Correndo em Círculos

27 Capítulo 27: Com nada e mesmo assim com tudo


Notas iniciais
Muuuuuuuito obrigada pelo carinho, pessoal! Capítulo pequeno, mas recheado de coisas e uma bomba no final...... Música do capítulo: This Should Be Good (vídeo perina: https://www.youtube.com/watch?v=VAy0XbhkYZ0) BOA LEITURA!

Karina esperou um tapa, ou talvez um ataque de raiva, mas tudo o que Jade fez foi sair o mais rápido possível dali, com Cobra em seu encalço. Ela engole em seco e fecha os olhos fortemente, mas quando os abre não descobre que foi tudo um pesadelo, só vê as coisas piorarem, com Pedro saindo correndo dali e deixando a loira bonita para trás, com um ponto de interrogação gritando em sua cara.

Karina não pensa duas vezes, vai atrás dele, desesperada.

–- Pê... – chama, quando vê que o encurralou em um beco.

Ele se vira para ela.

–- Está feliz agora, Karina? Viu aonde sua insegurança te levou?! – acusa ele, cheio de raiva, não dando tempo para que ela assimilasse nada.

Ela franze a testa, desacreditando que ele realmente estivesse dizendo aquilo.

–- Minha insegurança? Você ia beijar outra pessoa! – acusa, fazendo jus ao seu apelido.

Ele se cala, sem saber o que falar.

–- Eu não acredito nisso... – murmura ela, em meio ao seu choro. – Eu não acredito que você ia realmente...

–- Eu ia sim! Eu ia beijar ela! E daí, em? Eu já disse pra você desistir da gente... e parece que você fez isso mesmo, não é? – rebate ele. A verdade era que logo depois que sairá dá festa de despedida de sua banda a única coisa que ele queria fazer era ir para casa, mas aquela garota fora atrás dele alegando ser sua fã e ele tentou parecer simpático. O.k... talvez ele tenha ultrapassado o simpático e ela entendeu tudo errado, mas quando ela se aproximou ele viu a chance de talvez esquecer de sua esquentadinha por um instante. Isso antes desta mesma interrompê-lo.

–- Deixa de ser burro! Você sabe muito bem que eu só beijei o Cobra porque... – começa ela, mas trava, sem saber exatamente o que dizer.

–- Por quê? Porque você queria ser superior? Queria mostrar que é melhor que eu? – ele bate palmas. – Parabéns. Você conseguiu. Me superou na babaquice.

–- Eu beijei o Cobra porque eu não aguentava mais ser humilhada! – rebate ela, furiosa. – Porque eu não ia ser a boba ali, correndo atrás de um ridículo feito você! Eu sinceramente não entendo como eu fui me apaixonar por alguém assim.

Ele se aproxima um tanto.

–- Não, Karina. Você beijou o Cobra porque você não pode demonstrar fraqueza. A Esquentadinha tem que ser sempre a mais forte, certo?

–- Você aponta pros meus erros como se só eu os cometesse. – afirma ela e ele se cala, desmanchando sua expressão de raivosa para culpada.

–- É verdade. Eu esqueço que o erro maior fui eu que cometi. – e com isso caminha para fora dali, sendo barrado pelas mãos dela no caminho.

–- Você não vai sair daqui desse jeito. – diz a garota, desespero flutuando em meio ao ódio que sentia.

Dizem que o amor e o ódio caminham sobre a mesma estrada. Talvez isso fosse verdade, afinal, o ódio que ela sentia era por estar o perdendo. Porque seu coração doía tanto que chegava a ser irritante.

Ele a encara intensamente, sua respiração quase batendo contra seu rosto na pequena distância em que os dois estavam.

–- Você sabe que não é o Cobra que eu amo. Não é ele que eu queria ter beijado essa noite. – afirma ela, os olhos incansáveis sobre os dele, quase sem piscar. – Mas quando eu te vi com aquela garota eu... eu senti algo dentro de mim se quebrar. Eu não quero mais sentir isso, Pedro. – completa ela, sincera.

O garoto olha para baixo, sem saber o que dizer ou fazer diante daquela declaração, seu coração batendo ferozmente no peito.

–- Eu não vou ficar com outra pessoa. – afirma ele, e ela não se sente melhor. Queria ouvir que ele ia ser dela novamente. – Não até a gente se acostumar com a separação.

Ela engole em seco e sente um calafrio na espinha ao ouvir aquela maldita palavra: separação. A ideia de que eles realmente haviam rompido a atormentava tanto que chegava a doer. Ela encara seu rosto em busca de alguma coisa que demonstrasse que não era só ela que o queria, mas não encontra nada senão o incômoda e olha para baixo, decepcionada. Mas antes que dissesse qualquer coisa, ele já havia partido.

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–- Jade, por favor, fala comigo! – pede a lutadora, pela enésima vez.

Depois que Pedro foi embora, ela fora correndo atrás da amiga, que estava na calçada, tentando desesperadamente conseguir um táxi, o rosto coberto de lágrimas.

–- Falar o que, Karina? Eu não tenho nada pra falar com você. – afirma a dançarina, raivosa, tentando de alguma forma mascarar a forma como seus olhos estavam inchados de tanto chorar.

Karina encara seu rosto, preocupada.

–- Você sabe que eu fiz aquilo só pra...

–- Pra fazer ciúmes no Pedro? – completa Jade, entediada. – Conta outra, Maria-Macho!

A lutadora arregala os olhos, surpresa pela atitude da dançarina.

–- Mas foi! Você tava lá e viu... o Pedro ia beijar aquela garota. Eu não podia ficar ali parada feito uma mosca tonta.

–- O que eu vi foi você usando a situação como desculpa pra ficar com o Cobra. Admite, lutadora, você sempre quis ficar com ele. – afirma Jade, teimosa e Karina não cede às suas loucuras.

–- Não! Claro que não. Eu e o Cobra somos só amigos.

–- Conta outra...

–- É sério!

–- De qualquer forma não importa mais. Eu e o Vagabundo não estamos mais juntos.

Karina arregala os olhos e como se fosse possível, sente sua consciência pesar ainda mais.

–- C-como assim?

Jade joga o cabelo para trás, tentando parecer superior.

–- É isso mesmo que você ouviu. A gente terminou.

Karina nega com a cabeça, desacreditando.

–- Jade! Vocês não podem se separar só por causa de uma... uma encenação minha!

–- Quem disse que foi por causa disso? – indaga a dançarina. – A gente discutiu... e ele deixou bem claro que preferiria que você fosse a namorada dele.

Karina sente algo dentro de seu estômago se mexer.

–- Como assim? Você não ta falando sério.

A morena a encara e sua expressão lhe dá o sim que Karina tanto temia. Ela engole em seco, magoada. Depois de ver aquele beijo ela havia explodido com seu namorado e dentro da discussão foram surgindo mais e mais problemas, como o fato de sua mãe não aceitá-lo de forma alguma e também o fato dela ser tão insistente para que ele continuasse tentando a convencer de que era bom. Ele, de cabeça quente e tendo os genes que tinha, gritou a plenos pulmões que pelo menos Karina não era daquele jeito, que ela nunca tentaria mudá-lo e que ela não precisava de esforço algum para ser boazinha, o contrário da dançarina.

E o final foi aquele, Jade desistiu de seu lutador, rendida por aquele nocaute. Não bastasse sua inveja pela família quase perfeita da lutadora, seu talento e sua força, ela ainda tinha que ser comparada por seu próprio namorado. Não aguentou. Terminou tudo e se dependesse dela, aquele seria um fim definitivo. Cobra a chamava de Dama, mas se esquecia o modo que uma deve ser tratada e ela não suportaria mais alguém dizendo como ela deve ou não ser.

–- É... terminou. E agora foi definitivo. – admite ela, com dor no coração, a voz agora calma e dolorida.

Karina sente seu coração doer também ao ver a expressão no rosto dela. Podia não saber de todos os problemas que Jade já passara, mas bem no fundo de seu coração ela sentia que sua vida era bem mais complicada e dolorosa que a sua.

–- Eu sinto muito, mas... tem algo que eu possa fazer pra ajudar vocês? – pergunta, desesperada.

Jade solta um suspiro.

–- Ficar com ele, talvez? Já que você é exatamente tudo o que ele quer e precisa. – afirma ela, venenosa.

–- Por favor, Jade, me perdoa! Eu não queria ter feito aquilo. Você é a única pessoa com quem eu posso contar. É a única que tenta me entender.

Um novo táxi passa pela rua, Jade acena, e depois de o transporte parar diante da calçada, ela encara sua antiga quase-amiga.

–- Falando sério... conta com o Cobra. Vocês dois são idênticos. Vão funcionar juntos. – afirma, antes de abrir a porta do táxi e partir.

Karina encara o carro se distanciar, até que ele dobra em uma determinada esquina e ela não consegue mais o ver. Se senta no chão mesmo, tomada por uma culpa enorme. Além de ter perdido seu amor, havia perdido uma amiga, e talvez também um amigo por causa de seu jeito explosivo. Esquentadinha fazia jus á ela mesmo, porque ela queimava tudo o que tocava.

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Depois daquela noite desastrosa, Karina não viu mais Pedro, pois logo na manhã seguinte ele foi para sua “turnê”, quando Jade passava nem mesmo lhe olhava, mas Cobra, depois de um tempo, acabou a perdoando. Ela só tinha ele atualmente, e os dois passavam horas de seus dias trocando socos ou simplesmente silêncios, os dois sentindo a mesma dor da perda, juntos.

Aquele mês passara se arrastando, ela passou a maior parte daquele tempo em casa, desanimada, apenas pensando em alguma forma de trazer Pedro de volta. Mas ela não entendia que o único jeito disso acontecer seria deixando o tempo passar, pois só ele pode curar as feridas de um coração partido. O resto ela já havia feito, confiava mais em si mesma, se sentia bonita e quase podia entender as razões dele ter feito o que fizera em troca de dinheiro. Esse fora o resultado daquele tempo longe de seu amor.

Mas mesmo aquele tempo longe dele não lhe ajudou a pensar, só lhe trouxe saudade e uma raiva enorme de si mesma.

Para Bianca aquele tempo também não foi nada satisfatório. Depois que seu pai havia pego ela e João no quarto, ele explodiu de raiva e o final da discussão foi o mais ruim possível para o seu lado, ele proibiu qualquer aproximação do garoto e realizava marcação cerrada com ela desde então. Dandara tentou ajudar o jovem casal, mas qualquer argumento que ela usasse só piorava a situação. Acabou que a cantora também se afastou do mestre, e sempre que se viam tinham uma nova discussão.

É claro que Bianca não era boba, aproveitava ao máximo os momentos que podia para encontrar com João, mas se encontrar às escondidas não é exatamente satisfatório e sempre que ela o via por alguns minutos durante o dia, sentia mais vontade ainda de não se separar.

Agora ela estava entrando no quarto, furiosa depois de mais uma discussão com seu pai, a porta batendo atrás de si no estilo Karina. Sim, Bianca Duarte também tem o seu lado esquentadinho, se não ela não seria uma Duarte digna.

Se atirou em sua própria cama, emburrada e após alguns segundos acalmando sua raiva, pôde reparar na inquietação de sua irmã, que caminhava de um lado para o outro, inquieta, os olhos arregalados e as mãos como se estivessem contando.

–- Ta tudo bem, Karina? Desse jeito você vai criar um buraco no chão...

A lutadora se vira para a irmã, parecendo não achar graça de sua piada.

–- Não enche, Bianca! – murmura, irritada, e a atriz se levanta, com a as mãos erguidas para cima em um sinal de rendimento.

–- Ta bem! Não ta mais aqui quem falou... – diz, caminhando em direção à porta. Ela não precisava de mais um Duarte brigando com ela.

–- Espera! – pede Karina, mais calma e sua irmã se vira para ela, com uma expressão preocupada. – Er... você e o Duca... você não ficava preocupada quando vocês faziam sexo?

Bianca encara a irmã, de testa franzida de confusão.

–- Como assim...?

–- Sabe... você nunca ficou preocupada em pegar alguma doença...?

–- A gente nunca fez sem camisinha e eu tomo anticoncepcional, então nunca me preocupei.

–- Vocês nunca esqueceram? – indaga Karina, insistente e Bianca arregala os olhos ao entender aonde ela queria chegar.

–- Você e o Pedro... – ela abre a boca, incrédula e Karina cora.

–- Dá pra falar mais baixo?! – murmura, chateada.

Bianca a puxa até sua cama e as duas se sentam.

–- Me explica isso direito... quando foi?

Karina engole em seco.

–- Aquele final de semana do torneio de luta. – responde ela, envergonhada e fica ainda mais nervosa ao notar o sorriso no rosto da irmã.

–- E você não me contou?! – murmura Bianca, extasiada. Karina a encara, as sobrancelhas erguidas e ela se cala, se lembrando do motivo daquilo não ter acontecido e se sentindo culpada novamente. Se sentia horrível por não poder ter compartilhado esse momento com sua irmãzinha e logo por sua própria culpa. As duas não estavam se falando, mesmo que a atriz insistisse e tudo sempre acabava em briga. Tudo naquela casa sempre acabava em briga, ultimamente...

Karina estava olhando para baixo, envergonhada, mas ao mesmo tempo ainda preocupada e isso fez com que a atriz se aproximasse mais da irmã.

–- Por que você ta assim? – pergunta a mais velha e Karina ergue o olhar, deixando-a surpresa ao reparar em seus olhos chorosos e suas olheiras negras. Ela franze a testa e começa a recapitular o que as duas acabaram de conversar. -- Espera... mas por que você estava perguntando essas coisas? Vocês não esqueceram a proteção, esqueceram? – indaga e Karina olha para baixo novamente. – Ai meu Deus, Karina!

–- É... – murmura a lutadora. – e o pior nem é isso... o pior é que a minha menstruação ta atrasada.

Bianca arregala os olhos e as duas irmãs se encaram, apavoradas.

–- Karina, você não acha que...

–- Sim, Bianca. Eu acho que estou grávida.

Notas finais
Tcharãm!!!! Surprise!!!! Será mesmo que a Ka ta grávida??? MUAHAHAH espero que vocês ainda estejam vivas depois do final desse capítulo! No próximo Pedro volta de viagem e com uma ótima boas-vindas da Karina... como será que ele vai reagir? Pretendo postar domingo ou segunda se vcs quiserem... talvez antes se tiver bastante reviews e bastante empolgação. Prévia do próximo: “esse vai ser o fim do Mick Jagger.” “-- E-eu... eu acho que to grávida. (...) -- Eu vou fazer o teste no hospital amanhã de tarde, depois da minha aula. (...) -- Se você não quiser ir... Eu não vou te deixar na mão, Esquentadinha.” “-- Karina Duarte. – chama uma voz e a garota sente seu coração quase pular no peito (...) Os dois encaram um ao outro, pensando no quão engraçado era ter a resposta em suas mãos, literalmente.” Beijooos