Correndo Contra o Tempo
4 Capitulo 4
– Tão entediante! – gritou Moriarty. – Sherlock está tão atrasado! Se você fosse John, ele já estaria aqui!
Molly abaixou a cabeça. Talvez fosse verdade, talvez fosse verdade o que Moriarty dizia e o que ela havia acabado de dizer a ele. Ela sabia que Sherlock viria atrás dela, disso ela não duvidava. Mas será que viria com o empenho em que iria se fosse John no lugar dela? Molly tentou não pensar nisso, não poderia mostrar essa fraqueza para Jim.
De repente, um barulho de algo ou alguém caindo invade o local. Moriarty sorri.
– Parece que meu convidado de honra chegou!
– Olá Moriarty, sentiu minha falta?! – disse o barítono tão conhecido por Molly e Jim.
– Sherlock...- sussurrou Molly, aliviada.
As luzes se acenderam. Lá estava, no pé da escadaria do palco, John e Sherlock. Molly quase chorou de tanta alegria por vê-los lá.
– Molly, você está ok?! – perguntou John.
Molly assentiu com a cabeça. John sorriu aliviado, mas logo voltou-se para Moriarty.
– Vou arrebentar a sua cara! – disse John, mas Sherlock o impediu.
– Vá com Molly, deixa que eu me acerto com ele! – ordenou seriamente para John.
John obedeceu. Sherlock e Moriarty não tiravam os olhos um do outro.
– Como estamos agressivos esta noite! – brincou Moriarty – Não gostou de eu ter roubado seu cachorrinho?
Sherlock cerrou os punhos. Moriarty notou.
– Ui, atingi o ponto fraco, é?! Venha Sherlock, vamos resolver o nosso problema final!
– Qual o seu ponto, Moriarty?! – perguntou o detetive.
– John, Sherlock vai ficar bem?! – sussurrou Molly para o médico que a estava desamarrando, enquanto observava o embate entre Moriarty e o detetive.
– Vai sim, Molly, não se preocupe! – sussurrou de volta- qualquer coisa eu trouxe minha arma comigo! – e mostrou a arma guardada no bolso do seu casaco.
– Meu ponto, Sherly, é você! – disse Moriarty com raiva – Eu disse que se você se metesse no meu caminho mais uma vez eu iria QUEIMAR seu coração!
– Eu me lembro! – respondeu Sherlock, sem qualquer alteração na voz.
– Então, é isso que vou fazer! Não teria a menor graça fazer isso sem você estar aqui para assistir!
Moriarty estalou os dedos e feixes vermelhos de luz miravam as cabeças de Molly e John.
– Seus dois cachorrinhos! – falou Moriarty em tom deboche. – Acho que irão ser sacrificados esta noite!
Os olhos de Sherlock brilharam de raiva. Moriarty já tinha ido longe demais, testado demais. Sem pensar duas vezes, Sherlock se atira pra cima de Moriarty, dando-lhe um soco violento. Moriarty rebate, mas erra. Sherlock lhe dá outro soco violento, seguido por um chute no joelho. Moriarty cai no chão, e antes que tentasse se levantar, Sherlock lhe chuta as costelas.
– NUNCA MAIS – gritou o detetive em um acesso de fúria, enquanto voltava a socar Moriarty – MEXA COM A MINHA GAROTA!!
Molly e John se entreolharam, mas não se mexiam. Enquanto Sherlock praticamente espancava Moriarty, John tentava achar uma forma de saírem da mira dos atiradores de Moriarty.
– Como esse cara consegue ter atiradores em todos os lugares? – perguntou-se John. Nesse instante, os olhos de Molly seguiram a direção do feixe de luz vermelha.
– John, olhe! – apontou a legista – Não são atiradores!
– Lanternas! – exclamou John rindo de si mesmo – durante todo esse tempo eram somente lanternas! – uma pausa e então ele sussurrou — Truque de teatro!
– O que? – perguntou Molly, sem entender.
– Nada, fique aqui, eu vou ajudar Sherlock!
Porém, assim que John levantou-se do lado de Molly, uma das cordas se desprendeu do refletor do teatro. Moriarty vinha usando um local fechado por falta de reparos para seu esconderijo. Aquele lugar estava literalmente caindo aos pedaços. O refletor caiu em cima de John, que caiu desacordado no chão.
– John! – Molly foi até ele preocupada, mas suspirou aliviada assim que se aproximou. Ele estava vivo, sem nenhum tipo de machucado mais grave. Estava apenas desacordado e com um pequeno ferimento na cabeça.
– Ok, Sherlock, você pediu por isso! – Molly voltou seus olhos para a luta dos dois rivais. Moriarty estava destruído de tantos socos e chutes que havia levado do detetive. Mas conseguiu tempo suficiente para sacar a sua arma e atirar em Sherlock.
– Nãaaao!!! – gritou Molly, pegando imediatamente a arma de dentro do casaco de John e atirando em Moriarty logo em seguida, bem na cabeça.
Moriarty estava definitivamente e sem sombra de dúvidas, morto.
Molly correu até Sherlock. Ele estava caído no chão, mas estava consciente. O tiro havia pego de raspão, mas ainda assim pegara uma região sensível, e muito sangue saia de Sherlock. Molly o pegou e o colocou em seu colo.
– Sherlock, Sherlock! Fique comigo, por favor! – disse a legista enquanto rasgava um pedaço de sua própria roupa para fazer um torniquete no local em que a bala o acertara,
– Molly...- falou o detetive respirando com dificuldade – você matou um homem!
– Matei um ex-namorado, Sherlock, isso não é considerado crime!
Sherlock riu. Molly sorriu timidamente.
– Pode parecer errado – falou mais seriamente agora, enquanto apertava o torniquete– Mas prefiro matar ele que perder você!
– Você arruma péssimos namorados, Molly Hopper! Você está proibida de arrumar qualquer outro namorado, entendeu?!
Molly riu, mas estava desesperada. Sherlock sangrava demais. Ela não conseguia conter as lágrimas de tão preocupada que estava.
– Eu não me importo de ficar solteira pelo resto da minha vida, só não morra!
Sherlock sorriu.
– Não precisa ficar solteira, se eu sair vivo dessa, eu me caso com você! Não posso correr o risco de te deixar na mão de algum outro psicopata! – Molly olhava para ele perplexa – Como você pode ver, seus relacionamentos não fazem bem pra mim!
Molly riu, e sem querer riu mais do que deveria. Sherlock a estava propondo casamento no meio daquela situação? Sherlock também riu, mas seu riso se seguiu juntamente com uma respiração mais funda e um desmaio. Molly se desesperou.
– Sherlock?! Sherlock?! Fique comigo, por favor! Sherlock?!
Não houve resposta.
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John e Mary terminavam de se vestir em silêncio. Mary acariciou sua barriga, já estourando os oito meses, enquanto ajeitava o vestido preto que estava usando.
– É uma pena que Sherlock não vai ver seu nascimento, filha! – falou deprimida.
John apareceu na porta, assim como a esposa, usava uma roupa preta.
– Vamos Mary, está na hora! – chamou o médico.
Os dois caminharam em direção ao carro em silêncio.
– Eu só não consigo acreditar...- sussurrou John enquanto dirigia. Mary sorriu compreensiva para o marido, enquanto acariciava a mão dele.
Chegaram a igreja. Mary desceu do carro e disse:
– Vou procurar, Molly!
– Sim,sim, ela deve estar precisando de você! – concordou John.
– Você vai ficar bem?! – perguntou a esposa.
John assentiu com a cabeça. Mary deu novamente seu sorriso compreensivo para o marido e foi procurar Molly.
John estacionou o carro e caminhou em direção à igreja. Tudo aquilo estava acontecendo mesmo?! Era real?! John não podia acreditar!
Ao entrar na igreja, John se dirigiu à uma porta que dava para um quarto. Lá encontrou um rapaz alto, de cabelos negros cacheados e olhos azuis, arrumando seu smoking.
– Eu ainda não acredito que você vai se casar, Sherlock! – disse John enquanto fechava a porta.
– Eu também não, que besteira eu fiz, não é?! – brincou o detetive enquanto se arrumava.
– Eu só não consigo entender como aconteceu! Assim, do nada!
– Não foi do nada, Molly e eu nos conhecemos há anos! – rebateu Sherlock.
– Não, falo do casamento! Você sempre foi avesso a isso!
– Bem, um homem não pode voltar atrás em sua palavra! Eu prometi que me casaria com ela, embora eu achasse que iria morrer na hora!
John riu.
– Não, Sherlock, você não achava! – corrigiu o médico.
Sherlock sorriu
– Não, não achava mesmo! – admitiu Sherlock rindo, mas voltou-se sério para John – Acha mesmo tão absurdo assim?!
– Você a ama?! – perguntou John.
– Sempre!
– Sério?! – disse John incrédulo, quebrando o momento – Desde quando?!
Sherlock sorriu.
– Desde sempre! – respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
John ia dizer alguma coisa, mas foi interrompido pela entrada de Mary.
– Sherlock, Molly esta pronta! Já podemos começar a cerimônia?
– Mary! – repreendeu Sherlock – Você deveria estar tomando conta da minha noiva, vai que ela muda de idéia e foge!
Mary riu.
– Não seja bobo, Sherlock! Ela não vai fugir! Embora eu admita que eu fugiria se meu noivo quisesse um casamento onde todos se vestem de preto! Parece mais um funeral!
John concordou com a esposa.
– Foi por insistência minha – explicou Sherlock – quis fazer uma piada, só isso!
– Quis fazer uma piada no dia do seu casamento? – disse John em tom de reprovação.
– Qual é, John, pode ser meu casamento, mas eu só estou fazendo essa cerimonia por conta de Molly, não significa que eu acredite nessa baboseira!
– Então por que está fazendo?! – perguntou John.
Sherlock então pegou John no colo e o levantou.
– Por que vou me casar com Molly Hopper! – disse empolgado, como se tivesse ganhado um caso novo de assassinato.
Sherlock colocou John no chão e saiu do quarto onde estava, empolgado. John e Mary se entreolharam.
– Consegue acreditar nesse cara?! – perguntou John ajeitando sua roupa.
Mary riu.
– Consigo sim!
Sherlock estava no altar, com John ao seu lado. Mycroft estava sentando, junto com os pais de Sherlock na primeira fileira. A expressão do irmão mais velho do detetive era de puro tédio misturado com a desaprovação do casamento. Já os pais de Sherlock estavam empolgados e emocionados com o casamento do filho mais novo.
A música toca, Molly entra. O vestido branco se destaca na multidão vestida de preto.
– Era essa a piada? Molly, a garota que ninguém notava, agora é o centro das atenções? – perguntou John aos sussurros.
– Não foi tão difícil entende-la, foi?! – afirmou Sherlock.
John sorriu.
Os olhos de Sherlock estavam brilhando, e os de Molly também. A garota não parava de sorrir e nem ele. Quando ela finalmente se postou ao seu lado, e foi entregue por Lestrade para Sherlock, o padre começou a falar. Porém, Sherlock o interrompeu:
– Apenas um segundo e eu irei dar continuidade a cerimônia – disse o detetive. Molly, John e Mary se entreolharam sem entender. Sherlock prosseguiu.
– Muitos de vocês não conseguem entender este casamento, e acham que provavelmente eu estou iludindo Molly ou alguma coisa parecida, a essas pessoas eu digo: estão enganadas.
Os convidados trocaram olhares confusos, Molly e Mary disfarçaram um riso devido a cena.
– Por exemplo, muitos de vocês achavam que eu vivia um romance platônico com meu amigo John aqui! Sim, Sra. Hudson, estou falando especificamente de você – disse apontando para a senhora na primeira fileira – Você e alguns outros, obviamente! Como eles chamam mesmo? – Sherlock virou-se para o amigo.
– Hum..- começou John, levemente sem graça- Johnlock, eu acho!
– Johnlock?! É um nome engraçado, mas bem esperto! – comentou Sherlock.
John concordou. Molly, Mary e alguns convidados riram.
– Mas não, dessa vez, e posso garantir que será uma única vez, eu devo dar razão ao Anderson!
Anderson, sentado há duas fileiras atrás, pareceu surpreso ao ouvir seu nome sendo mencionado.
– Anderson?! – exclamou Lestrade – É alguma brincadeira?!
– Sim, Anderson! É você! Você sempre fez teorias, juntamente com seu fã-clube, sobre eu possuir algum tipo de envolvimento com Molly, e quem diria, você estava certo!
Anderson pareceu surpreso pelo reconhecimento de Sherlock, e logo se sentiu como um leãozinho orgulhoso. Sherlock notou, e disse:
– Não se empolgue, foi só dessa vez! Geralmente você é um idiota!
– Sherlock! – disseram Molly, John e Mary ao mesmo tempo.
Ao perceberem isso, os três e Sherlock riram da situação. Sherlock arrumara três pessoas para dar bronca nele.
– Estou aqui com três pessoas que sempre estiveram dispostas a me ajudar e a salvar minha vida: John, Mary e Molly! Molly me salvou e me ajudou em todos os momentos que precisei! – Sherlock agora se virou para Molly e segurou nas mãos de sua futura esposa – Essa garota frágil e tímida que todos vocês veem, é capaz de se transformar na mulher mais forte e corajosa que conheço, disposta a fazer tudo o que puder para ajudar aqueles a quem ama! E eu infelizmente só fui capaz de notar o que ela significava pra mim quando tive que ir embora!
Molly e Sherlock trocaram olhares significativos, que só ele e ela entendiam. Os olhos dela lacrimejavam e o detetive passou sua mão suavemente no rosto dela. Todos da igreja soltaram exclamações de aprovação ao gesto e aplaudiram. Molly soltou uma risada tímida.
– Mas eu ainda não terminei! – sussurrou Sherlock para a esposa.
– Então é melhor terminar, estamos pagando o padre por hora! – disse Molly em tom de brincadeira, indicando o padre com a cabeça.
– Por hora? Sério? – Sherlock se surpreendeu – Você é um padre, deveria fazer isso de graça! Onde está sua caridade católica?
– Sherlock! – Os três novamente chamaram a atenção de Sherlock e riram quando perceberam que fizeram juntos de novo.
– Pelo amor de Deus, apenas terminem logo essa cerimônia! – disse Mycroft mau-humorado, na primeira fileira.
– Vou enrolar até ver um sorriso no seu rosto, “irmãozinho”! – ameaçou Sherlock, com sarcasmo na voz.
Mycroft forçou um sorriso imediatamente após ouvir a ameaça do irmão.
– Bem Senhoras e Senhores, sem mais delongas! – o detetive voltou-se para Molly – Padre, como pode ver, essa mulher me aceita apesar de eu ser um maniaco e sociopata, e eu a aceito, apesar de ser um maniaco e sociopata! Ela é minha esposa e eu sou o seu marido, e agora, irei beijar a minha noiva!
Sherlock disse e fez. Ele e Molly se beijaram e a igreja rompeu em aplausos. O padre fazia uma expressão de quem não estava entendo o que estava acontecendo. O casamento já fora? Mas ele nem abençoara o casal! John tranquilizou o padre após perceber o quão perdido ele estava.
Porém, no meio de todos os aplausos e assobios que os convidados faziam para Sherlock e Molly, o barulho da porta da igreja abrindo se fez presente, chamando a atenção de todos.
– Ora, me desculpem pelo atraso! – disse o rapaz que adentrava a igreja – Mas fiquei confuso pelo horário, já que não recebi nenhum convite!
– Mycroft! – Sherlock chamou a atenção do irmão mais velho após reconhecer quem estava entrando na igreja.
Mycroft se virou para ver quem era. Seus olhos ficaram visivelmente surpresos e confusos.
– Quem é?! – perguntou John para o detetive , após ver a expressão que Mycroft fizera.
– Mas que alegria – começou Sherlock, porém com uma voz profunda e séria – Meus dois irmãos presentes no dia do meu casamento!
John ficou em choque. Sherlock tinha outro irmão?!A mãe e o pai de Sherlock também estavam surpresos. A sra. Holmes fez menção de levantar, mas o Sr. Holmes a impediu.
– Só vim transmitir meu amor e minhas felicidades, Sherly querido! – disse o rapaz com ironia na voz. – Não sentiu minha falta, irmãozinho?
A igreja rompeu em silêncio.
– É Sherlock, se você não se importa! – respondeu o detetive seco – E não, não posso dizer que senti Tomás!
O rapaz sorriu, um sorriso maléfico e assustador. Todos se entreolhavam preocupados e confusos.
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