Correndo em Círculos

17 Capítulo 17: Eu vi cicatrizes em uma amante de coração partido


Notas iniciais
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!!!!!!! Lá vem eu atrasado de novo, mas não me matem, a culpa não é minha, a culpa é da internet que não tava funcionando ontem e eu só tive tempo de postar agora, por causa do colégio. :S Esse capítulo ta pequeno mas não tinha muito o que pôr nele pq ele é tipo uma introdução pro próximo e o aparecimento de alguns personagens. No próximo é que vcs vão ver muita ação! ;) Música do capítulo: Bloodstream – Ed Sheeran BOA LEITURA!

Quando Karina chegou em casa, ainda naquela maldita madrugada, seus olhos estavam borrados de maquiagem e sua expressão extremamente para baixo. Logo depois de Pedro lhe deixar sozinha, ela procurou Pri e avisou-a de que estava indo embora. Seus ânimos para a festa não podiam estar mais baixos. E ela, mais uma vez, se martirizou por fazer as coisas no impulso. Não devia ter ido naquela festa, exatamente como pretendia no início, antes de Pedro fazê-la mudar de ideia. Infelizmente ele ainda tinha esse efeito sobre ela, quando ele a desafiava, nada a segurava e ela sempre acabava perdendo no final.

Ela fechou a porta silenciosamente, não queria acordar ninguém e receber mais um milhão de questionamentos devido sua aparência. Ela podia ter bebido um pouquinho demais, mas ainda tinha consciência da reação de seu pai ao vê-la daquele jeito. E mesmo mudada, ela não queria decepcioná-lo.

Encostou a cabeça na porta depois de fechá-la, todo o conteúdo ingerido no dia subindo pela sua garganta devido ao fato de ter bebido com o estômago vazio, a cabeça zonza depois de tantas lágrimas e os olhos molhados e inchados com a maquiagem borrada.

Ouviu um pigarro por detrás de suas costas, e se virou, curiosa, podendo ver apenas uma figura sentada sobre a poltrona, a sala pouco iluminada revelando sua expressão séria.

–- Pai... – sussurra ela, baixinho.

Ele se levanta da poltrona e caminha lentamente em direção à filha.

–- Desculpa ter saído desse jeito, pai. – diz ela, baixinho, arrependimento na voz, e olha para os próprios pés, não querendo ser vista do jeito que estava, vergonha preenchendo todo seu ser.

Mas infelizmente ele vê as marcas de seu choro e muda sua expressão para preocupado. Aproxima-se, toma seu rosto entre seus dedos e o ergue até que possa vê-lo melhor.

Karina permaneça quieta, surpresa por ainda não tê-lo visto estourar de raiva ou colocá-la de castigo pelo resto da vida.

–- Nunca mais faça isso comigo, Karina. Você não faz ideia do que foi ficar esperando minha filha sem saber onde ela está e com quem e logo num momento complicado desses.

Karina arregala os olhos, encarando a expressão assustada e dolorida do pai.

–- Desculpa pai. – repete ela, se afastando de suas mãos, e ele franze ainda mais as sobrancelhas. – Mas você sabe que não é culpa minha eu ter uma irmã tão maldosa e não foi tão ruim assim, Bianca vive saindo sem sua permissão. – afirma ela, levemente irritada e magoada. Aquele era um problema velho entre ela e seu pai, ele nunca confiava nela o bastante.

–- É totalmente diferente, sua irmã não sai toda arrumada e sem me avisar depois de terminar com um namorado. – responde Gael, sem se tocar da gravidade do que falara.

Karina sente sua boca tremer de raiva e seus olhos se encherem de água.

–- Isso porque o motivo dos términos dela nunca tem haver comigo. E porque ela é a filhinha perfeita, não é? Minha falsa irmã... – rebate ela, com ódio e repulsa.

Gael sente uma dor bem no fundo de seu peito ao ouvi-la falar daquele jeito, a raiva explícita em seu olhar fazendo-o tremer e temer por sua filha. Ele acaricia seu rosto devagar.

–- O que está acontecendo, minha filha? – pergunta, amargurado, toda sua dor sendo solta entre as palavras. Ele era pai, e como pai se sentia um fracassado depois de ver à que ponto suas filhas chegaram. Uma, manipulando as pessoas para o bem próprio e ferindo as outras sem se preocupar, e a outra, se moldando de acordo com o mundo e tendo tanta raiva a amargura no coração que ele mal sabia como cabia.

Ele a olhou com pena e arrependimento e ela sentiu seu coração ainda mais destroçado. Deixou mais uma lágrima escorrer por seu rosto.

–- Eu não sei. Eu não sei mais o que fazer... ta tudo tão confuso, pai. Eu me sinto tão dolorida e perdida... – responde ela, com sinceridade.

Gael suspira.

–- As maiores batalhas que se tem na vida são com nós mesmos. – diz ele, sabiamente e Karina apenas assente, completamente concordando com aquela ideia, acima de encarar as pessoas, Pedro e sua irmã, o que mais doía era encarar a si mesma e negar que não tivesse culpa alguma pelo que acontecera.

–- Eu sou tão grossa, pai, eu sempre afasto todo mundo, faço as pessoas pensarem mal de mim, foi por isso que eu fui enganada.

–- Nunca diga isso, Karina. O seu modo de ser não tem nada haver com isso.

–- Claro que tem, pai. Se eu fosse mais feminina e menos agressiva o Pedro não teria que ser pago pra me namorar, ele iria querer por si só.

Seu pai nega com a cabeça.

–- A vida é cruel às vezes minha filha. Mas você ainda vai encontrar alguém que goste de você pelo que você é e que não queira te mudar de forma alguma. -- alega Gael, com sinceridade. -- Eu sei que você está passando por uma fase de mudanças, de redescobertas, mas eu não quero que você se vista para os outros ou segure sua força porque garotas agressivas não podem. Se vista para si mesma, algo que faça você se sentir bonita e confortável. Seja você mesma.

Ela assente, ainda cabisbaixa, talvez se redescobrir não fosse tão fácil, afinal, tudo o que ela fazia só a fazia se sentir ainda mais incompleta, mesmo antes, quando ela se vestia do jeito que bem entendia, ela se sentia mal pelos olhares que recebia.

–- Filha... – chama seu pai, despertando a atenção momentaneamente perdida dela. – Agora eu quero que você seja sincera: você ainda gosta dele, não é? – pergunta, fazendo o coração dela acelerar e seu corpo tremer.

Ela ergue o olhar e encontra os olhos de seu pai em meio ao borrão de lágrimas em seus próprios.

–- Não. O pior é que eu não gosto dele, pai. E-eu... e-eu acho que o amo... – responde, com dor no coração.

Gael sente seus próprios olhos imitarem os da filha, e se encherem de água. E então ele se aproxima, tentando transparecer força, e a abraça apertado, beijando sua cabeça enquanto a sentia permitir que o choro se fizesse.

–- Esse é o maior problema, pai... – sussurra ela, com a voz embargada. – os meus sentimentos são muito fortes para serem ignorados e eu não consigo aguentar, quando ele me olha... me toca... me beija... eu quero me entregar totalmente.

Ela sente o peito de seu pai subir e descer três vezes seguidas, tentando achar fôlego para ajudá-la, mas sem sucesso. Às vezes ele desejava poder roubar toda a dor dela para si e trancá-la numa torre, assim como acontecia com as princesas, para que o mundo não pudesse a destruir.

Mas as coisas não são tão simples assim, ele não podia sentir por ela, nem mesmo impedi-la de viver, ele havia impedido sua escolha no momento em que a concebeu, junto de sua esposa. Ou pelo menos ele imaginava que fosse assim...

–- Eu deveria dizer para você não lutar contra isso, mas eu não consigo. Aquele garoto não merece minha filha. – diz ele, com sinceridade, os braços embalando-a como um bebê.

Ela suspira, ainda mais confusa do que antes.

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Depois que Karina o correra dos bastidores do palco, Pedro não soube o que fazer, ele não podia estar se sentindo pior, tendo, além de a magoado com suas mentiras, a ferido ainda mais naquela noite. Ele havia ficado surpreso com sua atitude diante do beijo e decepcionado que ela não retribuíra. As coisas entre ele e a garota não estavam exatamente no lugar onde ele imaginava. O ódio dela superava qualquer uma de suas tentativas e ele já não sabia mais como trazê-la de volta.

A única coisa a qual ele tinha certeza era de que seu sentimento continuava ali, acesso em mil cores quentes, e agora ainda mais intensamente, vendo-a tão esquentadinha quanto jamais a vira.

–- Você vai ser minha... – recitou ele, pensativo, enquanto dedilhava seu violão. -- Eu vou ser teu. Esse tempo longe já deu.

–- Hmm... escrevendo música nova pra reconquistar sua Esquentadinha? – pergunta Tomtom, interrompendo os devaneios do irmão, que olha para ela, sem ânimo, enquanto deixava seu coração soltar as palavras de sua nova canção.

Ele suspira, cabisbaixo.

–- Perda de tempo, néh? Ela nunca vai me perdoar... – murmura, tristemente.

Sua irmã se levanta da cama e caminha em direção a ele, se sentando ao seu lado com a testa franzida.

–- Você ainda não me contou porque vocês terminaram... – diz ela, curiosa.

Pedro olha para os seus próprios dedos, arrependido apenas de lembrar do que fizera. Ele encara a irmã com intensidade.

–- Eu cometi um erro. Um dos grandes. – responde, com imprecisão, os dedos agora tímidos sobre as cordas do violão.

Sua irmã emburra a face.

–- Isso eu já tinha certeza. – fala ela, com simplicidade, conseguindo arrancar um sorriso do irmão. – Seja mais específico. Você não traiu ela, não é?

Pedro ergue o olhar, tenso. Talvez ele não tivesse a traído da forma normal e esperada por todo mundo, mas ele fizera muito pior, ele traíra sua confiança e sua certeza, deixando apenas suas dúvidas, sua dor, e sua amargura.

–- Eu fiz pior... – sussurra, para então olhar nos olhos de sua irmã e completar, com um nó em sua garganta: -- Eu fui pago para namorá-la.

Tomtom franze a testa, surpresa. Aquela com certeza não era a resposta que ela esperava.

–- M-mas... como assim? Eu pensei que você gostasse dela! – murmura a pequena, cheia de indignação. Ela amava seu irmão e amava sua amiga, mas o que ela mais amava era a relação cheia de química, amor e companheirismo dos dois. Ela era sonhadora, e pensar que tinha na sua frente uma história perfeita de amor a inspirava. Ela queria algum dia amar e ser amada daquela forma.

Mas pensar que todo aquele amor era uma mentira era desolador, ver a dor do casal, assim como a de seus pais, havia a feito perceber que talvez sonhar não fosse tão bom assim, e o ato de amar não fosse tão simples e real assim.

–- Eu gosto, eu amo... – afirma Pedro, fazendo sua irmã ficar ainda mais confusa. -- e acho que desde muito antes da Bianca me oferecer dinheiro pra namorar ela. Mas eu era orgulhoso, não queria admitir que gostava de uma garota marrenta, masculina e brigona. Totalmente oposta às garotas com quem eu sonhava em ter uma vida. ­– ele ri. – Mas a vida prega peças na gente, e hoje eu sou totalmente apaixonado por ela, e sonho em ter uma casa, um carro e um casamento bem ao seu lado. Quem diria...

Tomtom se aproxima mais e abaixa seu violão.

–- Se você ama ela, não pode desistir. Eu nunca vi nada como você dois juntos, nem mesmo nos livros que eu leio. Você não pode deixar isso acabar. – murmura, sabiamente, e vê seu irmão encará-la com adoração, um sorriso tímido surgindo em seus lábios. Aquilo era exatamente o que ele precisava ouvir. Ele não podia desistir de sua esquentadinha, mesmo que fosse necessário realizar o milagre dos milagres para tê-la.

–- Eu não vou desistir. – e voltou à composição de sua música.

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Mais tarde, depois de as aulas na Ribalta terminarem, Pedro correu para o andar de baixo, nervoso, desde que ele e Karina haviam terminado, a possibilidade de vê-la sempre lhe trazia calafrios. Era como ver o fantasma de um ente querido, trazia saudades e desejos, ao mesmo tempo em que trazia medo e ansiedade. Ver a dor em seus olhos não era exatamente satisfatório, mas o fato de apenas vê-la já bastava, mesmo com todo o ódio, desejo e mágoa reprimida.

Ele a viu olhando para o vazio enquanto enrolava as ataduras em um bolinho, absorta em pensamentos. Ele não sabia, mas ela pensava nele, na possibilidade de perdoá-lo ou esquecê-lo por completo.

–- Oi... – disse ele, baixinho e a viu levantar a cabeça e encará-lo, despertando de seus devaneios.

Ele se aproxima devagar e sente seu coração acelerar.

–- O que foi? – pergunta ela, ríspida, surpresa por ver a coragem que ele tivera de aparecer em sua frente depois da noite passada.

Pedro respira fundo antes de dizer:

–- Eu queria te pedir desculpas por ontem. Eu não devia ter te agarrado daquele jeito.

Karina ergue as sobrancelhas, ainda mais surpresa. Definitivamente ela não esperava por aquilo. Antes de eles namorarem, ele nunca havia se desculpado por agarrá-la e com certeza esperava que também fosse ser assim agora.

–- Eu não quero te forçar a nada e não vou fazer nada até que você me peça. – completa ele, fazendo-a franzir a testa, confusa. Ele estava desistindo dela? Mas ela não queria que fosse assim! No fundo de seu peito, ela sabia que queria vê-lo aos seus pés, implorando por seu amor, até que ela não aguentasse mais e se entregasse. – Eu não vou mais te beijar até que você me perdoe.

Karina ri de sua última frase.

–- Então você nunca mais vai me beijar. – murmura ela, irônica, vendo-o permanecer sério.

–- Pode ser. – afirma ele, se virando para ir embora.

Karina encara suas costas, enquanto ele se afasta, desesperada. Ele não podia estar falando sério! Estava jogando um jogo perigoso, tentando atiçá-la para perdoá-lo de uma vez. E o pior, com sucesso. A ideia de nunca mais sentir os lábios vermelhos e macios de seu guitarrista favorito a apavorava.

Notas finais
Será que o Pedro mantêm essa promessa? E essa música? Eu sei, ta meio sem gracinha, mas eu só ficava pensando no próximo capítulo e fiquei sem inspiração pra esse saushaush mas vcs já sabem, no próximo tem tretas e provocações! Esperem só... :B Ansiosos pra novela amanhã? Eu to roendo as unhas, achava que seria hoje e tava quase morrendo pq não ia poder ver. Só sei que serão necessários mil lencinhos de papel. Pergunta do capítulo: como vcs conheceram o nyah? Eu to aqui desde 2011, quando eu vi um pessoal postando links de suas fics numa rede social de Potterheads chamada Hogwarts Book, fiz conta só em 2012, mas fui aprender a mexer direitinho em 2013 rsrsrs antes eu salvava as fic em favoritos no pc pq não sabia marcar como acompanhado. Postei algumas fics que me levaram a suspensão com as novas regras do nyah de não poder citar pessoas reais e fiz essa conta nesse meio tempo, conta que acabei usando integralmente. Mesma coisa, posto o próximo se tiver 10 comentários na sexta ou sábado, se tudo der certo! Beijos gente e preparem seus corações pro próximo capítulo da novela e da fic!