Correndo Contra o Tempo
2 Capítulo 2
Notas iniciais
– Acorde, psiu, psiu! Hey, Molly!
Molly se sentia tonta, sentia sua cabeça rodopiar e pesada. Abriu lentamente os olhos, ela reconhecia aquela voz. De quem era? A imagem estava desfocada, havia pouca luz, mas assim que seus olhos se acostumaram ela viu um rosto conhecido, um rosto que ela nunca mais desejou ver novamente.
– Jim?! – disse surpresa , com a voz mole.
– Bom dia, little puppet! – disse Moriarty sarcasticamente – Gostando do seu novo lar?
– O que? – perguntou com a voz ainda embargada, sem entender o que estava acontecendo.
Em uma tentiva de mexer em seu rosto e coçar os olhos, foi quando Molly percebeu que estava com eles amarrados, assim como seus pés.
– O que está acontecendo aqui?! – exclamou, agora já mais desperta.
– Bem, eu sempre quis um cachorrinho e já que Sherlock já tem o John, achei que era muito egoísmo dele ter dois e eu não ter nenhum!
– Do que você está falando, Jim?!
Moriarty se aproximou do rosto de mole e o levantou, forçando que ela o olhasse nos olhos.
– O erro foi meu, cachorrinho, eu vi o que ele significava pra você, mas não achei que você significasse algo pra ele! – Moriarty soltou o rosto de Molly, fazendo ele cair no chão – Quão estúpido eu sou, não?!
Foi quando Molly percebeu que ela estava no chão de um lugar que poderia parecer uma caverna, de tão escuro que estava. Havia apenas uma fonte de luz, e Jim estava contra ela. Molly só conseguia distinguir bem sua silhueta.
– Mas prometo Molly, isso não vai se repetir! Eu nunca mais irei subestimar você de novo! –a voz de Moriarty saiu mais séria.
– Está enganado – começou Molly, já conseguindo associar o assunto de Moriarty – Eu não represento nada para Sherlock Holmes!
Moriarty riu de uma forma sinistra.
– Não tente me enganar Molly! Afinal, você é...- Moriarty pegou um caderno e folheou algumas páginas. Após observar bem, Molly notou que se trava de seu próprio diário — ...”Aquela que importa mais!” – falou com uma voz de falsete.
Molly gelou, sentiu seu coração parar de bater. Moriarty sabia.
– Ah sim, eu sei! – disse como se ele pudesse ler a mente da menina – Mas não se preocupe Molly, não vou mata-la ainda, não, não, não! Tenho contas para acertar com Sherlock e você pode ser o brinquedinho que faltava para eu chama-lo pra brincar!
Molly não respondeu, sua respiração estava descompensada. Ela nunca sentira tanto medo em sua vida.
– Bem, prometi pra Sherlock que eu te alimentaria direitinho, então aqui está! – Moriarty jogou uma tigela de comida de cachorro com ração dentro. – Só o melhor para meu novo cachorrinho!
Moriarty fez carinho na cabeça de Molly, da mesma forma como se estivesse acariciando um cachorro. Molly repudiou seu toque. Moriarty apagou a única fonte de luz e saiu dando risada, deixando Molly sozinha, no escuro.
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– Sherlock, chegaram!
John adentrou com pressa na sala da 221B, estava com os arquivos que Mike enviara. Sherlock pegou os papéis da mão de John e os leu imediatamente. Jim Moriarty, 33 anos, nascido em...morto em....causa mortis: baleado na cabeça....nome artístico: Richard Brooke. Perai, o que?! Nome artístico?!
– Como assim nome artístico?! – disse o detetive agora em voz alta.
– O que? – perguntou John.
– Aqui! Nome artístico, Richard Brooke! – mostrou para o médico.
John pegou o papel da mão de Sherlock e enquanto ele lia, Sherlock andava de um lado para outro da sala. De repente, uma luz acendeu na mente do detetive e ele correu para o laptop de John.
– Mas ele foi desmentido, por que colocaram o falso nome dele? – perguntou John .
– Por que não é nome falso, ele realmente é Richard Brooke! – informou Sherlock mostrando os resultados da pesquisa que acabara de fazer.
John se aproximou da tela e viu Jim Moriarty, ou melhor, Richard Brooke em várias peças teatrais.
– Eu...eu não compreendo! – disse confuso.
– Moriarty é realmente um ator, com o pseudônimo de Richard Brooke! É muito comum atores usarem nomes diferentes dos seus verdadeiros, mantêm o anonimato! – explicou o detetive.
– Sherlock, o que?! Quero dizer, é Moriarty! Não é nenhum ator!
– Uma mentira vinda com uma verdade, torna a mentira plausível, lembra?!
– O que? Sherlock, explique direito!
Sherlock levantou-se da cadeira empolgado.
– Jim Moriarty é realmente um ator, que atuava com o nome de Richard Brooke, mas por trás desse disfarce, ele é o criminoso que conhecemos por Jim Moriarty! Entendeu?!
Jonh observava o amigo andando de um lado para outro na sala, de repente, outro baque em Sherlock e ele voltou correndo para o computador.
– Isso! – exclamou o detetive. – Aqui, John, veja! A relação de peças que ele fez!
– O que tem?! – perguntou o médico ainda tentando digerir a informação anterior.
– “Despertar da Primavera”, ele fez o papel de Moritz! Já assistiu a essa peça?
– Não, nunca!
– Nessa peça o personagem de Moritz se dá um tiro no meio do palco, cometendo suicídio!
Os olhos de Sherlock brilharam, ele descobriu como Moriarty havia fingido sua morte. John finalmente entendeu aonde o amigo queria chegar.
– Então, a morte dele...?
– Tudo um truque de teatro! Ele interpretou direitinho que havia morrido, até conseguiu baixar sua pulsação. Eu teria percebido isso em condições normais, mas estava tão atônito com a atitude dele, que não consegui perceber! iMuito esperto!
– Então agora sabemos que Moriarty está vivo! Só precisamos saber onde ele está e encontrar Molly!
Uma nuvem negra passou pelo semblante de Sherlock. Molly! Ele havia esquecido que Moriarty a levara. A empolgação pela descoberta de como Moriarty fez para fingir sua morte desapareceu em um milésimo de segundo. De repente, um bipe no celular de Sherlock.
Ele abriu a mensagem.
Não disse que cuidaria bem do seu cachorrinho?!
JM
Anexado, veio uma foto de Molly no chão, com os pés e mãos amarrados. Na frente da garota, havia uma tigela de cachorro com ração dentro. Sherlock sentiu seu estomago embrulhar, sua raiva era tanta que ele jogou o celular contra a parede.
– Não! – gritou John salvando o celular a tempo – Se quebra-lo, perderemos contato com Moriarty!
– EU VOU TE ENCONTRAR!! – gritou Sherlock, assustando John.
Um novo bipe. Sherlock se recompõe e lê a mensagem.
Não vai não!
JM
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