Correndo Contra o Tempo
7 Capitulo 7
Notas iniciais
Mary, venha para Baker Street urgentemente!
MH
O que houve, Molly?!
MW
Os rapazes estão com problemas!
MH
Não demorou mais de dez minutos para que Mary aportasse no flat da Baker Street. Molly estava visivelmente apreensiva e nervosa. Andava de um lado para outro da sala, impaciente, e ao ver a amiga entrar, correu em sua direção e a abraçou. Mary ficou ainda mais preocupada do que já estava.
– O que houve, Molly? Por favor, me diga! – pediu a loira para a amiga enquanto a abraçava.
– Sherlock não me responde há mais de 40 minutos, Mary! Acho que algo grave aconteceu! – respondeu Molly com a voz falha.
Mary ficou em estado de alerta. Sabia do combinado entre Molly e Sherlock, e sabia que não importava como, Sherlock sempre daria um jeito de responder as mensagens de Molly, se isso não aconteceu, é por que realmente algo deve ter acontecido.
– Já ligou para Mycroft? Para Lestrade? – perguntou Mary, tentando manter a calma.
Molly assentiu com a cabeça, estava visivelmente alterada. Chorava tanto que chegava a soluçar.
– Molly, seja forte! – bronqueou Mary – Você é esposa de Sherlock Holmes, precisa conseguir enfrentar essas situações!
Molly sabia que Mary estava certa, respirou fundo e tentou manter calma. Sherlock sempre passava por isso, ele já estava acostumado. Precisava ser forte, precisava manter a cabeça no lugar.
– Sim, Mary! Tem razão! Me desculpe! – falou a legista após se acalmar.
Mary sorriu compreensiva.
– Está tudo bem, Molly! Apenas tente ficar calma! Me diga, você já avisou Mycroft e Lestrade?
Molly respirou profundamente mais uma vez.
– Sim, avisei Mycroft, mas não consegui avisar Lestrade ainda! Mycroft está a caminho!
– Na verdade, eu já cheguei! – disse Mycroft que acabara de passar pela porta. Molly e Mary olharam para ele surpresas pela sua chegada silenciosa. – Boa noite, minhas caras!
– Aonde fica o esconderijo verdadeiro do Tomás?! – perguntou Mary, sem enrolações.
– Por que acha que eu sei?! – rebateu Mycroft, analisando Mary.
– Por que você nunca deixaria Sherlock ir totalmente sozinho para lá, agora me diga, aonde é?!
Mycroft sorriu.
– Bem, Sra.Watson, se eu te disser, o que irá fazer?
– O que você acha? – desafiou Mary.
– Em suas condições, eu diria que não é uma boa idéia! – Mycroft apontou com um movimento de cabeça para a barriga de Mary. Realmente, para uma mulher estourando os nove meses, não era nada saudável e recomendável fazer o que ela estava se dispondo.
– Eu não perguntei sua opnião a respeito, Mycroft! Apenas quero que me passe o endereço! – insistiu Mary, sem se abalar pela insinuação de Mycroft.
–Não é um lugar apropriado para uma mulher ir lá sozinha!
– Ela não vai sozinha, eu vou com ela! – falou Molly, se levantando e com certa firmeza na voz, uma firmeza que ela não saberia dizer de onde vinha.
Mycroft riu.
– Perfeito! As duas mulheres em resgaste aos seus maridos! – disse Mycroft sarcasticamente.
– Oh, por favor Mycroft, apenas me dê o maldito endereço! – o tom de voz de Mary era calmo, mas Mycroft percebeu a ameaça em sua voz. Ele retirou do bolso um pequeno pedaço de papel e o entregou para Mary.
– Viu, não foi tão difícil, foi?! – ironizou após ler o endereço escrito nele – Vamos, Molly!
As duas pegaram seus casacos e saíram imediatamente, deixando Mycroft sozinho na Baker Street.
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Apesar de Sherlock ter absoluta certeza de onde estavam, ele não conseguia ver formas de escapar. Com as mãos e pés atadas com ferro e pendurado na parede, ele não via muito futuro em qualquer tentativa de fuga. Olhou para o lado, lá estava John Watson, pendurado ao seu lado. Ele ainda estava desacordado.
– John! John – chamou o detetive, baixo o suficiente para que os guardas na porta não o escutassem, mas alto o suficiente para que o amigo o ouvisse.
John abriu lentamente os olhos.
– O que houve? – perguntou enquanto acordava e olhava para os lados, tentando se situar.
– Fomos pegos pelo meu irmão! – informou Sherlock – Tivemos uma luta, e ele nos jogou dardos com sonífero!
John pareceu se lembrar de tudo como em um estalo.
– Droga, Sherlock! – falou agora com raiva – Como vamos sair?
– Não se preocupe, disse para Molly que se eu não a respondesse em dez minutos, para ela acionar Lestrade e Mycroft! Eles já devem estar a caminho!
John pareceu não confiar muito no que Sherlock acabara de dizer, mas decidiu não falar nada a respeito, até por que a porta da sala foi aberta inesperadamente e Tomás apareceu.
– Já acordaram! – falou sem um pingo de surpresa na voz – Bom dia para vocês!
Nem Sherlock e nem John falaram coisa alguma. Tomás sorriu, aquele sorriso de aparência maligna.
– Ora, não sei se ensinaram boas maneiras ao Dr. Watson aqui, mas a você com certeza ensinaram irmãozinho! É muita falta de educação não cumprimentar as pessoas quando elas te cumprimentam!
– Boa noite, Tomás! Apesar de ter dito bom dia, tenho certeza que já passam das 18! – respondeu secamente o detetive.
– Nove e meia da noite! – informou o outro satisfeito pelo irmão ter-lhe respondido. – Sinto por não oferecer nada para o jantar de vocês, mas sabem como é, um esconderijo secreto dá muito trabalho para tomar conta, e além do mais, acredito que vocês estejam levemente impossibilitados de segurar uma faca e um garfo! – ironizou.
– Ele é realmente seu irmão! – observou John – Irritantemente irônico!
Sherlock olhou sério para John, mas Tomás emitiu um sorriso largo.
– Nossas semelhanças não param por ai, Dr. Watson, posso te garantir! – falou com um tom ameaçador.
– Sério?! Fora o péssimo humor e os olhos claros, não consigo ver qualquer outra semelhança! – falou Sherlock, cortando o clima que Tomás queria criar.
– Ah sim, a inteligência na família Holmes! – falou Tomás como se estivesse se divertindo – Acha mesmo que não possuo?! Então vamos lá meu querido William – Sherlock fez uma careta ao ouvir seu primeiro nome – Vamos brincar daquilo que você e Mycroft viviam brincando sem nunca me convidar: dedução!
Os olhos de John corriam para Sherlock e Tomás, por mais polido que fosse a atitude dos dois para com outro, aquilo estava tenso, ele podia sentir.
– Dedução n°1, por que acha que voltei para Londres? – perguntou Tomás, andando de um lado para outro com as mãos enlaçadas atrás das costas, posição igual a que Sherlock fazia.
Sherlock suspirou desdenhoso.
– Fácil, vingança! – respondeu roboticamente.
Tomás sorriu.
– Bom, muito bom! Contra quem?
– Mycroft e eu! – novamente robótico.
– Muito bom, irmão! Mas essas são coisas óbvias! Quer ver você errar agora?! Dedução n°3, por que?
Sherlock pareceu desconfiado de sua própria resposta ao ouvir a última fala do meu irmão, mas como previra, Tomás estava confiante, se ele errasse agora, Tomás iria se vanglorias e contar todo o restante de seu plano.
– Por conta do passado! – falou Sherlock, colocando muita certeza em sua resposta, mesmo sabendo que ela estava errada.
Tomás riu.
– Viu irmãozinho, sabia que você ia errar! Não, não, já faz tempo que decidi colocar uma pedra no passado e perdoar meus dois adorados irmãos!
Sherlock sorriu sarcástico.
– Não acredita? – falou Tomás notando a expressão do irmão – Mas é sério! Sai de Londres decidido a esquecer todo o passado e seguir com a minha vida!
– Então por que voltou?! – perguntou John desafiador.
Tomás assumiu uma feição mais séria.
– Por que meus queridos irmãos não sabem viver sem se meter nos negócios alheios! Já faz um tempo que venho avisando Sherlock para ele parar de se meter nos meus negócios, mas parece que ele teve uma certa dificuldade de entender!
Agora realmente Tomás havia pego Sherlock. Faz um tempo que ele vinha avisando? Como? Quando? Sherlock foi buscar no seu palácio mental qualquer informação que pudesse ajuda-lo a se lembrar. John, percebendo que o amigo estava quieto, percebeu o que estava acontecendo.
– Quando foi que você entrou em contato com Sherlock? – perguntou John tentando ajudar o amigo.
–Hân,hãn! – negou Tomás para John enquanto observava o irmão – Vamos ver se ele é capaz de deduzir sozinho!
Após alguns segundos os olhos de Sherlock assumiram uma expressão de surpresa e incredulidade. Ele olhou fixamente para o irmão. Era inacreditável, mas era a única solução lógica.
– Moriarty! – exclamou repentinamente, sem acreditar nas próprias palavras.
Tomás sorriu, aquele sorriso maligno novamente.
– Ahh irmãozinho! Então as coisas finalmente começaram a fazer sentido nessa sua cabecinha!
John olhava confuso de um para outro, sem entender o que se passava. Moriarty? O que ele tinha haver com isso? Será que Tomás trabalhava para Moriarty? Afinal de contas, o que estava acontecendo ali?
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