Correndo em Círculos
6 Capítulo 6: Você reflete em meu coração
Notas iniciais
Depois da grande confusão que ocorrera no Perfeitão na noite de quarta-feira, o resto da semana correu – dentro do possível – normalmente. Vicki finalmente parara de provocar Karina por um tempo e Pedro estava tão atolado de coisas para fazer que o máximo que chegava a fazer com sua Esquentadinha eram alguns beijos roubados na frente do pai dela quando ela o visitava no Perfeitão, ou entre suas aulas na Ribalta.
A insegurança de Karina diminuíra, mas sua frustação não. Pensava que àquela altura ela e Pedro já teriam passado para a próxima fase do namoro, mas estava enganada: eles só se afastaram dessa fase. Queria um tempo á sós com ele para que conversassem, pois sabia que alguma coisa estava errada. Ele parecia distante, atordoado e arrependido, como se ficar perto dela lhe trouxesse mais preocupação do que prazer.
Em meio aos seus devaneios, viu um soco vindo em sua direção e, assustada, tentou desviar e tropeçou nos próprios pés, caindo no chão em seguida, finalmente recordando-se que estava treinando no ringue com Duca.
–- Ka... você ta bem? – perguntou ele, se agachando ao lado dela.
–- To, eu só desequilibrei. – respondeu ela, e ele sorriu, sarcástico.
–- É... acho que eu te acordei com meu soco, não é? Por que é que você anda tão pensativa?
Ela suspirou.
–- Sei lá... o Pedro anda meio estranho. – admitiu, aceitando a mão que ele oferecera para ela se levantar, aflito ao vê-la daquele jeito.
–- Por quê? O que ele anda fazendo? – perguntou seriamente. Via Karina como sua irmãzinha desde que começara a treinar na academia de Gael e sentia-se na obrigação de fazer esse papel de irmão, preocupando-se sempre que achava que tinha que se preocupar.
Karina encarou-o, nervosa.
–- Ah... sei lá. Ele parece preocupado com alguma coisa. Mas deve ser neurose minha... – respondeu, começando a tirar suas luvas. – Acho que já deu de aula por hoje.
–- É... se você continuar assim, perigo a aula acabar e você continuar ai parada até anoitecer. – brincou Duca, sorrindo.
Karina fez uma cara de deboche e então saiu dali, indo em direção ao Perfeitão. Era sábado, recém nove horas da manhã e ela sabia que era dia em que o Perfeitão estaria cheio, mas também sabia que não ia aguentar ficar sem falar com Pedro.
Assim que entrou no restaurante, Pedro apareceu, saindo do banheiro, amarrando um avental às pressas na cintura enquanto olhava para seu relógio nervosamente, como se tivesse pressa para sair logo dali, os cabelos levemente amarrados para trás no estilo surfista. Karina abriu um enorme sorriso no rosto, ele ficava lindo daquele jeito despreocupado, o cabelo preso lhe dava um ar rebelde.
–- Pê. – chamou ela e ele sorriu ao ouvir sua voz, os olhos ficando bem fechadinhos como sempre ficavam quando ele abria aquele sorriso.
Ela se aproximou.
–- Minha Esquentadinha! – murmurou ele, puxando-a para seu abraço e lhe dando um beijo rápido nos lábios.
Karina riu do jeito dele e não pôde deixar de notar seu tom de alegria ao vê-la ali, sozinha, sem Gael ou ninguém da academia por perto. Parecia que ele queria que ficassem sozinhos tanto quanto ela...
–- Será que hoje você arruma um tempinho pra gente? – perguntou, passeando seus dedos pelo pescoço nu dele provocativamente, seus olhos mergulhando dentro dos dele junto com sua voz rouca sinalizando um pedido carinhoso.
Pedro sentiu a garganta secar, queria tanto ficar perto de sua Esquentadinha e nunca mais a largar, mas as coisas não eram tão simples assim, havia prometido para sua mãe que ajudaria no restaurante o final de semana inteiro e aquilo significava que só sairia dali depois da meia noite, exceto, é claro, pela uma hora de almoço que tinha mais tarde.
Karina começou a fazer carinho em seu rosto e ele suspirou, não conseguiria dizer não para ela, olhando-o com aquela carinha.
–- Daqui duas horas eu tenho um tempinho pra almoçar... ia comer qualquer coisa aqui mesmo, mas se quiser a gente pode sair e comer juntos. Eu posso até pedir uma horinha a mais livre pra minha mãe. – disse ele, ansioso.
Karina sorriu levemente, não era bem isso que ela queria, mas tudo bem... almoçar com ele até que seria uma boa, por mais que não fosse por muito tempo. Assentiu.
–- O.k., então você passa lá em casa daqui a pouco, namorado. – sussurrou em seu ouvido, arrepiando-o.
Ele fechou os olhos, apertando-a mais contra si, com saudades dos momentos em que eles ficavam o mais perto possível e então, ela se afastou, dando-lhe um rápido beijo nos lábios antes de sair dali. Ele ficou olhando-a bobamente enquanto ela corria para fora do restaurante. Aquela sua bundinha...
–- Filho! Mesa... – chamou sua mãe, e ele suspirou, abrindo uma carranca antes de pegar os cardápios e atender ao pedido dos clientes.
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–- Bete, eu queria pedir pra você deixar o almoço por minha conta hoje. – disse Karina, assim que chegou em casa, interrompendo a limpeza da empregada. Almoçar em casa hoje seria perfeito, seu pai estava ocupado com alguns problemas domésticos da academia e Bianca ia sair com algumas amigas, então a casa seria inteiramente dela e de Pedro.
–- Como assim, menina? Desde quando você cozinha? – perguntou a mais velha, rindo.
Karina sorriu, envergonhada.
–- É que eu marquei de almoçar com o Pê e queria fazer algo diferente... – disse ela, baixinho. Bete sorriu maliciosamente, esses jovens!
–- O.k... eu já entendi. Posso almoçar com a Solange e a Dona Dalva se quiser... – falou, ainda com o sorriso malicioso nos lábios. – E não se preocupa que seu pai não precisa ficar sabendo de nada disso... – e piscou para a menina.
Karina se desmanchou de tanto corar, queria achar um buraco no chão e sumir. Pensar no que Bete estaria pensando dela no momento lhe dava desconforto.
–- O.k., Bete. – disse, se virando para ir para seu quarto.
–- Psiu, mas olha em... não esquece de usar proteção. Se quiser eu busco pra você na farmácia...
Karina arregalou os olhos, como se fosse possível, estava ainda mais envergonhada. As coisas não poderiam ficar mais constrangedoras do que já estavam.
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Assim que o relógio marcou onze horas em ponto, Pedro se apressou em terminar tudo o que tinha que fazer e tirou seu avental às pressas, indo para o banheiro para ver se estava apresentável para sua namorada.
Olhou-se no espelho, seu cabelo, mesmo preso, estava todo bagunçado, suas mechas crespas fugindo do penteado. Passou suas mãos por ele furiosamente, não queria perder muito tempo com arrumações, pois estava doido para ficar com sua Esquentadinha, mas também não queria chegar lá todo mal ajeitado. Refez o penteado e sorriu para o espelho, saindo do banheiro em seguida.
–- Não esquece Pedro, vou deixar você sair porque sei como é ficar longe da namorada quando se é jovem, mas quero você aqui ao meio dia, se não, nada de salário! – falou sua mãe, interrompendo sua corrida, ele sorriu, piscando para ela e prometendo que não a deixaria na mão.
Beijou-a na bochecha antes de sair dali às pressas em direção à casa de sua namorada.
Não bateu na porta, estava tão ansioso que simplesmente esquecera-se e só percebeu isso quando já havia entrado. Sorriu, vendo Karina de costas para ele, na frente do fogão. Resolveu fazer uma pequena surpresinha, fechou a porta silenciosamente e caminhou na ponta dos pés até chegar nela, que cantarolava alguma música, passou suas mãos na volta de sua cintura e roçou seu rosto por sua nuca, beijando-a ali.
Ela se arrepiou, pulando ao senti-lo ali, tão perto, e derrubando a colher com que mexia a comida no fogão. Estava surpresa demais para emitir qualquer ruído. Fechou os olhos, sentindo seu coração bater mais rápido e algo quente borbulhar em seu estômago.
–- Hmm... que cheirinho bom! – sussurrou ele roucamente em seu pescoço, deixando-a incerta se ele falava dela ou da comida. – O que é?
–- Escondidinho de purê com frango e bacon. – respondeu ela, sorridente.
Ele assentiu. -- Mas pensei que a gente fosse almoçar fora... – completou, nervosamente.
Ela se virou, ficando de frente para ele, mas sem ainda sair de seu abraço.
–- A casa estava vazia... pensei que fosse uma boa. – respondeu ela, baixinho, sua voz se igualando à dele no quesito rouquidão.
Ele sentiu-se ainda mais nervoso, sua pele arrepiada onde as mãos dela acariciavam em seu pescoço. A ideia de ficar sozinho com ela, em sua casa, com o quarto dela à apenas alguns metros de distância era tão sedutora quanto perigosa.
Engoliu em seco. – É... muito boa. – murmurou, e ela o encarou, seus olhos brincando pelos declives de sua face enquanto observava cada pedacinho dela, suas sobrancelhas grossas, seus olhos pequenos e arregalados ao retribuir seu olhar, sua boca, lábios superiores finos e inferiores carnudos e sedutores.
Sem que Pedro se desse conta, ela já estava puxando-o para mais perto, suas mãos brincando por seu pescoço enquanto seus lábios faziam o contorno de seu maxilar até sua boca, beijando-o como já estava querendo à dias, seus lábios nada gentis sobre os dele e sua língua investindo furiosamente contra todo seu interior. Gemeu ao senti-lo retribuir seu ardor, fazendo movimentos circulares em suas costas com as mãos para então deslizá-las mais abaixo e puxá-la para mais perto ainda. Ela apertou seus ombros com vontade, ajudando-o a erguê-la em seus braços e abraçar seu corpo totalmente contra si.
Ela entrelaçou suas pernas na cintura dele e sentiu-o hesitar, afastando seus lábios dos dela. Gemeu de frustação, puxando sua cabeça contra si novamente e sentindo-o beijar seu pescoço. Tateou suas mãos para trás em busca do botão do fogão e desligou-o, deslizando-as então para os cabelos dele e puxando-os. Pedro sentiu sua pele arrepiar, sabia que não podia passar ainda mais dos limites, mas ela estava deixando-o maluco. Resistir se tornava cada vez mais difícil perto dela.
–- Hmmm... você não sabe o quanto eu pensava em te beijar assim de novo. – sussurrou ele, ofegante.
Ela sorriu de lado, as bochechas vermelhas ao constatar que as mãos dele continuavam em suas nádegas, segurando o corpo dela contra si.
–- E você não sabe o quanto eu amei o seu cabelo assim. – brincou ela, encarando-o enquanto mexia em algumas de suas mechas.
Ele riu.
–- Não foi só o cabelo, não é? – rebateu, fazendo-a corar ainda mais. Mas ela resolveu deixar a timidez de lado naquele dia e respondeu seriamente, ainda encarando-o intensamente nos olhos:
–- É verdade. – foi o que bastou, ele esqueceu-se de tudo, puxou seu rosto para o dele e beijou-a com desejo, deixando que ela apertasse suas pernas ainda mais contra o corpo dele sem interromper, seu corpo pulsando por mais contato.
Em um ato impensado, ele a levou para mais longe, para o corredor, sem interromper os beijos por todo seu corpo, as mãos brincando em áreas cada vez mais perigosas, a parte de dentro de sua coxa, a lateral de seus seios... Ela retribuía suas carícias com apertos em seus ombros, unhadas em suas costas e puxadas em seus cabelos. Mas depois de um tempo, ele cansou de carregá-la e deixou que as pernas dela caíssem no chão novamente enquanto a prendia contra a parede, seus lábios agora contra o pescoço nu dela.
–- P-P-P-ê-ê. – sussurrou, entre longas inspirações, Pedro a encarou, sorridente, suas mãos ainda sobre o quadril dela. Ela sentiu seu interior todo aquecer diante do olhar dele, por mais que não fosse a primeira vez que ele a olhava assim, era cada vez mais desconcertante quando suas pupilas dilatavam de desejo por ela. Ela se sentia estranha, como se estivesse em mais um de seus sonhos quentes com ele e fosse acordar logo, logo, frustrada por estar sozinha em sua cama. Fechou os olhos, esperando que quando os abrisse ele não estivesse ali.
Pedro riu do jeito dela. – Ta maluca? – perguntou, acariciando seu rosto, ela abriu os olhos, ainda sem acreditar.
–- É você mesmo... – sussurrou baixinho e ele franziu o cenho e abriu a boca para expressar sua confusão, mas ela foi mais rápida, tomou os lábios dele em mais um beijo intenso, enquanto levava suas mãos para sua cintura e erguia sua camiseta, ele a ajudou a tirá-la, jogando-a longe em seguida, sem se preocupar que eles estivessem no corredor, sua cabeça uma ruína de sensações, sem espaço para raciocínios. Beijou-a novamente, o toque dela direto em sua pele queimando-o como fogo, suas mãos, sedentas por mais daquele toque, acariciando-a por baixo de sua blusa que ela não tardou a erguer para fora de seu corpo também.
–- Eu te amo. – sussurrou ele, quase indecifrável em meios aos beijos que trocavam, mas ela não precisou entender para saber o que ele falara, puxou-o para mais perto, suas mãos descendo até seu abdômen e então até o osso de seu quadril, sentindo o que deveria ser “o caminho para felicidade” -- onde haviam as marcas masculinas desde o abdômen até a pélvis --, e brincando com a borda de suas calças jeans. Ele, num surto de paixão, apertou sua bunda, prensando o corpo dela contra o seu e beijando-a com mais intensidade. Ela gemeu contra os lábios dele e os dois silenciosamente levaram um ao outro até a porta do quarto dela, abrindo-a com pressa e então...
–- Ai meu Deus! Desculpa, Ka! – disse uma voz e eles se interromperam, corando ao ver Bianca ali, com um sorriso malicioso nos lábios e as bochechas vermelhas ao analisá-los com mais precisão.
–- Bianca... o que você ta fazendo aqui? – perguntou Karina, frustrada e sua irmã levantou-se da penteadeira, pegando sua bolsa.
–- Eu vim pegar meu celular que eu tinha esquecido. Vi vocês se beijando na cozinha e não quis interromper, mas vejo que interrompi algo ainda maior... – respondeu Bianca, olhando para as mãos de Karina que ainda estava sobre o botão dos jeans de Pedro. Karina, reparando no olhar dela, afastou as mãos rapidamente, colocando-as atrás de suas costas numa tentativa falha de parecer civilizada naquele momento.
Bianca riu, se virando para sair do quarto.
–- Droga! – sussurrou Karina e viu sua irmã voltando.
–- Á propósito, esqueci de avisar... não esqueçam de usar proteção. Tem camisinha na minha cômoda. Se cuidem... – completou Bianca, saindo definitivamente dessa vez, deixando Pedro e Karina totalmente constrangidos.
–- Er... bem... acho melhor a gente almoçar de uma vez, eu tenho só mais uma hora e acho que a comida não ta pronta, néh? – disse Pedro, quebrando o silêncio. Karina encarou-o, carrancuda.
–- Tem certeza? – perguntou e ele franziu a testa, confuso.
–- Certeza de quê?
–- Que você quer almoçar... agora. – disse ela, tentando parecer sedutora, se aproximando e colocando as mãos dele em sua cintura. Ele arregalou os olhos.
–- Er... sim néh. Eu to com fome. – desconversou e isso fez ela bufar, irritada e sair do quarto. – Ei! Espera, Karina! – chamou ele, correndo atrás dela.
Karina não respondeu, se levantou do chão e lhe alcançou a camiseta dele, colocando a sua em seguida e indo para a cozinha.
–- Você não ficou chateada, ficou? – perguntou ele, observando-a ligar o fogo novamente e colocar a colher na panela, voltando a mexer o purê.
Ela suspirou.
–- Ah, sei lá, Pedro. A gente nunca consegue... você sabe... – respondeu ela, sinceramente e ele se sentiu culpado.
–- Desculpa, linda. – sussurrou, abraçando-a por trás e beijando sua bochecha. – Mas acho que a gente tem que ter calma...
Ela bufou novamente.
–- Você e essa sua história de calma... – disse, irritada.
–- Mas é verdade. Hoje não daria tempo de qualquer jeito... e eu não quero fazer as coisas com pressa, quero que seja especial.
Ela olhou para a panela, pensativa.
–- Por que você anda tão envolvido com o Perfeitão? Você não tinha um horário determinado antes, ajudava quando dava...
Pedro congelou. O que diria? Que estava trabalhando para sua mãe para pagar dois mil reais para Bianca?
–- Er... eu to precisando de dinheiro e minha mãe disse que me dava se eu trabalhasse certinho lá. – respondeu, pelo menos não estava mentindo...
–- Dinheiro? Pra quê?
Ele coçou a cabeça, nervoso e se afastou, fazendo-a se virar para ele, confusa.
–- E-eu... a nossa patrocinadora quer o dinheiro da demo de volta... – respondeu ele, sem olhá-la nos olhos, mentir olhando-a nos olhos era como empurrar a faca que já estava cravada em seu coração.
Quando voltou a olhá-la, ela estava assentindo.
–- Essa mulher não deve ser bem certa da cabeça, uma hora dá dinheiro, na outra quer de volta... – murmurou despreocupadamente, se virando de volta para o fogão.
–- É... ela é meio maluquinha mesmo. – disse ele, aliviado que ela tenha engolido aquela história. – Mas e ai... quer uma ajuda? – completou, puxando-a para trás e beijando seu pescoço. – Dizem que eu puxei os dotes culinários da família de minha mãe...
Karina sorriu.
–- Ah é? Então eu quero ver! – brincou, se virando para beijá-lo nos lábios.
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Quando eles enfim terminaram de fazer o almoço – em meio á beijos, guerras de comida e provocações – ainda havia trinta minutos sobrando antes de Pedro ter que correr para o restaurante. No momento, o casal ria que nem criança, ela com purê na ponta do nariz e ele com molho entre os cabelos.
As risadas foram parando aos poucos e isso deu lugar às famosas encaradas entre eles, azul no marrom, marrom no azul, ambos olhinhos bem fechados e pupilas dilatadas.
Pedro se aproximou devagarzinho, passando o dedo pela ponta do nariz dela para limpá-lo do purê e sorrindo. Ela permaneceu séria, encarando seus lábios com desejo, pensando em como eles estavam á alguns minutos atrás e em como estariam se Bianca não tivesse interrompido. Sentiu seu corpo aquecer só de imaginar e então, corou.
Pedro sorriu ao reparar nisso e imaginou no que ela estaria pensando, se aproximou ainda mais, prensando o corpo dela contra a pia.
–- Tem purê no seu nariz. – falou, para então beijá-la bem ali. Ela sorriu e resolveu entrar na brincadeira, passou suas mãos sujas no canto dos lábios dele.
–- Tem purê em você também. – e lambeu-o bem ali, fazendo-o prender a respiração.
Eles sem encararam até que ele não aguentasse mais, passou seu polegar sujo pela sua própria boca e se aproximou mais.
–- É... tem. Me ajuda a limpar? – ela riu da brincadeira dele e beijou-o, passando suas mãos por seus cabelos e engatando suas pernas na dele em um emaranhado, ele sorriu durante o beijo. Era por isso que amava tanto beijá-la, ela não era a mesma pessoa quando fazia isso, era provocante, destemida e apressada, sempre querendo mais e fazendo-o também querer mais. Beijá-la era como mergulhar em chamas.
Sentiu-a puxar sua camiseta para cima mais uma vez naquele dia e não precisou interrompê-la, pois o forno apitou e os dois se separaram, assustados.
Ele respirou fundo, passando a mão por seus próprios cabelos nervosamente. Hoje estava perigoso ficar perto de sua Esquentadinha, ou pelo menos, mais perigoso. Era a segunda vez no mesmo dia que ele deixava as coisas irem longe demais. Sendo que na primeira ele estava realmente disposto a ir até onde ela queria. O que aconteceria se Bianca não estivesse ali? Será que seria tão ruim assim se eles tivessem sua primeira vez sem ela saber do dinheiro da demo? Seria. Ela ficaria arrasada quando descobrisse, o culparia de ter se aproveitado dela e, ainda pior, ele talvez não fosse ter forças para contar depois, se tivesse acontecido.
–- Vamos comer? – perguntou ela, vendo-o ali, parado, com as sobrancelhas erguidas.
–- Claro! – e se sentou ao seu lado.
Ding-dong – tocou a campainha, fazendo-os se olharem em uma pergunta silenciosa de quem poderia ser. Todas as pessoas que Karina conhecia ou tinham a chave de sua casa, ou nunca á visitavam sem antes avisar.
Pedro se levantou primeiro e abriu a porta, dando de cara com uma figura alta e forte, que sorriu presunçosamente para ele.
–- O que você ta fazendo aqui?! – perguntou Pedro, irritado e Karina apareceu atrás dele, de sobrancelhas franzidas.
–- Ah... sabia que você ia ta aqui! – disse Cobra, olhando para ela, ignorando a pergunta de Pedro. – Vim conversar com a minha amiga. – completou, olhando para ele com um sorriso insinuante nos lábios.
Pedro se virou para trás, encarando Karina com uma expressão furiosa no rosto e uma pergunta silenciosa nos lábios.
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