Correndo em Círculos
4 Capítulo 4: Nos Ventos de uma escolha Difícil o Amor tem uma voz Calma
Notas iniciais
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Pedro e Karina já estavam se beijando á horas e o desejo apenas aumentava, Karina sufocou um gemido ao sentir o garoto tocar seus seios, mesmo que por cima do top, mas quando ele a beijou ali, puxando seu decote para baixo para encontrar sua pele, ela o deixou escapar.
–- Shhhh... gata, seu pai não pode nem sonhar que a gente ta aqui. – fala ele baixinho, e ela faz uma careta. Seu pai? Por que ele...? Olhou por cima do ombro do namorado e reparou que estava no meu meio da floresta, sua cabeça encostada em um tronco.
–- Mas o que... – e se lembrou, eles estavam fugindo de seu pai que não queria Pedro distraindo sua filha dos treinos, estavam de volta à clareira, mas por que mesmo eles tinham que falar baixinho se seu pai estava lá longe, na academia?
Se esqueceu, Pedro estava passando as mãos pela bunda dela e naquele momento nada importava, acariciou suas costas nuas, espera aí, ele não estava de camiseta agora á pouco?
Não importa, pensou e o beijou de volta, erguendo seus quadris de encontro ao corpo dele, roçando suas pernas pelas dele em busca de mais contato. Ela podia sentir o volume sob suas cuecas, seu corpo agora nu queimando pelo seu.
–- Hmm...
–- Ka? Karina?! KARINA! – chamou uma voz, sacudindo seu corpo mole.
Karina se levantou em um só pulo, franzindo a testa ao constatar que estava em seu quarto, em sua cama e sem Pedro por perto, apenas Bianca que estava...
–- Por que diabos você ta me acordando a essa hora da madrugada?
–- Madrugada? Já é dia, Ka! E papai não vai gostar nada, nada de saber que você se atrasou por causa de mais um de seus sonhos quentes com Pedro.
Karina revira os olhos. – É, não vai gostar mesmo, e nem desgostar, porque você não vai dizer.
Bianca ri e concorda com a irmã. – É claro que não, o Pedro já sofreu o bastante com o Mestre Gael por uma vida inteira.
Karina morde os lábios e franze a testa ao sentir um aroma enjoativo.
–- Que cheiro é esse, Bi? – perguntou, e encarando sua irmã, reparou nas suas roupas, uma blusinha branca curtinha, shorts jeans rasgados e um... casaco? Ela não conseguia definir o que estava sobre sua roupa. – E que raio de roupa é essa? – Bianca sorri.
–- Isso é um quimono, sua grossa. Super em alta atualmente, aliás. E esse cheiro, minha querida irmã é perfume, coisa que você nunca deve ter chegado perto. Na verdade... por que você não se arruma um pouco pro seu namorado hoje, pra variar?
Karina bufa, empurrando sua irmã longe enquanto levantava.
–- E eu lá sou menina de ficar se arrumando pra namorado? O Pedro já até se acostumou comigo assim... – responde ela, abrindo o guarda-roupa com fúria, já vira que hoje o dia não ia ser dos melhores!
Bianca ergueu os dois braços no ar. – Ta bom, não está mais aqui quem falou... – e saiu do quarto.
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Pedro enfim decidira como contaria seu tão temido segredo para Karina, primeiro, pensou ele, tinha que arrumar dois mil reais. Pagaria Bianca de volta, mesmo que aquilo não mudasse nada, pagá-la de volta tiraria um grande peso de suas costas e quando lhe entregasse o dinheiro teria que alertá-la sobre o que estaria por vir. Essa ia ser a segunda pior parte. Não queria ouvir sermão da garota, nem lamúrias, mas não seria justo que não a alertasse. Só esperava que ela não o fizesse mudar de ideia novamente, teria que vestir sua armadura anti-Bianca.
Suspirou, se antes, quando estava procurando o dinheiro pra demo, demorara semanas para conseguir dois mil reais, não imaginava quanto tempo demoraria agora, não tendo uma “patrocinadora” para ajudá-lo. E nesse meio tempo teria que segurar sua Esquentadinha.
–- Filho, você não vai pra escola? – pergunta uma voz, o despertando. Pedro se virá e encara sua mãe.
–- Mãe, será que não teria um modo de eu ganhar salário trabalhando no restaurante?
Delma ergue as sobrancelhas, tentando entender o motivo daquilo, do nada.
–- O que foi meu filho? Você sabe que eu te dou o que você quiser, é só pedir. – responde ela, se sentando ao seu lado, em sua cama.
Pedro faz uma careta. – Até dois mil reais?
–- De novo isso, Pedro? Pensei que você já tivesse pago sua demo.
Ele morde seus próprios lábios, preocupado.
–- É q-que... a patrocinadora sabe... ela quer o dinheiro de volta.
Delma franze ainda mais o cenho.
–- Como assim? Diga pra essa sua patrocinadora que agora é tarde. Onde já se viu, se você paga por algo como isso não tem devolução! – diz ela, irritada. Pedro olha para baixo, sem saber mais o que dizer. – Filho... se tem alguma coisa te incomodando você pode falar.
Ele encara-a. Talvez fosse melhor contar de uma vez para ela, seria uma coisa a menos em sua lista e já o prepararia para a reação de sua namorada. Quer dizer, para um quarto da reação de sua namorada.
–- É-é que... – ele fecha os olhos e respira fundo, seu corpo tremendo de hesitação. – o dinheiro da demo... ele não foi dado em troca de nada. – sua mãe se aproxima mais, preocupação estampando sua face, ele se sentiu mal, aquela revelação não destruiria apenas ele, sua esquentadinha, Bianca e João, destruiria também a sua mãe, que dedicara tanto tempo para ele ser uma boa pessoa e veria isso tudo ir por água á baixo, ele decepcionaria sua mãe, assim como seu pai. Sentiu seus olhos quentes e então as lágrimas lutarem para sair. – A Bianca me pagou pra namorar a Karina. – permitiu que escapasse por seus lábios e então fechou seus olhos, deixando as lágrimas escorrerem por sua face e um alívio percorrer seu corpo abandonado pela tensão.
Quando abriu os olhos viu sua mãe ainda o encarando, sem se mover, os olhos transmitindo a decepção que ele temia.
–- Eu tava desesperado mãe, eu queria dinheiro pra realizar meu sonho e não pensei nas consequências, eu já gostava dela naquela época, mas era muito burro pra perceber e então, aconteceu, nós começamos a namorar, eu percebi o quão louco eu sou por ela, mas não fiz nada, eu não queria magoá-la.
–- Filho...
–- Eu sei... eu vou contar, mãe. Mas primeiro eu preciso consertar coisas menores, e uma delas é devolver essa dinheiro para a Bianca.
Delma sorri levemente, seus olhos marejados.
–- Eu fico feliz que você não esteja cometendo os mesmos erros que seu pai. Saber pode machucar, mas não saber é muito pior. – e o abraça, cheia de ternura, surpreendendo-o. – Eu vou te ajudar com esse dinheiro, meu filho. Mas pra isso vou precisar de você trabalhando toda noite no restaurante, sem folgas e nos finais de semana o tempo inteiro.
Ele assente, sorrindo e abraçando-a em meio às lágrimas.
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Já se passava das sete horas da noite e Karina ainda não havia visto seu namorado naquele dia. Aquilo a preocupou, e se ele voltasse a ficar distante novamente?
Bufou, passando as mãos pelo rosto, preocupada.
–- O que foi, filha? – pergunta Gael, colocando a televisão no mudo e encarando Karina. – Você anda muito estranha ultimamente. Aquele Menestrel fez alguma coisa?
Karina sorri de lado, tentando parecer menos irritada.
–- Não. Eu só to com dor de cabeça. – e se levantou, indo para seu quarto, deixando um pai irritado com sua atitude, o que estava acontecendo que ela não podia conversar com ele á respeito?
Karina se deitou em sua cama e pegou seu celular de baixo do travesseiro, digitando freneticamente:
“Não me diga que vc ta fugindo de novo de mim.”
Depois de alguns segundos veio uma resposta:
“É claro que ñ, minha linda. É que eu to ajudando minha mãe com o restaurante agora. Como foi o seu dia?”
Karina sorriu, aliviada e se levantou, caminhando em direção ao seu guarda-roupa. Não aguentava mais ficar longe de seu moleque.
Vestiu calças rasgadas, all star e uma blusa branca e preta com uma indireta escrita na frente e decidiu dar uma ajeitada em seu cabelo, repartiu-o do lado e penteou até que ele se acostumasse com a nova localização, também espirrou duas borrifadas de um perfume que ganhara de aniversário ano passado e que usara apenas duas vezes.
Analisou-se no espelho e sorriu com o resultado, era bom se sentir bem consigo mesma de vez em quando, e ainda assim não perder sua essência. O que sua irmã falara hoje mais cedo e que já havia dito antes a machucava, era verdade que ela não era muito ligada em beleza, mas odiava quando as pessoas olhavam-na de canto e sussurravam: “é um menino ou uma menina?”, agora, se analisando no espelho, ela se sentiu uma mulher, mesmo sem roupas femininas. Ela se sentiu bonita.
–- Filha... – falou seu pai, abrindo a porta, ele franziu o cenho ao vê-la arrumada. – Aonde você pensa que vai?
–- No Perfeitão, não vi o Pedro o dia todo... – respondeu ela, se virando.
–- Atah... então é por isso que você anda com essa carinha... ta com saudade do namorado. Já vi que perdi minhas duas filhas, a Bianca só quer saber daquele Paulista e você não pode ficar um dia longe de seu Guitarrista.
Karina riu. Como seu pai era bobo. – Se você quiser pode vir junto, contanto que não fique implicando com o Pê.
–- Eu? Implicando com Pedro Ramos? Não sei da onde que você tira essas coisas! – responde seu pai, sorrindo e abraçando-a. – Mas acho que vou aceitar, não confio naquele Menestrel do Capiroto.
Karina sorri de volta, as implicâncias entre seu pai e seu namorado lembravam-na de quando conheceu Pedro, eles eram exatamente assim, trocando apelidos, caretas, tapas (da parte dela) e beijos. A única diferença era que seu pai não trocava beijos – graças a Deus, pensou --, no máximo, alguma regra a mais ou algum “YO!”.
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Naquele dia o movimento estava ralo, quarta-feira, meio da semana, as pessoas não costumavam sair no meio da semana, pensou Pedro. Não haviam nem duas mesas ocupadas no Perfeitão então ele conseguia ficar parado sem problemas e pensar um pouco em sua Esquentadinha.
Ele estava com saudades dela, e não, isso não é um exagero, ficar uma noite longe dela já era horrível, um dia, ainda mais depois daqueles dois dias sem vê-la e mais aqueles dias em que ela esteve no acampamento, estava o matando. Quando passara aquele tempo sem nem poder ligar para ela, ele prometera a si mesmo que não ia nunca mais ficar longe, mas ali estava ele, primeiro fugindo dela e agora sem tempo para vê-la. Não conseguia nem imaginar como seria caso ela terminasse com ele depois da revelação. Mas ele estava disposto a fazer aquilo da melhor forma possível e cercado de eu te amo’s, ela só tinha que acreditar naquelas três palavrinhas e esquecer o resto, talvez alguns dias sem falar com ele, mas nunca uma separação. Ele não ia permitir que ela se separasse dele.
Suspirou. Ele tinha que parar de pensar no que ia acontecer e se concentrar no presente. Em conseguir o dinheiro, trabalhar e adorar sua Esquentadinha o máximo possível antes do grande dia.
Olhou para o seu celular em busca de alguma mensagem dela. Nada. Será que ela estava brava com ele? Ela era tão imprevisível às vezes que ele não duvidava. Só esperava que ela não estivesse se martirizando novamente por causa de seus atos.
–- Filho... mesa. – chamou sua mãe, apontando para uma mesa recém-ocupada, Pedro acordou de seus devaneios, pegou alguns cardápios e se levantou, indo em direção à mesa.
Abriu um de seus maiores sorrisos ao reparar em quem estava ali. Sua Esquentadinha, toda linda com seu visual Street que ele tanto amava.
–- Ka... – disse ele, rouco, ao chegar à mesa. Ela abriu um de seus sorrisos de lado, as bochechas coradas de vergonha pelo modo sedutor com que ele falara seu nome.
–- Menestrel... – grunhiu Gael, mandando um olhar de alerta para o Guitarrista. Pedro se encolheu.
–- Pai, posso dar um beijinho no meu namorado? – pergunta ela, se levantando, e Gael assente.
–- Só um beijinho.
Ela sorri e abraça Pedro pelo pescoço, ficando na ponta dos pés e o beijando com paixão, sua mão apertando os cabelinhos de sua nuca e sua língua fazendo-o delirar.
–- YO! Chega! – Karina se afasta do namorado, corada e surpresa por ter o beijado daquele jeito em um lugar público. Ela devia estar enlouquecendo...
Pedro solta uma risadinha, despertando-a de seus devaneios, ela o encara, de testa franzida e ele aponta para sua camiseta.
–- Isso é pra mim?
Ela sorri de volta, assentindo. – Olhando para o que não deve, moleque? – se referindo aos seus seios.
Ele cora diante do olhar de seu sogro, e Karina sorri, brincalhona. Não é segredo que sou apenas uma rejeitada, era o que dizia em sua camiseta.
Pedro se aproxima dela novamente, sussurrando sedutoramente em seu ouvido:
–- Quer que eu te mostre que você não é só rejeitada?
Karina se arrepiou, arregalando os olhos ao prestar atenção no que ele dissera. Pedro Ramos estava brincando com fogo...
Ele se afastou depois deles fazerem seus pedidos e ficou encarando sua namorada à distância, trocando piscadinhas de olho, beijinhos e olhares com ela que ficava vermelha de vergonha quando seu pai percebia.
Depois de um tempo, Karina foi para o banheiro e Pedro a seguiu com os olhos, observou se todas as mesas tinham sido atendidas e se não chegava mais ninguém e foi atrás dela, trancando a porta atrás de si. Sorriu, feliz pelo banheiro do Perfeitão ser grande e dividido em cabines.
Ele ouviu o barulho da descarga e logo sua Esquentadinha aparecia, dando um pulo ao vê-lo.
–- Isso é um dejá vu? Você vai começar a cantar Esse Seu Jeito? – perguntou ela, sorrindo brincalhona.
–- Hm... minha intenção era provar que eu não sei só te rejeitar, mas eu também posso cantar...— brincou ele, sorrindo. – Olhinho bem fechado... – sussurrou, se aproximando. Ela sorriu, fazendo menção de tapar seus ouvidos com as mãos. – Sorriso assim de lado.
–- Shhh... não canta não.
–- Será que é muito cedo...
Ela o interrompeu, prensando-se contra seu corpo, sua boca deslizando contra a dele com voracidade. Ela mordeu seus lábios e ele gemeu contra ela, colocando-a contra as pias. Sua língua investindo contra a dela com fúria, suas mãos brincando por suas costas. Ela passou suas mãos por dentro do decote da camiseta dele e apertou suas costas, gemendo de frustação por ser tão baixinha.
Ele sorriu e deslizou suas mãos mais abaixo, segurando suas coxas e então a levantando, colocou-a sobre a bancada das pias, as pernas dela em volta de sua cintura e então afastou seus lábios dos dela e beijou seu pescoço.
–- Hmm... perfumada... cê quer me deixar maluco. – sussurrou ele contra sua pele, a voz rouca de desejo. Ela resolveu deixá-lo ainda mais maluco, colocando suas mãos entre seus cabelos e puxando-os.
Ele subiu seus beijos até sua orelha e recuperou seu fôlego lá, causando cócegas nela, que virou seu rosto para de encontro ao dele, e encostou suas testas, beijando-o nos lábios em seguida, suas mãos deslizando para de encontro ao avental dele, puxando-o para cima junto com sua camiseta e tocando na pele de sua cintura. Ele se afastou levemente, encarando-a, um sorriso malicioso nos lábios e ela respirou fundo, sabendo que ele iria se afastar. Se ele não achava que a academia seria um lugar bom o bastante para sua primeira vez, um banheiro – e ela concordava com isso --, certamente não seria.
Dito feito, ele se afastou, puxando-a junto e colocando-a no chão novamente. Tinha um sorriso bobo no rosto.
–- É melhor eu voltar, se alguém chega e eu não to lá a coisa ferra pro meu lado. – Karina assentiu, beijando-o rapidamente enquanto acalmava sua respiração, puxando seu braço quando ele se virou para ir embora.
–- Deixa eu ajeitar seu cabelo. – fala, corando, ele estava descabelado, com as roupas amarrotadas e os lábios inchados. Tudo por culpa dela.
Ela se ergueu na ponta dos pés e penteou seus cabelos com os próprios dedos, ajeitando-os. Ele sorriu bobamente quando ela voltou ao seu tamanho normal, colocando os pés novamente no chão, ajeitando sua camiseta amassada e passando suas mãos pela cintura dele para amarrar seu avental.
Ele não se conteve, passou uma mão por seu rosto, acariciando seu queixo e beijando seus lábios com suavidade, para então roçá-los por seu rosto até sua orelha.
–- Eu to adorando te ver assim... – sussurra ele, causando arrepios na pele dela, que trancou sua respiração. Ele sorriu, não conseguia se conter. Mesmo que não fosse fazer sexo com ela antes que todas as cartas estivessem sobre a mesa, não havia como negar, ver esse outro lado de sua Esquentadinha estava sendo maravilhoso.
Ele passa suas mãos pelo couro cabeludo dela, ajeitando seu cabelo enquanto o acariciava, beijou seu nariz e foi em direção à porta, abrindo-a para então sair.
Karina suspirou quando ele saiu, indo em direção á pia e molhando seu rosto enquanto acalmava sua respiração. Ficar tão perto dele deixava-a maluca, e aquilo era comprovado pela sua aparência: olhos negros, lábios inchados e bochechas coradas. Secou seu rosto e saiu do banheiro, sorrindo ao ver Pedro lhe mandando um beijo à distância, uma expressão de malícia no rosto.
Sentou-se na mesa, recebendo um olhar desconfiado do pai. Estava tão na cara assim seus amassos recentes?
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Alguns minutos depois, o movimento no Perfeitão havia aumentado um pouco, as mesas estavam quase todas ocupadas, apesar de não chegar a haver fila para entrar, Pedro relaxou um pouco depois de levar alguns pedidos, observando o movimento. Sorriu ao enxergar sua Esquentadinha rindo ao conversar com o pai e então seus olhos deslizaram para a porta e seu sorriso se desmanchou.
–- Oi Cabeludinho. – disse uma voz manhosa se aproximando.
–- Vicki... – murmurou ele, irritado, vendo-a se sentar ao seu lado.
Ela não perdeu tempo, puxou Pedro pela gola e acariciou seu queixo.
–- Sentiu saudades? – Pedro arregalou os olhos, respirando fundo e segurando as duas mãos da garota, afastando-as. – Nossa! Eu só queria uma ajudinha... eu vi você saindo do banheiro logo depois da sua namorada, todo sorridente.
–- E o que você tem a haver com isso? – perguntou ele, ácido.
Ela abriu um sorriso. – Bem que você poderia me dar um pedacinho de você... fiquei com inveja... – e encarou-o de cima a baixo. – eu sei que esse corpinho lidaria perfeitamente bem com duas.
Pedro encarou-a, boquiaberto pela sua proposta. Aquela garota realmente não tinha noção.
–- Então... o que você me diz? Você vem ou não vem? – perguntou ela, mais uma vez, se levantando e oferecendo sua mão para ele.
–- MAS É MUITO PIRANHA MESMO! – grita uma voz, irada, fazendo todos se virarem e o barulho cessar.
Karina estava ali, de pé, com os punhos cerrados, maxilar travado, rosto vermelho, e olhos marejados de raiva, sua barriga subindo e descendo, incansavelmente, pronta para atacá-la a qualquer momento.
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