Correndo em Círculos
10 Capítulo 10: As pessoas se apaixonam de maneiras misteriosas
Notas iniciais
–- Vicki... não é nada disso que você ta pensando. – fala Pedro, nervosamente e vê a garota rir.
–- Quantos anos você acha que eu tenho? Cinco? Não seja tolo de pensar que eu vou cair nesse papinho de “não é isso que você está pensando”. – diz ela e se aproxima, passando uma mão pelos cabelos de Pedro. – Eu sabia que tinha um cafajeste por baixo desse cavalheiro todo, mas você me surpreendeu, em? Logo a Bianquinha? As aparências enganam mesmo. – completa, encarando Bianca com um olhar malicioso.
–- Você é muito sem noção mesmo, em garota? Eu e o Pedro não temos nada. – diz a outra, irritada.
–- Ah é? Então qual é o segredinho que a Karina não pode saber?
Pedro e Bianca se encaram, em uma pergunta silenciosa do que pode e não pode ser dito.
–- E ai? Vão me falar ou eu vou ter que contar pra Machinho esse infeliz casinho entre vocês dois? – diz Vicki, quebrando o olhar entre os cunhados.
Bianca bufa, encarando a garota, com raiva.
–- Olha aqui, garota... quem você pensa que é, em? – grita, ameaçando atacá-la, mas sendo segurada por Pedro.
Vicki ri, desdenhosa.
–- Chega vocês duas. – interrompe Pedro, irritado e pega Vicki pelo braço. – Pode parando com essa palhaçada!
A garota ri, encarando as mãos dele com uma expressão maliciosa.
–- Que foi, Cabeludinho? – pergunta ela, com a voz aveludada. – Não se contenta com duas?
Foi o que bastou, Bianca se aproxima tão rapidamente que só se vê um vulto, e lhe dá um tapa estalado no rosto, deixando o rosto da cantora avermelhado.
–- Pelo visto não é só a Esquentadinha que é uma bruta ciumenta. – fala Vicki, furiosa, passando as mãos pelo lugar atingindo enquanto a atriz ria.
–- Vicki... você tem que entender, eu e a Bianca não temos nada um com o outro. – diz Pedro, quase implorando com o olhar.
–- Então qual é o segredo? – pergunta Vicki, segurando o olhar dele, não iria desistir.
Pedro passa as mãos pelos cabelos, nervosamente, mordendo os lábios.
–- Nós vamos contar pra ela domingo... e tudo vai estar resolvido. Não complica as coisas pra mim logo agora. – pede ele, mas ela não cede.
–- Complicar? Eu não quero complicar nada. Eu só quero saber. É pecado eu estar curiosa? – diz, sorridente.
Bianca bufa, irritada.
–- Quer saber, garota? É besteira... o.k.?! Nada demais...
–- Se não é nada demais, pra que o drama?
Bianca revira os olhos, mas no fundo sentia seu corpo tremer de medo, assim como Pedro, que decide mudar de estratégia. Aproxima-se, com um olhar desolado.
–- Vicki... por favor... eu te imploro... não fala nada pra Karina, vai? – pede, com sinceridade. – Eu vou resolver isso e eu sei que pode não ser bom pra você que isso aconteça, porquê você quer alguma coisa comigo, mas... eu amo a minha Esquentadinha, cara. E eu prefiro que você não saiba de meus erros com ela, pois eles me envergonham.
Vicki, pela primeira vez em muito tempo, não desconfiou das palavras dele, olhar naqueles olhos chorosos e escutar aquela voz à beira do precipício havia á amolecido. Ela não acreditava no amor, nenhum pouquinho, mas ela acreditava nas pessoas e em seu poder de redenção. Um segredo só deve ser espalhado pela pessoa que o guarda.
Por isso ela assentiu, seus olhos sem desgrudar dos dele um segundo sequer e sua garganta começando a queimar quando Bianca soltou uma risada que dizia: “se faz de perigosa, mas é mole...”
Pedro sorriu, aliviado, sua respiração voltando ao normal e seu coração desacelerando.
–- Muito obrigado! Você é uma pessoa muito melhor do que eu pensei. – fala, agradecido e ela apenas suspira.
Bianca se coloca na frente do cunhado, os olhos estreitados para a cantora.
–- Olha aqui, em... eu to de olho em você! – diz ela e depois parte para a Ribalta.
Pedro também segue seu caminho, em direção à parada do ônibus e Vicki morde os lábios ao vê-lo se distanciar. Raiva acumulada em seu peito. Raiva de si mesma por não fazer jus ao seu apelido e raiva de Pedro por desconcertá-la daquela forma que nenhum garoto jamais fizera. Não queria admitir, mas as provocações com a namorada do garoto não eram apenas brincadeiras, ela tinha sentimentos por ele e aqueles sentimentos a deixavam cada vez mais nervosa, burra e perigosa.
Sentiu um gosto ferroso na boca e sua saliva se tornar vermelho sangue. Ela não podia se permitir ser tão fraca.
Dois dias depois...
Karina acordou animada naquele dia, pois finalmente chegara sábado e estava tudo planejado para que desse certo, seu pai sairia com Dandara -- e ela tinha certeza que passaria a noite com a mulher --, Bianca sairia com Duca e ela e Pedro enfim poderiam ficar juntos sem ninguém para atrapalhar. Agora ela estava na frente do espelho, tentando se convencer ao máximo que era bonita o suficiente para ele, tentando enxergar seu reflexo com outros olhos. Hoje, pela primeira vez na vida de Karina, ela queria estar linda.
–- Que tanto você olha pra esse espelho? – pergunta Bianca, ao ver o olhar irritado da irmã ao se olhar no espelho.
Karina se vira para ela, suspirando.
–- Eu quero fazer algo diferente hoje... – responde, levantando-se da penteadeira e se sentando ao pé da cama de Bianca. – E-eu... quero que a nossa primeira vez seja hoje. – admite, nervosamente.
Bianca congela, mas tenta não pensar no que a esperava no dia seguinte. Talvez ela não fosse gostar de saber que foi enganada pelo namorado um dia depois de dormir com ele pela primeira vez, mas aquilo dizia respeito apenas à sua irmã e Pedro e ela não podia fazer nenhuma escolha pelos dois.
–- Bi, você ta ai? – pergunta Karina, assustada, entendendo mal o silêncio da irmã.
Bianca abre um sorriso, tentando acalmá-la.
–- To sim... eu só to surpresa. Achei que você fosse demorar pra estar preparada pra esse passo. – admite.
Karina se vira de volta para o espelho, enxergando seu reflexo com uma expressão nervosa, os olhos querendo pular das órbitas.
–- Você acha que ele vai me achar bonita? Sabe... sem as roupas? – pergunta.
Bianca encara a irmã, sorridente. Pelo visto, mesmo não sabendo agir diante de seus sentimentos, Karina era como qualquer adolescente, senão pior... ela também tinha esse tipo de insegurança.
–- Você é linda, Ka. E o Pedro vai te achar ainda mais linda quando isso acontecer.
–- Você quer dizer... hoje. – diz Karina, firmemente. E depois se vira para a irmã, que continha um sorriso triste no rosto e o cenho franzido. – Eu quero me arrumar pra ele. Eu sei que é bobagem, que ele gosta de mim assim, mas eu quero que ele me veja e tenha orgulho de eu ser sua namorada, assim como foi aquela vez no show. – e suspirou. – Pode ser que assim ele pare de arrumar desculpinhas pra não ir até o fim comigo...
Bianca não diz nada, apenas se levanta e pega na mão da irmã, a fazendo também se levantar e ficar na frente do espelho.
–- Ka... olha pra você. Sabe o que eu vejo ai na frente do espelho? – sussurra, em seu ouvido, com as mãos em seus ombros. Karina nega, olhando curiosa para o espelho. – Eu vejo uma garota linda, que não precisa de maquiagem, cabelos longos, sapatos caros ou unhas pintadas. Você daria orgulho pra qualquer um, do jeitinho que você é e exatamente por isso que você os daria orgulho, porque você não precisa de nada pra ser bonita. A sua beleza é tão natural quando o sol, Ka. – fala ela, e vê os olhos de Karina se encherem de água e uma de suas mãos cobrirem a sua, agradecida.
“Se você se sente bem com essas roupas, esse cabelo curtinho e esse rosto limpo, por que se preocupar com o que os outros pensam? Só o teu sorriso vale todo o preço de uma roupa de grife.”
Em meio às lágrimas, Karina sorri.
–- Mas se vestir-se melhor vai te fazer mais confiante, eu posso te ajudar... – completa Bianca, sorrindo de volta, enquanto sentia seus olhos imitarem os dela e se encherem de toda angústia e medo que sentia pelo que fizera com sua irmãzinha. – Só não faça isso por obrigação, o Pê te ama exatamente como você é e tenho certeza que ele só não foi até o fim por medo. Use algo que te faça feliz.
–- Obrigada Bi... – e secou suas lágrimas, sorridente. – e hoje eu realmente vou querer a sua ajuda. Não só com o figurino, mas com tudo... – e riu, corada. – eu to muito nervosa. Quero que tudo seja perfeito.
Bianca não diz mais nada, apenas beija sua cabeça e começa a pentear o seu cabelo para o lado, com um sorriso no rosto, se dependesse dela, aquele iria ser o melhor dia da vida de sua irmã.
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Pedro acordou de bom humor naquele dia, sua cabeça podia continuar pesando uma tonelada e seus olhos poderiam estar caindo de tão preocupados, mas naquele dia nada iria estragar o seu humor e o de sua namorada. Ele levantou cedo, pois já não aguentava mais ficar deitado na cama, esperando o sol aparecer, vestiu suas melhores roupas – jaqueta de couro de motoqueiro, uma camiseta de banda, jeans escuros e all star --, e dedilhou seu violão a manhã inteira -- sendo xingado diversas vezes por sua irmã, que tentava dormir --, até que o relógio marcou oito horas e ele decidiu visitar sua namorada.
Chegou na hora certa, Karina estava sentada diante da mesa, tomando seu café da manhã de costas para a porta quando ele a abriu, sem bater.
–- Que surpresa! Se não é o nosso Capirotinho?! – murmura Gael, irônico, quando o vê se aproximar, Karina se vira em direção ao namorado que abre o maior de seus sorrisos e a beija rapidamente. – YO! Respeito, em? Isso aqui é casa de família, não um bordel! – resmunga o pai da garota, rabugento.
Karina ri, vendo seu namorado erguer as mãos em um sinal de rendimento.
–- Desculpa, mestre, mas é que hoje é o nosso aniversário... – fala o garoto, sorridente.
Gael revira os olhos.
–- É pai... para de bobagem. Foi só um selinho... – fala Bianca, tentando ajudar o casal.
Karina assente, agradecida pela ajuda da irmã.
–- Bem... eu só queria avisar pra você estar preparada às sete horas pra mim te mostrar o seu presente... – fala Pedro, depois de um tempo de silêncio.
–- Como assim? Mostrar o presente depois das sete horas? E ainda por cima, sem a minha presença? – estrebucha Gael, preocupado.
Pedro arregala os olhos e se apressa em se corrigir: -- Que isso, sogrão! No maior respeito...
–- É... pai. Eu vou ta aqui, não se preocupa. – mente Bianca, apressadamente, e o homem relaxa.
–- Bem pai... eu acho que já vou indo pra academia... – diz Karina, já tendo terminado sua refeição, se levanta e pega a mão do namorado, puxando-o para fora dali. Pedro apenas a segue, confuso, em direção à porta de saída, e quando ela parou, em frente à sua casa, encarou-a.
–- Você não vai me dizer aonde a gente vai hoje à noite? – pergunta ela, curiosa, seus olhos encarando-o tão profundamente que ele sentiu um arrepio roçar sua pele.
Ele sorriu, colocando suas mãos em volta de seu rosto e beijando-a suavemente nos lábios. Karina suspira quando ele se afasta, quando ele a beijava daquele jeito, repentino, todas as suas peças se desmontavam.
–- E você acha que uma carinha bonitinha vai fazer eu te falar? – brinca ele, deixando-a emburrada.
–- Ah Pedro! Não me diz que você vai fazer mistério?! Eu preciso me preparar pra suas loucuras. – murmura.
Pedro morde os lábios, ainda sem tirar o sorriso do rosto.
–- Simples... veste o que você quiser e prepara o seu coração pra muita adrenalina. – fala ele, despertando ainda mais a curiosidade da menina, que bufa, frustrada.
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Depois daqueles dias de reflexão, a raiva de Vicki só aumentou, ela queria arrumar um jeito de despertar Pedro, mas não se sentia forte o suficiente para mentir sobre o caso dele com Bianca. Aquilo seria jogar sujo e por mais que isso fosse o que ela sempre fazia, sua consciência pesava só de pensar. Ela já havia destruído vários corações, de meninos ou meninas, mas ela queria ganhar Pedro por mérito próprio e não por causa de uma mentira.
Foi com esses pensamentos que ela foi até a Acquazen. Não visitava Roberta fazia uma semana e isso era muito considerando a grande amizade que as duas estavam criando, sempre contando seus romances uma para outra e trocando ideias sobre as coisas da vida, afinal, as duas pensavam muito parecido.
–- Oi Rob! – disse Vicki, ao avistar a morena de olhos puxados amarrar os cabelos em um coque e caminhar em direção a pequena.
Roberta abre um sorriso ao vê-la, mas logo o desmancha ao reparar na expressão da cantora.
–- O que houve, Vicki? Aquela Esquentadinha te bateu de novo, foi isso? – perguntou.
Vicki bufa e se senta em um banco, sendo seguida pela professora de natação.
–- Não... pior que isso. Eu descobri que o Cabeludinho tem um segredo perigoso sobre ela.
Roberta sente seu corpo queimar e encara a garota com animação.
–- Isso é maravilhoso! Você já descobriu o que é?
Vicki nega, e baixa o olhar, envergonhada.
–- Eu tava perto de saber, mas dai...
–- ‘Dai’ o quê? Não me diz que aquele Guitarrista conseguiu te enrolar?! – diz Roberta, olhando-a, surpresa.
Vicki cora e desvia o olhar.
–- Eu decide não saber... alguns segredos são perigosos demais. – fala ela.
–- E é exatamente por isso que você precisa saber! Segredos perigosos são muito mais aproveitados com pessoas perigosas. – fala a outra, sorrindo grande.
Vicki fica em silêncio por um tempo, pensando se havia feito mal em contar isso para a amiga.
–- Bem... se você não quer saber, nem contar pra essa garota... não posso fazer nada. – diz Roberta, e se levanta.
Vicki encara a amiga, aliviada por poder confiar nela, e abre um sorriso.
–- Você com certeza vai achar outros modos de fisgar esse guitarrista. – diz a professora de natação, e completa em pensamento: Mas eu não vou achar nenhum outro modo de me vingar dele.
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Mais tarde, depois de Pedro passar o dia cheio de ansiedade, enfim chegou a hora em que ele iria buscar sua Esquentadinha. Ele bateu na porta dessa vez, e esperou que Bianca aparecesse para entrar na casa, onde se sentou no sofá, as pernas tremendo de nervosismo.
Bianca riu do jeito do cunhado, pensando que mal sabia ele o que o esperava...
–- Vou buscar a Ka. – fala ela e vai para o quarto.
Ao entrar se depara com sua irmã encarando seu reflexo no espelho novamente, mas dessa vez com confiança. Sorriu. O que uma mudança não fazia?
–- Ta pronta, Ka? – pergunta a mais velha, colocando uma mão no ombro da irmã em forma de apoio.
Karina se vira para ela, e mesmo nervosa assente. Não ia arredar o pé, hoje ela se doaria por completo para Pedro. Ergueu a cabeça e caminhou em direção à sala, ansiosa pela reação do namorado.
E ele não à desapontou, assim que pôs os olhos em sua Esquentadinha, sentiu seu corpo queimar de orgulho e abriu um sorriso torto, desmanchando-o depois de alguns segundos.
–- K-Karina? – fala ele, boquiaberto e Bianca decide por sair do lugar e deixá-los á sós.
–- Bem... já vou saindo, gente. Se cuidem, em? E juízo! – fala a garota, piscando um olho malicioso para sua irmã, que cora.
Pedro ainda não havia tirado os olhos da namorada.
–- Você... você não ta vestindo isso só pra me... – mas antes que ele completasse seu pensamento, Karina se aproximou, colocando um dedo na frente dos lábios dele e falando:
–- Shhh... não. Eu não to vestindo isso pra te contentar. Eu to vestindo isso porque eu quero que essa noite seja diferente e especial e eu queria me sentir assim também em relação às roupas...
Pedro fica calado, apenas encarando seu corpo naquele macaquinho preto. E por fim, sorri.
–- Você sabe que pra mim você é linda de qualquer jeito, néh? – pergunta, encarando seus olhos e apertando seu corpo contra o dele.
–- Sim, eu sei... e eu realmente quis dar uma mudada hoje, não por você, mas por mim. – responde a garota, fazendo ele suspirar, assentindo.
–- Se é assim... vamos lá?
–- Hmmm... depende. Você vai ou não me contar aonde a gente ta indo? – pergunta a garota, fazendo jogo duro. Pedro ri do jeito dela, e a aperta ainda mais em seus braços.
–- Isso você só vai saber quando a gente estiver lá, minha linda.
Ela não se surpreendeu com a resposta do namorado, apenas assentiu e os dois desceram juntos as escadas em direção ao táxi que já esperava ali na porta.
–- Damas, primeiro. – murmura Pedro, abrindo a porta para Karina. Ela entra no carro, toda sorridente, sendo seguida pelo garoto. – No lugar combinado, por favor. – diz ele, ao taxista e depois se senta para trás novamente, abraçando sua namorada.
A viagem até o seu destino foi demorada, na opinião de Karina, que roía as unhas, cheia de curiosidade. Mas depois de quase uma hora eles chegaram ao lugar e depois que Karina desceu do táxi ela não se aguentou de tanta alegria.
–- AI MEU DEUS! EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ME TROUXE AQUI, PÊ! VOCÊ É MESMO MALUCO! – grita ela e Pedro abre o maior de seus sorrisos.
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