Correndo em Círculos

9 Capítulo 9: Um erro prestes a vir


Notas iniciais
Oi gente! Fiquei meio chateada que no capítulo passado metade das pessoas que costumam comentar, comentaram. Se estiver ruim me falem, e tenham paciência, a parte top da fic – se eu conseguir escrever como eu imagino as cenas – ta chegando ♥ ♥ Música do capítulo: So Undeniable - Kathryn Dean – ela não tem nada haver com o capítulo, mas tem essa frase que tem bastante haver, então... Nesse capítulo tem uma cena que alguns de vocês estavam me cobrando já á um tempinho... Bem, sem mais enrolações, BOA LEITURA!

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Algumas semanas depois...

Desde o encontro de Karina e Pedro na praia, as coisas correram bem até demais, Pedro, quase sem tempo para sua Esquentadinha, sempre arrumava alguns minutos no dia para lhe mostrar todo seu amor, nem que fosse através de mensagens de texto -- que eles acostumaram tanto a trocar que quase não desgrudavam de seus celulares --, e toda vez que eles se encontravam era como se um fio entrasse em contato com a água, toda energia se dispersava e as coisas acabavam saindo do controle, com Pedro arrumando alguma desculpa ou alguém interrompendo os momentos em que seus corpos ardiam de desejo e suas pupilas se tornavam negras como a noite.

Mas Karina não desistia, ela achava que entendia o nervosismo do namorado e confiava nele – mesmo quando Vicki aparecia, destilando seu veneno em cima dela, fazendo-a se sentir patética por alguns segundos e então, quando seu namorado aparecia protegendo-a e consolando-a, ela se lembrava de suas promessas, de seu corpo queimando de desejo por ela e de seu olhar a cada ‘eu te amo’ e voltava a sorrir.

Pedro usou e abusou desse tempo para se preparar para dizer à Bianca que iria contar para Karina, ficando nervoso a cada dia em que ela ia com Karina visitá-lo durante seu turno no Perfeitão. Agora ele estava em casa, deitado em sua cama enquanto dedilhava seu violão em busca do ritmo perfeito para a música que escrevia.

–- Seus olhos azuis como o céu e o mar me fazem te amar. Esse seu jeito, meio, ajeito, vento... Hm... o que mais rima com jeito?

–- Compondo música, é? – pergunta Tomtom, sonolenta, levantando a cabeça debaixo de seus cobertores com os olhos semicerrados, tentando se acostumar com a claridade. Pedro abre um de seus sorrisos amarelos enquanto assente. – Essa é mais uma pra Karina? Você ta melhorando, em? Pelo menos não ta escrevendo mais sobre o wiggle wiggle das garotas. – completa ela, se levantando e se aproximando enquanto coçava seus olhos.

–- Haha. Muito engraçado, maninha. Mas eu sou um músico sério e só escrevo letras sérias. – responde Pedro, irônico.

Tomtom ri. – É, muito sério. – e se senta ao lado do irmão. – Esse é o seu presente dos seis meses de namoro?

Pedro arregala os olhos, se lembrando que eles estavam chegando perto do meio ano de namoro.

–- Pior que não... ainda não sei o que dar de presente pra ela. – admite. Alguns dias atrás aquilo era só o que ele pensava, mas depois de imaginar mil e um presentes desistiu por um tempo, nada parecia bom o bastante para sua Esquentadinha e seis meses deviam ser muito bem comemorados.

–- Uma música seria uma boa... – murmura Tomtom. – Mas você já escreveu Esse Seu Jeito. Não é muito original... – completa ela, colocando um dedo no queixo enquanto pensava em alguma coisa. – Você sabe de alguma banda ou algo assim que ela goste? Soube que o David Guetta e o Rappa vão tocar aqui no Rio...

Pedro assente, mas ainda não estava satisfeito. Ele mexe mais um pouquinho em sua mente, tentando achar a criatividade para o presente perfeito. Abre um sorriso ao se recordar de algo que Karina daria tudo para fazer.

–- Maninha... você pode me ajudar com algumas coisas ai? – pergunta ele, alegremente, esse definitivamente seria o presente perfeito.

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No dia seguinte, depois de Pedro se arrumar para escola, ele, como de costume, esperou pela namorada na praça José Wilker. Estava ansioso para dali a alguns dias, quando eles comemorariam meio ano de namoro e esperava que ela gostasse de seu presente o tanto que ele estava se esforçando para realizá-lo.

–- Pê! – murmurou uma voz, despertando-o, ele se levantou do banco onde estava, com um sorriso no rosto ao ver Karina correr em sua direção e a abraçou quando ela se aproximou o bastante.

–- Minha Esquentadinha lindinha, a mais linda de todas as Esquentadinhas! – murmurou o garoto, fazendo-a rir.

–- Iiih! Acordou mais maluco que o normal hoje, foi isso? – disse a garota, rindo, depois de lhe dar um rápido beijo nos lábios.

Pedro sorri ainda mais, apertando-a em seu abraço com uma das mãos enquanto acariciava seu rosto com a outra.

–- Só por você, minha linda. – responde ele, encarando-a nos olhos com aquele brilho no olhar de quando sempre à via.

Karina fica sem graça com sua declaração, como de costume, mas não fala nada.

–- Você sabe que dia que está chegando, minha Esquentadinha? – pergunta Pedro, ainda sem desgrudar seus olhos dos dela, que fica séria, de repente.

Karina já havia planejado seu presente de meio ano de namoro a um longo tempo e a cada dia que passava, ficava mais ansiosa para dá-lo. Ela não queria ficar de mãos abanando novamente como acontecia todo mês, como no mês passado, quando ele lhe deu as luvas de box mais caras que existiam ou ainda, no seu quarto mês de aniversário, quando ele fez aquele festa com o pessoal da academia e ela pôde lutar com cada um deles. Afinal, seis meses de namoro não é pra qualquer um. Ainda mais os namorados sendo ela e Pedro, que até um ano atrás agiam feito gato e rato e qualquer pessoa diria: se odiavam.

–- Sim. Eu sei. – responde ela, sorrindo, suas mãos ainda no pescoço do namorado. – E esse mês eu vou ter um presente pra você. – avisa, tentando parecer misteriosa.

Pedro ri do jeito dela e a beija na bochecha.

–- Ah é? Eu também vou te dar um presentão.

–- Hmm... interessante. Vamos ver se esse presentão é tão bom quanto o meu. – ironiza ela, e quando ele também abre seu sorriso sapeca, diz: -- Que vença o melhor.

–- Que vença o melhor. – rebate ele, sorrindo; e depois de os dois se beijarem, vão cada um para o seu destino.

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À noite, depois de Pedro trabalhar sem parar no Perfeitão, recebendo, como de costume, sua namorada, ele começou a limpar as mesas e a organizar o restaurante, afinal, já era hora de fechar.

Cantarolava uma música qualquer enquanto erguia algumas cadeiras para limpar o chão quando sua mãe aproximou-se, séria.

–- Filho. – chamou ela e esperou que Pedro se virasse em sua direção para falar o que tinha para falar. – Você têm se esforçado bastante, e eu estou muito orgulhosa do que você está fazendo. Errar é um pecado humano, mas consertar seus erros é uma benção humana que não é pra qualquer um. – e estende uma mão cheia de dinheiro. – Por isso eu estou te entregando esse dinheiro, pra você consertar seus erros.

Pedro arregala os olhos ao ver aquele dinheiro, seu coração falhando uma batida. Estar em um cenário daquele, com sua mãe, havia o feito se lembrar da promessa que fizera á si mesmo e que agora não havia mais como fugir.

Pegou o dinheiro da mão de sua mãe, engolindo em seco, suas mãos tremendo.

–- Você tem que ser forte, meu filho. Não pode desistir de contar pra ela agora. – fala Delma, entendendo o silêncio do filho como um ponto de interrogação. Devia ou não contar?

Pedro assente. – Eu vou contar, mãe. É só que... nesse sábado a gente vai comemorar meio ano de namoro e eu não quero presentear ela com uma notícia dessas. – admite ele, se escorando em uma mesa, meio abalado.

Delma se aproxima do filho, também se escorando na mesa ao lado dele e acariciando seus cabelos.

–- Por isso mesmo, Pedro. Já se passou seis meses. Daqui a pouco se passa um ano. Você não pode enganá-la por tanto tempo. Quanto mais você demora a contar, mais vai machucá-la. – diz ela, sabiamente, mas Pedro permanece intocável. Não iria fazer isso agora, precisava de mais tempo.

–- Eu juro, mãe: domingo mesmo eu conto. E amanhã mesmo eu entrego esse dinheiro pra Bianca. – diz ele, encarando-a, decidido.

Delma suspira, se rendendo. Tinha medo que seu filho acabasse do mesmo modo que seu pai, vivendo uma vida de mentiras.

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No dia seguinte, Pedro não foi dar bom dia para sua namorada, como era de costume, ao contrário disso, mandou duas mensagens de texto, uma para ela, dizendo que tinha que chegar mais cedo no colégio e a outra para Bianca, pedindo que ela o encontrasse no Perfeitão na primeira hora da manhã, quando ele sabia que era quase certo que estaria vazio.

Agora ele estava sentado em uma das mesas de dentro, sua perna mexendo de baixo para cima, nervosa e suas mãos passando por seus cabelos a cada segundo de espera. Olhou no relógio, mais uma vez, eram vinte para as sete, se Bianca demorasse mais um pouco ele ia perder o ônibus para o colégio.

Mas ela não demorou, assim que ele tirou os olhos do relógio, avistou sua cunhada adentrando o restaurante, confusa.

Ele se levantou, afobado, ficando de frente para ela.

–- Nós precisamos conversar. – murmura, apontando para a cadeira em sua frente, e quando ela se senta, passa suas mãos por seus cabelos mais uma vez.

Bianca ri.

–- O que foi? Ta querendo fazer mais uma surpresa maluca pra minha irmã no aniversário de vocês? – pergunta ela, sorridente, colocando os cotovelos sobre a mesa.

Pedro respira fundo três vezes seguidas, para então tirar os dois mil reais de seu bolso e colocá-los na sua frente. Bianca encara aquele dinheiro, assustada.

–- O que é isso? Você roubou um banco? – pergunta ela, rindo nervosamente.

Pedro nega com a cabeça.

–- Não. Esse é o dinheiro da demo da minha banda. – responde, sério e Bianca olha de novo para o dinheiro em cima da mesa e depois para ele. – Eu não quero mais viver com essa culpa. Saber que A Galera da Ribalta ta fazendo sucesso só por causa do meu namoro com a Karina ta me comendo de dentro pra fora. Não quero mais viver com esse dinheiro no meu bolso e na minha consciência.

Bianca sente seu coração ameaçar pular pela boca, mas fecha os olhos e respira fundo, rindo logo após.

–- Tudo bem. Eu aceito esse dinheiro de volta, se isso vai te fazer feliz. – fala ela, sorridente, esticando a mão para o dinheiro e o guardando na sua bolsa, fazendo menção de se levantar.

Pedro intercepta a mão dela, segurando-a forte para que ela o encarasse.

–- Você não está me entendendo. Não é só com esse dinheiro que eu não posso viver. Eu vou contar pra Karina. – fala ele e Bianca sente tudo desandar dentro dela.

–- Não. Você não vai. Você não é egoísta, e não vai querer apanhar da minha ir...

–- Eu sou egoísta, sim. E mesmo se a Karina me bater, chorar ou quiser terminar comigo, eu vou contar. Ela merece saber. – interrompe ele, encarando a garota com um olhar de pura determinação, sua garganta queimando.

Bianca cerra seu próprio maxilar.

–- Isso não diz respeito só a você!

–- É verdade, e é por isso que eu te chamei aqui. Vai ser muito melhor pra Karina se nós dois contarmos isso juntos. – responde Pedro e sente a garota tremer.

–- Não. Nós não precisamos contar. Ela nunca vai saber se não contarmos. – e se levanta, irritada, correndo para fora do restaurante.

Pedro bufa, se levantando e indo atrás dela. Já esperava que não fosse fácil convencê-la, mas isso não fazia da tarefa menos difícil.

Encontrou-a parada na calçada, de costas para ele.

–- Bianca, olha... – chama ele e ela se vira, uma máscara de medo cobrindo seu rosto, seus olhos molhados querendo derramar as lágrimas. -- quando meu pai traiu a minha mãe e eu vi, eu disse que ele devia contar para ela porque sabia que era o certo. E foi naquela época que eu resolvi contar pra Karina também, porque eu percebi a dor que ela sentiria se descobrisse isso sem querer. Eu estava sentindo aquele dor. E então, você me convenceu a não contar, dizendo exatamente isso: que ela nunca saberia se não fosse por nossas bocas.

Bianca assente, olhando para ele quase sem piscar, sua expressão caindo cada vez mais ao ouvi-lo.

–- Mas hoje, depois que a minha mãe descobriu tudo da pior maneira possível e depois de vê-la chorar dia após dia, eu percebi: a mentira é uma máscara que a gente usa, e quando essa máscara cai, o rosto não será o mesmo que seria se á tirássemos de bom grado. Quanto mais você mente, mais o seu rosto apodrece e mais as pessoas vão querer manter distância de você.

“É por isso que nós temos que contar. Porque se contarmos agora, ainda temos uma chance de ela nos perdoar. Agora se passar dez, vinte, trinta anos ou se ela descobrir por outra pessoa, eu não sei se ela seria capaz.”

Quando ele termina, Bianca está com as duas mãos sobre o rosto, que está molhado de chorar e o corpo tremendo de tanto soluçar.

–- E-eu sei que o certo seria contar. Mas eu não sei se conseguiria olhar para o rosto dela e ver a mágoa, o ódio naqueles olhos novamente. – admite a garota, enquanto secava suas lágrimas. -- Quando ela me viu com o Duca, esse foi o maior desafio: ver os olhos dela. E com o Duca era diferente, ela não gostava dele de verdade, mas você... eu sei que ela ama você.

Pedro sentiu sua garganta secar ao ouvir aquilo e fechou os olhos para que as lágrimas que ameaçavam cair se mantivessem lá dentro. Ele respirou fundo e abriu novamente os olhos.

–- Se você quiser, deixa que eu conto. Você estar lá, ao meu lado, já basta. – fala ele, tentando parecer forte, enquanto em seu interior havia uma guerra de sentimentos: medo, pavor, nervosismo e melancolia.

–- Obrigada Pedro, mas... você tem certeza que quer fazer isso? Ela vai nos odiar demais. Eu não vou aguentar vê-la chorando de novo por causa minha. – diz ela, com sinceridade e Pedro suspira.

–- Vai ser difícil, mas eu to determinado.

Bianca assente.

–- Eu ainda acho que isso não vai ser uma boa, mas sei que mesmo sem mim você vai fazer, então... – ela respira fundo. – Eu vou estar lá.

Pedro sorri e os dois se viram juntos, ele, aliviado e ela, amedrontada.

–- É isso mesmo que eu ouvi? Pedro ta pegando as duas irmãs? Sabia que aquela Machinho não ia te segurar, mas até eu to com pena dela agora. – diz uma voz, fazendo Pedro e Bianca se encararem, congelados.

Vicki aparece em suas frentes, um sorriso presunçoso nos lábios de quem acaba de encontrar um pote de ouro no fim do arco-íris.

Notas finais
Entãão???????? O que vocês acham que a Vicki vai fazer? Será que ela vai se comportar? E o que o Pedro e a Bi vão falar pra ela? E esse presente da K e do Pedro? O que será, em?? Só sei que nada sei... :B Essa semana eu to cheia de coisa pra fazer então acho que posto só no sábado. Mas comentem, pode ser que assim eu arrume um tempinho pra escrever! ;) Beijinhos!