Corona

9 Weasley & Weasley


Notas iniciais
GENTE, LÊ ISSO AQUI! LÊ. ISSO. A-QUI! LÊ! NÃO PULA! NÃO! NÃO FAZ ISSO! CONTINUA LENDO! TÃO LENDO? DEU CERTO? Eu amo vocês ♥ VOCÊS TEM A PEQUENA NOÇÃO DO QUANTO VOCÊS SÃO FODAS PARA UM EXCELENTISSIMO SENHOR CARALHO?!?! Temos agora mais de setenta comentários e mais OITENTA acompanhamentos, mano, OITENTA pessoas estão acompanhando essa história. Eu vou morrer. E não acaba por ai: DEZESSETE marcaram ela como favorita, e o número maravilhoso: mais de 1.668 pessoas visualizaram a história. Vocês tem noção do que são 1.668 pessoas? Com, agora, nove capitulos? Gente, esses números, com NOVE capitulos postados, são assustadores, e eu não podia estar mais feliz. Então, por eles, quero deixar aqui o meu obrigada de todo coração por vocês me darem essa chance. Eu amo vocês. Gente, que enorme, vamos voltar a nossa programação normal UHEUAHE' DE NOVO eu tô respondendo os comentários, tá? Os comentários do cap 8 vão ser respondidos todos ainda hoje, e os comentários que chegaram nos caps antigos, no mais tardar amanhã ♥ Certo, amo vocês e sabem que eu respondo mesmo ♥ Obrigada a Ero Hime, Paas Malfoy, Syh All Black, Ella Branco (Bella ♥), Kyle, Luiza Avelino, Caique Morningstar e Princess Rapunzel Sunny Spring pelos comentarios lindos, diwos, perfeitos e maravilhosos ♥ O cap é pra vocês ♥ Sem mais delongas, juro solenemente não fazer nada de bom ♥

Eu sabia que estava em mais problema do que imaginava quando vi os quatro diretores das Casas e o próprio Alvo Dumbledore na entrada do Grande Salão. Eu havia voltado para a escola um pouco antes do horário do jantar, quando a fome e a sujeira já haviam chegado a níveis desagradáveis para mim. Tive pouquíssimo tempo para observá-los: os olhos frios de Snape, a boca apertada de McGonagall, as mãos agitadas de Sprout., os pés inquietos de Flitwick e os olhos brilhantes de Dumbledore. Me concentrei neles, pois estavam tão terrivelmente calmos e trancados, não deixavam nada a mostra, nem quando procurei algum misero sussurro. Então ele sorriu.

— Bom, aí está nossa aluna fugitiva — era a mesma voz de que eu me lembrava do discurso de boas-vindas, mas sem o tom caloroso e divertido. Era gentil, com certeza era. Mas até mesmo venenos podem ser anestésicos. — Presumo que devemos cancelar as buscas, professora Sprout. Poderia mandar Filch avisar a Hagrid? Quanto aos demais, creio que poderão avisar aos seus colegas que a srta. Lewis já retornou em segurança e a rotina poderá prosseguir. Venha a minha sala o quanto antes, Minerva. Senhorita Lewis, Severo, por favor.

Dumbledore manejou com a cabeça em um sinal bastante claro para que o seguíssemos e me perguntei se ele era cego, mas então percebi que era apenas justo. Porque ele deveria se importar com a lama e terra nos meus pés descalços e na sujeira no meu cabelo e rosto se, para começar, eu mesma não me importei? Isso me fez ficar em silêncio enquanto caminhávamos para o terceiro andar e parávamos em frente a uma grande gárgula de grifo por onde já havia passado várias vezes e haviam rumores de era capaz de falar, mas ninguém nunca ouviu.

— Balinha de Hortelã — a voz do diretor fez a gárgula se mexer para o lado, revelando uma escadaria em espiral. Ele continuou andando, subindo para a torre, enquanto eu pensava se alguém já havia ido parar na diretoria na primeira semana de aula. Como Hogwarts existia a uns bons mil anos e mais, era provável que sim.

O escritório do diretor, quando finalmente chegamos (e eu tinha uma satisfação pessoal de ter deixado tantos degraus sujos de terra para Snape arrastar a capa logo depois), se revelou uma grande sala circular que deveria ser bastante clara durante o dia pela quantidade de janelas. Também me parecia que havia quadros demais nas paredes, todos eles de olhos fechados e ressonando baixinho, o maior deles ficava imediatamente atrás da mesa principal: era de um homem velho e com cara de bobão que deveria ter sido o diretor anterior a Dumbledore, que, aliás, o único toque pessoal da sala eram as mesas aqui e ali com pequenos e curiosos, além de delicados, instrumentos de prata que zumbiam sem parar e soltavam pequenas nuvens de fumaça. Tinha livros o suficiente ali para preencher uma seção inteira da biblioteca, além do Chapéu Seletor (calado, graças a Merlin) e um poleiro vazio.

— Sente-se, srta. Lewis, aceita um pouco de chá? — Ele me perguntou, ele mesmo se sentando em sua mesa. Mesmo achando potencialmente perigoso, me sentei em uma das cadeiras à frente, com Snape ao meu lado.

— Não, senhor, obrigada — eu não era incapaz de demonstrar respeito, eu apenas demonstrava a quem achava que merecia. E Alvo Dumbledore era uma dessas raras pessoas, em conjunto com abadessa Joan e Minerva McGonagall, que possuíam essas faíscas nos olhos e a voz bastante baixa. — Mas se me permite, não estou expulsa?

— Deveria — a voz seca de Snape fez minha cara se contorcer. — Quanta irresponsabilidade e arrogância! O que está pensando, Lewis?!

— No momento, que sua mãe escolheu seu nome com uma precisão cirúrgica — devolvi e juro que achei que o homem iria pular no meu pescoço, mas Dumbledore chamou nossa atenção.

— Srta. Lewis, por favor, mais respeito com o professor Snape — mandou com a voz gentil de um pedido. — E não, senhorita, você não será expulsa, mas temo que a duração de sua punição e qual será ela está a cargo do diretor de sua Casa.

O que não tornava o ofender a melhor das ideias. Umedeci os lábios enquanto me afundava na cadeira. Não deveria ter saído da floresta, mas Lagrum estava dormindo e eu imunda e entediada. Cocei meu próprio rosto, mas parei quando senti o olhar pesado de Dumbledore em mim. Devolvi o olhar e imediatamente me arrependi. Foi como colocar o Chapéu Seletor, mas era mais pesado. Fez minha cabeça doer e tentei mandar ele embora, e consegui, mesmo que suspeitasse que havia saído mais por conta própria.

— Que merda... — esbravejei levando os dedos a ponte do nariz. Uma dor vinha dali e ameaçava se alastrar por toda minha cabeça.

— Olhe a boca, menina petulante — Snape quase latiu para mim, mas o diretor balançou uma mão para ele.

— Está tudo bem, Severo, ter a mente invadida contra a vontade nunca é a melhor das sensações. Peço sincero perdão, senhorita Lewis, mas eu devia imaginar... Severo, acha que poderia...?

— Ela é apenas uma criança — havia um misto de desprezo e incredulidade em sua voz, e seus próprios olhos me encararam. Trinquei o maxilar, imaginando que ele fosse fazer o mesmo que o diretor, mas qualquer ataque não veio.

— Com talentos excepcionais e aflorados, não há dúvida. Ela deve aprender a não machucar os outros e a se proteger. Sabe bem como são habilidades perigosas.

— Eu ainda estou aqui — sibilei para interromper a conversa a dois. Estava começando a detestar aquele olhar complacente atrás dos óculos meia lua.

— Me diga, Malorie...

— Mal –- cortei. — Me chame de Mal.

— Mas você não consegue ficar quieta, não é mesmo? — Snape tinha veneno nas palavras. Felizmente, eu já tinha ele nas veias.

— Você consegue?!

— Respeito, srta. Lewis — Dumbledore lembrou, me fazendo bufar. — O que eu perguntava era a quanto tempo você tem a capacidade de ler a mente dos outros.

— Os sussurros? — Arqueei uma sobrancelha, encolhendo os ombros. — Eu não sei... desde nova. Mais nova. As vezes procuro ouvir, na maioria das vezes eles são só... altos de demais.

— No nosso mundo, chamamos essa habilidade de legilimência. É a magia que permite que um bruxo leia os pensamentos de outros e pode ser feita tanto de modo avançado, não verbalmente, quanto lançando um feitiço especifico. Você tentou ler minha mente na entrada e é por isso que está aqui — o diretor deu um sorriso pequeno quando eu abri a boca, então achei melhor voltar a fechar. — Eu sei que não conseguiu, mas ter consciência de uma magia tão avançada na sua idade é digno de atenção. O professor Snape é muito versado em oclumência, a única forma de se proteger a mente. Estou então pedindo que ele a ensine a controlar seus impulsos e a fechar sua mente na mesma intensidade.

Porque eu não estava surpresa do morcegão ter a mente blindada? Massageei a testa outra vez, subindo e descendo pela ponte do nariz antes de concordar com a cabeça. Tinha escolha? Menti para o diretor. Algumas vezes eu fazia muito mais do que tentar ouvir. Posso dizer algumas situações em que as pessoas fizeram coisas que eu queria que não fariam em seu juízo perfeito. Isso sim, às vezes, era intencional. Outras, não. Até hoje havia considerado um golpe de sorte olhar nos olhos de alguém e desejar que ele fizesse algo e ter meu desejo realizado.

No entanto, saber que era minha culpa agora me deixava com náuseas que não tinham nada a ver com a fome. Poucas vezes utilizei de forma intencional, e sempre com ótimas razões. Minha vitima principal era Greta e, quando não, alguma das meninas que corriam atrás dela achando que apanhariam menos. Nas outras vezes... senti um gosto bastante amargo com a consciência de ter forçado minha vontade contra alguém incapaz de se defender.

Eles não conversaram por muito mais tempo. Na verdade, a conversa havia praticamente acabado. Era engraçado pois não ouvi Snape concordar com a ideia, mas Dumbledore parecia ter absoluta certeza de que seu pedido seria atendido com o máximo de pressa. Eu também. Alvo Dumbledore era do tipo que tinha ordens atrás de cada pedido e sugestão de voz mansa, o que me fez sorrir. Era um bruxo poderoso, o velho.

— Já aconteceu antes? — Eu já estava na porta com Snape ao meu lado, mas tinha que perguntar. Os olhos azuis do diretor cintilaram. — Outras crianças mostrando isso tão cedo, digo. Me ajudaria saber que não sou uma completa aberração.

O diretor não me respondeu por um bom momento. Se eu estivesse sentindo alguma coisa, diria que estava usando legilimência em mim com a intensidade em que me olhava. Então pareceu suspirar e sorriu, e me parecia honesto quando sorriu já que o sorriso era triste e meio cansado, como alguém lutando por algo que sabe que pode se arrepender.

— Só uma vez, que tenha visto — respondeu. — Tenha uma boa noite, Mal.

Severo me tirou dali em silêncio, mas infelizmente abriu a boca quando saímos pela gárgula. O barulho do Grande Salão movimentado para a hora do jantar chegava até nós, mas não estava mais com fome alguma. A vontade de me lavar e de adiar ser confrontada com as fofocas e olhares fez com que meu único desejo fosse ir para o dormitório.

— Sua detenção começa hoje — murmurou para mim. — Vá para minha sala daqui a meia hora.

Tive vontade de pisar na barra da capa dele quando me deu as costas, a imagem dele tropeçando sufocando vindo em flash na minha mente, mas acabei ficando parada. Se o ofender não era uma boa ideia, imaginei que o atacar fisicamente fosse pior ainda. Então deixei que Snape fosse em direção ao Grande Salão para comer e desci em direção as masmorras, ignorando da melhor forma que podia o cheiro das comidas de Hogwarts.

A Sala Comunal estava gloriosamente vazia e ignorei até mesmos os quadros que espicharam o pescoço para me ver passar. Devia agradecer a eles, provável, por qualquer boato sobre os incidentes de ontem a noite terem vazado pelo castelo inteiro, o que eu não duvidava de forma alguma.

Já dentro do banheiro, deixei meu uniforme e meias imundos dentro do cesto e tomei um banho bastante demorado para tirar toda mucosa de réptil, pedaços de folha e poeira terrosa que haviam grudado em mim e, mesmo assim, ainda estava sozinha quando terminei. Vesti uma blusa de mangas cumpridas fina e uma calça jeans, apontando minha varinha para meus coturnos e os fazendo ficarem limpos outra vez e foi com nenhum entusiasmo que andei de forma obediente até a sala de poções.

O jantar devia estar acabando agora, mas Snape já me esperava. Estava sentado na sua escrivaninha e sequer levantou a cabeça quando entrei para dizer que eu devia começar limpando uma grande pilha de caldeirões, antes de limpar seus potes de ingredientes que usava na aula. Fiquei mais de duas horas ali embaixo e nem eu e nem ele falamos muito além de grunhidos ocasionais aqui e ali para demonstrar que ainda tínhamos alguma consciência da presença um do outro.

Era reconfortante limpar. Entrei em tão estado interno que pensei se não tinha feito tudo de forma consciente. Era fácil ficar ali, no escuro e no silencio. Limpando, esfregando, arrumando e organizando até os braços tremerem. Me lembrava a minha infância e me lembrava do orfanato, me lembrava de Greta. Claro, teriam alguns acréscimos. Sempre quando era ela que supervisionava meus castigos braçais (pois as outras freiras não pegavam em palmatorias, mas nos empurravam em cima dos esfregões), ela sempre tinha um jeito novo de fazer com que o tempo se prolongasse. Ela tinha principal afeição pelo torniquete espinhento e eu me lembrava o quão difícil era limpar meu sangue do chão.

— Se derrubar qualquer coisa aí vou te fazer recolher com a língua, então preste atenção — a voz do professor afastou a dor fantasma das minhas panturrilhas enquanto eu virava minha cabeça para vê-lo. Eu estava segurando um frasco de forma frouxa pelos dedos, mas encolhi os ombros. Não iria derrubar, só se quisesse.

— Me explique melhor sua noção de absorção da língua humana, professor, me parece fascinante — retruquei ao colocar o frasco, agora limpo, em seu devido lugar. Pensei ter visto uma veia saltar na sua testa, mas ignorei. Já ia passar para a próxima prateleira quando ouvi o barulho da cadeira se mexendo e então Capitão Gancho estava parado ao meu lado.

— Não consegue manter a maldita boca calada, não é mesmo?

— Manterei no dia em que você achar o shampoo — fiz meus lábios se abrirem em um sorriso ao virar para encará-lo. Snape era um homem alto e isso me fazia ter uma visão desagradável de suas narinas naquele nariz enorme, mas estava mais focada em seus olhos. Não havia qualquer sussurro ali e, de forma inacreditável, o homem esboçou o que eu acho que era um sorriso na terra dos infelizes.

— Realmente não ouve os outros, não é? Ou apenas achou que era exagero?

— Não tentei fazer nada — rebati, porque não havia mesmo. — Eu simplesmente ouço. É mais fácil quando olho nos olhos, mas não forço coisa alguma.

— Por alguma razão desconhecida, você é naturalmente versada em legilimência — respondeu me analisando. Não acreditei que estávamos tendo essa conversa. Sem Harry Potter por perto, Snape descia alguns níveis no quesito odiável. Poucos, mas descia. — Ela é uma magia que pode ser executada como qualquer outro feitiço, claro, mas há aqueles naturais que não precisam empunhar uma varinha para adentrar à mente de outra pessoa, sequer necessitam de contato visual. Pouquíssimos bruxos são assim e pode ser uma habilidade perigosa. Já usou em alguém?

— Perdão? — Eu havia ouvido bem, mas isso não era algo que eu queria discutir com ele. Principalmente porque a resposta era sim, claro que já havia entrado na cabeça dos outros e as bagunçado de propósito. Não foram tantas e foi apenas com quem merecia ter a mente remexida, mas fiz e não me arrependia nem um pouco. — Quem sabe? Talvez tenha feito sem notar.

— Claro — o professor não era tão obtuso quanto parecia. Tinha os olhos muito focados em mim e tentei ao máximo construir algum tipo de muro ou barreira. Severo Snape era a ultima pessoa naquela escola que eu deixaria ter acesso a minha mente. Ele poderia ver Lagrum, poderia ver Greta, poderia até mesmo ver o acidente dos meus pais. Eu o mataria antes que enfiasse aquele nariz enorme em coisas de nível tão pessoal. — Deve aprender a controlar isso antes que possa se meter em problemas ao ouvir algo que não deve. Igualmente, conseguir se proteger é necessário. Uma vez que mostre ser capaz de invadir, deve ter a decência de ser capaz de se proteger.

— Fascinante — murmurei ao jogar a esponja e o pano de volta no balde ao meu lado. — Posso ir?

A porta da sala se abriu com um movimento sutil de varinha de Snape e imediatamente fui em sua direção, deixando-o para trás. Ainda ouvi, enquanto passava pela porta, que eu deveria voltar na mesma hora do dia seguinte. Respondi alguma coisa sobre velhos solitários e seus desejos secretos e peguei o caminho da sala comunal.

Já eram quase dez horas da noite e eu estava oficialmente faminta. Me perguntei onde caralhos ficavam as cozinhas desse lugar, já que não seria problema para minha consciência buscar um pouco de comida. Fazia isso com frequência no orfanato, mas lá eu sabia onde a comida ficava. Já estava me conformando a esperar pelo café da manhã quando ouvi passos. Não ouviria se meus ouvidos não estivessem acostumados a captar deslizes de uma cobra tamanha era a suavidade que eram dados, mas eram definitivamente passos no chão de pedra.

Com um pouco de esforço naquele silêncio, subi as escadas até o primeiro andar do castelo, estreitando os olhos tentei enxergar de onde vinha o barulho. Minha mente faminta e cansada ficava se focando em Hagrid tirando o pacote de Gringotes. E se estivesse aqui agora, na escola? E se estivessem tentando rouba-lo, de novo? Hogwarts era o lugar mais seguro do mundo, mais que Gringotes, mas ninguém nunca havia tentando invadi-lo também.

Se passou pela minha cabeça dar meia volta e avisar a um professor? Não. Nem por um momento. Não que eu achasse que todos os adultos eram como Irmã Greta, mas digamos que sua figura minou consideravelmente minha fé nessa faixa de idade. Continuei andando sozinha, passo por passo, e agradeci por frequentemente esquecer que tinha uma maldita varinha comigo, pois só Merlin sabe o que teria saído dela naquele momento. Em contrapartida, apenas acertei um soco em quem segurou meu ombro.

— Ai! Essa doeu! — Era uma voz masculina. Não muito grave, então não era adulto. E eu a conhecia, bom, quase. Havia a ouvido cantar no banquete de boas-vindas.

— Eu disse para não surpreender a sonserina, Fred, eu disse — a outra voz, quase idêntica a primeira, estava bastante perto e, em um movimento de varinha deles, os rostos sardentos coroados de cabelos ruivos apareceu na luz baixa.

— Geralmente não concordo com caras que me encurralam durante a noite, mas ele está certo. Não foi uma boa ideia — respondi olhando o garoto que massageava o próprio ombro com uma careta. Era espantosamente parecido com Ronald, o que me dizia que a genética da família nunca falhava. Só era mais alto, tanto quanto seu irmão do lado, e tinha um sorriso que com certeza faria ele ser mandado direto para a capela rezar se pisasse no orfanato.

— Não tem problema, agora eu sei que os boatos são verdadeiros — ele se ajeitou, deixando o ombro esquecido. — Eu sou Fred, esse é meu irmão Jorge e é um prazer conhecer a única sonserina que presta em milênios de Hogwarts.

— Malorie Lewis — sorri para eles. — Mal, na verdade. E direi que é um imenso prazer se os dois me disserem que conhecem a cozinha desse lugar, estou faminta.

— Mas isso é fantástico, Mal — Jorge respondeu. — Porque estávamos indo para lá mesmo. Então que tal um acordo?

— Nós te levamos — Fred estendeu aquele sorriso, sendo imitado por seu irmão.

— E você nos concede a honra de ouvir em primeira mão sobre como arremessou Draco Malfoy em uma parede como se fosse uma grande e loira bomba de bosta — Jorge completou, o que me fez rir. Acho que era um costume de gêmeos completarem a própria frase dessa forma.

— Já não ouviram tudo mil vezes e mais? Acho que superestimei as fofocas por aqui — devolvi o sorriso para eles, pois eu de fato era mandada para a capela à primeira vista todo dia. — A honra será minha.

Cada um enganchou em um braço diferente e finalmente saímos do canto do saguão de entrada. Os gêmeos me levaram para uma escadaria do lado oposto ao que levava as masmorras, mas que também ia para baixo. Não era cumprida e logo paramos em frente a uma grande pintura de uma cesta de frutas. Fred (ou Jorge, ainda não sabia bem) estendeu os dedos e fez cosquinhas na pera. A fruta se contorceu e riu antes de se transformar em uma maçaneta igualmente verde.

— Faça as honras, madame — os floreios exagerados me forçaram a morder a boca para não rir alto enquanto esticava minha mão e abria a porta/quadro. Achei que já havia me cansado de ficar impressionada com magia, mas Hogwarts realmente não brincava em serviço. As cozinhas eram tão grandes quanto o Grande Salão e haviam até mesmo cinco mesas idênticas ali, todas vazias. Fogões, balcões e carnes penduradas no teto. Pelo que se esperaria de uma cozinha em um porão, ali não era nada abafado ou quente. Era confortável como uma grande cozinha deveria ser, cheia de seus seres pequenos e olhudos com grandes orelhas de morcego.

— Esses são os elfos domésticos que trabalham aqui — um dos gêmeos me explicou. — Na hora das refeições, eles fazem a comida e põe nas mesas aqui, que imediatamente aparecem nas mesas lá de cima.

— Eles também limpam o castelo — o outro continuou. — Salas Comunais, banheiros, salas de aula... acho que nem mesmo nós conhecemos esse lugar como eles.

— Podemos ajudar, meus senhores? — um dos elfos se aproximou. Tinha a pele rosada e sem pelos, meio enrugada. Era baixo, do tamanho de uma criança de cinco anos, com nariz fino e cumprido e olhos castanhos do tamanho de bolas de tênis. Sorri para ele, os achando mil vezes melhores do que os duendes. Eram até fofos.

— Eu perdi algumas refeições — expliquei. — Estou faminta. Poderia me arrumar um pouco de comida, se não for incomodar?

Na hora já percebi que não incomodaria nada. O elfo sorriu como se eu houvesse lhe dito que o Natal chegou mais cedo, juntando as mãos e fazendo uma reverência profunda. Outros que estavam prestando atenção também sorriram em minha direção, como se todos estivessem largados no tédio e procurassem algo para fazer, mesmo que não houvesse nenhum parado quando entrei.

Os gêmeos andaram até a ponta de uma das mesas depois de pedirem comida para eles também e sorriram de uma forma um pouco menos soturna ao me ver concentrada nos elfos.

— Eles adoram servir, por mais estranho que pareça. É da natureza deles, se sentem úteis e tudo mais. Depois que você sabe como entrar na cozinha, não tem forma de você não conseguir comida em Hogwarts, pois eles nunca vão negar — Fred me explicou.

— Mas, diz, é verdade tudo que estão dizendo? — Jorge esticou suas pernas no banco cumprido. — Sabe, que você ficou com olhos vermelhos e fugiu para a floresta para ir atrás de Você-Sabe-Quem.

— Não fui atrás de Você-Sabe-Quem.

— Então a parte dos olhos é verdade? — Fred tinha os olhos piscando e um sorriso largo. — A gente não sabia se acreditava ou não, porque sabe como é. As noticias se transformam em boatos e vão passando de boca em boca...

— De Casa em Casa...

— E a gente não fica muito seguro do que acreditar. Ouvimos que você é uma bruxa das trevas disfarçada.

— Que é alguma espécie de monstro.

— Até rumores sobre abaixo assinados para procurar o Chapéu Seletor e ver se ele não se enganou — Fred terminou a frase cortada entre ambos. No meio tempo disso, apenas apoiei minha cabeça na mão e fiquei olhando, meio achando graça e meio fascinada por essa conexão estranha. Considerava que eu e Lagrum éramos unidos (muito mais do que cobras e seres humanos costumam ser, ao menos) mas não terminávamos frases dessa forma.

— A criatividade das pessoas é invejável — deixei que um sorriso aparecesse e me inclinei para eles. — Aqui vai, então, em ultima mão: eu havia acabado de voltar de uma tarde com Harry e o irmão de vocês, Rony. Ficamos tomando chá com Hagrid e tinha sido ótimo, então claro que alguma besteira iria acontecer. Assim que cheguei na Sala Comunal e cumpri minha obrigação existencial de cortar as fantasias egocêntricas da loirinha, ele começou a falar merda das minhas companhias e eu o acertei com um feitiço. Meus olhos ficam vermelhos quando fico com raiva de verdade e não, não sei a razão, sempre foi assim. Enchi o saco das bocas abertas de todo mundo e me entoquei na Floresta Proibida até hoje. Fim da história.

— E pensar que você é da Sonserina, Mal — Jorge limpou uma falsa lagrima emocionada do canto do olho. — Vamos, eu juro que te enfio na nossa Sala Comunal e ninguém vai notar.

— Um dia eu aceito o convite, Weasley, mas por hoje eu vou para as masmorras depois de comer — pisquei um olho. — Além do mais, gostaria de não ficar na detenção até me formar.

— É um bom motivo, mas quase não acredito que Snape te pôs em alguma punição. Ele vive passando a mão na cabeça dos alunos dele, não importa quão absurdo a situação pareça — Fred contou. — Não pensei que haveria um limite.

— Aparentemente, esse limite se chama Malorie Lewis — Jorge riu. — Eu queria que McGonagall fosse tão tranquila assim. Ela fica em quarto lugar na Taça das Casas, mas vai tirar quantos pontos achar necessário da própria casa dela.

— Acho que isso se chama ser justa e honesta e todas essas coisas honráveis — encolhi os ombros com um sorrisinho. — Nós sonserinos precisamos de um bom motivo para isso, aliás, precisamos de um bom motivo para fazer a maioria das coisas.

— E pelo jeito você encontra bons motivos para quebrar as regras, não é Mal? — Era um pouco assustador quando eles falavam ao mesmo tempo, mas soltei uma risada. Os elfos vinham se aproximando carregando travessas de comida para nosso banquete particular e senti meu estômago se revirar, completamente vazio.

— Considero minha própria vontade um excelente motivo para fazer o que eu quiser, se é isso que querem saber.

— Minha cara cobrinha — os gêmeos Weasley tinham olhos claros, assim como Ronald, mas os deles tinham aquela chamada ao caos que me fazia sorrir. — Prevejo o início de uma proveitosa cooperação.

Notas finais
Então, gostaram? ♥ Deixem nos comentários, adoro falar com vocês ♥ ♥ LEMBRANDO que eu estou respondendo os comentários do cap 7 ♥ Malfeito, feito! ♥