Correndo em Círculos
45 Capítulo 45: Eu Escolhi Você
NOTAS INICIAIS:
Fiquei chateada que o número de reviews diminuiu logo no penúltimo capítulo, mas enfim... eu to aqui e tenho que agradecer a cada uma de vocês que me acompanhou até o final.
E mandar um agradecimento especial a alinee que recomendou essa história no capítulo passado! Todo o meu amor para você! ♥
Música: The Scientist – Coldplay – também, não pudera ser outra... :’) vídeo perina: https://youtu.be/QzjI_0bDLiA
BOA LEITURA!!!
(...)
Um mês depois...
Faltavam apenas dois dias para o campeonato de Karina, e apenas dois dias para o show de Pedro. Acontecera justamente o que os dois temiam, Pedro fora aceito para uma faculdade em São Paulo e já estava se organizando para ir para lá logo depois de seu show na televisão; já Karina fora aceita para uma faculdade ali mesmo, no Rio de Janeiro. Desde então, desde que os dois descobriram aquela possibilidade de o destino os separar, não tocaram mais no assunto, os dois com medo de que se falassem sobre aquilo, percebessem a realidade em que viviam.
Para falar a verdade, nenhum dos dois nem mesmo havia se visto direito, alegando estarem cobertos de afazeres; se viam uma vez por semana ou até menos, e quando se viam trocavam beijos castos e poucas palavras, seus olhares sendo os únicos a admitirem os medos de seus corações.
Mas agora faltava apenas dois dias, e eles já não podiam mais adiar aquela conversa. Karina ia ter que tirar o band-aid, já que Pedro não o fazia. Ela zanzava de um lado para o outro na casa de Jade, as mãos no queixo pensativamente.
–- Dá pra você parar? Ta me deixando tonta! – murmura a morena, irritada.
Karina solta um suspiro.
–- Como você quer que eu pare se meu namoro ta indo pros ares?! – responde ela, com igual irritação, mas depois de alguns segundos acaba por se sentar ao seu lado enquanto bufa. – Eu não sei o que fazer, Jade. Já faz um mês que a gente ta nessa, cara. Eu não aguento mais. – admite ela, chorosa.
Sua amiga se aproxima e pega sua mão por cima do sofá.
–- Você sabe muito bem o que tem que fazer, Ka. – diz ela, séria, fazendo a jovem lhe encarar nos olhos, os seus, aguados.
–- Mas eu não quero fazer isso, Jade... – ela funga, tentando segurar suas lágrimas. Maldita TPM! – Eu amo o Pedro... não quero me afastar ainda mais dele.
–- Então conversa com ele.
–- Você sabe qual vai ser o fim dessa conversa. – diz a lutadora, engolindo em seco.
–- Não sei não. Olha... eu e o Cobra éramos exatamente assim antes, nós não conversávamos sobre nada, era tudo resolvido fisicamente, brigas físicas ou então... – Karina arregala os olhos e ela ri de seu jeito, deixando de completar a frase. – mas ai, essa última vez que a gente decidiu ficar junto, nós percebemos que relacionamento não é só amor e paixão, também é companheirismo, tentar entender o outro. O Cobra me ajudou a me encontrar no mundo... ele me ajudou a perceber que eu não queria ser dançarina, nem enfermeira, que eu queria ser algo maior... e eu estou em busca desse sonho no momento graças à ele.
A loira assente, olhando para baixo. Ela estava ciente de que a amiga havia largado a faculdade e que agora cursava um curso técnico de moda para que aprimorasse o que ela queria fazer: uma organização para crianças envolvendo todo tipo de arte e esporte, um lugar para onde elas pudessem descobrir o que gostam desde pequenas, seu pai também estava investindo na ideia, propondo ser professor de luta dos pequenos e arcar com as despesas iniciais antes do dinheiro começar a entrar – Jade pretendia ser designer por fora da ONG e montá-la com o dinheiro recebido com suas roupas e desfiles; sua marca já estava quase pronta, só faltava ela aprender inteiramente sobre o assunto para começar a produzir.
–- Conversa com ele. Vocês não podem mais ficar nesse silêncio, isso só ta fazendo mal pra vocês dois.
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–- Pedro... – chama a jovem, e ele desce as escadas da entrada da Academia e se vira para ela, suspirando e sentindo seu sangue latejar dentro das veias.
Ele já esperava por aquele dia, o dia em que eles enfim teriam aquela conversa, mas ainda era assustador pensar no que aquilo os levaria. Ele encara os lindos olhos azuis de sua namorada e sente ainda mais a pressão do momento.
–- Nós precisamos conversar. – ele assente, sério, e então os dois caminham até um banco da praça e se sentam lado a lado, nervosos. – Nós temos que resolver esse problema de uma vez... não podemos mais fingir que nada está acontecendo porque tudo está acontecendo.
Ele a olha nos olhos e sente os seus marejarem.
–- Você vai morar em São Paulo e eu no Rio, percebe o problema?
–- Isso ainda não foi resolvido... você pode vir comigo para São Paulo... – murmura ele, tremendo.
Ela solta um longo suspiro.
–- Você sabe que isso não vai acontecer, pelo menos não agora. Eu tenho que treinar bastante antes de virar mestre e poder largar tudo. Agora o que eu preciso é ter um estudo, ficar mais forte e treinar com meu pai.
Ele acaba por assentir, já sentindo o que viria a seguir.
–- Mas nós ainda poderíamos namorar a distância...
Ele quase ri.
–- Ficar longe de você? Longe da minha Esquentadinha por semanas inteiras? – nega veementemente. – Eu não iria suportar.
Ela acaba bufando, irritada.
–- Então o que você sugere?! – murmura em meio a sua fúria. – Não tem saída a não ser essa, Pedro! Nós escolhemos caminhos diferentes e esses caminhos não se cruzarão em nenhum momento. Você vai começar a fazer shows por todo o país, turnês e tal e tudo o que eu quero agora é sossego, lutar, casar...
Os olhos dele brilham ao ouvir a última palavra. Ele nunca imaginara que esse fosse ser um dos desejos de sua namorada, ela sempre fora tão simples e tímida...
–- Mas eu também quero fazer tudo isso, Karina.
–- Mas não agora... quer dizer, eu também não quero neste exato momento, mas daqui dois anos, quem sabe? E você vai estar em outro mundo, não vai ter tempo, nem saco. Você vai ficar famoso e eu não vou querer aparecer nos holofotes.
–- Isso é verdade, eu nunca cogitaria desistir do meu sonho... mas a gente pode se entender se tivermos paciência.
Ela fecha os olhos e sem querer uma lágrima escapa deles.
–- A gente poderia tentar, mas... – ela o encara fixamente nos olhos, os seus parecendo dois oceanos profundos e molhados, com grandes bolsas de estresse – exatamente sobre esse assunto – sob eles. – eu tenho medo que a gente tente tanto ao ponto de estragar isso que a gente tem. Eu não quero te odiar e nem quero que você me odeie. Prefiro que as coisas terminem assim, com a gente se amando, do que se odiando.
Ele engole em seco, olhando para baixo.
–- É isso então... – ele encara firmemente seus olhos azuis. – é esse o nosso fim?
Ela o encara de volta e lentamente sente mais uma lágrima escorrer por sua face.
–- Eu to te libertando. Vai lá, vai viver seu sonho sem interrupções, nós não vai mais dar certo de qualquer maneira. – ela seca suas lágrimas com as pontas dos dedos e ele encara seu movimento com dor no coração.
–- Mas e o nosso amor? – pergunta, sério.
–- Ele vai continuar vivo, até que outras pessoas o recebam.
Ele nega com a cabeça.
–- A única pessoa para quem meu amor poderia ir é você.
Ela não se segura, cai em um choro intenso, se sentindo um bebê novamente quando o vê se levantar, curvar seu corpo e secar suas lágrimas com seus beijos.
–- Mas eu sei que só amor não basta, eu entendo isso. – diz ele, antes de largar sua mão e se afastar.
Ela encara suas costas, sentindo uma pontada bem no fundo do peito.
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Dois dias depois...
Karina finalmente parara de chorar, depois de horas recebendo lenços das amigas, e agora se encontrava deitada com a cabeça no colo de Nat, novamente na casa de Jade – sim, as três viraram uma espécie de trio de melhores amigas, apesar das diferenças absurdas de cada uma.
–- Acalmou? – pergunta Natália, enquanto Jade caminha de um lado para o outro, seriamente pensativa.
–- Um pouco... mas só pensar nele dói demais.
Jade revira os olhos.
–- Então não pensa! Corre atrás dele! – diz ela, irritada.
Nat a manda um olhar repreendedor e ela ergue os braços para o alto.
–- Ah qual é, Nat, você sabe muito bem que nossa amiga está sendo infantil.
Karina se levanta de supetão, se irritando também.
–- Infantil? Eu acabo de sair de um namoro maravilhoso por causa da porcaria do meu sonho.
–- É exatamente por isso que é infantil.
Nat acaba por concordar.
–- É, Karina, por que vocês desistiram assim, tão facilmente?
Ela olha para baixo.
–- Não foi tão facilmente... a gente só percebeu que não dava mais.
–- Não dava mais? Vocês não se amam mais? – pergunta Natália, séria.
–- Claro que nos amamos... não ia ser do dia para noite que eu ia deixar de amá-lo, mas os problemas são outros. Não dá pra viver só de amor.
Jade bufa, um sinal claro de sua discordância.
–- Se vocês realmente se amam, não vai ser a distância que vai separar vocês. – diz ela.
–- E convenhamos que de São Paulo para o Rio são só dois passos... vocês conseguiriam sobreviver. – completa Nat.
Karina suspira.
–- O problema não é só esse... o Pedro quer virar músico e isso vai significar show todos os dias e em todos os lugares, enquanto tudo o que eu quero é ficar sossegada no meu canto, perto da minha família, construindo uma família.
As duas morenas assentem.
–- Não existe relacionamento sem sacrifícios. – diz Jade, séria.
–- Eu sei disso, mas...
–- Vocês chegaram naquele momento que todo casal chega, o momento do agora ou nunca que todo relacionamento tem e que só se houver muito amor vocês vão conseguir passar por ele. – interrompe Nat.
–- Eu pensei que Perina fosse o casal mais perfeito da Terra... vocês passaram por tanta coisa... mas parece que eu estava errada, afinal, um simples probleminha já separou vocês. – completa Jade, irritando por inteiro a pequena Esquentadinha.
–- Mas... – começa a dizer ela, irritada, mas é interrompida novamente.
–- Prova que eu to errada. Prova que Perina realmente não acabou. Que vocês são mais fortes e maduros do que qualquer um julgou. -- conclui Jade, depois de encarar Natália nos olhos.
Karina acaba por ceder, suspirando. Por que mesmo ela ainda continuava tentando discutir com suas amigas?
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Pedro zanzava de um lado para o outro, sobre o chão da Ribalta, suas unhas tão ruídas que seus dentes quase tocavam sua pele, seus olhos cansados e sem brilho demonstrando sua luta interna. Naquele dia ele e sua banda iam se apresentar ao vivo na televisão e Karina teria sua primeira luta do campeonato e dali mais alguns dias, ele se mudaria para São Paulo.
Ele não queria que as coisas terminassem daquela maneira com Karina, na verdade ele não queria que as coisas entre os dois nunca terminassem. Eles se amavam, por que terminar?
–- Desse jeito você vai fazer um buraco no chão. – diz uma voz, e ele se vira, surpreso que realmente tenha a ouvido.
–- Vicky?
A garota sorri, mais um de seus sorrisos venenosos e então passa por ele e se senta no banco do piano.
–- O que você ta fazendo aqui? – pergunta ele, ríspido. Não precisava de mais um problema na sua vida no momento.
–- Eu vim conversar com você...
–- Conversar? – ele ri. – Você não me engana mais garota. No mínimo você descobriu de meu término e veio tentar a sorte...
–- De fato eu sei de seu término com a Esquentadinha. – ela revira os olhos. – Quem não sabe também? Quando vocês dois passam é como se toda a alegria do ambiente se esvaísse.
O garoto estreita os olhos, esperando uma explicação para sua presença.
–- Então Perina realmente chegou ao fim... – ela faz um biquinho triste e ele caminha para trás, fazendo-a rir. – Relaxa, eu não vou te atacar. Pelo menos não hoje...
Ele relaxa os músculos.
–- Que bom; você já me causou problemas demais, se eu bem me lembro.
Ela ri baixinho.
–- Mas eu parei com isso. – ela se levanta e fica frente a frente com ele. – Foi o Rominho que me contou do término de vocês. Rominho sabe... meu namorado. Ele não aguenta mais teu chororô.
Pedro sabia do namoro de seu amigo e a venenosa, ele mesmo viera perguntar se devia investir sério na garota e Pedro, é claro, dissera para ele manter os olhos bem abertos. Rominho caiu de quatro por Vicky e aparentemente esquecera do que Pedro dissera. Ele ergue as sobrancelhas. Como se o fato dela ter namorado diminuísse seu perigo...
–- É sério, Pedro, acredita em mim. Eu não to aqui pra te seduzir.
Ele encara seus olhos castanhos, bem no fundo deles e acaba por assentir, mantendo um pé atrás, afinal, não era a toa que o apelido dela era Venenosa.
–- Então por que você ta aqui?
Ela bufa.
–- Não ta óbvio? Eu vim fazer você abrir essa sua cabecinha de vento.
Ele franze a testa e ela bufa novamente.
–- Olha... eu não desisti de você a toa. Você e aquela maria-macho... – ele lhe manda um olhar repreendedor e ela se corrige: -- Você e a Karina... vocês são o casal mais perfeito que eu conheço. E não é porque vocês se entenderam por quase dois anos. Nem eu, a pessoa que mais termina com namoros, conseguiu afastá-los, nem aquela mentira horrenda separou vocês dois... não vai ser uma simples brincadeira do destino que vai fazê-lo, vai?
Ele olha para baixo, envergonhado de si.
–- Não é tão simples assim... é muita distância e nós sempre fomos unidos.
Ela revira os olhos.
–- Puta que pariu, garoto! Para com esse mimimi... ou você acha melhor ficar cem por cento sem ela e se arrepender pelo resto da sua vida do que tê-la pela metade? Ou você acha que o seu sentimento e o dela vai parar assim, de repente? Olha... eu que não sou nada romântica sei que não pode se brincar com um amor como o de vocês.
–- Então o que você sugere?
–- Eu sugiro que você levante essa cabeça e lute pela sua felicidade. Vai até aquela garota e diga tudo o que você sente. É melhor se arrepender pelo que fez do que pelo que não fez.
Ele encara seus olhos e se surpreende ao vê-los molhados de lágrimas. Aquela era realmente uma nova Victória.
–- Prove pra mim que valeu a pena ter desistido de lutar por você. Que eu realmente fiz o possível.
Ele assente. Ela estava certa, ele não podia deixar que Karina se afastasse dele. Ele a amava e isso era tudo.
–- Obrigado...
Ela sorri, limpando as lágrimas.
–- Eu acho que te devia essa. – ele a abraça e então sai correndo para fora dali, atrás de seu grande amor.
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Karina estava decepcionada consigo mesma. Assim que saiu da casa de Jade, ela correu para o Projac, mas infelizmente fora tarde demais, a banda já havia entrado e os seguranças não permitiram que ela entrasse, já que seu cartão de visitas nunca passou por suas mãos e devia estar até agora nas coisas de Pedro, senão no lixo.
Ela amaldiçoa seu atraso e se joga no chão mesmo, escorada na parede enquanto chora. Havia ido ali disposta a viver o sonho dele com ele e desistido de lutar no campeonato, pelo bem de seu relacionamento, mas infelizmente agora ela perdera as duas chances. Não poderia estar se sentindo pior.
Se levanta do chão, ainda cabisbaixa e caminha para fora do prédio. Alguns táxis passaram, mas, como se para esquentar ainda mais a Esquentadinha, ignoraram seu chamado. Ela chuta uma lixeira, furiosa e cai ainda mais em prantos. Maldito destino! Ele fora o verdadeiro culpado por sua tristeza. Coloca o rosto entre suas mãos e respira fundo, dando um pulo ao sentir o toque de uma mão em seu ombro.
–- Minha Esquentadinha. – diz Pedro, sorridente. Ela se vira e ri em meio ao seu choro. Ele estava ali. Ele estava ali ao seu lado. Olha em seus olhos, tentando provar para si mesma que não estava sonhando e jogando, em seguida, os dois braços envolta de seu pescoço e desatando ainda mais em lágrimas.
Ele a aperta mais contra si, sentindo aquela necessidade extrema de tê-la mais e mais perto despertar novamente, seus corpos quentes recebendo um ao outro com ardor.
Ela se afasta dele, mesmo não querendo e encara o fundo de seus olhos castanhos, suas cabeças encostadas uma na outra enquanto eles tentavam acalmar seus corações.
–- A Jade me disse que você estaria aqui. – afirma ele, com dificuldade de falar direito devido a proximidade, seus olhos marejados pela emoção do momento.
–- Você não ia mais para o show? – pergunta ela, curiosa.
Ele assente.
–- Eu ia ficar do lado da minha Esquentadinha, enquanto ela chutava a bunda daquelas garotas.
Ela solta uma risada gostosa e ele sente ainda mais amor por ela.
–- Mas e o seu sonho? – pergunta ela, depois de um tempo, afastando-se um pouco dele para que mantivesse a razão.
Ele pega o rosto dela entre seus dedos, resgatando de volta sua atenção.
–- E se eu te dissesse que você faz parte do meu sonho? Que você é o meu sonho? – ele desce uma mão para sua cintura e puxa delicadamente seu corpo para perto novamente, roçando sua boca na dela enquanto envolvia seus cabelos curtos entre os dedos de sua mão direita, e a carne de sua cintura com a mão esquerda.
Ela ofega.
–- Eu diria que você enlouqueceu de vez e que está perdidamente apaixonado por mim. – responde, encarando sua boca enquanto entrava em sua brincadeira, aproximando seus lábios para então afastá-los dos dele.
Ele sorri.
–- Bem, você está certa... mas e você? O que veio fazer aqui?
Ela beija seu queixo e responde, devagar:
–- Eu vim atrás do meu guitarrista favorito.
–- Mas e tudo o que a gente tinha combinado? Que a gente tinha terminado e...
–- Shh... – ela o interrompe, colocando um dedo na frente de seus lábios. Nega devagar com a cabeça. – A gente não vai terminar, eu vou entrar naquele prédio com você e te apoiar com o seu sonho, eu vou pra São Paulo agora, se você quiser.
Ele nega.
–- Não. Eu é que vou para o campeonato com você.
Ela sorri.
–- Até nisso a gente combina. – ele sorri de volta, entendendo o que ela quisera dizer.
–- Mas é sério... eu não vou deixar você bater em outra pessoa, sem pelo menos estar lá pra ver.
Ela morde os lábios, nervosa.
–- Vamos fazer assim, eu vou no meu campeonato e você vai para o seu show e arrasa nele, fazendo questão de engrandecer sua musa inspiradora.
Ele ri.
–- Não preciso de muito pra isso...
–- É sério, Pê. A gente não precisa desistir de nossos sonhos para vivermos nosso amor, nem desistir de nosso amor para vivermos nossos sonhos.
Ele assente e então encosta sua testa na dela novamente.
–- A gente vai se entender. – ela fecha os olhos e não precisa dizer nada para que ele saiba que ela concorda.
–- Eu te amo, minha Esquentadinha.
–- Eu também te amo, meu guitarrista. – e então, os dois finalmente juntam seus lábios, assim como seus corações. Eles eram um do outro, pertenciam um ao outro, e nem mesmo o céu, a Terra ou o tempo acabaria com seu amor, porque ele era infinito.
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–- Eu ainda não acredito que a minha garotinha vai sair de casa. – diz Gael, com a voz embargada pelo choro.
Karina sorri e então abraça o pai, sentindo seu coração na boca. Fazia alguns meses que ela e Pedro namoravam a distância, seu pai deixou que ela desistisse de fazer faculdade e agora que ela ganhara o campeonato e estava preparada para treinar com outro mestre, ela decidira se mudar para junto de seu guitarrista.
Gael, é claro, não gostara nenhum pouquinho da ideia de ter sua filha morando a um estado de distância, ele até mesmo brincara que ia retirar o que disse sobre ela estar preparada para ir embora e até ser mestre se quisesse.
–- Como se não bastasse a Bianca morando com o Esquisito, a Karina ainda me vai morar com aquele Capiroto? O que eu fiz pra merecer isso?
Karina, Bianca e Dandara reviram os olhos, empurrando o homem enquanto riam.
–- iiihh... o mestre ta emocionado, olha ali! – brincou Cobra, recebendo um olhar sério do homem, enquanto todos riam.
Pedro corre até eles e abraça sua namorada por trás beijando seu pescoço.
–- As malas já estão todas no carro.
Todos assentem e então um silêncio preenche a calçada. Karina sorri, sentindo seus olhos copiarem os do pai e se encherem de água. Na noite passada eles haviam feito uma festa de despedida para ela e fora a mesma coisa, ela chorara como um bebê. Deviam ser os hormônios da adolescência que se despediam dela... ela usara como desculpa, mas ela sabia que não era isso. Sentiria falta daquele lugar e de todas aquelas pessoas que agora olhavam para ela, emocionados: Jade e Cobra, João e Bianca, Duca e Nat, Tomtom e Delma e Dandara e Gael.
Ela pensa nos bons momentos que passara ali, aprendera a andar, falar, lutar e namorar. Aprendera a ser uma mulher. Mulher que agora ela já conseguia se considerar sendo e que não tinha vergonha de dizer, amava a sua vida.
–- Então eu acho que é isso... – diz ela, se emocionando ainda mais.
Gael não sente vergonha, caminha até ela e a abraça novamente, deixando que seus olhos derramassem ainda mais lágrimas. Dandara sorri, consciente de que fora ela a responsável pelo homem ter saído de dentro de sua casca; ela acaricia sua barriga de grávida e sorri para o próximo integrante da família. Ele teria um pai incrível, e nisso todos ali concordavam.
Bianca entra para o abraço, não enxergando praticamente nada em meio àquela nuvem de lágrimas que embaçavam sua visão, e logo estão todos ali, amontoados em um abraço reconfortante, rindo felizes e brincando descontraidamente. Um ano atrás, estariam chorando de tristeza, mas agora não havia motivo para chorar, a não ser de alegria.
–- Eu tenho muito orgulho de cada um de vocês. Tanto de minhas filhas, quanto de meus alunos. Eu vi cada um de vocês quando ainda eram crianças inocentes e imaturas e é de um prazer imenso ver que vocês cresceram, tanto de tamanho, quanto de espírito. – diz Gael, depois que o abraço é desmanchado.
Ele se aproxima de Pedro e coloca suas mãos sobre seus ombros:
–- E eu tenho certeza que você vai fazer minha filha muito feliz, porque, você sabe... ela tem um pai bastante cruel.
Pedro ri e então abraça o sogro de volta.
–- Força e honra. – diz Gael e então todos o imitam, sorridentes, vendo Karina se aconchegar nos braços de Pedro e se afastar, depois de abraçar cada um deles.
Ela sorri, vendo Cobra e Jade, Duca e Nat, sua irmã e João, Delma e Tomtom, Dandara e seu pai abanarem para o carro enquanto sorriam no abraço de seus amores e, pouco a pouco, ela viu sua família se distanciar de dentro do carro.
Ela suspira e então encara a sua frente e limpa seus olhos molhados.
Sente uma mão sobre a sua e de repente o vazio dentro de seu estômago cessa por um instante. Pedro sorri, cortês e ela sabe que está em boas mãos.
Sorri de volta e deita sua cabeça em seu ombro enquanto ele dirige, suas mãos entrelaçadas sobre seu colo. Seu futuro estava bem na sua frente. Seu futuro, presente e passado. Ele. Eles dois juntos.
Perina. Se eles não existissem, alguém teria que inventar.
Fim. ♥
Por enquanto.
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