Correndo em Círculos
44 Capítulo 44: Aquele sonho cresceu
Notas iniciais
1 ano depois...
João olha para a linda garota em seus braços e abre um sorriso. Eles já tinham mais de um ano de relacionamento, mas continuava inacreditável que ele namorasse Bianca, a garota mais bonita e a atriz mais talentosa que ele já vira.
Ela se remexe sobre a cama e sua mão desliza pela barriga dele enquanto ela sorri durante o sono.
–- J-João... – balbucia.
O garoto se surpreende com isso, e novamente desacredita da realidade que vive. Bianca o chamando durante o sono? Aquilo era um sonho, só podia... a um ano atrás, se alguém dissesse que ela faria isso para ele, ele o mandaria para um hospício. Bianca nunca chamaria um nerd magricela durante o sono, era com caras musculosos como Duca que ela sonharia, não com ele.
Duca. Ele nunca pensou que algum dia iria pensar no rapaz, não como um rival, mas sim como uma pessoa qualquer, que estava para se casar naquele dia e que ele não poderia estar mais feliz com o casamento. Natália era o nome da moça, grande amiga de sua meia-irmã Karina e responsável pela prisão de Lobão antes dele falecer.
Bianca se remexe novamente em seus braços e logo ele sente seus lábios sobre sua barriga enquanto ela murmura seu nome novamente durante o sono.
Ele não consegue segurar a risada que escapa por sua boca e logo ela acorda de supetão, levantando o tronco e limpando os olhinhos feito uma criança inocente.
–- O que foi? – pergunta ela entre um bocejo.
–- Foi mal ter te acordado... você fica tão lindinha sonhando comigo... – murmura ele, acariciando seus cabelos castanhos.
A garota cora.
–- Dá onde você tirou que eu tava sonhando com você, seu convencido? – pergunta ela, com as sobrancelhas erguidas.
Ele beija sua bochecha em resposta e murmura contra sua pele:
–- Você não parava de murmurar meu nome durante o sono...
Ele a aperta mais contra seu corpo e ela prende a respiração quando sente seus beijos se direcionarem para seu pescoço nu e suas mãos pela sua cintura.
–- Com o que você estava sonhando, em? Devia ser algo muito bom pela sua carinha... – completa ele, deitando-a na cama com seu corpo por cima.
Ela solta uma risadinha constrangida ao ouvir seu tom sarcástico e então resolve entrar na brincadeira.
–- Hm... eu sonhei que você se curvava em cima de mim, – ele encara seus olhos e realiza o exato gesto. – tocava essa sua boquinha rechonchuda no meu pescoço e descia por todo o meu corpo. – ela faz um gesto com os dedos, os deslizando por suas próprias curvas, onde ela queria que ele a beijasse, e então as parando sob seu umbigo.
Ele abre um sorriso malicioso e então realiza o ‘sonho’ dela, beija toda sua pele e por cima do camisetão que ela utilizava para dormir, e quando chega em sua barra, o ergue para cima e beija sobre sua calcinha, fazendo-a fechar os olhos de prazer. Ele sorri ainda mais diante de sua visão e começa a descer a peça até seus pés enquanto beija suas pernas nuas.
Ela arqueja de prazer quando o sente próximo, mas antes que ele chegasse lá, escuta seu celular tocar e bufa, irritada, se esticando sobre a cama e pegando-o a contragosto entre seus dedos.
João encara a cara de tédio dela enquanto ela fala ao telefone e depois que ela o desliga, ergue uma sobrancelha para sua cara de sarcástico.
–- Era o meu pai... – ela revira os olhos. – Queria saber se você estava aqui e disse que a Dandara está preocupada de você não ter chegado até agora.
Ele ri, aquilo era a cara de seu sogro, usar sua mãe como desculpa. Estava plenamente claro para os dois, que Gael só ligara porque não conseguia suportar a imagem de sua filhinha transando com o namorado na sua casa, e João morar na mesma casa que o sogro não ajudava muito.
–- Então ta, eu já vou indo. – murmura ele, se curvando e lhe dando um rápido beijo nos lábios antes de se levantar. Ela segura seu braço, o impedindo de ir.
–- Fica mais um pouco, vai! Meu pai tem que se acostumar com a ideia de nós dois juntos e sozinhos na mesma casa. Foi por isso mesmo que eu vim morar sozinha...
João suspira.
–- É... mas eu continuo lá.
Ela bufa de frustração.
–- Isso porque você quer, esse apartamento tem espaço de sobra para nós dois.
João ergue as sobrancelhas.
–- Você ta me convidando pra morar aqui?
A garota ri de seu jeito.
–- Pra que a surpresa? Você sabe que eu te amo e essa situação de você morar com meu pai é, no mínimo, estranha.
Ele concorda com a cabeça, sorrindo de orelha a orelha.
–- Eu pensei que você não queria isso. Sempre que eu tocava nesse assunto, você desviava...
Ela nega.
–- Como eu não iria querer... – ela o puxa para a cama e se senta em seu colo. – meu namorado lindo dormindo todos os dias aqui comigo? – ela rebola sobre suas pernas e por fim, murmura sedutoramente em seu ouvido: -- Vem morar comigo, João Spinelli.
A resposta dele não poderia ser mais óbvia, a joga contra o colchão e prensa seu corpo contra este enquanto sorri maliciosamente.
–- O que você não me pede chorando que eu não faço sorrindo?
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Um ano. Fazia um ano que Jade decidira fazer enfermagem. E esse um ano fora suficiente para que ela percebesse que aquilo não era para ela.
Ela amava a sensação de fazer o bem, mas enfermagem não era só isso. Um erro simples poderia te levar a fazer mais o mal do que o bem; eram dias incansáveis de estudo e noites mal dormidas, além das lembranças constantes de que ela presenciaria a morte de pessoas inocentes todos os dias, limparia o bumbum de idosos, veria pessoas em estado degradante sobre os leitos de hospital.
É... seu sonho não parecia mais tão bonito.
Ela suspira e atira os cadernos para o lado, pega uma folha de ofício e começa a rabiscar qualquer coisa em cima dela, despreocupadamente. Cobra ri de seu jeito, desde que Lucrécia havia vencido o câncer, alguns meses atrás, Jade se mudara para um pequeno apartamento com o namorado e sua mãe vivia agora com seu grande amigo de infância, Edgard.
–- Estudar ta chato, néh? – pergunta ele, irônico, indo para trás dela e beijando seu pescoço.
Ela solta um suspiro. Sempre começava assim, ele beijava seu pescoço e então eles estavam se amando em qualquer lugar da casa. O lado bom de se morar junto.
–- Você é muito sacana, em Vagabundo? Se aproveitando da minha fragilidade...
Ele ri.
–- Ah, vai... você anda muito estressada ultimamente e eu conheço uma coisa que sempre acaba com isso... – diz ele, envolvendo a silhueta dela com seus braços musculosos.
Ela ofega, mas o afasta e solta um longo suspiro quando ele começa a fazer massagem em suas costas.
–- O quê? Você achou que eu estivesse falando de outra coisa que não massagem?
Ela ri.
–- É sério, Dama... o que ta acontecendo? Você não anda muito legal ultimamente.
Ela se vira para ele e os dois se encaram seriamente.
–- Eu não sei. – ela solta um suspiro e fica calada por alguns minutos, até ele pegar o seu desenho sobre a mesa e olhá-lo, encantado. – Eu tava rabiscando... – explica ela, levemente envergonhada por sua boneca meio torta.
Ele sorri e então vira o desenho para ela.
–- Você sabe o que eu to vendo aqui? – ela nega, não enxergando nada de especial na alta e magra figura feminina que desenhara, vestindo um vestido curto e simples. – Eu to vendo uma obra-prima.
Ela ergue as sobrancelhas, descrente.
–- Sério, você tem talento. E olha que isso aqui era pra ser um rabisco...
Ela coça a cabeça – sua nova mania que substituíra a de arrancar os cabelos.
–- É... eu curto desenhar quando to estressada.
Ele assente e então se senta ao seu lado e larga o desenho sobre a mesa.
–- Dama... sem querer te influenciar nem nada, mas... você tem certeza que quer ser enfermeira?
Ela treme nas estribeiras, seu coração acelerando instantaneamente. Como assim? Era isso o que ela escolhera para ser, como ela mudaria, assim, do nada?
–- Você sabe que não ta feliz com isso... eu só te vejo estudando, séria, você nem mesmo faz mais aquelas brincadeiras de antes.
Ela olha para baixo, pensativa.
–- É que na teoria tudo sempre é melhor. Eu achava que seguir o sonho de minha mãe não fosse ser ruim, afinal, danças são lindas e nos fazem flutuar, até meus pés se encherem de calos e minhas unhas começarem a sangrar. Eu achava que ser enfermeira fosse um máximo, ajudar as pessoas, curá-las, dar-lhes uma nova chance... até eu perceber que nem sempre elas vão se curar. – ela solta um longo suspiro. – É só que... eu não sou apaixonada o suficiente por essas coisas pra gostar de todos os seus lados, os bons e ruins.
–- Você ainda não se encontrou.
Ela assente.
–- Por que você não tranca a faculdade por um tempo? Tenta outras coisas... quem sabe até moda...
Ela arregala os olhos. Ele dissera mesmo aquilo? Aquilo que permeava sua mente havia dias: Será que era muito tarde para que desistisse? Nunca é tarde. Dizia uma voz em sua cabeça, incansavelmente.
Mas o que ela faria se não a dança e a enfermagem? Ela pensava; até agora.
Moda? Ela crispa os lábios. Não. Ela não queria ser uma simples designer de moda, ela queria fazer o bem, voltar a sentir aquilo que ela sentia sempre que realizava com clamor suas tarefas de enfermeira e seus pacientes se curavam com rapidez durante seu estágio. Ela queria sentir aquilo que ela sentia quando enfim realizava um passo de dança e todos a aplaudiam de pé. Ela queria se sentir contentada com vida que tivesse.
–- Sabe... antes eu era má com as pessoas porque eu queria ser diferente delas, queria me destacar então, ou eu era a mocinha, ou eu era a vilã. Escolhi a vilã porque minha vida acabou me mostrando que ser mocinha era muito mais difícil. Então eu me destacava desta forma. E agora que eu virei a mocinha... como eu vou fazer a diferença? Eu não quero ser só mais uma pessoa tentando se dar bem na vida fazendo o bem. Eu quero que as pessoas vejam em mim uma pessoa boa, uma pessoa diferente, forte... alguém que se destaque.
Cobra estica o braço e cobre a mão dela com a sua, resgatando sua atenção.
–- Quem disse que você não pode se destacar, fazer o bem e ao mesmo tempo fazer o que tem talento e ama?
Ela ri.
–- Do que você ta falando, Vagabundo?
Ele se ajeita na cadeira.
–- Eu era malvado, assim como você, e minha história é parecida, eu era revoltado porque minha família era humilde e aquilo não a levava a lugar nenhum. Meu pai morreu, mas suas dívidas não foram com ele, elas só cresceram e mesmo que minha mãe trabalhasse dia e noite elas não acabavam.
“Então eu fui embora, em busca do meu sonho, sendo malvado como meu pai não era. Até que eu te conheci. Você me fez ver que existe o lado bom e ruim para qualquer tipo de pessoas, mas para as ruins, o lado ruim é bem pior, é o seu fim.”
“Então a gente aprendeu junto a sermos bons, voltei a falar com a minha família, fui treinar com Gael e agora estou feliz como nunca estive antes, com a mulher que amo, realizando meu sonho. Qual é o seu?”
Ela olha para seus próprios dedos, entrelaçados com os dele.
–- Eu quero... – ela morde seus lábios em sinal de nervosismo. Sabia que o quer que ela falasse agora, seria definitivo, aquele seria seu futuro. – Eu quero revolucionar. Eu quero mostrar que o meu trabalho pode mudar vidas.
Ele sorri, mostrando os dentes.
–- Então faço-o.
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Correu tudo bem no casamento Dunat, bem até demais para Karina, que mal cabia em si de felicidade. Afinal, seus dois grandes amigos estavam se casando, Pedro e ela estavam firmes em seu relacionamento e todos os seus problemas do ano passado não passavam de meras lembranças. Ela ainda sofria muito quando ouvia o nome de sua mãe e se lembrava de tudo o que Lobão fizera, mas depois de se lembrar de seu fim trágico, sentia um alívio percorrer sua coluna. Ele se fora. E nunca mais atormentaria nada nem ninguém. Ela fizera sua parte.
Mas bem, não era só isso que a estava deixando feliz no momento, e sim o fato de que seu pai ainda estava na festa de casamento de Duca e Nat e ela e Pedro tinham a casa inteiramente para os dois no momento.
Este beija seu pescoço e os dois entram em seu quarto, fechando a porta freneticamente enquanto se despiam. Pedro desliza sua boca por sua clavícula e então por seu busto e ela geme baixinho enquanto abaixava as mangas de seu vestido. Ela estala os beiços, ali estava mais um motivo pelo qual odiava vestidos: eles não eram facilmente removíveis como suas blusas soltinhas.
Pedro ri de seu jeito e então a vira com agressividade, deixando-a de costas para ele e puxando seu zíper para baixo com rapidez. Ela não liga para seus gestos agressivos, já estava se acostumando com aquilo e amava quando ele agia desta forma. Afinal, eles sempre foram assim, como o fogo ardendo em longas brasas.
Ele puxa seu vestido para baixo e então beija sua nuca, seus ombros e o lóbulo de sua orelha, fazendo-a fechar os olhos enquanto aprecia seus gestos. Ela se vira para ele e então puxa sua boca contra a dela e a morde enquanto desabotoa sua camisa, botão atrás de botão.
Ela a puxa para fora de seus braços e quando a peça está no chão, começa a desabotoar suas calças freneticamente, seus mamilos rijos em contato com a pele nua do abdômen dele fazendo-o gemer seu nome.
Ela o beija na boca novamente e depois que abre suas calças, se senta sobre a cama e desliza seu corpo para trás em uma forma de chamar sua atenção.
Ele sorri e então, retirada suas peças de baixo, sobe seu corpo para cima do dela e beija seus seios desnudos enquanto acaricia suas curvas com a mão livre.
Ela geme um pouco mais alto desta vez e ainda mais quando ele desce seus lábios molhados até sua calcinha e, retirada a peça, a beija bem ali, fazendo-a arquear as costas e puxar os lençóis. Ele rodea sua entrada com a língua e ela já não controla mais os movimentos que seu corpo faz, agradecendo mentalmente pela experiência sexual que os dois adquiriram naquele ano e que a ajudava a não gritar ali mesmo.
Ele afasta sua cabeça do meio de suas pernas e sorri, malicioso, no mesmo momento em que ela o empurra contra a cama e acaricia seu pênis com suavidade, louca para retribuir o prazer que ele lhe proporcionara.
Ele solta um gemido pelos lábios enquanto a sente acariciá-lo e quando ela o sente rígido quase ao ponto de estourar, se senta sobre sua ereção e deixa que ele a preencha.
Eles gemem ainda mais forte com o contato, ele envolve seus dedos entre seus cabelos loiros – cacheados no momento devido à festa de casamento -- e ela rebola seus quadris contra seu corpo suado enquanto morde tão forte os lábios a ponto de sangrar.
Ele sorri com aquela visão e quando vê o cansaço de seu corpo, tenta retomar o controle, empurrando-a contra o colchão e investindo com força dentro dela. Ela geme mais alto e aperta suas unhas pelas suas costas nuas, sentindo seu ápice. Ele continua por mais alguns segundos, até que atinge sua própria libertação e se joga cansado sobre a cama.
Eles passam alguns minutos regulando suas respirações e, feito isso, vestem suas roupas íntimas e se aconchegam debaixo dos lençóis, não tardando a caírem em um sono profundo.
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Na manhã seguinte, Pedro acordou com o som de um celular tocando, o seu, atirado no chão junto de suas calças. Ele olha para sua linda namorada que dormia sorridente sobre seu peito e estica seu braço até o chão, conseguindo, por sorte, pegar o aparelho e atender a ligação, sem que a acordasse.
–- Alô. – sussurra, cuidando pelo canto do olho sua Esquentadinha.
–- Oi filho! – fala sua mãe, tão animada que ele teme que o som de sua voz tenha sido alto o suficiente para que Karina acordasse, mas pelo canto do olho ele pôde vê-la dormir em um sono profundo. – Você nem sabe o que chegou aqui em casa hoje! – diz ela, misteriosa.
–- O que além do René? – brinca ele. Sua mãe o recrimina enquanto ele ri. Naquele um ano que se passou, logo depois dela terminar com Nando, apareceu René em sua vida e desde então Delma estava mais feliz do que Pedro jamais a vira ficar, até mesmo quando era casada com Marcelo.
–- É sério garoto... você vai ficar maluco quando souber o que te mandaram!
Ele franze a testa em sinal de confusão, mas antes que perguntasse qualquer coisa, ela completou:
–- Uma carta da Emissora Globo convidando A Galera da Ribalta pra tocar na televisão!
Ele arregala os olhos e quase grita de alegria.
–- E tem mais, meu filho... eles mandaram um convite extra, para a musa inspiradora da banda, a Karina!
Ele sente seu coração acelerar, seu estômago se revirar.
–- PUTA QUE PARIU, MÃE! – ele não segura o grito que escapa por seus lábios e Karina acorda de supetão com a súbita interrupção de seu sono.
–- Tudo bem... só hoje eu vou deixar você falar palavrão. – diz Delma, com seu tradicional jeito de mãe coruja e completa, emocionada: -- Eu to muito orgulhosa de você, meu filho. Novinho desse jeito e já conseguindo realizar seu sonho. – ele escuta seu fungar do outro lado da ligação e sorri ainda mais.
–- Você ainda vai ter muito orgulho de mim, mãe!
–- Eu tenho certeza disso, meu filho. – e então, depois dos dois se despedirem, a ligação se encerra e Pedro pula para fora da cama e começa a saltitar feito louco pelo chão.
Karina ri de seu jeito e franze a testa em confusão, vendo-o beijar sua boca e voltando a saltitar.
–- Você pirou de vez, foi?
Ele gargalha.
–- Completamente! E sabe por quê? Porque você ta olhando para o mais novo guitarrista da mídia! Isso mesmo, telespectadores, Pedro Ramos vai aparecer na televisão!
Ela arregala os olhos e fica com a boca entreaberta por alguns segundos antes que assimilasse o que ele acabara de dizer.
–- Ai meu Deus, Pedro!
Ele sorri de orelha a orelha.
–- Não é?! E ainda tem mais... você vai ir junto! Eles estão guardando um lugar especialíssimo para você, minha musa inspiradora.
Ela ri e então ele a puxa para seus braços e rouba um beijo de tirar o fôlego dela. Eles se separam e os dois passam a comemorar juntos aquele acontecimento, mais felizes impossível. Karina podia não gostar de aparecer, mas por seu amor ela fazia tudo, inclusive mostrar o seu rosto para milhares de telespectadores.
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Depois daquela manhã maravilhosa junto de seu amor, Karina foi para a academia com seu pai, que graças a Deus não vira a presença ilustre de seu genro em sua casa e que estava com um ótimo humor naquele dia.
Ela vestia as bandagens quando ele caminhou até ela, sorridente e então tirou suas mãos detrás de suas costas e lhe ofereceu um envelope.
Ela franze a testa enquanto encara o papel e então o pega entre seus dedos e passa seus olhos pelas letras, surtando ao constatar o que tinha em mãos.
–- AI MEU DEUS! ISSO... ISSO... – ela gagueja, emocionada e então Gael abre ainda mais seu sorriso e a abraça forte.
–- Isso mesmo, minha filha, você vai lutar no Campeonato Brasileiro de Muay Thai!
Ela se joga em seus braços em sinal de felicidade e abre o maior de seus sorrisos enquanto seus olhos brilham.
–- Eu não acredito...
–- Você já é maior de idade agora e eu não posso mais te impedir como pai, e mesmo se pudesse, você está preparada, eu sei disso. Essa é a sua hora de brilhar.
Ela sente seus olhos marejarem e então o abraça novamente, desta vez calma e carinhosamente. Se afasta depois de um tempo e coloca as duas mãos na frente do rosto, fazendo o famoso gesto da academia.
–- Força e honra. Eu não vou te decepcionar, pai.
O homem sorri e então descabela seus cabelos.
–- Eu não duvido nenhum pouquinho disto.
–- Hey, minha namorada linda! – diz uma voz, interrompendo o momento pai e filha, Pedro puxa sua cintura para ele e beija carinhosamente sua bochecha, ignorando o olhar sério de seu sogro.
Ela ri.
–- Ta tudo bem aqui?
–- Exceto por você estar agarrando minha filha na minha frente, desrespeitando minhas regras e pisando de tênis no meu tatame... – o mestre sorri, irônico. – ta tudo bem.
–- Que bom, meu bom mestre sogrão! – rebate Pedro, com seu comum senso de humor.
O mestre estreita os olhos, mas antes que dissesse qualquer coisa, Karina os interrompe:
–- Chega... Pê, meu pai acaba de me permitir lutar no Campeonato. Você tem noção disso? É o meu sonho!
O garoto sorri enquanto vê seus olhinhos puxadinhos brilharem.
–- Que maravilhoso, Ka! Parece que ta tudo a favor da gente, néh? Nós dois juntos, realizando nossos sonhos... parece até fim de novela.
Ela ri e Gael revira os olhos, antes de se virar de volta para sua aula.
–- Ta tudo perfeito mesmo. – ela sorri e beija todo o seu rosto.
Ele sorri de volta diante de seu gesto.
–- E quando é esse Campeonato? – pergunta, curioso.
Ela continua a lhe beijar, despreocupada.
–- Ah vai demorar... daqui a um mês, no dia 10 de março.
Ele arregala os olhos e a afasta com um de seus braços.
–- Espera... você disse dez de março?
Ela assente, preocupada.
–- Sim. Por quê?
Ele solta sua respiração.
–- É no dia que eu vou aparecer no programa.
Ela se afasta, chocada e ele a segue até os degraus que ela sentara.
–- Eu sinto muito... mas você vai poder lutar outros anos, não é?
Ela franze a testa, surpresa com o que ele dissera.
–- Você enlouqueceu? Eu não vou desistir do campeonato!
É a vez dele de franzir a testa.
–- Ta, mas e o sho...
–- Fica pra outra hora... a banda pode tocar sem você, não é? Ou então você vai sem mim. – explicou ela, como se fosse óbvio, engolindo em seco após dar sua última ideia.
A ideia de lutar sem ele por perto a amedrontava, Pedro sempre servira de alicerce para ela, até mesmo em suas lutas.
Ele coça a cabeça nervosamente.
–- Você sabe que esse show é uma oportunidade única, não sabe? E que depois desse show vai chover gente me chamando pra tocar e depois desse campeonato vai ser o mesmo com você...
–- E tem a faculdade... – murmura ela, pensativa. Seu pai havia a feito prometer cursar pelo menos Educação Física e Pedro, como já era esperado, cursaria Música.
– É... e se o resultado de nossas faculdades não ser aqui no Rio? -- pergunta ele, preocupado.
–- Você repara que esse é só começo, não é? Que a partir de agora só o que vai haver entre nós serão obstáculos? As coisas não estão nada perfeitas.
Ele engole em seco e então a encara nos fundo de seus olhos azuis, antes de dizer, com amargor:
–- E se isso nos separar?
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