Notas iniciais
musiquinhas para acompanhar: https://www.youtube.com/watch?v=Dr0LCzqvOqw https://www.youtube.com/watch?v=KKZBDeamZPU E vamos lá o/

Sherlock, John e Mary estavam em uma sala reservada atrás do balcão da igreja. Após a expulsão de Tomás feita por Mycroft, Molly e Sherlock deram a cerimônia por encerrada e se reuniram na parte de trás. Molly deixou os três lá e foi falar com os convidados e dispensá-los para irem à festa, sem os noivos por hora.

– Dispensados! – informou Molly ao entrar novamente, se posicionando ao lado de Sherlock, que a abraçou pela cintura – Você não consegue ir a um evento sem criar uma confusão, não é Sr. Holmes?! – disse brincando para o marido.

– Melhor ir se acostumando. Sra. Holmes! – respondeu sorrindo para a esposa, dando-lhe um selinho em seguida. John e Mary sorriram com a cena.

– Eu só não consigo acreditar que você tinha outro irmão! Por que nunca falou dele? – perguntou John, retornando ao assunto.

Sherlock suspirou.

– Ele é meio que a ovelha negra da família! – explicou Molly.

– Molly, pode contar a John e Mary o que te contei a respeito de Tomás? Eu preciso falar com Mycroft e com meus pais antes deles irem embora! – pediu o detetive

– Claro, eu já sabia disso então pedi para que eles te esperassem na frente do altar!

– Você é maravilhosa! – Sherlock sorriu e deu mais um selinho em sua esposa. Depois saiu da sala, deixando os três sozinhos.

– Tão estranho e ao mesmo tempo maravilhoso ver Sherlock agindo dessa forma! – comentou John, ainda espantado com o comportamento do amigo, tão fora do usual.

Molly sorriu e concordou.

– Ele está bem mais leve, é verdade! – disse Molly.

– Eu acho lindo vocês dois juntos! Finalmente Sherlock parou de fugir do inevitável! – falou Mary.

Molly sorriu, estava visivelmente feliz e satisfeita com tudo o que estava acontecendo.

– Mas e esse irmão do Sherlock?! – perguntou John – como ele sabia? Quero dizer, de onde ele veio?

– É o irmão do meio dele! – explicou Molly, agora assumindo uma feição mais séria – o nome dele é Tomás, e é meio que a ovelha negra em todos os sentidos! Sherlock me contou que ele e Mycroft descobriram que Tomás estava envolvido com um grupo terrorista. Eles tentaram de todas as formas abrir os olhos do irmão, mas cada tentativa fazia com que ele se afastasse mais deles. Parece que ele sentia raiva dos irmãos, por ele não conseguir ser tão inteligente quanto eles.

– Então ele se virou para o lado inimigo dos irmãos como forma de revolta? – perguntou Mary.

– Quase isso! Parece que desde criança ele sempre teve um dom para prejudicar os outros e fazer coisas desonestas, que Sherlock e Mycroft reprovavam constantemente! Sherlock colheu as provas e Mycroft o prendeu quando Tomás tinha vinte anos, foi uma tentativa de fazê-lo enxergar que estava indo para um caminho sem volta!

– Eles o prenderam?! – falou John surpreso – O próprio irmão?!

– Eu sei o que parece, mas foi o meio que eles encontraram para ajuda-lo! — defendeu Molly – As provas que Sherlock recolheu condenaram Tomás a prisão perpétua! Mycroft tentou intervir, mas o máximo que conseguiu foi que com que ele ficasse em uma prisão mais confortável e isolada! A situação não era muito boa por que Tomás planejava um ataque grande contra o governo e contra a família real!

– Jesus! – exclamou Mary surpresa com a revelação

– Mas se ele estava preso, como conseguiu estar aqui?! – perguntou John.

– Ele fugiu da prisão há dois anos, foi quando Sherlock me contou o que havia acontecido! Na mesma época, ele estava enfrentando Jim e tentando fingir a própria morte! Ele não tinha tempo para se preocupar com o irmão! – Molly suspirou – E embora ele tenha me dito isso, tenho certeza de que ele se preocupou!

– Dois anos atrás?! Mas ele estava em Londres na época? – perguntou John

– Sim, ele ficou um tempo hospedado na minha casa, até que Mycroft tivesse ajeitado tudo para a viagem dele atrás da rede de Moriarty! – explicou Molly.

Mary sorriu, John pareceu surpreso e ao mesmo tempo incrédulo e contente.

– Você e Sherlock sempre foram muito próximos! – disse John, saindo do assunto – Agora, parando pra pensar bem, ele sempre implicou com seus namorados e sempre pediu sua ajuda para tudo! Como eu nunca percebi que ele gostava de você?!

– Eu também nunca percebi! – falou rindo — Eu desconfiava e tentava provoca-lo, para ver se conseguia alguma reação dele! Foi assim com Jim e foi assim com Tom, mas ele se vingou usando Irene e Janine, então decidi parar de tentar força-lo a tomar uma atitude! – ela fez uma pausa – Curiosamente, foi quando eu parei que ele tomou uma atitude!

– Não, Molly! Ele viu o que podia perder e correu contra o tempo para voltar atrás e refazer o caminho que tomou! – disse Mary sorrindo.

Molly sorriu e concordou. É, talvez a amiga estivesse certa.

Sherlock adentrou na sala.

– Falou com Mycroft? – perguntou Molly ao vê-lo entrar

– Sim e ele está ansioso para comer o bolo do nosso casamento! Eu consegui convencê-lo a fugir da dieta, pelo menos hoje!

Molly e Mary riram.

– Isso significa que vamos para a festa? – perguntou John.

– Claro que vamos! – afirmou Sherlock – É o dia do meu casamento com Molly, e eu não vou deixar a aparição de alguém indesejado estragar isso mais do que já estragou!

Molly sorriu para o marido. Sherlock sorriu de volta e colocou seu braço envolta dos ombros de Molly.

– Vamos? – chamou Sherlock, enquanto ele conduzia Molly para a saída da sala. John e Mary se deram as mãos e foram logo atrás do casal.

A festa correu nos conformes e sem grandes surpresas. Molly e Sherlock foram forçados a tirar várias fotos, incluindo uma de Sherlock usando o chapéu que ele tanto detestava – “Não combina com essa roupa!”- foi à resposta dele quando pediram que ele o usasse. Mas acabou sendo vencido pelos demais convidados.

Molly atirou o bouquet, e para surpresa geral, foi a Sra. Hudson quem o pegou. Todos riram quando ela lançou um olhar sugestivo ao quitandeiro. Mary e John fizeram uma composição para o casal, em retribuição a composição que Sherlock fizeram no casamento deles. John tocava violão e Mary cantava. Mycrfot comeu dois pedaços da bolo, já indo para o terceiro, e os pais de Sherlock não deixavam Molly em paz por um único segundo, falando sobre como cuidar de crianças e como Sherlock se comportava quando criança. Lestrade e Donovan estavam relativamente muito próximos um do outro durante a festa. Anderson tirava fotos de mandava para o fórum do seu fã-clube. Sem dúvida, todos estavam se divertindo.

– Eu tenho uma observação pra fazer! – disse John à Sherlock, enquanto eles observavam Molly conversando com os pais do detetive.

– Faça-a! – consentiu o noivo, rindo da situação de sua esposa.

– No meu casamento, você disse que estava fazendo seu primeiro e último voto! Como explica isso agora? – provocou o médico apontando para Molly.

– Você esqueceu do óbvio, John! Naquela época , Molly estava noiva e de casamento marcado com Tom! Eu mandei aquela indireta pra ela, que não seria de mais ninguém! Assim, quando ela ouvisse sobre Janine, ela não pensaria que eu realmente estava com Janine! – explicou.

John concordou.

– Você ainda está muito incrédulo com meu casamento, não?! – falou o detetive se divertindo com a reação de seu amigo.

– Incrédulo?! Sim, um pouco! – respondeu o médico – Mas totalmente maravilhado pela situação! É você, o grande detetive Sherlock Holmes, se casando! – John sorriu – Você é humano, afinal de contas!

Sherlock sorriu também. Sim, ele era humano, apesar de tudo, ele era apenas humano. Isso o confortou de certa forma. Mycroft sempre o fizera pensar que os Homes tinham que ser superiores, que estavam acima dos desejos mundanos. Que eram inteligentes demais pra isso! Mas ele era apenas humano, como todos os outros humanos na face da Terra. Assim como todos os outros, ele tinha sentimentos, desejos, e afinal de contas, sempre se envolvia! Sherlock sorriu à esse pensamento, se sentia mais leve e definitivamente mais feliz. E enquanto observava a cena da festa, com todos os convidados se divertindo, Mycrfot indo para o quarto pedaço de bolo, Sra. Hudson discutindo com o quitandeiro a data do casamento, Lestrade e Donovan dançando, John ao seu lado, Mary ,Molly e seus pais conversando e sua noiva olhando furtivamente para ele e lhe dando um sorriso, Sherlock não pode deixar de se sentir o homem mais feliz do mundo. Mesmo um sociopata como ele conseguiu construir e estabelecer laços fortes de amizade, mesmo sem se dar conta, Sherlock passou a se importar com todas as pessoas que estavam naquele salão, e sabiam que eles todos também se importavam com ele. Quando foi que isso acontecera, mesmo?

Não teve muito mais tempo para refletir a respeito, não era importante. O que importava agora era a mão de Molly pegando na dele e o conduzindo à pista de dança. Era só isso o que importava.

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– Sherlock, você vem dormir?! – perguntou Molly indo até a sala e vendo o detetive em sua poltrona, em sua posição habitual de quando estava em seu palácio mental.

Eles haviam voltado da festa e ido direto para Baker Street. O plano inicial era uma viagem para a lua de mel, mas devido ao aparecimento do segundo irmão Holmes, Molly insistiu para que eles permanecessem em Londres. Notícia que alegrou Mary, pois agora haveria mais chances de Sherlock e Molly estarem presentes no nascimento de sua filha.

A decisão de Molly fez com que Sherlock se lembrasse do surgimento do seu irmão, fato que ele havia esquecido pelo breve período de calma e paz que ele havia desfrutado durante a festa. A lembrança desse evento fez com que Sherlock passasse todo o tempo do caminho de volta em silêncio, pensativo. Mas isso já faziam mais de quatro horas, e Sherlock não havia dito uma palavra desde então. Foi quando Molly decidiu intervir.

– Sherlock, está ai?! – brincou a legista se abaixando para ficar frente a frente com ele.

Ao ver os olhos de sua esposa, Sherlock subitamente acordou e saiu de seu palácio.

– Eu não consigo imaginar o que ele queira! – disse, compartilhando sua preocupação.

– Mycroft não disse nada?! – perguntou, sentando-se no colo de Sherlock, que imediatamente enlaçou seu braço na cintura dela.

– Disse as coisas óbvias, que ele provavelmente quer se vingar de nós dois pelo que fizemos! Ele colocou o pessoal dele na busca, mas mesmo Tomás não sendo o mais inteligente dos Holmes, ele ainda assim vai ser esperto o suficiente para conseguir evita-los!

– Você acha mesmo que ele queira vingança?! – Molly fazia cafuné em Sherlock, tentando relaxa-lo e despreocupá-lo, nem que fosse um pouco. Sherlock cedeu a esse momento de relaxamento e despencou sua cabeça no ombro da esposa.

– Não! – respondeu com os olhos fechados, aproveitando o carinho da esposa – Acho que se quisesse vingança, ele teria entrado na igreja com uma arma e simplesmente atirado em mim e em Mycroft, é mais o estilo dele!

– É melhor eu deixar você trabalhar, sr. Holmes! – disse Molly sorrindo e dando-lhe um beijo na testa. – Pelo visto você tem muita coisa para deduzir!

Sherlock tirou a cabeça do ombro de Molly e a encarou.

– Vai me deixar sozinho na nossa noite de núpcias, Molly Hopper...quero dizer, Molly Holmes? – brincou o detetive enquanto segurava a mão dela. – Eu ainda vou me acostumar com a mudança do seu nome! – complementou sorrindo.

– É bom se acostumar mesmo! – provocou a legista – Eu gosto quando você me chama de Molly Holmes!

Sherlock ganhou uma malícia no olhar ao ouvir essa confissão.

– Aé?! Molly Holmes! – disse dando-lhe um beijo no ombro da esposa, que estava desnudo. – Molly Holmes! – disse subindo para o pescoço – Molly Holmes! – indo finalmente para os lábios e dando-lhe um beijo profundo e terno.

Coisas importantes, pensou Sherlock consigo mesmo. Essa é a minha prioridade no momento! Quando acordasse pensaria em Tomás e nos planos que ele poderia fazer. Agora, era a hora de aproveitar a companhia de Molly Hopper...quer dizer, Molly Holmes.