Correndo Contra o Tempo
3 Capitulo 3
Notas iniciais
Sherlock não conseguia desgrudar os olhos da foto que Moriarty lhe enviara de Molly. Já estava a um bom tempo observando-a , procurando qualquer pista que pudesse leva-lo ao esconderijo de Moriarty. Mas ele simplesmente não conseguia desviar os olhos de Molly. Tão frágil, visivelmente assustada, sozinha e sendo humilhada por aquele psicopata. Se Moriarty desejava despertar o que havia de pior em Sherlock, ele havia conseguido, e encararia as consequências disso.
Sherlock respirou fundo, procurando se concentrar. Ele precisava manter –se inabalável para poder pensar com clareza. Sentimentos conturbados o atrapalhavam. “Se importar não é uma vantagem”, lembrou-se do que Mycroft lhe dizia.
– Pelo menos não agora! – disse para si mesmo em voz alta.
Estava sozinho na 221B, John havia ido para casa em um carro escoltado pela Scotland Yard e sra. Hudson havia saído com o quitandeiro do mercado debaixo. Pegou seu violino e passou a dedilha-lho, precisava pensar.
Jim Moriarty, consultor criminal, Richard Brooke, ator. Tudo isso estava ligado com o que estava acontecendo. “Despertar da Primavera”, Moritz, Tiro na cabeça, suicídio. Qual era mesmo o enredo da peça? Uma menina engravida do namorado, os pais o separam, a menina é obrigada a fazer um aborto mas acaba morrendo no processo. Os pais não contam para o namorado da menina que ela morreu e quando ele vai encontra-la, descobre seu tumulo no cemitério.
Será?! Não! Molly e ele não eram namorados – ao menos, não oficialmente – e certamente Molly não estava grávida! Não estava?!
“Está indo pelo caminho errado” – disse Molly em sua cabeça.
– Estou?! – perguntou Sherlock
“Sim! Por um acaso você esqueceu que a ideia dele era queimar seu coração?!”
– Não, não esqueci!
“Então! Ele só quer te atingir por conta da rede que você o fez perder!”
– Isso, a rede de contatos dele! Ela não existe mais, ele esta sozinho agora!
“Não!” – agora foi a vez do Mycroft da sua cabeça falar
– Não? – repetiu Sherlock.
“Não seja estúpido irmãozinho! O que você acabou de descobrir?”
– Que Moriarty é um ator!
“Isso, ele usa um nome falso, logo...”.
– Ele deve ter outras redes sob outros nomes falsos também! – completou Sherlock.
“Exato!”
A imagem de Molly voltou ao palácio mental de Sherlock.
– Me desculpe! – ele falou olhando com carinho pra ela – De todas as pessoas, você é a única que jamais deveria passar por isso! Eu nunca quis que você se machucasse! Jamais você!
A imagem de Molly sorriu compreensiva.
“Está tudo bem, Sherlock! Eu sei que você irá me encontrar e me salvar, assim como um príncipe encantado!”
Sherlock sorriu para Molly e assentiu com a cabeça.
– Sim, serei seu príncipe dessa vez!
De repente, um lampejo de luz vem novamente à tona na mente de Sherlock. Ele sai de seu palácio mental e vira novamente sua atenção para a foto. Pisos, iluminação, as cordas utilizadas nas mãos e pés de Molly. Piso do chão, pedra. Iluminação, um grande refletor de luz branca, cordas velhas, desgastadas, utilizadas várias vezes. Nós nos mesmos lugares, utilizaram-na várias vezes com a mesma finalidade. Pisos, luz, corda. Aonde tudo isso se encaixava? Richard Brooke, ator, Despertar da Primavera. Pisos, luz, corda.
Teatro dos Arcos.
Sim, sim! Teatro dos Arcos! Richard Brooke se apresentara lá na estreia da peça em Londres. O refletor tem o tamanho e está na altura de um refletor de palco. O piso é parte do palco de pedra do teatro, que ficou famoso por encenações nesse cenário. Cordas, utilizadas nas peças como acessórios. Várias peças sobre a escravidão foram encenadas nesse teatro. Isso! Essa era a resposta!
Sherlock pegou imediatamente seu celular.
Vamos resgatar Molly, traga sua arma!
SH
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– Molly, Molly!! – chamou a voz de Moriarty, como se procurasse um cãozinho.
– Cala a boca, Jim! – respondeu Molly já de paciência cheia desse jogo.
– Ui, que cãozinho mais desobediente! Você nunca desobedece Sherlock!
Molly não respondeu, olhava para ele irritada. Moriarty riu.
– Será que todos os cãezinhos de Sherlock são assim, tão fiéis?! O que ele fez hein, Molly?! Pra conseguir toda essa fidelidade?!
– Ele não teve que fazer nada! Sou fiel a ele por que quero!
A resposta de Molly fez Moriarty rir ainda mais. Deus, como aquilo a estava irritando.
– Assim que eu gosto! Feroz, zangada, decidida! Nada daquela frágil e bobona Molly!
– O que você quer, na real?! – perguntou Molly – Ferir Sherlock através de mim?! Qual é Jim, no final você é tão óbvio assim?
Moriarty calou-se, parece que Molly atingiu seu ponto fraco. Percebendo isso, a garota continuou.
– Vamos combinar que não tem nada de original nisso de “sequestrar a garota do mocinho”! Até por que, eu não sou a garota do mocinho, caso você não saiba!
Moriarty permaneceu em silêncio. Molly prosseguiu
– Se queria alguém pra ferir o coração do Sherlock, escolheu a pessoa errada! Sim, eu escrevi as coisas bonitas que ele me disse no meu diário, mas você conhece Sherlock tão bem quanto eu para saber que tudo o que ele me disse, era só pra conseguir com que eu fizesse favores à ele!
Moriarty suspirou.
– É...tem razão, Molly! Talvez você tenha razão! Se tiver, então não vou ter escolha...vou ter que te matar e arrumar outro brinquedinho pra brincar com Sherlock!
Não era essa a resposta que Molly esperava ouvir. Mata- la? Molly decidiu não falar mais nada.
– Tão entediante! – gritou Moriarty. – Sherlock está tão atrasado! Se você fosse John, ele já estaria aqui!
Molly abaixou a cabeça. Talvez fosse verdade, talvez fosse verdade o que Moriarty dizia e o que ela havia acabado de dizer a ele. Ela sabia que Sherlock viria atrás dela, disso ela não duvidava. Mas será que viria com o empenho em que iria se fosse John no lugar dela? Molly tentou não pensar nisso, não poderia mostrar essa fraqueza para Jim.
De repente, um barulho de algo ou alguém caindo invade o local. Moriarty sorri.
– Parece que meu convidado de honra chegou!
– Olá Moriarty, sentiu minha falta?! – disse o barítono tão conhecido por Molly e Jim.
– Sherlock...- sussurrou Molly, aliviada.
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