Correndo em Círculos

5 Capítulo 5: Vou estar aqui para te segurar quando o céu cair


Notas iniciais
Oii gente! Fiquei realmente em dúvida se continuava postando ou se abandonava a fic em vista do sumiço de vários dos meus leitores e minha consequente falta de criatividade. Mas, em respeito a quem comentou, resolvi postar. Só peço que me avisem caso não estejam gostando, posto para vocês e não pra mim, se vcs não estiverem gostando eu deixo a história na minha mente e sigo com a minha vida, mas se vcs quiserem que eu continue a postar, comentem nem que seja um “gostei” ou “continua” e me falem o que está incomodando vcs pra que no futuro eu n cometa o mesmo erro. Música do título do capítulo: Right Here – Ashes Remain. Recomendo o vídeo da BCMagic: https://www.youtube.com/watch?v=ui8jV_7EC1w Enfim... ai está o capítulo, leiam as notas finais e BOA LEITURA!

Gael Duarte já virá muitas coisas na sua vida, mas nunca imaginou que veria sua filha tão furiosa por causa de outra garota, ele segurava seus braços, sussurrando que não era aquilo que ele havia ensinado para ela em seu ouvido, mas ela estava tão imersa em raiva que não escutou, se debatia em seus braços, louca para acabar com Vicki.

Vicki. Aquela garota estava pedindo para morrer, ao invés de ficar com medo, sorria debochada e atiçava-a:

–- Deixa de ser egoísta, garota. Assim você vai é espantar o Cabeludinho...

Foi o que bastou, Karina deu uma cotovelada nos rins do pai, que coberto de dor soltou-a e então ela se aproximou da garota, seu rosto irreconhecível naquela máscara de ódio.

–- Você não ouse chamá-lo assim! – gritou, e com isso a atenção que faltava no Perfeitão foi desperta, e algumas pessoas mais se aproximaram, tirando seus celulares para filmarem o momento.

–- Que eu saiba é ele quem define por qual apelido quer ser chamado... – respondeu Vicki, cruzando os braços e se aproximando também, elas estavam agora à apenas um metro de distância.

–- Vicki... – chamou Pedro, pedindo com o olhar para que ela parasse, para seu próprio bem.

Karina entendeu mal aquele olhar e deixou que algumas lágrimas de raiva escapassem de seus olhos ao ver a cena.

Vicki se virou, sorridente, de volta para ela. – Viu... ele concorda comig... – mas sua frase se perdeu em meio ao soco que foi dado em seu rosto. Ela caiu no chão, com uma dor de cabeça incrível e ainda sem acreditar que conseguira atiçar a raiva de Karina com tanta rapidez.

Karina sorriu, mas sua comemoração não durou muito, pois Vicki puxou suas pernas, e ela desequilibrou. Mesmo assim não caiu, e ficou surpresa com isso, pois dois braços a seguravam, braços que a puxaram para longe dali, para fora do Perfeitão.

Ela sentiu sua cabeça encostando contra uma parede e enfim pôde ver quem a segurava – por mais que já soubesse.

Bufou. – Por que você não me deixou acabar com aquela vadia? – perguntou ela, e Pedro coçou a cabeça, incerto sobre o que dizer. Quando a namorada ficava irritada nunca sabia como reagir.

–- Porque eu me importo com você... e sei que você vai se arrepender disso amanhã.

Karina sente calafrios, olhando para baixo, arrependida. Odiava quando perdia a cabeça, mas Vicki não lhe dava uma folga, até mesmo quando estava por perto tentava seu namorado.

–- Desculpa... mas você me conhece. Eu não enxergo nada quando estou com raiva. – sussurrou, e ele encarou-a de cima, tirando suas mãos que estavam em sua cintura e as deslizando para seu rosto.

Sorriu. – É, eu lembro que você ficava tão cega de raiva de mim que não percebia que me amava.

Karina abriu um meio sorriso, relembrando.

–- Convencido... quem disse que eu te amo? – brincou e ele ergueu uma sobrancelha.

–- E precisa? – e beijou-a suavemente nos lábios.

Ela sentiu aquela mesma sensação que sentia sempre que o beijava, seu estômago borbulhando... essas deviam ser as famosas borboletas no estômago. Mas agora estava ainda mais intensa, ela sentia também um ardor lhe envolver, ardor que queimava sua pele e fazia sua cabeça latejar. O que estava diferente? Ela estava percebendo... percebendo que aquilo que eles tinham era muito mais que um namoro, ela o amava, mesmo que as palavras ainda não lhe tivessem vindo.

Afastou-o, assustada com aquela sensação e ele a olhou, confuso.

Ela encarou seus olhos, sua expressão caindo cada vez mais ao se lembrar do modo que ele agira sobre o que acontecera mais cedo. Mordeu seus lábios. Sempre duvidava das coisas quando o assunto era Vicki. Dela mesma, de seu poder atrativo, dos sentimentos de Pedro...

–- Er... eu acho que devia estar brava com você, não é?! – perguntou, e ele ficou ainda mais confuso.

–- Por quê?

–- Por causa daquela Vickiranha. – respondeu ela, sem deixar de encará-lo.

Pedro abre um sorriso enorme antes de dizer:

–- Você está mesmo com ciúmes, em? – ela lhe deu um soco no braço, mas ele não desmanchou o sorriso convencido.

–- Ciúmes? Você deve estar maluco! – disse ela, irritada, bufando em seguida. – Quer dizer, a garota praticamente coloca a sua mão no seio dela e eu tenho que ficar quieta?

Ele sorri ainda mais.

–- Ah... é verdade. Você estava apenas fazendo jus ao apelido: Esquentadinha.

Karina empurra-o, mas ele não a deixa afastá-lo, se mantém perto, segurando-a. Ela morde seus lábios com força novamente, o rosto vermelho de raiva.

–-Seu idiota! – e então, na falta de espaço para fazer mais que isso, começa a estapeá-lo no peito.

Ele arregala os olhos, surpreso pela atitude dela e então, segura suas duas mãos com força dos lados de seu corpo, encarando seus olhos marejados e sua testa franzida de raiva e frustação com uma dor no peito.

–- Shh... calma. – sussurra ele, baixinho e ela captura seu olhar, mágoa jorrando de seus olhos. Odiava ser adolescente e ter todas essas mudanças de humor repentinas.

–- Você ficou do lado dela... – acusou ela, baixinho, olhando para seu peito, pensativa.

–- Eu não fiquei do lado de ninguém, só não queria que você a machucasse. – respondeu ele, deixando-a ainda mais aflita.

Ela suspirou, encarando-o em seguida.

–- E o que eu devo pensar que isso significa?

–- Que eu não queria que você se metesse em encrenca, talvez? Ser motivo de chacota. Fazer as pessoas pensarem errado de nós. Sei que você odeia quando as pessoas fazem comentários sobre a sua vida.

–- É... mas não fez muita diferença, fez? Eles devem ta falando mal de mim da mesma forma...

Ele suspirou.

–- É verdade, mas é só a gente ignorar. Eles não têm nada haver com a nossa vida.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos. Mas Karina ainda não havia matado a pulga atrás de sua orelha.

–- Fala sério, Pedro... você não se sentiu nenhum pouquinho tentado? – perguntou, tentando se afastar dos braços dele novamente. Ele não deixou, segurou seu rosto e manteve seus olhares cruzados, limpando as lágrimas que insistiam em cair dos olhos dela com o polegar.

– Você não tem que se preocupar com isso, Ka, eu nunca ia considerar as propostas daquela maluca.

–- Nunca, nunquinha? – perguntou ela, e ele assentiu.

–- Nunquinha. É de você que eu gosto. É você que eu amo. – ela sorri, as bochechas vermelhas diante da declaração. – Eu já disse que adoro quando você fica assim? Vermelhinha...

Ela abre um de seus sorrisos de lado. – Para... eu odeio quando eu fico assim, já devia ter me acostumado com as suas declarações.

Ele não fala nada, apenas se aproxima para beijá-la.

–- KARINA! – interrompe-os uma voz e Pedro se afasta rapidamente, os olhos arregalados ao ver seu sogro se aproximar. A reação de Karina foi a mesma, não imaginava qual seria a reação do pai depois da cotovelada que lhe deu.

Gael aproxima-se, uma expressão de angústia no rosto, ele não precisa falar nada, Karina apenas o segue e os dois vão para casa em silêncio.

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–- Você não vai falar nada? – pergunta Karina, assim que chega em casa. Seu pai ainda não dissera uma palavra desde que buscara ela, ele estava quieto e pensativo, passando as mãos pelo cabelo nervosamente. Ela sabia que alguma coisa estava o incomodando, e não parecia ser sua cotovelada...

Ele sentou no sofá, suspirando. – Seja sincera, Karina, está acontecendo alguma coisa com você e com o Pedro por causa daquela garota?

Karina encarou o pai, mordendo os lábios, mas enfim cedeu, sentando-se ao seu lado.

–- Eu acho que ela gosta dele... – falou baixinho, praticamente sussurrando.

–- E ele? – perguntou seu pai, fazendo-a olhar para baixo, nervosa.

–- Ele diz que é louco por mim. – respondeu. Incerteza em seu olhar. -- Mas...

–- Mas o quê? Não me diga que aquele Menestrel te traiu?! – disse ele, irado, levantando-se do sofá.

–- Não... eu só tenho medo que ele o faça. – admitiu ela, com sinceridade. Suspirando em seguida.

Gael se agachou em frente à filha e puxou seu queixo para cima.

–- Você acha que ele faria isso? – perguntou, preocupado.

–- Sinceramente, não. Quer dizer... talvez eu não seja feminina ou bonita o bastante, mas sei que ele não faria isso estando comigo. O que eu realmente tenho medo é dele terminar nosso namoro. – respondeu ela, os olhos marejados. Odiava ser tão insegura, mas não conseguia acreditar que Pedro preferia ela à Vicki. Aquela garota humilhava-a de todas as formas e fazia-a pensar em se vestir melhor ou deixar o cabelo crescer. E ela não queria fazer isso, gostava e se sentia bem com suas roupas e seu cabelo curto, mesmo não sendo bonito ou feminino. Só esperava que não precisasse mudar para não perder seu namorado.

–- Karina... se ele fazer isso por esses motivos você deve agradecê-lo, pois ele seria um babaca. E ainda por cima cego...

Ela riu, limpando seu rosto molhado.

–- E mais, se ele fazer isso, eu deixo você acabar com ele e ainda ajudo. – completou, sorrindo e então, abraçando-a.

Ela o abraçou de volta, agradecendo pelo conforto que sentia ao estar contra o seu peito.

–- E trate de parar de se comparar com ela. Vocês duas são diferentes, o que não te faz menos bonita. – ela assentiu, tentando absorver o máximo das palavras dele. -- E quer saber de um segredinho? Você é muito melhor que ela e tenho certeza que Pedro sabe disso.

–- Obrigada, pai. – disse ela, sorrindo e o abraçando novamente, sentindo um peso sair de seus costas por enfim compartilhar suas inseguranças com ele.

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Assim que Pedro tirara Karina do restaurante, as pessoas começaram a voltar aos seus lugares, fazendo comentários maldosos ou palpites sobre o que acabaram de ver. Vicki ficou no chão por algum tempo, dolorida no lugar onde fora atingida, até que Delma apareceu com uma bolsa de gelo e a mandou sair dali antes que arrumasse mais encrenca.

Ela bufou, assentindo, adorava arrumar confusão, mas não era para tanto, quem é que gosta de apanhar?

–- Eu quero falar com você, garota. – dissera uma voz, quando ela nem bem havia passado pela porta. Virou-se, dando de cara com o cara que estava segurando a esquentadinha do Pedro mais cedo, ele estava com uma expressão furiosa no rosto e apontava para rua, para que ela o acompanhasse.

Ela tremeu de hesitação, mas o seguiu.

–- Você é o pai daquela garota, não é? – perguntou, abrindo seu sorriso presunçoso.

Ele assentiu, ainda com a cara fechada. Ela puxou seu temperamento, pensou Vicki.

–- Olha, garota, eu não sei da onde você veio ou o que você pretende com essas provocações, mas de uma coisa eu sei, você é uma adolescente rebelde, mimada e irresponsável. – disse o homem, e ela percebeu que ele tentava manter toda a calma possível.

–- E eu quero te avisar que as coisas não são assim pra todo mundo. – ela ficou confusa, aonde mesmo ele queria chegar? – A Karina batalha pra ter o que ela tem e o Pedro também, você imagina o quanto ele lutou pra domar a minha ferinha? – ele riu. – Eu pensei que ele não tivesse amor à vida, e acho que é quase isso, ele ama mais a minha filha do que a própria vida.

Vicki bufou.

–- Certas coisas ultrapassam o amor. – murmurou, irritada, como se já houvesse ouvido aquele discurso diversas vezes.

–- Não. Se o amor é verdadeiro, nada ultrapassa. – respondeu ele, sério. – Então eu vou te poupar de tomar uns bons outros murros da minha filha. Fica longe da Karina e do Pedro porque isso não vai te levar a nada e só vai atrapalhar a vida deles.

Mas era isso o que ela queria: atrapalhar a vida deles, ela havia falado aquilo para Pedro apenas para isso, sabia que Karina estava lá e que ele não faria nada com ela por perto. Quando ela desejava alguma coisa nunca desistia. Preferia ser a garota encrenqueira á uma mocinha apaixonada, sabia que essas paixões eram sempre passageiras e que aquelas garotas quebrariam a cara, no final. Elas deviam agradecê-la por afastar seus namorados que, mais cedo ou mais tarde, iriam machucá-las de qualquer forma.

Ensinava-as uma lição do modo mais doloroso, roubando seus amores. Quer dizer, ela tentava se fazer acreditar que fazia isso, mas no fundo tudo o que ela queria era se divertir à custa de seus desejos, passando por cima de tudo por eles.

–- E se eu não ficar longe? – desafiou.

–- Não vai ser eu quem vai segurar a Karina. E saiba que aquele soquinho que ela te deu é só uma pequena amostra do que eu á ensinei. Mesmo que eu não aprove violência, não há nada que segure minha filha com ciúmes. – respondeu ele, irritado, se afastando em seguida.

Vicki o fuzilou com os olhos. Quem aquele homem pensava que era para ameaçá-la daquele jeito? Ela devia era chamar a polícia! Culpá-lo de assédio! Ele não podia dizê-la o que fazer e muito menos prever o que ia acontecer, ela sabia que mais cedo ou mais tarde Pedro cederia e então ela riria da cara daquele ogro.

Observou-o se aproximar de duas figuras grudadas em uma parede e ficou ainda mais vermelha, as narinas dilatadas e a respiração ofegante. Havia levado um soco no rosto para nada, Pedro e Karina ainda estavam juntos. Ou assim parecia ser.

Soltou um urro de raiva, batendo na parede em um surto.

–- Já vi que esse também não ta sendo um dia bom pra você, mocinha. – falou uma voz, despertando-a, ela se virou, dando de cara com uma morena de olhos puxados e corpo curvilíneo, usando uma regata e saia-short esportiva.

–- Quem é você? – perguntou, irritada.

–- Meu nome é Roberta... e pode relaxar que eu não mordo mocinhas inocentes.

Vicki soltou uma risada sarcástica.

–- De inocente eu não tenho nada.

–- Eu sei. -- disse Roberta, sorrindo e se aproximando. -- Gostei de você, parece ter atitude. Vi a confusão que você arrumou no Perfeitão.

–- Eu estava apenas fazendo um favor para aquela lutadora. Essas garotas são tão burras... se acham especiais só porque algum garoto qualquer disse isso pra elas. Não conhecem a palavra mentira.

A mais velha assente, parecendo gostar do que a mais nova falou.

–- Você não faz ideia...

Vicki ri e Roberta a encara, pensativa. Aquela garota poderia enfim trazer mais diversão para os seus dias.

Notas finais
Me falem, gostaram ou ficou chato? Vicki muito piranha, néh? E agora... no que vai dar ela e a Roberta juntas? E perina pegando fogo no teaser de amanhã? O que foi aquilo, mds? Não sei quando posto o próximo, pois estou cheia de problemas pessoais envolvendo saúde e talvez eu tenha que dar um apoio moral para um ente querido em outra cidade, além da minha gata de 15 anos de idade, praticamente uma irmã, estar com câncer. Mas vou tentar arrumar tempo e cabeça pra escrever se vcs quiserem e postar até sexta. Feliz ano-novo atrasado!