Correndo em Círculos

43 Capítulo 43: É preciso amar


Notas iniciais
Oi gente! Esse capítulo ta meio pequeno, mas espero que gostem dele mesmo assim. Música: Pais e Filhos – Legião Urbana BOA LEITURA!

Jade estava indecisa.

Sua mãe estava se recuperando cada vez mais devido aos seus cuidados e as provas para entrar na faculdade estavam chegando. Você deve estar se perguntando: o que uma coisa tem haver com a outra?

A verdade era que Jade estava farta da dança, pelo menos como trabalho. Ela amava a sensação de flutuar quando realizava os passos, a sensação de liberdade que seu corpo sentia ao fim de um dia cheio de ensaios. Mas ela odiava com todas as forças a pressão, a dor na ponta dos pés, o fato de que um dia, quando ela chegasse a uma certa idade, seria descartada feito uma boneca por não ter mais o corpo adequado ou então por fraturar seriamente as pernas depois de tanto descuido.

Como ela descobrira isso? Sua terapeuta, que ela consultara justamente por causa de suas automutilações, e que havia abrido sua mente para milhões de outras coisas, outras profissões.

Mas o que ela queria? Ela perguntara. Jade não sabia, pelo menos ainda não. Tudo o que ela conhecia na vida era a dança. Era tudo o que sua mãe colocava como possibilidade de futuro, tudo o que ela tinha talento.

Bem, talvez não tudo, afinal, Jade também era boa em cuidar de sua mãe e era por isso que está estava se curando cada vez mais rápido. A morena sorri. Era uma sensação única a de ver sua mãe melhorando por causa de seus cuidados.

Ela se sente uma desvairada. Jade Gardel, uma médica? Ela mesma arregala os olhos e então pensa um pouquinho menor, afinal, ela não era boa o bastante nos estudos para se tornar uma médica. Enfermeira, cuidar das pessoas, fazê-las se sentir bem. Aquela era uma boa carreira.

Ou pelo menos, era a única que ela tinha em mente no momento.

–- Mãe... – chama Jade, se sentando no sofá, ao lado de Lucrécia, que lia mais um dos intermináveis livros sobre dança.

–- O que foi, filha? – pergunta a mais velha, sem interromper sua leitura.

–- Eu não quero mais ser dançarina.

Lucrécia ergue o olhar, estarrecida, o livro esquecido sobre o seu colo. Por fim, ela ri.

–- O que foi? É verdade. Eu não quero mais ser dançarina, nunca quis para falar a verdade.

Lucrécia desmancha o sorriso.

–- Você bateu com a cabeça?

–- Não. Eu só fiz terapia e...

–- E aquela mulher colocou caraminholas na sua cabeça. – completa a outra.

Jade respira fundo antes de encará-la no fundo de seus olhos.

–- Não. Aquela mulher apenas me deu forças pra te enfrentar de uma vez. – afirma ela com seriedade.

Lucrécia se ressente, mas não fala nada.

–- Olha... você pode não ter percebido, mas todos esses anos, todos esses malditos anos, tudo o que eu fiz foi tentar te deixar orgulhosa. Desde pequenininha eu fico na ponta do pé até minha unha sangrar, eu faço dieta enlouquecidamente e choro escondida no meu quarto quando te desaponto. Além disso, eu me automutilo, arranco, literalmente, meus cabelos porque eu sinto que dessa forma, reprendendo a mim mesma, eu não vou enxergar a decepção em seus olhos.

Lucrécia sente seus olhos molhados de lágrimas e algo dentro de seu estômago se revirar. Nunca havia reparado no quão ruim era como mãe.

–- Você queria apenas que eu realizasse o sonho que você não pôde realizar e eu, indisposta de fazer isso, me forçava até o ápice. A culpa não é só sua, eu reconheço. Você é uma mãe incrível de qualquer forma. – ela sorri em meio às lágrimas que preenchem seus olhos. – Você só queria o melhor pra mim, mas sinto dizer que a dança não o é. – ela engole em seco depois de terminar de falar e ver a face sem expressão de sua mãe a faz ficar tentada a arrancar os cabelos.

–- Eu não sei... eu não sei o que dizer, Jade. – diz Lucrécia, secando seus próprios olhos. – Eu nunca pensei na possibilidade de você não querer ser dançarina. – ela morde os lábios. – Eu sinto muito por ter te forçado, por ter te oprimido de certa forma.

Jade assente, abrindo um meio sorriso.

–- Eu acho que o que faltava entre nós era um diálogo sincero como esse. – ela ri. – Eu nunca ia imaginar que apenas dizendo o que eu sinto já nos entenderíamos.

–- Eu posso ser dura, até má às vezes, minha filha, mas eu quero o seu bem. – diz a professora de dança, pegando sua mão e cruzando com a sua. – Mas... o que te faz feliz, senão a dança?

A morena sorri.

–- Eu estive pensando em enfermagem... – Lucrécia assente, apesar do choque inicial.

–- Se é isso o que você quer...

As duas sorriem uma para a outra e enfim sentem um peso sair de suas costas, o peso de anos de omissão e agonia. Para Jade, aquela era a única coisa que faltava para ela encontrar a felicidade: sua mãe ao seu lado no que ela escolhesse.

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O dia de Pedro não estava sendo um dos melhores. Primeiro: porque Karina não estava bem e ele não podia fazer nada mais para mudar isso. Segundo: porque suas aulas haviam retornado – não era como se ele fosse um nerd e adorasse estudar, ele adorava era escrever músicas e namorar.

Terceiro – mas não menos importante – porque fora o primeiro de muitos dias em que ele via seu pai.

Marcelo aparecera à noite no Perfeitão, enquanto ele dedilhava seu violão em busca de inspiração.

–- Filho... – sussurra o homem, lhe chamando atenção.

A primeira reação de Pedro é de surpresa e então um amargor toma conta de sua expressão e ele encara o homem com um misto de raiva e mágoa.

–- Eu não sou mais seu filho, esqueceu? Deixei de ser no momento em que escolheu ficar ao lado de Roberta ao invés do meu. – murmura, ríspido.

O mais velho o encara, com dor no coração e acaba por se sentar ao seu lado, em uma banqueta, mesmo com seus protestos. Ele suspira.

–- Apesar de seus desejos, eu sempre vou ser seu pai. Mesmo sendo esse babaca que sou. – afirma Marcelo, fazendo o menino erguer o olhar e encará-lo duramente nos olhos, os seus, marejados.

Pedro sorve um tanto de ar e fecha os olhos com força, se amaldiçoando em pensamentos por já estar chorando antes mesmo que ouvisse tudo o que ele tinha para dizer.

–- Mesmo assim, se depois de você ouvir minhas desculpas, ainda assim você não me perdoar, eu vou continuar sendo seu pai, só que bem longe de você, como você preferir.

Pedro seca algumas lágrimas com as costas de sua mão e volta a encarar o homem ao seu lado. Ele assente, e então espera por sua fala.

–- Eu levei adiante o relacionamento com a Roberta, sem nem pensar na possibilidade de você estar certo e ela ser uma farsa. Até ontem, quando uma garota mais ou menos da sua idade veio nos visitar.

Pedro franze a testa, confuso.

–- O nome dela era Vicki. E ela apareceu lá em casa chorando, coitada. Roberta rapidamente a empurrou para fora e perguntou rispidamente o que tinha acontecido. A jovem explicou que apesar de tudo o que as duas fizeram, você e Karina ainda estava juntos. Que ela te beijara na frente de Karina e mesmo assim, no dia seguinte, vocês estavam juntos.

“Roberta foi completamente maldosa quando a pequena disse se arrepender do que fizera. Vicki disse que estava cheia de tudo aquilo e que não ia tentar mais se meter no seu relacionamento e da Karina e Roberta, ao invés de apoiá-la, chamou-a de fraca e então disse que não importava mais. Ela tinha o que queria, eu havia voltado para ela e você sofrera o que tinha que sofrer; elas falaram sobre quando Roberta foi até a casa de Karina e contou sobre o acordo que você fez com Bianca. Vicki, dizendo que aquilo havia sido um erro e Roberta, dizendo que fora necessário, apesar dela ter se arrependido. Nenhuma delas viu que eu estava assistindo a conversa toda.”

Pedro assente, seus punhos fechados em um sinal de revolta.

–- Quando Roberta despachou a menina, eu a coloquei contra a parede e pedi que me explicasse tudo aquilo. Ela primeiro hesitou e então me contou que ficara com muita raiva de você e que armou um plano para se vingar. Você ia abrir o jogo com Karina, mas ela foi mais rápida e então vocês dois ficaram esse tempo todo separados, sofrendo, por causa da minha namorada.

“Ela chorou muito e tenho que ser sincero, fiquei tentado a lhe perdoar, mas então comecei a pensar em você e no quão ruim e vingativa uma pessoa tem que ser para fazer algo como isso. Ela nunca me amou, ela era apenas egoísta demais, e queria me ter em seus braços porque eu não a queria como os outros homens – ou, pelo menos, não investia nela como eles faziam --, mas ela queria que eu fosse exclusivamente seu e me esquecesse de minha família. E eu não posso deixar que isso aconteça jamais. Vocês são tudo para mim, são tudo o que importa. Antes eu não via isso, eu achava que você estivesse exagerando e julgando-a demais, mas mesmo se estivesse, antes de qualquer mulher, deve vir meus filhos.”

O guitarrista solta um soluço pela garganta e então começa a chorar como um bebê. Marcelo o agarra entre seus braços e o abraça com carinho.

–- Você estava certo. Você está certo quanto a tudo o que disse e fez. É uma pena que eu tenha percebido isso tão tarde. – afirma o homem, contra seu ouvido, sua voz balbuciada pelo choro que logo começou a vir.

Pedro não fala nada, nem mesmo o abraça de volta, apenas chora em seu ombro, até que seus soluços cessam e ele o afasta com um de seus braços. Marcelo seca os olhos e encara a expressão dura que seu filho persiste em lhe mandar.

–- Você me perdoa? – indaga ele, esperançoso.

Seu filho passa as mãos entre os seus cabelos, nervosamente e então solta um longo suspiro.

–- Você errou. Colocou Roberta em primeiro lugar, acabou com seu casamento, afastou Tomtom e apesar de tudo isso, eu aceitei ir até sua casa e de Roberta naquele dia, porque você é meu pai, e eu o amo. E então, naquela noite em que eu ia tentar entender sua namorada, eu descubro que ela foi a responsável pela maior de minhas tristezas e você fica ao seu lado.

Os lábios de Marcelo tremem de expectativa.

–- Eu te odiei naquele dia, jurei nunca mais vê-lo ou deixar que se aproximasse. Estava me sentindo um lixo que nem meu próprio pai quer. Passei dias de amargura, até hoje. – Pedro olha no fundo de seus olhos, sua face sem expressão alguma. – Eu não sei se algum dia vou te perdoar, mas você é meu pai e não posso negar isso. Consigo ver que está arrependido, por isso não vou deixar que se afaste.

Por mais que não tenha sido nada do esperado o que Pedro dissera e muito menos algo completamente bom, Marcelo sorri, seus olhos se cobrindo inteiramente de água, ele se ergue da banqueta e finalmente vê Pedro se levantar e abraçá-lo de volta.

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Como Karina havia programado, ela esperou que seu pai chegasse para que enfim resolve o problema de sua paternidade. Ele demorou e isso resultou em impacientes passos vindos dela, para lá e para cá. Dandara, João e Bianca, que já estavam em casa, encaravam-na com curiosidade, também ansiosos para abrirem aquele maldito envelope.

–- Filha, se acalma. – pede Dandara, preocupada, sem reparar no termo que usara para se direcionar a pequena.

Karina se interrompe e encara a mulher, seus olhos azuis levemente arregalados fazendo Dandara reparar no que dissera e colocar a mão na boca.

–- Desculpe-me. – ela ri levemente. – É que eu passo tanto tempo com você e a Bi que acabo esquecendo que não sou...

–- Tudo bem. – murmura Karina, tímida e então se senta no sofá e ao invés de caminhar para lá e para cá em sinal de nervosismo, começa a tremer a perna.

João ri.

–- Que bom que você não é mãe delas, se não isso aqui seria um incesto. – murmura ele, com seu habitual senso de humor.

Bianca, que estava sentada entre suas pernas, sendo abraçada por ele, lhe manda um olhar repressor e ele se cala.

Karina ri, apesar de seu nervosismo.

–- De qualquer forma a Dandara é minha mãe também, João e uma das boas. Obrigada por estar nos apoiando nesse momento difícil... – diz Karina, com sinceridade.

A cantora sorri, mas antes que dissesse qualquer coisa, a porta se abre e um Gael de olhos vermelhos de tanto chorar entra dentro da casa.

–- Ta tudo bem, meu amor? Onde você estava? – pergunta Dandara, se levantando e pegando o rosto do namorado entre suas mãos enquanto encara seus olhos inchados.

Ele suspira.

–- Você pode me odiar por isso, mas eu fui visitar Lobão. – diz ele e, deixando todos alarmados, acaba por completar: -- Não se preocupem, ta tudo certo... eu só precisava falar com ele para saber que isso tudo que ta acontecendo é real.

Ele senta em sua poltrona, seus olhos mais uma vez chorosos. Passara a viagem toda de carro até ali se desmanchando em agonia ao imaginar tudo o que seu antigo amigo fizera, tão distraído que nem mesmo reparara nas ambulâncias que corriam á toda em direção oposta.

Eles ficam em silêncio por um tempo, até que Karina se levanta e se agacha em sua frente. Ele encara seu movimento e quando ela o encara nos olhos, passa uma mão por seu rosto e deixa que uma lágrima escorra pelo seu.

–- Infelizmente, você ainda pode não ser minha filha. – afirma ele, com agonia.

Dandara manda um olhar preocupado para Bianca e então para o envelope que estava pousado na mesa de centro, esperando ansiosamente para ser aberto.

Gael vê que a atenção da sala está voltada para ele e solta um suspiro.

–- Vocês estavam me esperando para abrir o resultado, não é?

Todos assentem, exceto Karina, que estava pensativa demais para que prestasse atenção no que acontecia na vida real. Gael se levanta e passa por ela, se curva sobre a mesinha e pega o pequeno papel entre seus dedos trêmulos.

Karina encara seus movimentos e então se levanta e caminha até o seu lado. Ele encara seus olhos azuis e sente, com dor, ainda mais a possibilidade dela ser filha de seu inimigo naquelas orbes azuis celeste.

–- Se depois desse resultado você querer ir morar fora com a Bianca, eu vou entender. Se você quiser exigir do governo uma pensão de Lobão, também irei entender. Mas, por favor, nunca duvide um instante sequer de meu amor por você. No meu coração, você vai sempre ser a minha pequena caçula. – diz ele, antes de entregar o envelope nas mãos de Karina e sentir mais e mais lágrimas aquecerem seu rosto.

Ela pega o papel e fica com ele em suas mãos por vários segundos, encarando-o com os olhos quase sem piscar e a pulsação se acelerando no último. Ela engole em seco e se concentra naquele papel, nas letras que ela quase podia enxergar através daquele papel branco, na sigla do laboratório e nos nomes dos três estampados ali: Karina, Gael e Lobão.

Ela queria tanto abrir aquele papel e ver o nome de seu pai ali. Ela ri. De qualquer forma ela veria o nome de seu pai ali, mas talvez não fosse o de seu pai de coração, o que lhe criou desde que nascera e até mesmo antes disso, lhe deu o que comer e beber, o que rir e chorar, lhe ensinou a andar, lutar, ler e escrever. O que lhe ensinou a ser uma pessoa, uma pessoa boa, que mesmo que fosse filha de Lobão, com aquele sangue venenoso escorrendo por suas veias, mesmo assim, seria boa. Porque sua bondade era herança de Gael e sempre seria, ele lhe deu amor e aquele amor, guardado em pontinhos dentro de seu coração, lhe aquecera e aqueceria nas piores horas e lhe daria a seta para os caminhos corretos.

Ele era seu pai, mesmo que não fosse.

Gael abaixa o olhar, ansioso, ao mesmo tempo em que ela ergue o dela, ao contrário dele, decidido. Ela quase consegue ouvir o som de suas próprias emoções quando agarra o envelope com as duas mãos, o rasga no meio e então o joga no chão, antes de atirar seus braços envolta do pescoço de Gael, seu pai, e abraçá-lo firme e forte contra seu peito, seus olhos enfim derramando todas as lágrimas que esperavam por dias aquele momento.

–- Você é meu pai. Não importa o que esse maldito papel vai dizer, eu não quero saber. Eu não consigo imaginar um mundo em que você não seja meu pai. – e o olha nos olhos, os dele, surpresos.

Os outros integrantes do recinto encaram a cena com perplexidade, seus olhos arregalados quase sem piscar, para que não perdessem nenhum segundo daquele momento estupendo.

–- Eu te amo, pai. – sussurra Karina, chorosa, e recebe um beijo na cabeça em resposta.

–- Eu também te amo, filha. – ele sorri e então os dois se separam do abraço e ele olha para o papel no chão. – Você tem certeza que não quer saber? Eu vou compreender perfeitamente se quiser.

Ela nega.

–- Tudo o que eu sei e quero saber é que eu tenho um pai de coração, um pai que me ama. – ele sorri ainda mais abertamente e então Bianca se junta ao abraço e alguns segundos depois, estão todos presos naquele amontoado de corpos, pela primeira vez em muito tempo, felizes, com uma leveza única preenchendo seus corações.

Depois de eles se separarem daquele abraço, jantarem e irem para seus quartos, o envelope que fora jogado no lixo ainda reluz a resposta que eles escolheram não ver:

Assim, temos que o pai biológico da menor se nomeia por Gael Duarte.

Possível capa da segunda temporada:

Notas finais
Então? Satisfeitos? Espero que não tenham ficado chateados por a K ter escolhido não ver o resultado, mas entendam que para ela a resposta poderia ou ser um alívio sem diferença ou um tormento eterno. Eu tentei entrar na mente dela e senti que faria exatamente isso. Enfim, de qualquer forma vcs sabem que é Gael o pai de coração E biológico dela. E quanto ao Marcelo? Novamente tentei entrar na mente do P e vi isso. Gostaram da capa? Já conseguem imaginar sobre o que é a próxima temporada? No último capítulo desta, irei postar a sinopse! ;) No próximo: um ano irá se passar e aviso desde já que ele vai ser o penúltimo capítulo. Alasca, não me mate por ter feito o que vc não queria... logo no próximo isso já vai ser resolvido! Enfim, espero os ver nos reviews! Um beijo enorme ;)