Correndo Contra o Tempo
6 Capitulo 6
Notas iniciais
Na manhã seguinte, John e Mary foram se reunir ao recém-casal da Baker Street, sob protestos de Mary, que achava que eles mereciam um tempo sozinhos, e embora John concordasse com a esposa, ele não teve muita escolha, já que Sherlock havia mandado um sms logo cedo solicitando a presença deles. Quando adentraram no flat, Mycroft já estava lá, em pé ao lado da lareira, Sherlock estava sentado em sua poltrona e Molly sentada na poltrona que costumava ser de John.
– Bem, estamos todos aqui! – disse Mycroft quando John e Mary passaram pela porta– Vamos começar logo!
Molly levantou-se e deu lugar para John, no início, John recusou, mas Molly explicou que já ia se levantar de qualquer maneira, pois iria pegar um pouco de chá para ele e Mary.
– Obrigado, Molly, mas prefiro ficar em pé por enquanto! – disse John com gentileza.
Molly concordou e foi buscar o chá na cozinha. Impaciente, Mycroft decidiu começar.
– Bem, todos aqui, imaginam, já sabem da história do nosso querido irmão Holmes! – falou sarcástico – Tomás não é o que podemos chamar de exemplo de conduta!
– Algum de vocês sabe o que foi feito dele após o casamento?! – perguntou Mary.
– Eu sei, e por isso estamos nos reunindo aqui hoje! – respondeu Mycroft. – Meus homens seguiram Tomás assim que ele saiu da Igreja, — aqui, Mycroft adiciona um certo tom de desdém — estava confiante demais para ter percebido que estava sendo seguido! Nos levou diretamente até onde está escondido!
– Tem certeza?! – retrucou Mary – Quero dizer, sei que ele não é o mais inteligente dos Holmes, mas ainda assim, pode ser uma armadilha!
– Obrigado, Mary! – falou Sherlock– Foi exatamente o que Molly e eu dissemos!
– Acho que Mycroft pode ter razão – agora foi à vez de John – Ele estava confiante demais para aparecer no meio da cerimônia de casamento! Afinal, ele é um bandido procurado, e procurado pelo governo pra quem o irmão mais velho trabalha! Ele tinha que estar muito confiante pra adentrar a cerimônia, esse pode ter sido o erro dele!
– Confiante demais, mas não burro! – rebateu Sherlock levantando-se da poltrona e andando pela sala – Invadir a cerimônia do casamento do único consultor investigativo do mundo, onde o irmão, que é o Ministro da Defesa do Governo Britânico também está presente, realmente demonstra confiança, mas ele não seria burro o suficiente para seguir diretamente para o esconderijo verdadeiro dele! – virou –se para Mycroft – Tenho certeza de que Tomás sabia que você colocaria seus homens para segui-lo, assim que você o expulsou da igreja!
Mycroft suspirou contrariado. Um silêncio imperou por aquela sala durante alguns segundos. Até que John decidiu quebra-lo.
– Acha boa ideia irmos verificar? – perguntou para o detetive.
Sherlock se virou para o amigo.
– Se acho boa ideia nos colocarmos dentro da boca do leão para ver se ele morde? Não! – respondeu. – Ou ao menos, não sem um plano!
– Mesmo sendo uma armadilha, – começou Molly enquanto entregava as xícaras de chá para Mary e John – é capaz que tenha pistas sobre o paradeiro do real esconderijo! Se vocês se deixarem pegar pela armadilha, talvez descubram ainda mais coisas a respeito dos planos de Tom!
– É uma estratégia bem esperta! – concordou Mary – Vocês se deixam pegar pela armadilha, mas com um plano de escape já montado antes de irem para lá!
– É muito arriscado, não sabemos o que esperar da armadilha então o plano que montamos pode falhar! – falou John.
– Tom não é muito criativo para essas coisas, certamente não fará nada que saia do usual! – informou Mycroft.
– O que isso supostamente quer dizer? – perguntou John enquanto tomava um gole de chá.
– Quer dizer que ele fará as coisas comuns,como tentar aprisiona-los, deixa-los inconscientes por algum tempo, amarra-los, nada fora do comum!
– Você fala como se fosse uma programação entediante em um dia de feriado! – criticou John, incrédulo com a normalidade na voz de Mycroft.
Molly, Mary e Sherlock tiveram que segurar o riso após o comentário de John. Realmente era um pouco estranho alguém falar sobre ser amarrado e aprisionado como se fosse à coisa mais normal do mundo.
– Bem, realmente são as coisas comuns! – concordou Sherlock, sorrindo – Mas não vejo por que razão Tom iria querer nos capturar! Existe alguma informação que ele possa querer?
A última pergunta foi dirigida especialmente para Mycroft. Sherlock já estava acostumado com as informações importantes que o irmão não lhe contava por conta do sigilo que o governo exigia, mas se havia algo assim em jogo, Sherlock precisava saber.
– Não, irmãozinho! Dessa vez não! – negou Mycroft, sabendo do que se tratava a pergunta do detetive. – Eu realmente não entendo os motivos de Tomás, e isso, com todo o auto controle que possuo, me assusta!
Sherlock e os demais ficaram pensativos depois da confissão de Mycroft. Sherlock conhecia o potencial de seu outro irmão, e embora esse potencial fosse desconhecido para John, Molly e Mary, eles conseguiam ver o tom de preocupação que Sherlock e Mycroft tinham. Isso os assustava.
– Acho que devemos acatar a sugestão de Molly! – disse Sherlock após um breve período de silêncio – Se nos oferecermos como iscas, pode ser que Tomás fique confiante e comece a falar demais!
Molly, ao ouvir que sua sugestão havia sido acatada pelo marido, se arrependeu de tê-la feito.
– John disse que é perigoso, tem certeza de que é a melhor alternativa? – perguntou tentando persuadi-lo a mudar de ideia.
– Infelizmente devo concordar que sua sugestão é a mais acertada, minha querida cunhada! – falou Mycroft.
– Tomás está confiante, mas nem tanto ainda, se tiver certeza de que caímos nos seus planos, ele irá se vangloriar, principalmente para mim e Mycroft. Após me capturar, Tomás não fara nada comigo, ele esperará conseguir Mycroft também! Ele só irá fazer qualquer coisa contra nós quando capturar Mycroft! – explicou o detetive.
– Então é certo de que até lá estarão em segurança?! – perguntou Mary, olhando para John preocupada.
Sherlock assentiu. Um novo período de silencio se fez na sala. Molly suspirou.
– Se acha que dará certo, então faça! – disse por fim.
Sherlock sorriu para a esposa.
– Bem, então como faremos isso?! – perguntou John após trocar olhares significativos com Mary.
– Vamos agir como se tivéssemos certeza de que sabemos que aquele é o esconderijo verdadeiro dele! Vamos investigar e seremos capturados! – Sherlock virou-se para o médico – É de suma importância que quando eles nos tentem capturar, nós façamos de tudo para nos defender e fugir!
– Certo, senão ele pode desconfiar! – concordou John.
Sherlock assentiu e virou-se para Mycroft.
– Quanto a você, irmão, faça de tudo para manter-se em segurança, mantenha-se próximo apenas dos seus seguranças mais leais e mantenha contato com Molly e Mary sempre! Só para termos certeza de que você estará bem durante esse período!
Mycroft também concordou, embora visivelmente não tivesse gostado da ideia de manter contato com as duas mulheres.
Nesse instante, a reunião foi interrompida pela entrada da Sra. Hudson na sala, trazendo alguns petiscos para os visitantes da 221B. Houve uma dispersão geral, e foi por conta dessa dispersão que Molly se aproveitou para se aproximar do marido.
– Sherlock, você também trate de mandar notícias suas para me garantir de que está bem! – ordenou com tom de autoridade, mas Sherlock pode notar a preocupação e a insegurança por trás da encenação.
– Se eu não te responder em 10 minutos, é por que estou em perigo de alguma forma! – falou o detetive – Se isso acontecer Molly, não pense duas vezes! Ligue para Lestrade e para Mycroft irem atrás de mim e John!
Molly assentiu firmemente. Faria de tudo para ajudar seu marido, tudo!
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