de capa velha. Apertei meu passo em direção á ela, ela ainda não havia me notado.Quando estava á alguns metros alguém me empurrou. Um garoto forte de cabelos loiros e ralos, e a jaqueta do time de futebol da escola irrompeu na minha frente. Estava acompanhado por mais duas pessoas, um garoto baixo de careca, e uma garota de cabelos maltrapilhos e olhos negros. Me encararam.
– Olha por onde anda, Diodoro! — Falou o loiro cuspindo. — É Diego! — Falou a única menina do trio enquanto se agachava e me encarava. — Não, não! É Diogo. — Falou o careca. Os três riram, e em seguida voltaram a caminhar.
Eu estava esparramado no chão, os livros saltitaram de minha bolsa, e estavam atracados no chão. Quando estava recolhendo o desenho uma mão tocou na minha. Era a garota da primeira aula, ela me encarava e olhava para o desenho.
– Acho que isso é meu! — Disse bufando. Depois arrumou seu cabelo, pegou o desenho e se levantou. — Bem, desculpas. Sou Larissa Black. — Continuou, ela estendeu a mão e me ajudou a levantar. Olhou o desenho e o amassou, depois caminhou tranquilamente até o lixo e o arremessou.
– Você me jogou fora! Como ousa?! — Ela riu timidamente e passou a mão sobre uma mecha que lhe caía no rosto. — Prazer sou Digory Campbell. — Falei sem jeito, enquanto me levantava. A garota assentiu, e voltou a sua mesa. A segui. Ela me olhou curiosa e sentou.
– Posso me sentar? — Perguntei já puxando a cadeira e jogando minha bolsa em outra. Ela apenas assentiu. — Porque você me desenhou Black? — Falei risonho.
– Ah Deuses por favor, não me chame de Black! — Falou enquanto me fuzilava com seus olhos esverdeados. — Bem confesso. Na hora que você chegou estava lendo sobre Narciso, você me lembrou ele, então o fiz. — Disse enquanto dava uma longa golada em seu suco de laranja.
– Deuses…? Deuses tipo, Zeus, Poseidon? — Perguntei curioso, enquanto pegava um chiclete de meu bolso e comia. Larissa assentiu, mastigou seu Hot-Dog e me encarou. — Pera, Narciso? Quem é este? — Ele me olhou furiosamente e engoliu seu lanche.
– Sim, Deuses, meus avôs eram gregos. Então minha cultura é essa está entendo? — Cessou observando o trio de malfeitores atazanar uma garota. Então retornou a me olhar. — Ceús! Narciso é um menino que era muito lindo, e morreu olhando seu próprio reflexo. Entende agora? — Eu assenti, e a olhei repentinamente.
– Espera! Você me chamou de bonito. — A garota riu, mas logo depois tomou um ar sério. Jurei que ela irei atacar seu lanche na minha cara, mas seu olhar não estava voltado a mim. Mas sim aos três que me empurraram. Pigarrei e me levantei, observei o membro do time de futebol empurrar o garoto no chão, enquanto os outros dois vasculhavam a bolsa dele em busca de dinheiro. O menino gritava aterrorizado. Levantei. Saí correndo em direção dos três. Ouviu apenas a decendente dos gregos gritando para eu parar, mas agora eu a ignorei.
Avancei sobre os que mexiam na bolsa do garoto e os empurrei, ambos caíram. Puxei o garoto mais forte pelo ombros, ele se voltou a mim. Parti para cima dele. Caímos. Rolamos. Eu estava em cima dele segurando ele com todas minhas forçar, mas ele se remexia muito. E depois me jogou para o lado, subiu por cima de mim. Levou suas mãos para trás e depois me deu um soco. Minha visão ficou turva, senti uma dor grotesca no nariz. Antes de desmaiar apenas vi o zelador chegando e o tirando em cima de mim. Ouvi Larissa me chamar, mas meu nariz latejava. Saía sangue do mesmo, fechei meus olhos. Apaguei.
Notas finais
Gostaria de avisar que os zumbis apareceram no próx. capitulo, então calma. =D
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