Correndo em Círculos
37 Capítulo 37: Você me ilumina
Notas iniciais
–- O que significa isso? – pergunta Marcelo, assim que vê Roberta encarar seu filho em sua frente, a namorada do lado, todos com caras de taxo nos rostos.
Roberta é a primeira a se pronunciar e quando ela o faz, Pedro aperta ainda mais as unhas contra suas mãos, fechando o punho com mais força, as veias de seu braço totalmente expostas. Podia não ser forte e sarado como os lutadores que Karina estava acostumada, mas era mais intimidante daquele jeito do que muitos deles durante as lutas, afinal, Karina não era de se intimidar fácil.
–- Eu levei um susto de seu filho, Marcelo. – diz a mulher, com um falso sorriso no rosto, esperando que aquela frase quebrasse o clima de tensão presente no ar. – Não sabia que a namorada dele vinha junto. – completa, encarando a jovem.
E essa é a vez de Karina fechar os punhos com força. Tinha que aprender a se controlar, mas o cinismo de Roberta não era exatamente uma ajuda para seus genes fortes de lutadora filha de Mestre Cruel. Ou de Lobão. Não importava, qualquer um dos dois era esquentado e perigoso. No quesito perigoso, crédito maior para o segundo.
–- Não se faça de sonsa. – diz Pedro, e por incrível que pareça, sua voz soa calma.
Marcelo franze a testa e encara a namorada em busca de uma explicação.
–- Por que você fez isso, em? Deve ser muita falta de amor. Eu passei meses me preparando pra contar a verdade e uma noite antes você aparece e faz isso da pior maneira possível!
Roberta se encolhe, encarando-o boquiaberta.
–- Eu não tive a intenção de...
–- CALA A BOCA QUE EU NÃO TERMINEI! – interrompe o garoto e dessa vez ergue sua voz ao ponto de um grito, sua raiva era tanta que as veias de sua testa saltavam e seu rosto avermelhava cada vez mais a cada segundo.
–- Pedro, calma. – pede Karina, tentando puxar o rosto dele em sua direção, mas ele não deixa, pelo contrário, se solta de suas mãos e caminha em direção à mulher.
–- Já não basta você ter destruído a minha família. Ter feito a minha irmã chorar e minha mãe quase entrar em depressão, já não basta... você ainda teve que fazer isso? Separar de mim a única pessoa que ainda estava ali de pé.
A mulher fecha a cara.
–- Não me culpe por seus erros! Você já devia ter contato a verdade para ela á muito tempo. É isso o que as pessoas fazem quando amam.
–- CALA A BOCA! – repete o garoto e Karina se assusta ao ver seus olhos marejados e suas mãos fazendo menção de se levantarem. Temia que ele perdesse tanto a cabeça ao ponto de acertá-la, mas tudo o que ele fez foi secar seu próprio rosto com agressividade. – Você não sabe nada sobre amar.
–- Sei sim. Eu fiz tudo isso por amor. Eu ajudei alguém a trair, o fiz se separar de sua família por amor. Eu me vinguei de você porque você queria me separar desse amor. Eu fiz tudo pelo Marcelo.
Pedro ri, irônico e passa as mãos nervosamente pelos cabelos, quase os arrancando do couro cabeludo.
–- Você é doente!
–- Alguém me explica, por favor, o que ta acontecendo aqui? – pede Marcelo, totalmente perdido no meio da discussão.
Ninguém lhe dá atenção, centrados demais no que estavam fazendo.
–- Pode dizer quantas vezes quiser, mas o que você sente pelo meu pai não é amor. Amor não é egoísta.
–- É. Quando a gente ta aprendendo a amar. Eu sei que eu errei, Pedro, mas eu me arrependi no momento em que o fiz. Eu queria só que você sentisse exatamente o que eu senti quando seu pai me largou, a mesma dor, mas quando eu vi que eu trouxera aquela dor não só pra você me arrependi imediatamente. Eu fico feliz que você e a Karina tenham se resolvido. Não queria nenhum mal para ela.
E é assim que Karina se manifesta, batendo uma palma na outra calmamente e também se aproximando.
–- Deixa de ser cínica. Você teve prazer em me ver em prantos, prazer em ver a minha tristeza. Você praticamente riu quando me contou a verdade.
A morena seca os olhos que já derramavam lágrimas.
–- Não é verdade. Pode ter parecido isso porque eu realmente me esforcei pra ficar satisfeita com o que fiz, mas eu não sou tão desumana a esse ponto. Pelo menos, não mais. Eu não sou aquela mesma Roberta maquiavélica de antes.
–- E como nós vamos acreditar em você? – pergunta Pedro, fazendo todos ficarem em silêncio.
–- Roberta, você pode me explicar isso direito? Foi por sua causa que o Pedro e a Karina se separaram? – pergunta Marcelo, quebrando o silêncio, puxando o braço da namorada para que atraísse sua atenção.
A mulher o encara nos olhos, tentando encontrar a melhor forma de se explicar, mas Pedro faz isso por ela:
–- É, pai. Ela não se contentou em te separar da mamãe, em destruir seu casamento e seu relacionamento comigo e a Tomtom, ela ainda teve que destruir meu namoro com a Karina.
O homem encara o filho, de testa franzida e os lábios crispados.
–- Eu não sei o que aconteceu entre a Roberta e o namoro de vocês, mas a minha separação com a sua mãe era uma coisa que já estava pra acontecer a muito tempo. A gente não se amava mais. E qualquer que seja o que ela fez contra você e a Karina, está tudo bem agora. Não adianta esquentar a cabeça.
–- Esse é o Marcelo que eu conheço! Prefere esconder ou não saber a verdade pra não se estressar. Eu tenho vergonha de ter um pai como você. – diz Pedro, encarando Marcelo com água nos olhos. Karina se aproxima e o abraça pela cintura, tentando transmitir força.
–- Não é isso, Pedro. Eu só aprendi com o tempo, que as pessoas cometem erros e que não adianta perder a cabeça por causa disso. Principalmente vocês dois, que estão bem agora.
Pedro solta um longo suspiro, pega sua camiseta do chão e a veste com rapidez, antes de se virar para sua Esquentadinha.
–- Se é assim, me deixa ir embora pra minha casa de verdade. Sabia que não ia mesmo dar certo ficar aqui. – diz o garoto, puxando Karina com ele em direção à porta.
Mas Marcelo os intercepta.
–- Você não vai a lugar nenhum á essa hora! Mesmo que você não queira, vai ter que ficar aqui. – afirma o homem com firmeza. – Eu não vou permitir que nenhum de vocês saia com o tempo desse jeito e nessa escuridão.
Pedro bufa, mas não insiste.
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Depois de comerem em silêncio, Marcelo apresentou aos hospedes o quarto onde eles ficariam: simples, de tamanho mediano e com um banheiro particular dentro, Pedro deixou que sua raiva retomasse e chutou o que viu pela frente, por sorte era a própria cama e não uma pessoa. A dor no seu pé era melhor do que a dor que sua Esquentadinha lhe causaria caso tivesse sido ela o alvo.
–- Dá pra parar? Que eu saiba a Esquentadinha aqui sou eu, não você. – diz a garota, irritada, se sentando na cama enquanto ele acariciava seu pé e amaldiçoava o mundo.
Ele se vira para ela, suspirando e ela se levanta, pega seu rosto entre suas mãos e beija carinhosamente seus lábios.
–- Não fica bolado com isso. A gente ta junto agora, não ta?
Ele se acalma um pouco com sua proximidade.
–- É, mas se não fosse a Roberta a gente não teria passado por tudo isso, demorado tanto a voltar e sofrido tanto. Principalmente você.
–- Como é que você sabe? Ia ser só um dia de diferença e sairia da sua boca, o resto não ia mudar. E mesmo que ela tenha trazido esse tempo longe, ele valeu pra alguma coisa. Agora eu tenho certeza do que eu quero. Certeza que te amo e que te perdoei. Aquele tempo longe só me fez te amar ainda mais, Pê. – afirma ela e ele acaba por ceder, se sentando na cama e sendo seguido por ela.
Eles ficam em silêncio por alguns segundos e aquele silêncio só é quebrado quando ele se vira para ela e a beija intensamente, mas ao mesmo tempo carinhosamente, suas mãos por entre seus cabelos curtos e seu corpo pressionando o dela um pouquinho demais sobre o colchão.
Ela o afasta, confusa e ele ri de sua cara.
–- Desculpa, mas é que você é tão, mas tão perfeita que eu acabei não me segurando. – diz o garoto, sorridente, suas mãos acariciando gentilmente o rosto dela, que sorria de volta. – Você sempre sabe o que dizer, minha linda.
–- Bem, digamos que eu sei fazer muitas coisas... – diz ela, sem perceber o duplo sentido da frase.
Ele ri.
–- Ah é? Eu percebi hoje mais cedo. – diz ele, brincalhão, piscando um olho maliciosamente para a garota. – Se você quiser repetir a dose...
Ela franze a testa no início, mas logo compreende, corando fortemente as bochechas.
–- Para de ser tarado, garoto! – murmura, empurrando-o para o lado.
Ele ri mais um pouco.
–- Ser tarado é o que eu faço de melhor. – afirma, antes de puxá-la para mais perto e tomar seus lábios novamente, suas mãos descendo cada vez mais por sua cintura e causando arrepios na coluna dela.
Ela murmura contra seus lábios, irritada que ele tenha a envolvido tão rapidamente, mas logo está retribuindo com astúcia o seu beijo, as mãos acariciando sua nuca enquanto ele a deita sobre o colchão. Ele desce seus lábios por sua mandíbula e mordisca levemente os mesmos lugares por onde seus lábios já haviam se aventurado mais cedo, suas mãos passando por seu bumbum sem medo algum e ousando em apertá-lo em alguns momentos.
Ela ofega.
–- A-assim não dá-á, Pê... – gagueja, irritada.
Ele sorri contra seu pescoço.
–- Dá. Dá sim, Esquentadinha. – e desce seus lábios mais para baixo, tirando a blusa dela para maior acesso à sua clavícula e afins e mergulhando neles.
A menina murmura algo indecifrável e acaba por ceder por completo, empurrando ele contra o colchão e ficando por cima dessa vez.
–- Eu também sei brincar. – murmura, rebolando seus quadris por cima dele.
Ele geme, nunca um jeans soou tão traiçoeiro, a queria mais próximo do que aquilo.
Ela desce seu tronco e lentamente ergue a camiseta dele para cima, beijando cada parte que era descoberta com a manobra e deixando-o arrepiado. Quando a camiseta saiu pelos braços dele, ela se concentrou em seu pescoço e repetiu as carícias que o vira fazer em si mesma. Ele geme um pouco mais, sentindo sua cueca pequena demais no momento. Ela rebola de novo, só pra provocar e ri quando ele estala os beiços.
Toc-toc.
Pedro revira os olhos e amaldiçoa em mil e uma línguas diferentes quem quer que estivesse do outro lado da porta. Karina se levanta, levemente hesitante, e atende a já indesejada visita. Pedro vem atrás e espia por sobre seu ombro Roberta os encarar de baixo, envergonhada demais para que o fizesse fixamente.
–- Eu trouxe algumas toalhas pra vocês tomarem banho. Vocês estão todos molhados, devem ter se encharcado na chuva.
Pedro ri. Ela não fazia ideia... encharcados da chuva, do banho de piscina, do suor por terem feito amor em sua beira.
Karina assente, dando uma leve cotovelada no namorado e quando a mulher sai, fecha a porta, trancando-a em seguida.
Pedro estava de novo com aquela carranca, mas ao ver o olhar dela voltou a sorrir, se aproximou e a puxou para os seus braços.
–- Onde a gente tava... – murmura, beijando seu pescoço.
Ela o empurra levemente.
–- Eu preciso de um banho.
Ele desmancha o sorriso, frustrado, mas, com uma ideia lhe vindo em mente, volta a sorrir.
–- Nós precisamos de um banho. – diz, sugestivamente.
–- Ah não Pedro... eu prefiro tomar banho sozinha. Nunca gostei de dividir o chuveiro. Nem com a Bianca eu dividia...
Ele acha graça.
–- Você ta mesmo me comparando com a Bianca? – indaga, com as sobrancelhas erguidas.
Ela morde os lábios despreocupadamente, não reparando no que aquilo causava nele.
–- É sério, Pê. Eu quero tomar banho... de verdade. – diz, ainda mais corada.
–- Ah, mas tava tão bom antes... – murmura ele, sedutoramente, beijando-a no queixo e depois no pescoço, até sua nuca.
Ela prende a respiração e revira os olhos de prazer.
–- Não quero fazer sexo pra você esquecer seus problemas. – afirma, fazendo-o se afastar.
–- Mas não tem nada haver com meus problemas eu querer fazer amor com a minha namorada. – diz ele firmemente, acariciando seu rosto enquanto encarava seus olhos azuis.
–- Não importa. Eu to sem clima. – e com isso se afasta por completo, correndo para o banheiro.
Ele bufa e morde os lábios enquanto a encara se afastar.
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Depois que Pedro terminara seu próprio banho, saiu do banheiro com uma toalha enrolada só na cintura, as costas e o peitoral úmidos de propósito. Ele ainda tinha esperança de voltar a seduzi-la, sabia que aquela sua situação seria irresistível para sua Esquentadinha, mas ao entrar no quarto e vê-la deitada encolhida sobre a cama, a respiração calma e serena e os olhos fechados suavemente, ele esqueceu qualquer sensação prazerosa que poderia ter ao seu lado, era muito mais prazeroso a encarar daquele jeito: calma e magnífica feita um anjo. Se agacha ao seu lado e sorri, beijando sua testa em seguida.
–- Eu te amo, minha Esquentadinha. – sussurra baixinho, acariciando seus cabelos.
Ela murmura durante o sono, sorrindo de lado, era fato comprovado que ela amava seu cafuné.
Ele beija o canto de seus lábios antes de se levantar, vestir uma cueca e uma calça de pijama e fazer a volta na cama, se deitando ao seu lado e trazendo seu corpo quente para perto, encaixando-o perfeitamente no seu.
–- Hm... Pedro. – murmura ela, rouca.
Ele beija seu pescoço em resposta.
–- Minha Esquentadinha... – sussurra contra sua orelha, encaixando melhor suas mãos sobre sua barriga. Ela sorri.
–- Não me deixa nunca mais. – pede, sonolenta.
Ele a aperta mais contra si.
–- Nunca mais. – sussurra em resposta, tendo a certeza de que nada seria melhor do que tê-la nos seus braços daquela maneira, pelo resto de suas vidas.
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A manhã seguinte mal iniciou e Pedro já havia organizado tudo para ir embora. A ideia anterior de Marcelo era ele ficar o final de semana inteiro, mas depois da discussão, todos sabiam que aquilo não seria mais possível. Passar aquela noite ali já fora tortura o bastante.
Ele e Karina estavam prontos para partir, chegando à cozinha, viram o pai de Pedro se levantar, confuso.
–- Onde você vai? – pergunta o homem.
Pedro responde, como se fosse óbvio:
–- Embora. Onde mais? Eu já tinha dito que não ia ficar um segundo mais aqui. Ontem você tinha a desculpa de ser tarde, mas hoje não há nada que me impeça de voltar para minha casa.
Seu pai abre a boca para argumentar, mas é interrompido pela campainha que retumba pela casa. Roberta se levanta da bancada onde estava tomando seu café da manhã e corre até a porta, recebendo os olhares dos três em sua cola.
Quando ela retorna à cozinha, retorna acompanhada.
–- Bianca? – indaga Karina, surpresa com a presença da irmã.
A atriz morde os lábios nervosamente e põe uma mecha teimosa atrás de sua orelha. Aproxima-se.
–- O que você ta fazendo aqui? E como me encontrou?
–- Eu vim pra falar com você. O Cobra me contou que você ia dormir aqui com o Pedro hoje e o Duca me deu o endereço da Roberta já que ele trabalha com ela. – responde Bianca, engolindo em seco. Aquela havia sido a primeira vez que falara com Duca desde o fim de seu relacionamento. E não foi de todo mal, ela não se sentiu magoada, nem tentada. Sua história com ele já era passado e talvez ainda houvesse a possibilidade de os dois serem amigos. Afinal, até onde sabia, ele já havia arrumado uma namorada, Nat era o nome dela. Antes, quando namoravam, a considerava sua rival, mas agora até mesmo simpatizava com a moça.
Karina assente devagar e surpreende a todos quando fala:
–- Melhor a gente conversar á sós.
–- Podem usar o quarto de hospedes se quiserem. – diz Roberta, cortês.
Karina assente, fazendo exatamente isso, olhando para seu namorado antes de sair e dizendo, com o olhar, que tudo ficaria bem. Ele assente levemente com a cabeça, sua preocupação se dissipando. De alguma forma sabia que ela conseguiria se controlar.
As duas garotas caminham em silêncio em direção ao quarto, e depois de Karina fechar a porta e se sentar sobre a borda da cama, Bianca se agacha em sua frente e a encara profundamente nos olhos.
–- Eu vim te pedir desculpas, Ka. – diz ela, sem rodeios. – Eu sei que não devia ter escondido aquilo de você. Sei que não devia ter te privado da verdade, nem te enganado da forma que já fiz.
–- Mas... – completa Karina, entediada.
–- Mas eu sou assim. Eu não mereço a irmã que tenho. Só dou furo com você. – ela ri. – Eu sempre faço as coisas pensando que é para o seu bem. Que é pra você não se machucar. Mas ontem, em uma conversa com o papai, eu me toquei que a gente não pode te poupar de tudo. Você é forte o bastante para ouvir a verdade e lidar com ela.
–- Talvez não. Afinal tudo o que eu tenho feito ultimamente é chorar.
Bianca sorri, se levantando e se sentando ao seu lado na cama.
–- Chorar é o mínimo, Ka. Se fosse eu... eu não sei. Acho que teria perdido completamente a cabeça. Você tem passado por tanta coisa ultimamente, e mesmo assim ta ai, de pé, tentando ser feliz ao lado de quem ama. Sorrindo...
E ela realmente sorri, aquele sorriso de lado que já era a sua marca.
–- Eu quero que você saiba, minha irmãzinha, que eu acredito em você. Você é dura, marrenta, rabugenta e orgulhosa, mas é a melhor pessoa que existe porque tem o coração puro. Não deixa que um simples erro destrua esse seu coração.
Karina sente algumas lágrimas descerem, mas não faz menção de secá-las, apenas olha para baixo e as vê escorrer por seu queixo e pingar em seu colo.
–- É difícil, Bianca. É difícil pensar que tudo o que eu temia, tudo o que eu remoía em minha cabeça é real. Eu sempre pensei que fosse adotada. Tão diferente de você, na aparência ou na personalidade... e do Gael... eu não tenho nada dele, nem mesmo um fio de cabelo. Da onde que veio meus cabelos loiros? E esses olhos azuis fechadinhos, como Pedro diz? E agora... tudo faz sentido, mas eu preferia que não fizesse.
Bianca seca uma lágrima do rosto da irmã e o ergue em sua direção.
–- Não importa que você seja diferente. Você é minha irmã e eu te amo. E eu sei que o papai também te ama e que não importa o seu sangue, você é filha dele. – afirma ela, olhando firmemente para os olhos azuis molhados de sua irmã.
Karina a encara de volta e então, do nada, se joga em seus braços e a abraça firmemente contra si, seus olhos derramando mais uma porção de lágrimas.
–- Eu te perdoou, Bianca, sei que não era de sua responsabilidade me contar essa verdade, mesmo que me doa admitir. Mas eu não sei se conseguiria fazer o mesmo com Gael. Ele sempre foi tão sincero comigo e então eu descubro que ele me esconde um segredo desses... – admite, temerosa. A dor que sentia por simplesmente dizer seu nome era palpável. Desejava algum dia não sentir aquela dor, mas enquanto a sentisse, não conseguiria perdoá-lo.
–- Você vai entendê-lo com o tempo. – afirma a mais velha, com certeza.
Karina suspira e assente.
–- Eu espero que sim. – e realmente esperava; mas esperava que junto do entendimento viesse a cura para o seu orgulho, pois duvidava que ele fosse deixá-la naquele momento, que pudesse esquecer o que passara e voltar para os braços de seu pai.
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